terça-feira, julho 21, 2026

 

Deus fala-nos através das redes sociais?


A Internet tem permitido divulgar a Palavra de Deus de uma forma incrível. Mas não nos podemos esquecer que também existe interpretação pessoal da Palavra, muita superstição e … adivinhação. Quem costuma fazer scroll nas páginas do Instagram, por exemplo, acede a muitas publicações que dizem algo como “Deus falou comigo; você não está aqui por acaso”.

Obviamente, Deus pode falar-nos através de uma destas mensagens. Quem sou eu para impor limites a Deus. Mas é preciso haver discernimento em oração, pedindo o apoio de um sacerdote ou de um missionário preparado.

É preciso ter cuidado com os supostos ‘missionários’ e ‘profetas’ que dizem que Jesus lhes deu uma palavra ou que determinada situação vai ser resolvida até ao dia 20 do mês atual. Isto pode ser perigoso para a nossa saúde espiritual e também mental:

1 – São criadas falsas expectativas;

 

2 – Cria-se dependência de sinais e prodígios e desconfiança de Deus quando estes não são visíveis;

 

3 – Gera-se ansiedade e ‘cegueira’, porque se espera pelo tal dia em que vamos ter a resposta que mais desejamos.

 

4 – Perde-se confiança em Deus, tratando-O como uma ‘máquina de desejos’.

 

5 – Praticamos, mesmo que de forma inconsciente, adivinhação. É como ir ao astrólogo ou à ‘bruxa’.

 

Deus é muito claro em Deuteronómio 18, 10-12: “Ninguém no teu meio faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha; ou se dê a encantamentos, aos augúrios, à adivinhação, à magia, ao feiticismo, ao espiritismo, aos sortilégios, à evocação dos mortos, porque o SENHOR abomina todos os que fazem tais coisas.”

 

É normal estares cansado da tua dor. Mas foca-te no que o Pai te diz: “Nada temas, porque Eu estou contigo; não te angusties, porque Eu sou o teu Deus. Eu fortaleço-te e auxilio-te, e amparo-te com a minha mão direita e vitoriosa.” Isaías 41, 10

 

 

terça-feira, julho 14, 2026

 

A ameixa que me ensinou a Palavra de Deus

 


Devia ter 5 anos. Éramos muito pobres e não podíamos ter muita coisa, por isso a fruta que se comprava era sempre a mais barata. A minha mãe sempre me ensinou que a pobreza não é desculpa para roubar, mas naquele dia a bela de uma ameixa reluzia e chamava por mim no supermercado.

Não resisti. Peguei numa rapidamente e escondi-a. Os remorsos foram tomando conta de mim e só me lembrava do que a minha mãe me dizia. “Deus não quer isso!” A caminho de casa confessei o que tinha feito. A minha mãe, cheia de misericórdia, mas sem deixar de ser a mãe que educa uma filha, obrigou-me a voltar, a pedir desculpa e a devolver a ameixa.

Se houvesse um buraco, tinha-me metido lá dentro… Quando cheguei ao supermercado – onde todos nos conheciam – dirigi-me à empregada, entreguei a ameixa e pedi desculpa. A reação dela foi linda: pediu à minha mãe que me deixasse levar a ameixa. Ela tinha visto, mas ficou calada porque sabia da nossa situação. E disse-lhe: “A sua filha tinha ao lado imensos doces, mas quis apenas uma ameixa. Deixe estar.”

A senhora foi misericordiosa, graças a Deus. Mas, desde aquele dia, aprendi uma lição que me marca até hoje e que vai ao encontro do que está na Bíblia: "Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito, e quem é desonesto no pouco, também é desonesto no muito” (Lc 16, 10-15)

Tendo em conta a situação, o que fiz não foi assim tão grave. Tinha muitas desagravantes. Mas é com estes pequenos gestos e desculpas que acabamos por aceitar comportamentos menos corretos, que um dia nos irão afastar de Deus. A misericórdia é importante, mas a fidelidade à Palavra de Deus também.

