A ameixa que
me ensinou a Palavra de Deus
Devia ter 5
anos. Éramos muito pobres e não podíamos ter muita coisa, por isso a fruta que
se comprava era sempre a mais barata. A minha mãe sempre me ensinou que a
pobreza não é desculpa para roubar, mas naquele dia a bela de uma ameixa
reluzia e chamava por mim no supermercado.
Não resisti.
Peguei numa rapidamente e escondi-a. Os remorsos foram tomando conta de mim e só
me lembrava do que a minha mãe me dizia. “Deus não quer isso!” A caminho de
casa confessei o que tinha feito. A minha mãe, cheia de misericórdia, mas sem
deixar de ser a mãe que educa uma filha, obrigou-me a voltar, a pedir desculpa
e a devolver a ameixa.
Se houvesse um
buraco, tinha-me metido lá dentro… Quando cheguei ao supermercado – onde todos nos
conheciam – dirigi-me à empregada, entreguei a ameixa e pedi desculpa. A reação
dela foi linda: pediu à minha mãe que me deixasse levar a ameixa. Ela tinha
visto, mas ficou calada porque sabia da nossa situação. E disse-lhe: “A sua
filha tinha ao lado imensos doces, mas quis apenas uma ameixa. Deixe estar.”
A senhora foi
misericordiosa, graças a Deus. Mas, desde aquele dia, aprendi uma lição que me
marca até hoje e que vai ao encontro do que está na Bíblia: "Quem é fiel
no pouco, também é fiel no muito, e quem é desonesto no pouco, também é
desonesto no muito” (Lc 16,
10-15)
Tendo em conta
a situação, o que fiz não foi assim tão grave. Tinha muitas desagravantes. Mas é
com estes pequenos gestos e desculpas que acabamos por aceitar comportamentos
menos corretos, que um dia nos irão afastar de Deus. A misericórdia é
importante, mas a fidelidade à Palavra de Deus também.







