sexta-feira, março 29, 2024

 

Hoje começa a Novena da Divina Misericórdia!

Jesus veio para nos salvar e faz tudo por tudo para o conseguir. Mesmo que tenhamos cometido erros horríveis, com Jesus é possível ter uma vida nova.

Nesta novena, cujo foco não somos nós em particular mas todos os irmãos, inclusive quem já partiu, descobrimos esse Amor e Misericórdia infinita de quem morreu por nós na cruz. 

Novena: Microsoft Word - novena_divina_misericordia_pm.docx (paroquiadosmartires.pt)

Saiba mais da Festa da Divina Misericórdia, pedida por Jesus: O sentido da Festa da Divina Misericórdia (cancaonova.com)


Santa Páscoa!

PS: Não deixem de ir à Adoração! :) 

domingo, março 24, 2024

 

Seremos como os fariseus?


“Porque é que hoje estais triste, Jesus? Dizei-me qual a causa do Vosso pesar.” Respondeu-me Jesus: “As almas eleitas que não possuem o Meu espírito, que antes vivem a letra e a sobrepuseram ao Meu espírito, ao espírito do Amor. Fundei toda a Minha lei no Amor e, no entanto, não vejo esse amor sequer na vida religiosa; por isso, o Meu Coração está cheio de tristeza.” In Diário de Santa Faustina, 1478


Nesta Semana Santa, Jesus mostra-nos as vezes que nós, religiosos e leigos, optamos por afastar o Amor da Tua lei. Num mundo onde existe cada vez mais extremismo, será que também nós somos fariseus que não entramos no Céu nem deixamos entrar outros? (Mt 23, 13)

 

sexta-feira, março 22, 2024

 

O outro é um ser humano como eu

 


“Foi um preto, certo?”. “Foi um cigano, só pode.” O primeiro comentário foi dito a uma amiga que teve problemas de segurança e o segundo foi dito a mim por causa de um caso de comportamento violento. Pois bem: erraram. Nas duas situações, os agressores são não ciganos, brancos e portugueses – não se vá achar que são imigrantes…

É preciso ter cuidado com generalizações e ideias falsas que são divulgadas em redes sociais e que se tornam virais, sem haver qualquer espírito crítico ou humanismo. Vivemos tempos muito difíceis em que se teima em ver a divisão nós, os bons, os outros, os maus. Vive-se cada vez mais numa bolha, onde só entra quem pensa como eu. Não há lugar ao contraditório, ao perceber o que é a realidade nua e crua.

Este tipo de comportamentos torna-se, na minha opinião, ainda mais horrível quando é posto em prática por cristãos, muitos deles de ida à Missa todos os domingos. Atualmente, existem diferentes grupos ideológicos a influenciar cristãos a discriminarem os seus irmãos de outras nacionalidades/etnias/cor de pele/religião.

Não podemos compactuar com isto, não podemos deixar que a nossa mente fique contaminada com ideias deste tipo. Lembram-se da atitude dos judeus, sobretudo dos fariseus e doutores da Lei, em relação aos samaritanos (estrangeiros)? De que forma Jesus lidou com isso? Basta recordar a mulher samaritana que vai buscar água e que tinha muitos maridos (Jo 4, 1-42)… Jesus acolheu-a, falou com ela…

Olhemos uns para os outros com os olhos de Jesus e não nos iludamos com teorias da conspiração e com estereótipos. O outro é como eu: imperfeito, mas amado por Deus. Em Mt 25, 31-46, Jesus é muito claro quando nos alerta para se dar atenção também ao estrangeiro e ao que foi preso. Seremos julgados pelo amor que tivemos (ou não) também para com quem tem origens diferentes das nossas e para com quem se perdeu e tem de pagar uma pena na prisão…



domingo, março 17, 2024


Obediência no sofrimento

 


Nesta Quaresma há uma palavra que me tem tocado de forma mais especial: obediência. Primeiramente, nas minhas orações, pensava: Meu Deus, onde estou a falhar? A que regras/indicações não estou a obedecer?

Ontem, na Adoração ao Santíssimo, antes da Missa, a palavra voltou: obediência. Voltei a questionar Deus: onde estou a falhar? Eis que na Missa, na II Leitura, veio a resposta: “Apesar de ser Filho, aprendeu a obediência no sofrimento.” (Hb 5, 8)

De facto, ando muito exausta nos últimos tempos e um passado recente ainda está a ser digerido… Ainda estou em processo de cura. Isso leva-me a refilar mais durante o dia. A obediência que Deus me pede, e que pede a todos nós, não se cinge a regras/preceitos. A mais importante – e a mais difícil – é a obediência no sofrimento.

É muito duro aceitar certas cruzes. A cabeça parece explodir perante certos desafios/barreiras… Até podemos entregar essas dores pela salvação das almas, em ato de reparação, mas, bem no fundo, continuamos a não aceitar essa cruz. E com isso sofremos mais, fazemos sofrer quem está à nossa volta e o nosso testemunho como cristão vai por água abaixo, porque nos tornamos ‘azedos’.

