domingo, fevereiro 15, 2026

 Os cristãos precisam de conhecer Jesus



Oras todos os dias? Nessa oração escutas Deus? Lês e meditas a Sua Palavra todos os dias? Infelizmente, muitos cristãos que nunca saíram da Igreja ou que se converteram há muitos anos, vão responder “Não” a todas ou a quase todas estas perguntas.

Levar Jesus a quem não O conhece é muito importante, mas também devemos fazê-lo dentro das nossas igrejas. Muitos de nós tornámo-nos mornos, deixámos de ter vontade de orar e meditar a Palavra todos os dias. Perdemos a disciplina em fazê-lo perante o cansaço, a angústia e a falta de vontade. Deus está lá no meio de muitas outras prioridades.

Mas Jesus avisa-nos que não basta fazer o bem, é preciso não perder o primeiro amor, aquele que sentimos quando O conhecemos. Caso contrário, tornamo-nos mornos. Em Apocalipse 3, 15-16, Ele é muito claro sobre este perigo: “Conheço as tuas obras: não és frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente. Assim, porque és morno - e não és frio nem quente - vou vomitar-te da minha boca”.

A Quaresma – tempo de preparação para a Páscoa - vai começar na próxima quarta-feira. Penso que seria importante fazer uma revisão da nossa vida cristã, para se perceber até que ponto é morna. Neste tempo particular de oração, jejum/abstinência e esmola (caridade) dediquemos mais tempo a Jesus, tentando perceber onde temos de reavivar a nossa vida cristã.

Peçamos a graça a Deus que nos dê discernimento e humildade para ver o que não está a correr bem na nossa relação com Ele. Até pode ser que não se sinta vontade de o fazer. Mas enfrentemos essa preguiça e perguntemos a Jesus: “O que tenho de mudar? Onde não estou a ser verdadeiramente cristão? O que faço que leva os irmãos a achar que seguir Jesus não vale a pena, porque não dou um bom exemplo no dia-a-dia, onde me encontro?”



quinta-feira, fevereiro 12, 2026

 

Onde está Deus nestas tempestades?

 


A questão está na ordem do dia, perante tanta desgraça... E deve ser respeitada, porque quem a faz pode estar em grande sofrimento. Ainda há quem veja este tipo de catástrofes como castigo de Deus.

Deus não castiga. Deus não quer que as pessoas fiquem sem nada. Não quer o sofrimento. No entanto, Ele foi bem claro: “No mundo, tereis tribulações; mas, tende confiança: Eu já venci o mundo!” (Jo 16, 33)

As tribulações existem por muitas razões, sendo muitas vezes consequência dos nossos atos ou dos atos de terceiros. Se consumir droga, posso morrer; se fumar, posso ter cancro; se tiver uma vida sem descanso, posso ter um AVC, etc., etc.

Deus permite, muitas vezes, determinados problemas para aprendermos uma lição ou para olharmos para a vida (a nossa e a dos outros) com outros olhos. Mas isso não é um castigo de um Deus mau. Ele deixa que certas catástrofes aconteçam para vermos que a verdadeira vida é a Eterna e que, se calhar, não estamos a lutar muito para lá chegar...

Estas tempestades estão a provocar muito sofrimento e, obviamente, ninguém quer passar por isto. Neste momento, há muitas pessoas sem casa, sem emprego, sem ter uma perspetiva de futuro. Tenhamos muito respeito pela dor que estão a sentir.

Mas, já que isto tudo teve que acontecer, aproveitemos para repensar na nossa vida. Está assente em areia ou numa rocha? (Mt 7, 24-27) Se Deus nos chamar a qualquer momento, estamos preparados com os sacramentos, com uma vida baseada no amor a Deus e ao próximo?

É também importante olhar para o bem que está à nossa volta no meio de tremenda tragédia. As pessoas começaram a ajudar-se umas às outras. Quantos vizinhos se davam mal e agora já falam? Quantas vezes se falou mal do imigrante e agora olha-se para ele como um dos muitos que foram ajudar a reparar casas?

Para nós, cristãos, deixo mais um apelo: em vez de estarmos horas a fio a ver imagens da tragédia nas redes sociais ou na TV, dediquemo-nos à oração e até ao jejum/abstinência. É preciso estar informado, mas não é preciso estar demasiadas horas longe da oração. E quem está por perto e pode ajudar, não deixe de orar, mesmo que essa oração seja a entrega do cansaço de andar em caminhos lamacentos para dar uma mão a quem precisa.

 Que Jesus dê muita força a todos os que estão a sofrer...


 

 

 

 

sexta-feira, fevereiro 06, 2026

 

O verdadeiro amor por Deus no meio do erro

 


David fez muito por Deus, mas também cometeu erros muito graves. O maior de todos foi quando decidiu enviar Urias, marido da sua amante, para a frente de batalha para ser morto (2.º Samuel, 11). O homem temente a Deus deixou-se levar pela paixão, pela beleza de uma mulher, que não era sua. Estava tão cego que chegou ao ponto de se tornar responsável por uma morte.

