sexta-feira, agosto 21, 2026

 

O fim da mágoa que corrói em silêncio…

 


Há dores que persistem ao longo da vida, sobretudo se foram (e são) causadas por quem nos deve amar e proteger desde crianças. Mas com muita oração de cura e libertação, chega o dia em que as memórias começam a magoar menos e se começa a perceber que aquela dor nos livrou do pior.

Violência, abandono e desprezo são palavras muito duras para uma criança que as tem de vivenciar e de as enfrentar durante anos... As emoções tornam-se um emaranhado de nós ao longo dos anos e o que se viveu na infância vai toldando o nosso dia a dia, mesmo que de forma inconsciente.

Mas, mesmo quem mais nos fez mal, pode deixar alguma coisa boa. No meu caso, foi a fé. Parece contraditório, eu sei. Mas é mesmo assim. A vida dupla de fé-violência afastaram-me da Igreja durante uns anos, mas nunca de Jesus. Não pelo meu mérito, mas porque Ele me fortalecia e auxiliava com a Sua mão direita e vitoriosa (Is 41, 10), mesmo sem me aperceber.

Essa aproximação e o encontro pessoal com Jesus e as orações de cura e libertação ajudaram-me a entender algo que apaziguou o meu coração: tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8,28). Deus não quis o mal, mas a liberdade dos homens é um facto e o que Ele fez foi ajudar-me a perceber que a violência, o abandono e o desprezo apenas me levaram a ser mais cristã. Como? Dando real valor à família, entendendo melhor as dores dos outros, estando mais dependente do Amor e da Misericórdia de Deus.

Hoje, após muitos anos de dor, percebi que no meio da desgraça e da mágoa é possível, com Jesus, perdoar do fundo do coração. Pode levar anos, implica muito sofrimento, mas a Deus tudo é possível (Mt 19, 26). E não há mal nenhum que leve muitos anos. Não nos podemos culpabilizar demais, pois a dor é muito grande e são situações traumáticas.

Perante a tua mágoa – seja lá qual for -, não cruzes os braços. Entrega-a a Jesus, diz-lhe como é difícil perdoar e como estás a sangrar por dentro, pede cura e libertação – com a ajuda da Igreja – e tenta ver o que de bom te trouxe essa dor. No meu caso, o que aconteceu foi livramento. Foi a possibilidade de aprender o perdão, de entender melhor como é amar quem não presta e de não desistir de pedir para que se arrependa pelo menos no último minuto e a oportunidade de viver longe de quem me iria levar a ser uma pessoa snob, preconceituosa, farisaica.

Neste percurso também aprendi que manter a oração pela pessoa não implica que ela te continue a tratar mal. E não significa que a sua salvação está apenas dependente de ti, levando-te a sentir culpa. A sua salvação depende das tuas orações, mas a decisão final é dessa pessoa. Já fazes a tua parte, não ponhas mais um peso em cima de ti. Afinal, uns semeiam, outros regam, outros colhem…(Jo 4, 37-38)

Desculpem o longo testemunho – são poucos os que leem grandes textos -, mas é a forma que tenho de agradecer a Deus a minha libertação: testemunhar para levar a esperança e o perdão a quem mais sofre.

Ajuda-nos, Jesus, a ver o lado bom da dor e cura-nos, liberta-nos, para que sejamos tuas testemunhas! Ámen.


segunda-feira, agosto 17, 2026

 

Ainda não estamos salvos…Cuidado!

 


“Se conhecesse Deus, não teria cometido aquele erro.” Esta frase ainda se ouve de vez em quando, mas cuidado com quem está de pé, porque dar um enorme tombo.

Vem esta reflexão a propósito de uma história (infelizmente, bem verdadeira) de uma pessoa de caminhada de Igreja e com compromisso em mais que um ministério que acabou por cometer adultério e abandonar a casa. Quem a conhecia, jamais diria que tal coisa pudesse acontecer.

Pois bem, a história dela – que há de mudar com oração – poderá vir a ser a nossa própria história de vida. Podemos até não cometer adultério, mas outro pecado grave. A minha mãe sempre me disse: “Estamos começados, não estamos acabados.”

Temos tendência a ficar muito escandalizados com este tipo de situações, mas estas devem ser um espelho para cada um de nós. Qualquer pessoa pode cair, daí que Jesus nos tenha dito:

 

“Não julgueis, para não serdes julgados; pois, conforme o juízo com que julgardes, assim sereis julgados; e, com a medida com que medirdes, assim sereis medidos. Porque reparas no argueiro que está na vista do teu irmão, e não vês a trave que está na tua vista?” (Mt 7, 1-3)

“… os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos. Porque muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos” (Mt 20, 16)


Até Jesus foi tentado a desistir antes da crucificação (Mt 26, 39). Não somos mais que o Mestre (Mt 10, 24). Por isso, em vez de julgarmos, optemos por orar pela sua conversão e pela nossa conversão, para que nos mantenhamos fiéis até ao fim. Reflitamos sobre aqueles nossos apegos/erros/tendências que nos poderão levar a tombar um dia mais tarde…

Ajudai-nos, Jesus!



