Onde está
Deus nestas tempestades?
A questão está
na ordem do dia, perante tanta desgraça... E deve ser respeitada, porque quem a
faz pode estar em grande sofrimento. Ainda há quem veja este tipo de
catástrofes como castigo de Deus.
Deus não
castiga. Deus não quer que as pessoas fiquem sem nada. Não quer o sofrimento. No
entanto, Ele foi bem claro: “No mundo, tereis tribulações; mas, tende
confiança: Eu já venci o mundo!” (Jo 16, 33)
As tribulações
existem por muitas razões, sendo muitas vezes consequência dos nossos atos ou
dos atos de terceiros. Se consumir droga, posso morrer; se fumar, posso ter
cancro; se tiver uma vida sem descanso, posso ter um AVC, etc., etc.
Deus permite,
muitas vezes, determinados problemas para aprendermos uma lição ou para
olharmos para a vida (a nossa e a dos outros) com outros olhos. Mas isso não é
um castigo de um Deus mau. Ele deixa que certas catástrofes aconteçam para vermos
que a verdadeira vida é a Eterna e que, se calhar, não estamos a lutar muito
para lá chegar...
Estas
tempestades estão a provocar muito sofrimento e, obviamente, ninguém quer
passar por isto. Neste momento, há muitas pessoas sem casa, sem emprego, sem
ter uma perspetiva de futuro. Tenhamos muito respeito pela dor que estão a
sentir.
Mas, já que
isto tudo teve que acontecer, aproveitemos para repensar na nossa vida. Está assente
em areia ou numa rocha? (Mt
7, 24-27) Se Deus nos chamar a qualquer momento, estamos preparados com os
sacramentos, com uma vida baseada no amor a Deus e ao próximo?
É também
importante olhar para o bem que está à nossa volta no meio de tremenda tragédia.
As pessoas começaram a ajudar-se umas às outras. Quantos vizinhos se davam mal
e agora já falam? Quantas vezes se falou mal do imigrante e agora olha-se para
ele como um dos muitos que foram ajudar a reparar casas?
Para nós, cristãos,
deixo mais um apelo: em vez de estarmos horas a fio a ver imagens da tragédia
nas redes sociais ou na TV, dediquemo-nos à oração e até ao jejum/abstinência.
É preciso estar informado, mas não é preciso estar demasiadas horas longe da
oração. E quem está por perto e pode ajudar, não deixe de orar, mesmo que essa
oração seja a entrega do cansaço de andar em caminhos lamacentos para dar uma
mão a quem precisa.



