quinta-feira, novembro 05, 2026

 


Tens inveja do irmão que volta para Deus?

 


A parábola da ovelha perdida (Lc 15, 1-7) faz-nos refletir sobre o amor de Deus, que nos vai buscar ao fundo do poço. Quando voltamos aos Seus braços, não há dedos apontados, uma lista de queixumes. Existe apenas um abraço, amor, puro acolhimento, tal como na parábola do Filho Pródigo.

Vamos ter com o Pai e Ele já está de braços abertos, não lembrando mais dos nossos erros, optando por haver festa no céu. E nós? Será que somos o irmão que se queixa junto do Pai que está há muito tempo com Ele e que nunca teve direito a uma festa?

De facto, dá-se muita importância a quem chega de novo à Igreja e é sempre muito comovente ouvir histórias de vida complicadas que levaram alguém a (re) descobrir Deus. Os que já lá estão desde sempre não são tão escutados. Parece que são menos importantes.

Mas não é nada disso. Tal como ao irmão da parábola, Deus diz-nos: "Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas, mas era preciso fazermos uma festa e alegrarmo-nos, porque o teu irmão estava morto e voltou a viver, estava perdido e reapareceu.” (Lc 15, 31-32) 

Essa atenção a quem volta ou é novo na Igreja deve-se ao facto de estar bastante ferido, com muitas incertezas, dúvidas, sentimentos de culpa, ideias erradas de quem é Deus. Precisa de cuidados especiais. Não quer dizer que quem sempre permaneceu em Deus não tenha de ser cuidado para preservar até ao fim, mas se conhecer Deus tem outra firmeza. 

É como na nossa família: é preciso dar apoio a todos os filhos, mas se há um que tem alguma doença ou necessidade especial, os pais terão de prestar mais cuidados. Não que o amem mais que aos outros, mas simplesmente porque está mais fragilizado.

 


domingo, novembro 01, 2026

 
As almas do Purgatório precisam de nós!


Cresci a ter pavor das almas do Purgatório. Elas andam por aí, pousam numa determinada flor à noite, dão toques na mesa de cabeceira, nunca ores por elas, senão não te largam… Era o terror!

Graças a Deus, voltando à Igreja e estudando a Bíblia (2 Mc 12, 43-46) e o Catecismo da Igreja Católica, aprendi que o Purgatório é um dos pontos mais altos da misericórdia e do amor de Deus e a prova de que, até à última, o Pai luta pela nossa salvação.

Estas almas são parte do Corpo Místico de Cristo e precisam das nossas orações. Muito, mesmo! Elas apenas podem rezar por nós, por elas próprias já não podem fazer mais nada. O sofrimento que sentem é indescritível, porque veem como ofenderam a Deus. Sentem remorsos, mas sabem que têm de reparar o que fizeram antes de entrarem no Céu.

Por isso, ofereçamos orações, jejum/abstinência, Missa, adoração, indulgências, etc. Ajudemo-las, pois são nossas irmãs em Cristo! Só Deus sabe o que uma Avé Maria ou um Pai Nosso, rezados com amor, poderão fazer a uma alma…

Não podemos esquecer que um dia poderemos ser nós próprios uma dessas almas…

 

Convido-vos a saber mais sobre indulgências:

 https://pontosj.pt/especial/indulgencias-o-que-sao/

https://www.padrealexnogueira.com/artigos/aprenda-a-lucrar-indulgencias-para-si-e-para-as-almas-do-purgatorio

 

 

domingo, outubro 25, 2026

 

Estás cansado? Não te culpes!

 



“Não estou cansada de viver, mas desta vida de sofrimento.” O desabafo é de uma senhora de 75 anos, com vários problemas de saúde. Lutou muito na vida, sofreu o que nem todos aguentariam e agora o copo transborda à mínima gota.


Quantos de nós vivemos isto. Uns por doença, outros por dificuldades financeiras, outros ainda por um vazio interior. E não se pense que uma pessoa de fé não sente isto. A fé move montanhas, mas somos todos seres humanos imperfeitos e com limites.


O profeta Jeremias é um bom exemplo de como a fé e o amor por Deus não nos impedem de poder sentir este cansaço, esta vontade de dizer “basta, não aguento mais”.


“Como sou infeliz! Porque é que a minha mãe me trouxe ao mundo?

Sou um homem contestado e perseguido por toda a gente.