 

sábado, agosto 08, 2026

 

Deus da morte e da vida…

 


A vida é uma montanha-russa: na Missa onde pedi pela alma da minha amiga que havia morrido poucas horas antes, presenciei um momento lindo: 50 anos de matrimónio. No meio da dor, inevitavelmente, sorri e emocionei-me com a alegria daquele casal. 50 anos, algo tão raro nos dias de hoje…

Por deuscidência, o refrão do salmo dizia-nos que o Senhor é quem dá a morte e a vida (Dt 32, 39)… A perda de alguém jovem gera sempre angústia e revolta. Mas a verdade é que nunca sabemos o dia e a hora (1 Ts 5, 2). A morte, sobretudo, de alguém muito jovem pode provocar duas coisas: vou viver, sem querer saber de mais nada e pensar apenas no prazer; ou vou preparar-me espiritualmente para estar pronto para o dia que Deus me chamar.

Aos olhos da sociedade, a primeira atitude faz todo o sentido; a segunda é vista como uma seca, uma parvoíce, uma opção por uma vida sem sabor.

Puro engano! Estar preparado para partir para a casa de Deus não é nenhuma seca. Significa que vamos fazer um exame de consciência, emendar-nos dos nossos erros, pedir perdão, viver mais em paz, apostar mais no amor. E a leveza que isso que nos traz, permite-nos viver de forma mais intensa e ter o que Jesus nos disse: “vida e vida em abundância” (Jo 10, 10).

E tudo isto com uma única certeza: mesmo que tenhamos de ser purificados no Purgatório, caminharemos para os braços de Jesus na Vida Eterna, aquela que é verdadeira.

Fazer o luto é importante, mas nunca esqueçamos da promessa da vida eterna, da importância de orar pela alma de quem parte e de ajudar quem fica para que voltemos a sorrir, como aquele casal que celebrava 50 anos de matrimónio.

“Irmãos, não queremos deixar-vos na ignorância a respeito dos que faleceram, para não andardes tristes como os outros, que não têm esperança. De facto, se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus reunirá com Jesus os que em Jesus adormeceram” (1 Ts 4, 13-14)

 

 

 

quarta-feira, julho 29, 2026

 

Vandalismo em Medjugorje. Oremos pela conversão deste homem

 

As imagens de vandalismo em Medjugorje não são bonitas, sobretudo porque ofendem a Mãe e Jesus. Mas já que aconteceram, aproveitemos para orar pelo atacante. Paulo perseguia Jesus … até O ter encontrado. Pois bem, recorramos às 5 pedrinhas da Mãe – Eucaristia/Adoração, Rosário, Leitura da Bíblia, Confissão (mensal, de preferência, como é pedido por Ela) e jejum/abstinência – para que este homem seja outro Paulo.

Um dos maiores perigos deste tipo de vandalismo é levar o cristão ao ódio, à raiva, à falta de perdão. Não podemos cair nessa cilada do demónio. Por mais revoltados que possamos estar, é preciso mostrar a graça de ser cristão, ou seja, perdoar e orar pela conversão desta pessoa ou até pela sua cura – não sei se tem doença mental.

“Orai pelos inimigos” (Mt 5, 44), pede-nos Jesus. O que nos diz a Mãe: “Fazei tudo O que ele vos disser.” (Jo 2, 5)

E aproveitemos este momento para ver com quem devemos usar estas pedrinhas no nosso dia a dia…

Mãe, pelo Teu Filho Jesus, transforma este vandalismo num momento de caída do cavalo, para que este homem se torne cristão. Que esta desgraça nos abra os olhos para ver por quem devemos orar, já que etsá longe de Ti e de Jesus. Ámen.

 

Mensagens da Mãe, em Medjugorje: https://medjugorje.pt/

terça-feira, julho 21, 2026

 

Deus fala-nos através das redes sociais?


A Internet tem permitido divulgar a Palavra de Deus de uma forma incrível. Mas não nos podemos esquecer que também existe interpretação pessoal da Palavra, muita superstição e … adivinhação. Quem costuma fazer scroll nas páginas do Instagram, por exemplo, acede a muitas publicações que dizem algo como “Deus falou comigo; você não está aqui por acaso”.

Obviamente, Deus pode falar-nos através de uma destas mensagens. Quem sou eu para impor limites a Deus. Mas é preciso haver discernimento em oração, pedindo o apoio de um sacerdote ou de um missionário preparado.