Ninguém está livre do sofrimento. Nem Jesus se livrou… “Agora a minha alma está perturbada. E que hei de dizer? Pai, salva-Me desta hora? Mas por causa disto é que Eu cheguei a esta hora.” (Jo 12, 27)

Ajudai-nos, Jesus, a obedecer no sofrimento. Ajuda-nos a lutar para sair desse momento difícil, mas enquanto não saímos, dai-nos força para não alimentarmos aquele ‘azedume’ que afasta tantos irmãos de Ti… Ámen.


sábado, março 09, 2024

 

Escutemos a Mãe!



Não deixemos o nosso coração se tornar estéril. Caso já esteja, tenhamos a humildade de o reconhecer, peçamos perdão e avancemos com Jesus, sabendo que Ele tudo pode. Ele perdoa-nos e mostra-nos o caminho para darmos bons frutos.

"Queridos filhos! Rezem e renovem seus corações para que o bem que vocês semearam dê frutos de alegria e de comunhão com Deus. O joio tomou muitos corações e eles se tornaram estéreis. Portanto vocês, filhinhos, sejam luz, amor e minhas mãos estendidas neste mundo que anseia por Deus que é Amor. Obrigada por terem respondido ao meu chamado”.

Mensagem de 25 de fevereiro de 2024, Rainha da Paz,Medjugorje



 

sábado, março 02, 2024

 

“Como se pode trair um amigo?”



Dou catequese a crianças de 9-10 anos, que se estão a preparar para a 1.ª Comunhão. No encontro da semana passada apresentei-lhes as estações da Via Sacra e alguns pormenores da Paixão de Jesus, pedindo que, no final, após um momento de silêncio, me dissessem o que mais os tinha tocado.

Admito que esperava uma resposta mais ligada à crucificação em si, ao sofrimento físico. Mas não. A maioria respondeu: a traição de Judas. Fez-lhes muita confusão como se vende um amigo por dinheiro e ainda por cima um amigo como Jesus. “Como se pode trair um amigo?”, perguntaram.

É verdade. Não se pode trair um amigo, sobretudo quando esse amigo é Jesus. Mas a verdade é que o fazemos vezes sem conta…

Com esta dinâmica não quis apenas ensinar-lhes a  Via Sacra e tudo o que está subjacente à Paixão de Cristo. Quis também que meditassem no que estava a ser dito, porque num mundo onde até a oração é feita a correr, acabamos por não meditar, por não interiorizar o que Deus nos quer dizer em cada momento.

Rezar a Via Sacra, meditar na Sua Paixão, é prática habitual na Quaresma. Mas será que oramos, isto, é será que meditamos, de facto, no que aconteceu? O que Jesus nos quer dizer todos os anos? Há algum momento/pormenor que me esteja a falhar e que não se limite aos horrores da crucificação?

Para a maioria dos meus meninos foi a traição de Judas. Para mim, é quando Jesus encontra Sua Mãe. Aquele olhar entre Mãe e Filho… Céus! É uma mistura de uma dor indescritível misturada com um Amor impossível de explicar por palavras. Acredito que ambos tenham sentido uma dor imensa, mas ao mesmo tempo um consolo enorme por puderem olhar um para o outro, procurando dar consolo um ao outro…

E a vocês? O que mais vos toca na Paixão de Jesus?

                                                         Meditações - Via Sacra: 

sexta-feira, fevereiro 23, 2024

 Misericórdia, pede-nos Jesus!


Estava a passar na rua e vi uma senhora a refilar com um senhor que estava a urinar num cantinho, a tentar não ser visto. É daquelas situações em que se a senhora não falasse alto, ninguém iria dar por aquele homem.

“Por que não vai à casa-de-banho de casa?”, perguntava. Quando olhei, percebi que o senhor, muito envergonhado, tinha ar de quem não devia ter um teto para dormir. Os olhos tristes, a roupa meio suja… E, infelizmente, tinha razão. É um sem-abrigo.

Esta cena fez-me lembrar a passagem de hoje do Evangelho: “Se a vossa justiça não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, não entrareis no Reino do Céu.” (Mt 5,20)

Porquê? Porque aquela senhora – que somos nós, muitas vezes - olhou para a regra sem misericórdia. Não pensou que aquela pessoa não ia à casa-de-banho de casa porque não tinha um teto ou porque, se calhar, tinha um problema de saúde que o impedia de aguentar até casa.  

Com esta mania que temos de olhar para a lei nua e crua, sem ter em conta o espírito da lei, cometemos imensas injustiças e humilhamos os nossos irmãos em Cristo. Lembremos o exemplo do sábado para os judeus. Levavam tão à letra a lei que até achavam que não se podia curar ao sábado ou que havia impuros e puros.

Jesus tinha sempre um olhar misericordioso. Aliás, se se reparar, reagia de forma mais rígida com os fariseus e doutores da Lei, que se achavam os puros, do que com os cobradores de impostos ou as mulheres adúlteras.

Como somos esta senhora muitas vezes, resta-me rezar: Jesus, enche-nos com a Tua Misericórdia para que, mesmo na correção fraterna, não esqueçamos que por detrás de um erro pode haver uma pessoa em sofrimento, que precisa de ajuda. Sabes como as palavras saem disparadas da nossa boca… Dá-nos autocontrolo e, sobretudo, olhos misericordiosos. Ámen.