 

sexta-feira, julho 10, 2026

 

Mesmo com cancro de mama, deixa Deus sonhar em ti…

 


Pouco tempo antes de saber que tinha um cancro de mama, Aldina Cardeal teve um sonho com a música do Frei Gilson, que diz: “verás um caminho difícil demais/verás tempestades que te assustarão, mas quando o sonho é de Deus ninguém destruirá”.  

Mãe de uma menina pequena, imaginemos o susto e a tempestade… No livro “Deixa Deus sonhar em ti”, dá testemunho da sua luta vivida em Jesus e como até nos momentos de maior fraqueza e dúvida, Deus lhe permitiu ultrapassar o medo e ir mais além.

De forma muito concreta, testemunha Jesus na sua vida e como é importante não se achar que por sermos cristãos estamos livres de (grandes) sofrimentos. Jesus nunca disse isso. “No mundo tereis aflições; mas, coragem, Eu venci o mundo.” (Jo 16, 33)

Podem contactar a Aldina através do email aldina.cardeal@gmail.com para pedirem o livro. É barato e tem um valor cristão inestimável.

À Aldina, muito obrigada pelo seu testemunho, que me aproximou ainda mais de Deus. A forma de lhe agradecer é divulgar a obra e rezar por si e pelos seus, sobretudo pela sua filhota!


quarta-feira, julho 08, 2026

 

Rezar o terço com doença de Alzheimer

 


Há uns anos, conheci uma senhora com doença de Alzheimer que já não se lembrava da maioria das coisas. A filha dizia-me que, apesar do esquecimento de pessoas e de atividades de vida diária, a mãe continuava a querer ir à Missa e a rezar o terço.

Já não sabia muito bem o Pai-Nosso e a Avé-Maria, mas os dedos tocavam cada conta com uma enorme delicadeza. Acredito sinceramente que a Mãe do Céu se deliciou com aqueles momentos de oração tão puros…

Se este gesto de oração ainda se mantinha na sua mente pela graça de Deus deveu-se, de certeza, à sua dedicação e firmeza diária de rezar o terço, como nos pede a Mãe. O terço (e mais concretamente o rosário) foi a Bíblia dos cristãos que não sabiam ler e escrever e que não tinham acesso às Escrituras. Em cada mistério meditavam uma passagem da Bíblia. A oração mariana é assim: conduz-nos sempre a Jesus…  


E, nós, se alguma vez perdermos a memória, será que vamos ter a mesma graça por termos prosperado na oração enquanto tínhamos consciência de tudo?

 

terça-feira, junho 30, 2026

 

 

Pára um pouco e ora por esta rapariga…

 


De manhã, no metro, vi uma rapariga cheia de cicatrizes no braço, coladinhas umas às outras… A automutilação é um problema de saúde mental que está a aumentar entre os jovens. É a forma que o cérebro encontra de acalmar as dores da alma. É estranho para muitas pessoas, mas é um problema de saúde muito grave e que exige todo o apoio. 

O vazio existencial está a aumentar nesta sociedade que exige mérito desde os primeiros tempos de vida. Mérito, muita competição, muito foco na imagem exterior, muita autossuficiência… Poderia falar sobre mil e uma coisas sobre este vazio experimental, mas neste post apenas vos gostaria de pedir o que é mais importante: oração e escuta. 

Orem por esta rapariga e por tantos outros que sofrem na alma e que são desprezados por ainda se ver a doença mental como uma mania. E, por favor, escutemos o sofrimento destas pessoas, sem julgamento, ajudando a pedir apoio médico.

Que Deus permita a sua cura!

 

Se precisas de apoio imediato, contacta a Linha de Aconselhamento Psicológico do SNS 24 (disponível 24h/dia) através do 808 24 24 24 (seleciona a opção 4) ou a Linha Nacional de Prevenção do Suicídio, através do 1411.


 

quinta-feira, junho 18, 2026

 

As alergias e a oração dentro (mas fora) da igreja

 


Gosto muito de entrar numa igreja e ficar em silêncio. Eu olho para Jesus e Ele olha para mim. Mas naquele dia não pude ficar a escutar aquele silêncio maravilhoso da igreja, porque sendo muito antiga, tinha um cheiro intenso a humidade. Estava doente, com rinossinusite, e comecei a ficar aflita.