É preciso ter cuidado com os supostos ‘missionários’ e ‘profetas’ que dizem que Jesus lhes deu uma palavra ou que determinada situação vai ser resolvida até ao dia 20 do mês atual. Isto pode ser perigoso para a nossa saúde espiritual e também mental:

1 – São criadas falsas expectativas;

 

2 – Cria-se dependência de sinais e prodígios e desconfiança de Deus quando estes não são visíveis;

 

3 – Gera-se ansiedade e ‘cegueira’, porque se espera pelo tal dia em que vamos ter a resposta que mais desejamos.

 

4 – Perde-se confiança em Deus, tratando-O como uma ‘máquina de desejos’.

 

5 – Praticamos, mesmo que de forma inconsciente, adivinhação. É como ir ao astrólogo ou à ‘bruxa’.

 

Deus é muito claro em Deuteronómio 18, 10-12: “Ninguém no teu meio faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha; ou se dê a encantamentos, aos augúrios, à adivinhação, à magia, ao feiticismo, ao espiritismo, aos sortilégios, à evocação dos mortos, porque o SENHOR abomina todos os que fazem tais coisas.”

 

É normal estares cansado da tua dor. Mas foca-te no que o Pai te diz: “Nada temas, porque Eu estou contigo; não te angusties, porque Eu sou o teu Deus. Eu fortaleço-te e auxilio-te, e amparo-te com a minha mão direita e vitoriosa.” Isaías 41, 10

 

 

terça-feira, julho 14, 2026

 

A ameixa que me ensinou a Palavra de Deus

 


Devia ter 5 anos. Éramos muito pobres e não podíamos ter muita coisa, por isso a fruta que se comprava era sempre a mais barata. A minha mãe sempre me ensinou que a pobreza não é desculpa para roubar, mas naquele dia a bela de uma ameixa reluzia e chamava por mim no supermercado.

Não resisti. Peguei numa rapidamente e escondi-a. Os remorsos foram tomando conta de mim e só me lembrava do que a minha mãe me dizia. “Deus não quer isso!” A caminho de casa confessei o que tinha feito. A minha mãe, cheia de misericórdia, mas sem deixar de ser a mãe que educa uma filha, obrigou-me a voltar, a pedir desculpa e a devolver a ameixa.

Se houvesse um buraco, tinha-me metido lá dentro… Quando cheguei ao supermercado – onde todos nos conheciam – dirigi-me à empregada, entreguei a ameixa e pedi desculpa. A reação dela foi linda: pediu à minha mãe que me deixasse levar a ameixa. Ela tinha visto, mas ficou calada porque sabia da nossa situação. E disse-lhe: “A sua filha tinha ao lado imensos doces, mas quis apenas uma ameixa. Deixe estar.”

A senhora foi misericordiosa, graças a Deus. Mas, desde aquele dia, aprendi uma lição que me marca até hoje e que vai ao encontro do que está na Bíblia: "Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito, e quem é desonesto no pouco, também é desonesto no muito” (Lc 16, 10-15)

Tendo em conta a situação, o que fiz não foi assim tão grave. Tinha muitas desagravantes. Mas é com estes pequenos gestos e desculpas que acabamos por aceitar comportamentos menos corretos, que um dia nos irão afastar de Deus. A misericórdia é importante, mas a fidelidade à Palavra de Deus também.

 

sexta-feira, julho 10, 2026

 

Mesmo com cancro de mama, deixa Deus sonhar em ti…

 


Pouco tempo antes de saber que tinha um cancro de mama, Aldina Cardeal teve um sonho com a música do Frei Gilson, que diz: “verás um caminho difícil demais/verás tempestades que te assustarão, mas quando o sonho é de Deus ninguém destruirá”.  

Mãe de uma menina pequena, imaginemos o susto e a tempestade… No livro “Deixa Deus sonhar em ti”, dá testemunho da sua luta vivida em Jesus e como até nos momentos de maior fraqueza e dúvida, Deus lhe permitiu ultrapassar o medo e ir mais além.

De forma muito concreta, testemunha Jesus na sua vida e como é importante não se achar que por sermos cristãos estamos livres de (grandes) sofrimentos. Jesus nunca disse isso. “No mundo tereis aflições; mas, coragem, Eu venci o mundo.” (Jo 16, 33)

Podem contactar a Aldina através do email aldina.cardeal@gmail.com para pedirem o livro. É barato e tem um valor cristão inestimável.

À Aldina, muito obrigada pelo seu testemunho, que me aproximou ainda mais de Deus. A forma de lhe agradecer é divulgar a obra e rezar por si e pelos seus, sobretudo pela sua filhota!