As
alergias e a oração dentro (mas fora) da igreja
Gosto muito de entrar numa igreja e ficar em silêncio. Eu olho para Jesus e Ele olha para mim. Mas naquele dia não pude ficar a escutar aquele silêncio maravilhoso da igreja, porque sendo muito antiga, tinha um cheiro intenso a humidade. Estava doente, com rinossinusite, e comecei a ficar aflita.
Saí e lá voltei ao barulho dos carros e à agitação própria de uma grande cidade. Contudo, dentro de mim, sentia uma vontade muito forte em continuar a oração em silêncio, como se estivesse na igreja. Não se tratava da oração que se faz em qualquer lugar. Sentia que devia continuar como se estivesse dentro da igreja. Pensei em aproveitar o jardim ali perto. Mais um problema: estavam a cortar a relva e sou alérgica a gramíneas. Tenho crises muito fortes de rinossinusite, podendo afetar a respiração, por isso tive de abandonar o local.
Caminhando, fui falando com Jesus, tentei escutá-Lo, olhei para os pormenores do que via à minha volta na ânsia de Ele me dizer qualquer coisa. No final, senti uma paz enorme e alegria. Não sei explicar bem, mas percebi que Jesus se utilizou das minhas alergias e do quadro agudo da rinossinusite para me levar a um encontro diferente com Ele.
Naquele momento, lembrei-me dos muitos irmãos e irmãs que vivem em regiões ou países onde a fé é proibida ou onde não se consegue ter uma igreja por perto. Como é que eles fazem para estar em silêncio em frente a Jesus? Não há sacrário, mas Deus permite-lhes que possam entrar no seu quarto – que pode ser a rua, o jardim, etc. – para estar com Ele como se estivessem em frente ao sacrário.
São momentos como este que reforçam algo muito importante: o Pai quer adoradores em espírito e verdade (Jo 4, 23-24). Quantas vezes multiplicamos palavras, ditas a correr, sem viver a oração? Até podemos não o fazer por mal, mas é preciso orar com mais calma, com mais verdade, sem se sentir aquele frenesim interior de se ter de fazer todas as novenas e ladainhas. Cada oração, mesmo que seja uma novena e uma ladainha, não deve ser a correr. Deve sair do coração, sempre em espírito e verdade.
Ensina-nos, Senhor, a
orar! (Lc 11, 1)