Mas, por incrível que pareça, Deus deu-lhe um grande futuro. Do ponto de vista humano, faz sentido? Não! Mas do ponto de vista de Deus, sim. Ao lermos toda a sua história, percebemos melhor a razão que leva Deus a agir assim. Obviamente, Deus perdoa-nos a todos. Contudo, percebe-se que há um carinho muito especial por David, mil e uma tentativas para que ele se corrigisse.

Tenho refletido muito sobre esta história. Acredito que, além obviamente do Amor e da Misericórdia de Deus, o que está em causa nesta história de vida é o amor verdadeiro que David sentia por Deus. Falhava, mas arrependia-se do fundo do coração. Mesmo com o coração contrito e cheio de vergonha, pedia perdão a Deus e ajuda para recomeçar e para conseguir aceitar as consequências dos seus atos. Deus perdoa, mas temos que levar com as consequências dos nossos pecados… Deus também é justiça.

A história de David fascina-me por duas grandes razões:

- Mostra-nos como Deus nos ama imensamente e como nunca desiste de cada um de nós.

- Revela-nos como é importante amar a Deus de coração, sem fingimento, porque, mesmo no erro, se O amarmos assim, vamos conseguir ver o pecado, pedir perdão e recomeçar com a Sua ajuda.



terça-feira, janeiro 27, 2026

 

“Não faça como eu, menina! Não fique sozinha, é muito triste…”

 


Já passaram 20 anos (ou mais) desde que ouvi uma senhora, sem-abrigo, me dizer isto. Vivia na rua a pedir esmola e nos seus olhos apenas havia tristeza, angústia e arrependimento. Não sei o que terá acontecido na sua vida. O que a levou à rua? O que a levou a ficar sozinha? Decisões erradas, abandono? 

Não sei. Apenas sei que aquelas palavras me marcaram até hoje. Numa sociedade em que há muito se deixou de acreditar nas relações verdadeiras e no casamento, as palavras desta senhora deviam fazer-nos pensar. A modernidade diz-nos para ficarmos sozinhos, para irmos curtindo a vida… O problema é o depois… 

Com estas palavras não estou a criticar quem quer ficar sozinho por decisão própria. Há quem prefira assim e é feliz. Apenas quero alertar para aqueles casos em que se vai adiando o compromisso de uma vida a dois, em família, apesar de esse ser um desejo profundo. Porquê? Porque os anos vão passando e podemos perder oportunidades que não se voltam a repetir… Para nós, mulheres, há ainda outro problema: ter filhos.

Porquê ter-se tanto medo do compromisso? Por que razão temos de olhar para o casamento como algo pesado, enfadonho? Será um trauma do passado; uma família disfuncional, onde imperava a violência física e psicológica; o medo do futuro? Seja o que for, entreguemos a Deus. Deixemo-Lo curar-nos das feridas ou das más escolhas, para que a solidão e a angústia não se tornem companheiras diárias como aconteceu com aquela senhora…

 


 

segunda-feira, janeiro 19, 2026

 

Odiar um idoso doente? É possível…

 


Pode haver alguém que não tenha compaixão por um idoso com pouca mobilidade, que precisa da ajuda do neto para se equilibrar, apenas por ser muçulmano e imigrante? Sim, há quem consiga chegar ao ponto de não sentir qualquer amor por esta pessoa, que é tão ser humano como qualquer um de nós.

Assisti a uma cena de ódio horrível, ontem, nas mesas de voto. Um homem demonstrou o maior desprezo por este idoso. “Mas agora os estrangeiros têm prioridade?” O neto é português e este idoso deve viver em Portugal há muitos anos, porque o seu português era impecável. Mas mesmo que não fosse, como podemos mostrar ódio e desprezo por um idoso combalido? 

É triste ver ao ponto que se chegou por causa da política. Há crianças a serem maltratadas nas escolas por terem determinada nacionalidade ou por serem muçulmanos – alguns nem sequer o são, mas são apelidados como tal por ignorância.

Mas somos seres humanos ou somos máquinas de ódio? Cada um pensa o que quiser em termos políticos, mas ninguém pode maltratar outro ser humano. Não podemos deixar o ódio vencer. Não se trata de ideologia política ou da (velha) guerra entre Esquerda e Direita. Trata-se de Direitos Humanos. 

Estou indignada, mas a resposta cristã a estas situações só pode ser uma: orar para que este homem deixe de ter um coração de pedra e não se deixe influenciar por discursos de ódio e de mentira. Vamos lá! Nem que seja uma simples oração, um Pai-Nosso. Esta é a melhor resposta ao ódio; é a resposta que Jesus nos ensinou na cruz. “Perdoai-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem!” (Lc 23, 34)


quarta-feira, janeiro 14, 2026

 

E se Deus não te quiser curar?