 

domingo, fevereiro 18, 2024

 

Não tenho tempo…

 

Um amigo, evangélico, contou-me que precisou de oração num momento de profunda dor. Ligou ao pastor, mas não havia ninguém para orar com ele. Faltava tempo, havia mil e uma atividades. Este amigo, aflito, ligou a uma pastora no seu país natal e ela, apesar de estar num velório, conseguiu ter tempo para ele.

Isto passou-se com evangélicos, mas podia muito bem ter acontecido na Igreja Católica. Ou até com cada um de nós, na nossa vida familiar. Quantas vezes, dizemos que não temos tempo para o irmão que precisa de ajuda? Corremos, fazemos muito, mas será que o que fazemos é o mais importante?

Por exemplo, na Igreja faltam muitos trabalhadores para a messe (Mt 9, 38). Muitas vezes corremos muito, somos multitarefa, mas não oramos o suficiente. A nossa intenção é boa: queremos ajudar, dar resposta à missão, ao chamamento de Deus. O problema é que não paramos como Jesus para escutar o Pai (Mt 14, 23), para perceber realmente o que Deus quer de nós.

Com isto vamos deixando para segundo (ou terceiro, ou quarto…) plano o irmão que está ferido, em desespero, e que se calhar só precisava de 5 minutos para dizer o que lhe vai na alma. Nem sequer o olhamos nos olhos para ver a sua dor...

Nesta Quaresma devemos parar. Parar como nunca o fizemos antes. Como se fosse a nossa última Quaresma, como dizia uma amiga há uns dias. E no silêncio e na quietude perceber onde Deus – e não eu – quer que utilizemos o tempo que Ele nos dá. Deixo-vos este desafio, que também é meu. Pois também eu preciso de parar e escutar. 



terça-feira, fevereiro 13, 2024

 

Silêncio e quietude para escutar Deus

 


Esta manhã, ao entrar na Igreja, fui inundada pelo silêncio e pela quietude. Mesmo não sendo a primeira vez que recebo esta prenda de Deus, é sempre um momento maravilhoso. Infelizmente, nas nossas igrejas ainda se ouve demasiado barulho e conversas afins…

Ainda ontem participei num momento de oração e, no ensinamento de S. João da Cruz, falava-se da importância de se escutar a voz de Deus. Pessoalmente, sou defensora que se deveria apostar mais nesta oração silenciosa que leva à contemplação. Estar com Jesus sem palavras. Como se dizia ontem no grupo: dedicar um tempo à oração vocal, mas também ter tempo para o silêncio e a quietude.

Num mundo cheio de ruído, muitos são atraídos para outras religiões/movimentos por causa do silêncio – sobretudo, jovens. Nós, cristão católicos, que temos o exemplo de Jesus, que ia sempre orar em silêncio, não costumamos pô-lo em prática. Pelo menos, com a frequência necessária – há vários retiros de silêncio e paróquias que fazem recoleções mensalmente, mas não é uma prática generalizada.

Jesus avisa-nos em Mt 6, 5-7 que não são necessárias muitas palavras na oração. Obviamente, não se deve deixar a oração vocal – como o Rosário, que deve ser rezado todos os dias, como pede a Mãe -, mas por que não dedicar algum tempo ao silêncio?

Nesta Quaresma peçamos a graça de conseguirmos ter tempo para o silêncio e para a quietude, para a oração contemplativa. Ao início pode ser muito difícil, mas não devemos desistir. Jesus quer-nos falar, mas para tal temos que nos calar…

Boa Quaresma!  


sábado, fevereiro 03, 2024

 

O cristão acredita nos signos?

 


Quem me conhece já sabe a minha resposta quando me perguntam qual o meu signo: Não acredito nisso! E não acredito, porque sou cristã católica. Infelizmente, ainda há muitos católicos a acreditarem nesta mentira…

Mas, dizem-me, há maneiras de ser que são idênticas nas pessoas de determinado signo. Pois bem, mas quando se conhece Jesus e se procura, de facto, mudar de vida segundo o que Ele nos ensina, isso mantém-se? Não. A proposta dele é para todos. Se somos ciumentos e possessivos aprendemos a lidar com isso e deixamos de o ser; se somos perfecionistas e exigentes, passamos a usar mais a misericórdia, etc., etc.

Além disso, ao acreditarmos no Zodíaco, vamos contra o primeiro mandamento: Amar a Deus sobre todas as coisas (Dt 5, 6). Os signos do Zodíaco vêm do tempo da Babilónia, que na Bíblia é conhecida como pagã, como a “grande prostituta” (Ap 17, 1). Por outras palavras, o Zodíaco surge da terra que adora vários deuses. Pode-se assim confiar?