Nunca emprestei nem pedi dinheiro e, contudo, todos me amaldiçoam.” (Jr 15, 6; 18)

 

Deus castigou-o, condenou-o por se sentir exausto física e psicologicamente? Não! Disse-lhe: “Certamente te fortalecerei para teu bem” (Jr 15, 11). É isto que Ele também nos diz quando nos apetece gritar: “Não aguento mais! Eu creio, Senhor, mas está a ser muito difícil.”


Nesses momentos entrega tudo nas mãos de Deus. Faz uma oração sincera, chora no ombro de Deus e deixa-O consolar-te. Às vezes (ou muitas vezes), apenas precisamos de deitar fora o que escondemos atrás de sorrisos e descansar. Deus compreende isso. Vai sacrário ou participa na adoração eucarística online. Vais sentir-te melhor, mesmo que o problema não se resolva.  


Lembremo-nos que a nossa cruz não é maior do que aquilo que conseguimos carregar (1 Co 10, 13) e que Deus nos escolheu desde o ventre materno (Jr 1, 5). Tal como Jeremias, devemos desabafar na oração e lembrar o “fogo ardente aprisionado nos seus ossos" (Jr 20, 8-9), que o impedia de parar.

 

Jesus consola-nos, dá-nos força, enche-nos do Espírito Santo! A vida pesa e Tu sabes que, por detrás de muitos sorrisos, estamos mais a sobreviver do que a viver! Ámen.


Imagem criada no Gemini.


sexta-feira, outubro 16, 2026

 

O Bruno Nogueira e a Sagrada Comunhão…

 

A linha entre humor/liberdade de expressão e respeito pela fé é muito ténue, sobretudo num país onde a democracia tem poucos anos e onde está a ser ameaçada por movimentos populistas e radicais.

Não costumo ver televisão e por isso o sketch do Bruno Nogueira sobre Sagrada Comunhão e pedofilia – grande misturada, meu Deus! – chegou-me através de outros meios de comunicação. Obviamente, como cristã católica, não gostei nada. Estão a gozar com Jesus vivo.

Muitas vozes se opuseram e a polémica surgiu. Admito que não é fácil tratar este tema. Obviamente, custa-me ver como Jesus foi usado, mas não acredito que o caminho deva ser a proibição. Porquê? Porque também quero viver numa sociedade onde posso expressar a minha fé e dizer que não gostei, que senti repugnância, por terem gozado com Deus – que está vivo e que não é uma ideia.

Na prática, nada do que se pretenda fazer contra o sketch vai ter resultado. Os humoristas vão continuar o seu trabalho. Então, o que fazer? Ficamos calados, vendo Jesus a ser achincalhado? Claro que não! Mas, com base na Palavra de Deus, há outras formas de lidar com este tipo de situações, que se irão, inevitavelmente, repetir.

Como pessoas que amamos Jesus, devemos mostrar o nosso descontentamento, mas nunca com ódio e fel. Devemos explicar por que razão nos sentimos magoados e até aproveitar, como fez o Padre Pedro Figueiredo, para ensinar como se comunga, o que significa a comunhão, que é Jesus Vivo que está na Hóstia Consagrada. E, obviamente, é preciso reparar com orações e ações o que fizeram a Jesus.

Em que me baseio no que digo? Além da experiência de outras situações, na Palavra de Deus que se segue e que deve ser meditada: 

“Abstém-te de discussões estúpidas e néscias, pois sabes que só levam a conflitos e aquele que está ao serviço do Senhor não deve ser conflituoso, mas tem de ser amável para com todos, ter uma boa pedagogia, ser tolerante, saber corrigir os adversários com suavidade, na esperança que Deus lhes conceda o arrependimento em ordem ao reconhecimento da verdade e escapem ao laço do diabo, que os mantém cativos e sujeitos à sua vontade”. (2 Tm 2, 23-26)



quarta-feira, outubro 07, 2026

 

Jesus, eleições, ódios de estimação…

 

Sei que vou entrar num campo minado, mas como cristã não me vou calar. Nos últimos dias, vejo imensos missionários brasileiros a defenderem candidatos políticos. Sei que é uma questão cultural, mas o que é cultura não tem de ser obrigatoriamente correto do ponto de vista cristão. 

Fiquei chocada quando vi a publicação de um padre que partilhou o pedido de boicote à zona do Nordeste do Brasil, onde costuma vencer Lula. Independentemente do que possam pensar e do que acham da região, eu deixo esta pergunta:

 

Jesus pede boicotes que ponham em causa a vida das pessoas, o pão nosso de cada dia na mesa?

