terça-feira, maio 19, 2026

 

A oração e a montanha-russa da vida

 


A oração é uma aprendizagem constante. A montanha-russa da vida - com muitas voltas, quedas e subidas repentinas - nem sempre nos permite verbalizar o que sentimos. Mesmo perante Deus, ficamos mudos. Às vezes, lá saem algumas palavras, mas muito poucas. A confusão na cabeça não nos permite ir mais longe neste diálogo com o Senhor.

O mais incrível desta experiência agridoce é ver como Jesus nos ama e nos aceita sem julgar. Olha para nós, respeita o silêncio, a confusão, a revolta…O Seu silêncio nestes momentos não pode ser visto como castigo ou indiferença. É simplesmente amor e cuidado. Ele aguarda com infinita paciência que O deixemos arrumar a nossa confusão, para conseguirmos desabafar e escutar a solução para o problema.

Isto não tem nada de mal. Somos humanos. Mas também é verdade que não podemos ficar infinitamente nesta posição, porque, mesmo inconscientemente, poderá tornar-se um esconderijo, uma desculpa para não enfrentarmos a realidade.

É preciso pedir o Espírito Santo para nos dar força para enfrentarmos as dores da vida e para aceitarmos a Vontade do Pai. Apenas encarando as coisas como são podemos avançar. A montanha-russa das emoções pode dever-se à nossa teimosia em seguir por um caminho que não é o melhor; pode ser expressão dos nossos defeitos e teimosias; pode ser Deus a pôr-nos à prova para sabermos se O amamos pelas coisas/desejos ou apenas por quem Ele é…

 


quarta-feira, maio 13, 2026

 

Abandonar o primeiro amor

 


Deus alerta-nos para algo muito importante em Ap 2, 1-7: podemos fazer muitas coisas por Ele, mas isso não significa que O amemos como no momento que O (re) descobrimos. “Conheço as tuas obras, as tuas fadigas e a tua constância (…) tens constância, sofreste por causa de mim e não perdeste a coragem. No entanto, tenho uma coisa contra ti: abandonaste o teu primitivo amor.”

E sabem qual é o principal sintoma deste abandono do primitivo amor? A oração torna-se secundária ou quase inexistente. As obras também são oração, se feitas em nome de Deus, mas é preciso que estejam sustentadas na oração silenciosa, contemplativa, na leitura orante da Palavra, nos sacramentos, na partilha entre irmãos.

O cansaço – ou exaustão – leva-nos a ver a oração como um peso e facilmente desistimos. Afinal, pensamos: faço tantas coisas por Deus! O primitivo amor torna-se facilmente ativismo puro e duro. Sem oração, sem o Espírito Santo, rapidamente começamos a fazer aquilo que nós achamos e não o que Deus quer.

Um exemplo: posso ser uma ótima oradora, mas se não tiver o Espírito Santo, os frutos não vão ser os mesmos.

É preciso parar e pensar se a nossa caminhada com Deus está nesta fase. Se sim, peçamos a Deus coragem para mudar. Tal como nos diz: “Lembra-te, pois, donde caíste, arrepende-te e torna a proceder como ao princípio.” Ap 2, 5