O leproso foi ter com Jesus e, prostrando-se aos Seus pés, disse: “Senhor, se quiseres podes curar-me.” (Lc 5, 12-16) Voltemos ao tempo de Jesus para perceber a coragem, a humildade e a fé do leproso. Naquele tempo, os leprosos eram excluídos da sociedade, ficando às portas das povoações. Ninguém os queria e ainda se acreditava que estavam doentes por serem pecadores.

Mas este homem, doente física e psicologicamente, ouviu falar de Jesus e, contra tudo e todos, atravessou as portas proibidas para ir pedir a sua cura. Sabe Deus o que teve de enfrentar até chegar aos pés de Jesus: medo de não conseguir, olhares de nojo, acusações… Mesmo assim, foi. Não desistiu. Manteve-se firme na sua fé.

Apesar de tanto sofrimento, teve a humildade de deixar Jesus escolher se o queria curar. Por coisas bem menores, exigimos a Deus este e o outro mundo e, se não conseguirmos o que queremos, apontamos o dedo a Deus…

Também, nós, temos lepra. Muitas lepras. Umas mais visíveis, outras menos. Até podemos estar cheios de lepra no nosso interior e para os outros parecemos imaculados… Nesses momentos precisamos fazer como o leproso: aceitar a doença, ir ter com Jesus (mesmo com muitas dificuldades), ser humildes e ter fé. 

Ser humilde é muito importante, porque há doenças que se vão manter ao longo da vida. São como o espinho na carne de Paulo. Três vezes pediu a Deus para o curar, mas viu sempre o seu pedido ser negado. Jesus foi claro: “Basta-te a minha graça, porque a força manifesta-se na fraqueza.” (2 Co 12, 9) 

Não é fácil ouvir isto de Deus. Preferimos que Ele nos cure, como fez com o leproso. Mas Ele sabe o que é melhor. A vida verdadeira é a Eterna, não é esta. Só Deus sabe se o nosso sofrimento vai ser mais proveitoso para salvar almas do que a nossa cura.

Como superar este “não”? Com muita oração, sobretudo nos momentos de queda e de desespero, e com a entrega diária das nossas dores. Apelo a todos para a importância da oração: muitos dos que sofrem horrores, só conseguem aguentar graças à oração de intercessão. Por isso mesmo não podemos orar apenas pelos nossos problemas, mas também pelos dos outros irmãos.

 

 

 

quarta-feira, janeiro 07, 2026

 

Jesus passa, mas não O chamamos

 


No Evangelho de hoje (Mc 6, 45-52), Jesus passa pelo barco dos discípulos. Estão apavorados, mas não conseguem vê-Lo no primeiro instante. O medo e a fé imatura impedem-nos de sentir confiança em Deus. É curioso, porque tinham acabado de ver Jesus a multiplicar os pães e os peixes. Como não conseguiram acreditar que Jesus os podia salvar?

É fácil para nós olharmos e apontarmos o dedo aos discípulos. Mas não fazemos nós também o mesmo? Quantas vezes já tivemos milagres e mesmo assim desesperamos? O barco da vida navega muitas vezes em alto mar, em plena tempestade. Há momentos muito duros e qualquer um – sem exceção – pode fazer o mesmo: desesperar, não pedir ajuda a Deus e deixá-Lo passar ao lado… Ou então vemo-Lo já muito tarde, restando-nos remediar a situação com a Sua graça.

Esta passagem da Bíblia também nos deve fazer refletir sobre a atitude de Jesus: Ele passa ao lado do barco, mas não faz nada. Só vai ter com os discípulos quando eles O veem e O chamam. Porquê? Jesus não nos força a nada. O verdadeiro amor é assim: não é impingido. O Amor não pode ser de outra forma. Jesus está sempre disponível, mas se não O quisermos…

Querer e amar Jesus não é algo que se consiga num clique. É preciso caminhar, ler e meditar a Palavra – com a ajuda de quem sabe – e orar sem cessar. Orar com palavras, no silêncio, na contemplação, na ação… É preciso treinar todos os dias e pedir-Lhe a graça da oração contínua. Oração pode ser um simples olhar para uma imagem ou um pensamento em Jesus. Pode ser uma simples palavra dita em silêncio, no meio da multidão. 

E nunca se pode parar. Mesmo que haja quedas, temos que nos levantar e voltar à oração de coração, “em espírito e verdade” (Jo 4, 24). Uma pessoa pode andar anos a fio no ginásio a praticar musculação, mas basta parar por pouco tempo e os músculos vão diminuir… Na vida espiritual é a mesma coisa. 

Entremos no ‘ginásio’ de Deus para que vejamos Jesus em todos os momentos da vida, quer sejam bons ou maus. Vamos ter mais força e Jesus vai ficar mais feliz!