O Zodíaco tem inerente outra prática: a astrologia. Nem que seja ver o horóscopo – com coisas inventadas -, é uma prática de adivinhação e de falta de confiança na providência (Amor e Misericórdia) de Deus. Ele alerta-nos logo no Antigo Testamento:

“Ninguém no teu meio faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha; ou se dê a encantamentos, aos augúrios, à adivinhação, à magia, ao feiticismo, ao espiritismo, aos sortilégios, à evocação dos mortos, porque o SENHOR abomina todos os que fazem tais coisas. Por causa dessas abominações” (Dt 18, 10-12)

Não precisamos de signos, de astrologia, de horóscopos. Temos um Bem maior: Deus. Ele ama-nos imensamente! Jesus morreu na cruz por cada um de nós… Não merece que O troquemos por este tipo de superstições e deuses falsos. Deixemos estas práticas, confessemo-las e peçamos a Deus que nos liberte deste mundo falso. Não se trata de proibir por proibir. Deus alerta-nos para estas falsidades, porque sabe que não nos fazem bem. Escutemo-Lo!



sábado, janeiro 27, 2024

 

Yoga e reiki não são práticas cristãs

 


Estas palavras do título geram sempre grande confusão. Quer um como outro são bem aceites na sociedade – o reiki até é opção em hospitais – e quem experimenta diz que fazem maravilhas. Alivia o stress, minimiza a dor, etc., etc.

Uns padres/religiosos/leigos dizem que o cristão não deve enveredar por estas coisas, outros dizem que não há qualquer mal, outros ainda, são indiferentes. Em que ficamos?

O melhor é olhar para o que é o yoga e o reiki e comparar com o que nos diz a Palavra de Deus.

Yoga: De acordo com os textos hindus (uma religião de vários deuses) yoga, nas suas diferentes escolas, tem o objetivo de alcançar o Samádhi, a Iluminação da Consciência. Em suma, está ligado a uma filosofia de pensamento e de comportamento esotéricos. Os exercícios são uma parte de oito passos para se chegar a essa Iluminação. Daí um dos exercícios se chamar ‘saudação ao sol’…

Reiki: Os praticantes usam a imposição de mãos para transferir "energia vital universal" (qi) para o paciente com fins curativos. O mentor do reiki acreditava ter tido uma revelação mística e são usados símbolos …O mais poderoso é o Dai ko Myo e, segundo os mestres de Reiki, “eleva a frequência vibracional e facilita o acesso ao mundo espiritual”. Os padres exorcistas já tiveram de tratar casos graves vindos desta dita energia e mundo espiritual…

Isto é apenas um resumo minimalista, mas percebe-se que são campos ligados ao mundo esotérico e de mais do que um deus. O facto de saber bem, inicialmente, não significa que seja bom. Quantas coisas sabem bem e parecem boas e acabam por trazer coisas graves mais tarde?

Deus deu-nos outras coisas onde podemos ir buscar paz, tranquilidade e, por conseguinte, menos mal-estar físico e mental. Exemplo disso é a oração, inclusive em silêncio, a meditação da Palavra de Deus, a Adoração ao Santíssimo, todos os sacramentos, nomeadamente Unção dos Enfermos (não é apenas para quem está a morrer, mas para quem está doente).

"Quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perder a sua vida por minha causa, há de encontrá-la. Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? Ou que poderá dar o homem em troca da sua vida?” Mt 16, 25-26


sexta-feira, janeiro 19, 2024

 

O Papa e a pornografia


“O prazer sexual, que é um presente de Deus, é prejudicado pela pornografia: uma satisfação sem relacionamento que pode gerar formas de vício.” As palavras são do Papa Francisco e muitos acham que são retrógradas. Pois, mas na prática, este é um problema reconhecido por sexólogos.

Já fiz algumas reportagens e entrevistas sobre Saúde Sexual e mais que um médico me dizia que há quem tenha problemas na vida sexual por causa do vício da pornografia. Além da dependência psicológica com quadros graves de ansiedade, gera dificuldades na vida sexual do casal.

Cada vez que ouvia os médicos, pensava: Deus tem toda a razão. Dizem que os cristãos são uns pobres coitados por serem contra a pornografia, mas aqui estão os seus efeitos perversos.

Um prazer momentâneo acaba por se tornar um vício, uma dependência que causa angústia e tristeza. Hoje em dia, com o acesso tão fácil a este tipo de conteúdos – inclusive por parte de crianças e adolescentes – é preciso falar abertamente do tema, sem tabus, sem medo de dizer que  a pornografia não é o caminho mais correto.

Para quem me está a ler e tem este vício, incentivo a pedir ajuda a Jesus, por intercessão da Mãe. Sem medo, sem vergonha. Só reconhecendo aquilo que nos faz mal, podemos curar-nos. Peçam perdão no confessionário e, se for necessário, procurem ajuda médica. Somos templo do Espírito Santo (1 Co 6,19) não precisamos destes vícios e prazeres momentâneos e egoístas. Quer seja a pornografia, quer seja a masturbação. Aos pais, aconselho que falem com os filhos sobre estes assuntos.


domingo, janeiro 07, 2024

 

Será que aprisionas Deus dentro de ti?

 


Ao ler a Meditação do Padre Pedro Rodrigues sobre o Evangelho de hoje  (Mt 2, 1-12), algo me tocou profundamente. Os religiosos sabiam que o Messias viria de Belém, mas o anúncio dos magos não os desinstalou, não os levou a ir ter com Jesus. Será que nos acontece o mesmo?

O padre diz-nos: “Não nos podemos fechar nos nossos conhecimentos.” (in Liturgia Diária) Na sua meditação alerta para o facto de que, desde que Jesus nasceu, apenas os mais pobres e desprezados da sociedade é que O reconheceram. Os pastores, considerados impuros, os magos (astrónomos, diríamos hoje), que eram estrangeiros… Por outras palavras, aqueles que não se encaixavam nos cânones previstos na cabeça dos religiosos, que se consideravam donos da Lei  e da Palavra de Deus.