Saí e lá voltei ao barulho dos carros e à agitação própria de uma grande cidade. Contudo, dentro de mim, sentia uma vontade muito forte em continuar a oração em silêncio, como se estivesse na igreja. Não se tratava da oração que se faz em qualquer lugar. Sentia que devia continuar como se estivesse dentro da igreja. Pensei em aproveitar o jardim ali perto. Mais um problema: estavam a cortar a relva e sou alérgica a gramíneas. Tenho crises muito fortes de rinossinusite, podendo afetar a respiração, por isso tive de abandonar o local.

Caminhando, fui falando com Jesus, tentei escutá-Lo, olhei para os pormenores do que via à minha volta na ânsia de Ele me dizer qualquer coisa. No final, senti uma paz enorme e alegria. Não sei explicar bem, mas percebi que Jesus se utilizou das minhas alergias e do quadro agudo da rinossinusite para me levar a um encontro diferente com Ele.

Naquele momento, lembrei-me dos muitos irmãos e irmãs que vivem em regiões ou países onde a fé é proibida ou onde não se consegue ter uma igreja por perto. Como é que eles fazem para estar em silêncio em frente a Jesus? Não há sacrário, mas Deus permite-lhes que possam entrar no seu quarto – que pode ser a rua, o jardim, etc. – para estar com Ele como se estivessem em frente ao sacrário.

São momentos como este que reforçam algo muito importante: o Pai quer adoradores em espírito e verdade (Jo 4, 23-24). Quantas vezes multiplicamos palavras, ditas a correr, sem viver a oração? Até podemos não o fazer por mal, mas é preciso orar com mais calma, com mais verdade, sem se sentir aquele frenesim interior de se ter de fazer todas as novenas e ladainhas. Cada oração, mesmo que seja uma novena e uma ladainha, não deve ser a correr. Deve sair do coração, sempre em espírito e verdade.

Ensina-nos, Senhor, a orar! (Lc 11, 1)



 

terça-feira, junho 16, 2026

 

 

Amar implica sempre sentir “química”?

 


Amar como Jesus nos pede não implica sentir sempre “química”. Quem a sente pelo inimigo? Ninguém! No entanto, Jesus é bem claro quando pede para se amar e orar pelos que nos fazem mal (Mt 5, 38-47). Outro exemplo: sentimos “química” por todas as pessoas com quem convivemos ao longo da vida, mesmo que não nos façam mal? Não.

O Amor de que Jesus nos fala é, acima de tudo, uma decisão e um compromisso com a Sua Vontade, ou seja, devemos sempre optar pelo respeito e evitar a vingança. Diria que é também uma questão de lógica e de razão, alcançável por qualquer pessoa, independentemente de ter ou não fé.

Porquê? Porque se amarmos os inimigos e aqueles por quem não sentimos grande “química”, vamos viver muito mais em paz. Amar, neste caso concreto, significa negar a vingança ou optar pela indiferença, respeitar o outro como ser humano. Quantas guerras, brigas, chatices seriam evitadas…

Obviamente, é muito difícil pôr em prática o Amor de que Deus nos fala. Mas se Ele pediu, não é impossível. O segredo para o conseguir (mais vezes) é orar e vigiar sem cessar (1 Ts 5, 17-18), aceitar as nossas limitações, percebendo quando nos devemos retirar para que as coisas não corram mal… Vale mais o sentimento de que se perdeu uma batalha do que enfrentar o sofrimento que se segue após uma explosão de raiva.

Em suma, é preciso pedir a Deus a graça de não deixarmos a ira ir connosco para a cama (Ef 4, 26), acabando por se enraizar no nosso coração e na nossa mente. Imperfeitos como somos, é preciso treinar, treinar, treinar com o grande treinador da nossa Vida, a quem tudo é possível: Jesus Cristo.


Ajudai-nos, Jesus, pois sabes que é mais fácil deixar-nos levar pelas emoções do momento…