E nós, que nos dizemos cristãos? Será que fazemos o mesmo, ainda que inconscientemente? Será que achamos que a Palavra de Deus e o Seu Amor e Misericórdia são apenas para aqueles que “merecem” aos olhos humanos? E será que nos fechamos nos nossos conhecimentos, no nosso hábito de ir à Igreja e de rezar uma ou outra oração, sem nos importarmos com a sede de Amor e de Perdão dos nossos irmãos?

Jesus, peço-Te, pela intercessão da nossa Querida Mãe, que a Tua Palavra nos desinstale, nos leve a ir ter com os outros, escutando-os na sua dor, nas suas dúvidas, nas suas críticas. E a partir dessa ida às periferias – sobretudo, as existenciais – possamos mostrar o Teu Santo Rosto a todos, sem rótulos, sem exceções. Ámen.



quarta-feira, janeiro 03, 2024

 

O cristão imperfeito


Já pensaram como os discípulos eram imperfeitos? Mesmo após andarem com Jesus, abandonaram-no no momento de maior sofrimento. Pedro, que se considerava um destemido, negou-O. Quem lê a Bíblia percebe como eram tudo menos ‘a equipa maravilha’. Mesmo assim foi a eles que Jesus escolheu…

Pois bem, nós também nem sempre somos ‘a equipa maravilha’. E é isso que também temos que aceitar e admitir. Primeiramente, para podermos ver o que temos de melhorar com a ajuda de Deus; em segundo, para mostrar a quem não segue Jesus que existe um Deus maravilhoso que nos ama mesmo na imperfeição.

Durante anos temos afastado muitas pessoas da Igreja e de Deus por causa da mania de fingirmos que somos sempre muito bem comportados. A verdade é que somos seres humanos, com histórias de vida mais ou menos complicadas, mágoas bem ou mal geridas e que, tal como os discípulos, também fazemos figuras tristes.

É preciso admitir que erramos para nos corrigirmos e para pedirmos perdão. E desta forma mostrarmos como qualquer um pode seguir Jesus, sem medo, sem vergonha do seu passado. A casa de Deus é um lar de imperfeitos que procuram dar o seu melhor, mas que caem de vez em quando.

 A ideia de perfeição já afastou muitas pessoas, que acham que não vão conseguir ser aquilo que Deus espera de cada um. Deus sabe como nós somos. Sabe como, mesmo com grande esforço e grande conhecimento da Sua Palavra, vamos cair algumas vezes. Mesmo assim, ama-nos. Tal como amou os discípulos.


 

 

sexta-feira, dezembro 22, 2023

 

Homossexuais e bençãos... Pare-se com a confusão!

 


Já leram a Declaração do Papa Francisco sobre a bênção de casais homossexuais ou outro tipo de uniões que não sejam matrimónio entre homem e mulher? Pois bem, deixo-vos o link da Arquidiocese de São Paulo, no Brasil, que esclarece tudo e sem ideias falsas e maliciosas.

https://arquisp.org.br/noticias/esclarecimento-sobre-a-declaracao-fiducia-supplicans 

Como católicos, devemos ler atentamente o que é publicado pelo Vaticano antes de darmos uma opinião. O mundo das redes sociais tem um lado bom, mas também outro mais perverso. Um deles é a disseminação de informações erradas, que são reencaminhadas vezes sem conta.

Declaração: https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_ddf_doc_20231218_fiducia-supplicans_sp.html (ainda não está traduzido para Português, fica o Espanhol)


quinta-feira, dezembro 14, 2023

 

As palavras da Mãe são para ti e para mim

Comecei a semana com algum stress. Aliás, demasiado stress. Orava, mas a minha cabeça parecia que ia explodir. No final do dia, deparei-me com estas palavras de Nossa Senhora de Guadalupe a Juanito, quando ele estava a ter um dia difícil.

“Escuta, meu filho, e procura compreender bem. O teu coração está perturbado, mas não te aflijas. Nenhum deste género de males deve ser para ti motivo de preocupação. Não estou eu aqui, que sou tua Mãe?”

Como é tão bom ter uma Mãe que nos consola e que intercede por nós junto de Jesus!


quinta-feira, dezembro 07, 2023

 

Jesus é sem-abrigo e pede a tua ajuda


Perto de mim vive, debaixo de um viaduto, um grupo de sem-abrigos. A maioria vem de países onde lhes disseram que iriam ter melhores condições de vida. Acredito que todos eles, ou quase todos, possam estar a dever muito dinheiro a máfias que os enganaram e que ameaçam as suas famílias.

Passam muito frio debaixo desse viaduto. No outro dia fui levar-lhes um cobertor. Mais do que um correu, de olhos a brilhar, para apanhar aquele único cobertor… Excetuando um português, todos os outros eram asiáticos. Um deles marcou-me em particular. Coxeava, mal se aguentando em pé. Os olhos mostravam uma tristeza de morte. Deve ter 20 e poucos anos… Nem sequer conseguiu correr para o cobertor. As pernas não deixaram.

Esta é daquelas situações em que facilmente caímos na tentação de achar que não podemos fazer nada e que o melhor é não pensar mais nisso. Mas esta não é uma atitude cristã, humana. Mesmo que não se consigamos resolver o problema das máfias, podemos dar cobertores, alertar associações e autoridades. E, como cristãos, temos o dever de orar por estas pessoas.

A oração tem muito poder. Por isso, peço-vos: orem por estes irmãos. Oremos para que eles sejam libertados deste jugo demasiado desumano… Eles são o rosto de Jesus, são Jesus a pedir ajuda… (Mt 25)

 


sexta-feira, dezembro 01, 2023

 

Ai, as preocupações da vida!


“Tomai cuidado para que os vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida.” Lc 21, 34 Jesus acrescenta: “Ficai atentos e rezai continuamente, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes de pé diante do Filho do Homem.” Lc 21, 36

Destaco as preocupações da vida, porque a gula e a embriaguez não afetam a todos. As preocupações da vida, sim. Não há ninguém que não as tenha. E há alturas em que cai tudo em cima de nós. Jesus pede-nos confiança, abandono. Assim deve ser. Mas até o conseguirmos, pode ser necessário um longo caminho de aprendizagem, com altos e baixos.

Não apontemos o dedo a ninguém, nem acusemos ninguém de que não confia em Deus porque se preocupa demais. Ajudemos, sim, esses irmãos com mais dificuldade em fazê-lo. Só Deus sabe exatamente o que vai no coração e no inconsciente dessa pessoa. Será falta de oração e de leitura da Palavra de Deus? Será um problema de saúde mental que o impede de confiar, como é o caso da perturbação obsessivo-compulsiva? Será o trauma que viveu em criança e que ainda tem demasiadas raízes dentro dela, impedindo-a de confiar?

Seja o que for, a pessoa não vai conseguir viver sem se preocupar demais, como Jesus pede, com dedos acusadores. Mostremos o caminho de Jesus, mas sem julgar (Mt 7,1-5). 

 

sexta-feira, novembro 24, 2023

 

A Igreja tem de ser purificada...



O que nos ensina St.ª Catarina de Sena...

"Para me fazer compreender que as circunstâncias em que a Igreja se encontra são permitidas para lhe devolver todo o seu esplendor, a Verdade Suprema citou-me duas palavras que estão no santo Evangelho: «É inevitável que venham os escândalos»; e Nosso Senhor acrescentou: «contudo, ai do homem por meio do qual o escândalo vem!» (Mt 18,7). Como se dissesse: permito este tempo de perseguição para arrancar os espinhos de que a minha Esposa está rodeada, mas não permito os pensamentos pecaminosos dos homens."

Os espinhos na Igreja (que é cada um de nós) têm de ser arrancados... Mas não aproveitemos isso para escandalizar, para profanar a Palavra de Deus.

Ajuda-nos, Jesus, a perceber que a Igreja somos nós, abre-nos os olhos para percebermos até que ponto escandalizamos, até que ponto devemos ser purificados. Ámen.




domingo, novembro 19, 2023

 

Jesus dá-nos uma missão, não dá um ‘posto’


“Deixei de ir à paróquia X e de trabalhar lá, porque as homilias não são boas e porque não gosto dos padres.” Há uns tempos disseram-me isto. Fiquei a pensar: mas nós vamos à Missa e participamos no serviço de Deus por amor a Deus ou porque gostamos dos padres?

Não há paróquias perfeitas. Nada deste mundo é perfeito e tudo tem altos e baixos. Se a nossa paróquia tem problemas, não devemos abandoná-la, mas lutar por ela. Querem ouvir outras homilias? Façam-no, mas não abandonem a vossa paróquia, porque há muitas pessoas com sede de Deus. Com estes abandonos e guerrinhas não transmitimos a Palavra de Deus.

O chamamento de Deus não é um ‘posto’, mas uma missão.

domingo, novembro 12, 2023

 
E quem ajuda o padre?

 


“Não posso sequer ficar doente!” Estas palavras são de um sacerdote. Como o entendi! Também eu sinto na minha vida que não tenho sequer direito a ficar doente… Como é duro… Ser padre é cada vez mais difícil. São poucos, acumulam tarefas de gestão, andam a correr de um lado para o outro e, pior, têm de aturar fiéis que põe e dispõe como se a Igreja fosse deles…

Nós temos direito a descansar. O padre não. Nós temos direito a ter maus dias. O padre não. Nós temos direito em errar. O padre não. Etc., etc., etc. Somos tão exigentes com eles, mas também eles são de carne e osso como qualquer um de nós. Exigimos tanto e esquecemos que eles também precisam de parar para estudar, meditar, escutar Deus, descansar… 

Quem diz os padres, diz também todos os outros consagrados. Lembremos que são pessoas de carne e osso como nós. Ajudemo-los na caminhada.

Jesus, pela intercessão da Mãe, dá força e coragem a estes teus servos e amigos que são tão atacados, dentro e fora da Igreja. Ámen.

 

sábado, novembro 04, 2023

 

Não levem o Corpo de Cristo para casa!

 

Temos de ter atenção ao que se anda a fazer a Jesus! Só esta semana já ouvi duas coisas que são mesmo sacrilégio, ou seja, ofendem a Deus, são pecado capital. Primeira: levam o Corpo de Cristo para casa para O colocar em feridas. Segunda: Seguram o Corpo de Cristo e tiram fotos com o telemóvel.

Até acredito que estas pessoas tinham as melhores intenções na sua ignorância. Mas, mesmo assim, não podemos compactuar com isto. Assim como não aceitamos que façam mal ao nosso filho, também não podemos ficar calados quando se trata de Jesus.

Não podemos usar o Corpo de Cristo para qualquer coisa, por mais bonita que possa parecer aos nossos olhos imperfeitos. Quando vamos comungar devemos ter a Confissão “em dia” e receber Jesus naquele momento, levando-O apenas dentro de nós. Jamais podemos levá-lo para casa, nem que seja uma pequena partícula. Já bastam os satânicos e pessoas que vão às ditas “bruxas” e que vão à Igreja para receber Jesus para usar naquilo que não devem.

Sempre que tiverem dúvidas sobre o que se pode ou não fazer, falem com um padre. Basta ir ter com ele no final da Missa. Não vamos atrás do que diz esta ou aquela pessoa.

Convido-vos a fazer uma oração – qualquer uma – para reparação por estes ultrajes ao Santíssimo Sacramento.

 

 

domingo, outubro 22, 2023

 

 Mesmo sem comungar, era amada por Deus

 


Uma das grandes questões dentro da Igreja é quem pode ou não comungar. É importante, sem dúvida, porque Jesus disse que aquele que O tomar indevidamente será réu do Corpo e Sangue de Cristo (1 Co 11, 23-34). Mas quando se fala desta questão, devíamos lembrar-nos também de dizer: mesmo quem não comunga é amado por Deus.

Também há uns anos passei por esta situação. Não podia comungar. Dói, não é fácil, mas conhecia a Palavra de Deus e só tive de ter a humildade de aceitar. Nesse tempo – que já lá vai, graças a Deus – tive a graça de nunca me sentir abandonada por Deus. Não consigo explicar bem por palavras. Só sei que sentia que Deus me dizia que, apesar da minha queda, Ele não desistia de mim e amava-me.

Compreendo bem o que se sente quando não se pode comungar e percebi como é tão importante transmitir este amor de Deus. Mesmo quem não comunga pode ser Igreja, realizar obras em e na Igreja - mesmo que alguns ministérios não lhe sejam permitidos.

Acho que falhamos muito, enquanto Igreja, neste ponto. Apontamos o dedo, rotulamos os nossos irmãos e irmãs e impedimo-los de sentirem o amor e a misericórdia de Deus com essa atitude.

Há vidas e vidas. Imaginemos uma mulher que volta ou descobre Jesus. Vive em união de facto e tem filhos. O companheiro não quer seguir Jesus e recusa-se ao matrimónio. O que faz esta mulher? Separa-se? Se o fizer, quem mais sofre são os filhos. Há quem diga que se deve abster de ter relações sexuais. Mas isso, todos sabemos, vai levar à separação…

O que esta mulher precisa é de uma Igreja que a acolha, que ore com ela pela conversão do companheiro e que lhe diga de que forma pode ajudar em e na Igreja. Porque ela é muito amada por Jesus. Não tem que sofrer, achando que é um caso perdido e que jamais pode ser Igreja ou sentir-se filha muito amada pelo Pai.

Deixemos os rótulos, as portas fechadas! Os julgamentos cabem a Deus, que sabe o que está no coração e por que razão houve esta ou aquela queda ou por que razão uma pessoa sentiu o chamamento de Deus apenas a partir de certa idade.


quinta-feira, outubro 19, 2023

 

Amar o inimigo evita a morte de inocentes


Quando penso nestas guerras todas, que levam a atrocidades tão grandes como ataques em hospitais ou decapitação de crianças, só penso como o mundo seria muito melhor se todos aceitassem a proposta de Jesus: "Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem" 

Mt 5, 44


sábado, outubro 14, 2023

 

Não baixemos os braços perante tanto ódio



Na escola aprendemos como nos tempos dos reis se maltratavam os escravos. Eram torturados, passavam fome, não tinham assistência médica… Ficamos escandalizados e pensamos: naquele tempo era tudo terrível. Não havia dó nem piedade.

Pois não! Mas o pior é que hoje, em pleno século XXI, quando se fala de Direitos Humanos, ainda temos grupos que decapitam e queimam crianças na maldita guerra entre Israel e Palestina. Temos pessoas a morrerem de fome e de sede, em Mariupol, na guerra da Ucrânia. Temos genocídios no Sudão, temos… Enfim, até em Portugal temos tanta desgraça…

Há quem diga: isto não vale a pena! Que se lixe, vamos todos morrer, vou manter-me aqui no meu cantinho e paciência… Pois bem, não concordo: perante tanta atrocidade é preciso dar um murro na mesa para afugentar o desânimo. Temos de arregaçar as mangas e continuar a lutar contra a maldade.

Nós, cristãos, em particular, não podemos parar de divulgar e pôr em prática os ensinamentos de Jesus. Devemos empenhar-nos ainda mais na oração, no jejum/abstinência, na oração do rosário, na adoração, na leitura da Palavra de Deus. Tal como Moisés, não podemos baixar os braços (Ex 17, 11-13), porque Jesus também não o fez.

Não se trata de uma utopia, mas da esperança cristã. A nossa oração pode salvar uma pessoa da morte eterna ou pode impedir que alguém sofra mais. O mal quer-nos desanimados, mas nós temos de nos erguer e continuar de pé em oração!

A Mãe pede para rezarmos o terço todos os dias pela paz. Se não o fazemos ainda, comecemos a fazê-lo. Inicialmente, pode parecer difícil e até aborrecido – para quem ainda não descobriu a beleza desta oração -, mas isso não deve demover essa pessoa. Continue, peça a graça de não parar, porque os nossos irmãos precisam de nós…


 

sábado, outubro 07, 2023

 

Na Igreja és tradicionalista ou progressista?



Eis a questão dos últimos tempos. Pois bem, a minha resposta é esta: sou cristã católica e acredito numa Igreja una, santa e católica (universal). Obviamente, não vou tapar o sol com a peneira: existem ideologias na Igreja desde sempre. Esta dicotomia entre tradicionalista e progressista já vem desde os tempos da Igreja primitiva (com outras designações, claro).

O problema é quando se instala a desunião, os ataques verbais a uns e outros, como se a Igreja fosse exclusivamente dos tradicionalistas ou dos progressistas.  É preciso escutar-nos uns aos outros e tentar perceber, sob ação do Espírito Santo, o que deve mudar ou manter-se na Igreja. Neste caso, não me refiro à Sua Palavra que é, obviamente, imutável. Falo antes de maneiras de expressar a fé. Uns levantam os braços, outros usam véu, uns falam em latim, outros na língua materna…  Por exemplo: para uns, a Missa tridentina é a “correta”, para outros a “incorreta”. Mas por que temos de pensar assim? Desde que haja respeito...

Vejam isto: Deus tem-me encaminhado muito para aqueles que ninguém quer e que estão afastados da Igreja. E, como qualquer pessoa, têm vidas cheias de matizes, não se ficam pelo preto ou branco. A Missa tridentina, por causa da sua formalidade (não digo isto num sentido pejorativo, note-se), não atrai quem está afastado. Não é uma questão de estar certo ou errado, apenas não se sentem acolhidos, porque desconhecem ainda muito a Palavra de Deus. Andam às apalpadelas…

Mas, para outras pessoas, esta Missa é onde se sentem realmente bem. E então? Qual é o problema? Por que não podemos todos conviver na mesma Igreja, unidos em nome de Deus? O próprio Jesus adaptava o seu discurso consoante quem O ouvia. Note-se: não mudava o que o Pai ensinava, apenas falava e agia consoante os conhecimentos e a vida de cada um.

Vem esta reflexão a propósito do sínodo que estamos a viver. Há muitos medos e expectativas sobre as principais questões que estão em cima da mesa. Medo que a Igreja deixe de seguir a Palavra de Deus, medo que nada mude, esperança em se conseguir X ou Y. Falar, expor o que nos vai na alma não é um problema e basta ler na Bíblia Atos dos Apóstolos para vermos como a Igreja já se reunia para debater certas questões (At, 15, 1-6). Exemplo disso foi a questão da circuncisão. 

Como nesse tempo, não deixemos a ideologia falar mais alto, porque somos Igreja de Deus, não somos membros de um partido político. Todos juntos unamo-nos em oração e jejum/abstinência para pedir que o Espírito Santo traga o que é melhor para a Igreja dos nossos tempos.


domingo, outubro 01, 2023

 

 

Seguir Jesus numa alegre liberdade



Hoje, de manhã, a Joana fez os seus votos perpétuos como missionária comboniana. A sua missão é no Sudão do Sul, a terra de S. Daniel Comboni. Conheci esta grande amiga no Fé e Missão, o grupo de jovens dos Missionários Combonianos. Foram tempos maravilhosos de missão, com muita dedicação, em especial, ao nosso querido Bairro do Barruncho. Um bairro de barracas, onde fiz vários amigos e onde vivi e li a Bíblia…

O sorriso deslumbrante da Joana, em toda a Eucaristia, arrepiou-me e, confesso, jorraram lágrimas de alegria. Olhando para ela, via uma mulher livre e alegre, apesar das missões em terras de guerra e de fome. A sociedade olha para os consagrados como uns “coitadinhos”, “totós”, que vão para “esta vida” porque tiveram um grande desgosto de amor. Como estão errados!

Hoje, olhando para a minha amiga, percebi algo essencial para um cristão: a liberdade (alegre) em seguir Jesus. Uma liberdade que liberta, que nos leva, mesmo no meio de muitos espinhos, a não parar de levar a Boa Nova. Como seria bom que houvesse maior aposta no discernimento de vocações para todos sentirmos esta liberdade e esta alegria que, mesmo na cruz mais pesada, nos leva a caminhar para e com Jesus.

Isto vale para os consagrados, mas também para outras vocações: seculares, matrimónio, solteiros celibatários… Peçamos ao Senhor mais trabalhadores para a messe (Mt 9, 37-38), mas, antes disso, peçamos luz para saber como podemos melhorar nesta questão do discernimento da vocação…

Oremos pelas missões, oremos pela Joana! Que Jesus a encha de bênçãos e que a Mãe a proteja sob o seu Santo Manto. Ámen.