 

Cuidado! O mesmo que apregoa o Amor e o Perdão de Deus está a cair no erro de odiar o seu próximo, apenas porque tem uma ideia política diferente. Numa democracia, as pessoas votam em quem quiserem. São livres! Numa democracia nem todos votam no mesmo partido/candidato, daí ser … uma democracia.


Por maior revolta que se possa sentir em relação a determinada ideologia política, não podemos esquecer que o outro é um ser humano. O cristão não pode alimentar ódios!

E antes que me digam que estou a defender Lula em vez de Bolsonaro, deixo bem claro duas coisas:

 

1 - Não sou brasileira, por isso não tenho de defender nenhum dos dois;

2 - Se esta questão do boicote ao Nordeste fosse partilhada pelos defensores de Lula, reagiria da mesma maneira.

 

Jesus foi bem claro: “A Deus o que é de Deus e a César o que é de César” (Lc 20, 25). Todos os partidos têm telhados de vidro: numas coisas vão mais ao encontro dos valores cristãos, noutros são completamente contrários à mensagem cristã.

O cristão, sobretudo se for missionário digital, deve cingir-se a proclamar a Palavra de Deus, sem referir candidato X ou Y. Repito: a cultura não pode justificar tudo.

Parem um pouco, irmãos. Olhem e vejam o ódio que se espalha por causa da Política! Esse tempo gasto em politiquices pode ser melhor empregue a orar por todos, inclusive pelos inimigos, como Jesus nos pede todos os dias (Mt 5, 44). Já pensaram nas pessoas que se afastam cada vez mais de Deus por causa destas atitudes?

Dou o exemplo do Brasil, porque estão a decorrer eleições, mas este fenómeno também já se começa a ver em Portugal. Não podemos cair na armadilha do ódio e da polarização. Pensemos em Jesus… Ele merece estes ódios?

 

Jesus, peço-Te pela Tua Dolorosa Paixão, que nos protejas das influências do Mal, que surgem como se fossem boas, como se fossem corretas. Ámen.

 

 

quinta-feira, outubro 01, 2026

 

Orar com o coração, sem fingimentos 

 


“Estou exausta, farta disto tudo. E quando chega a minha vez? Quando deixarei de ser o pilar de tudo?” As palavras são minhas e foram ditas a Jesus, em oração. E ele aceitou este meu grito, dando-me consolo e fortaleza. 

Como acrescentei: “Meu Deus, Tu sabes tudo, eu sei que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8, 28), mas estou mesmo muito cansada. Aceita este desabafo. Não Te sintas ofendido.”

Esta oração que brotou bem do fundo da minha alma e do meu coração aliviou-me imenso. Por um lado, deitei para fora o que me magoava e, por outro, percebi que Jesus logo de seguida me lembrava: “Não temas, não te angusties; Eu te auxilio e Te fortaleço; te seguro com a minha mão destra e vitoriosa (Is 41, 10).”

Orar também é isto: ser sincero, não fingir. Afinal, Deus sabe tudo… Com isto não estou a dizer que não o devamos respeitar, apenas realço a importância da oração com o coração, sem fingimento. É preciso derramar as nossas lágrimas e angústias, mesmo que não consigamos dizer uma única palavra. O próprio Jesus pediu ao Pai que lhe retirasse o cálice da morte na cruz… (Mt 26, 39) 

E depois disto? O problema deixa de existir? Depende. Podemos chegar à conclusão, através do Espírito Santo, que o que nos angustia não tem razão de ser e tudo fica resolvido. Ou então, tudo se mantém, mas com outra paz e com outra força – aquelas que são dadas por Deus nas tempestades.

Como seria bom se procurássemos viver mais na intimidade com Deus, adorando-O em espírito e verdade…(Jo 4, 23-24) Ajudai-nos, Jesus, a conseguir – mesmo que de modo imperfeito – esta intimidade e proximidade Contigo. Não é apenas para nos consolarmos, para também para levarmos o Teu amor e apoio aos irmãos que estão perdidos, angustiados e ansiosos. Ámen.



 

segunda-feira, setembro 21, 2026

 

A criança com véu na cabeça tem sentimentos

 


Passei por uma criança que olhou para mim e, como de costume, gosto de retribuir com um sorriso e um “olá”. Ela sorriu e perguntou-me: “Tens uma filha?” Respondi que não, mas sim um filho mais velho que ela. Esta menina tem 5 anos – quase 6 - e sentiu logo necessidade de acrescentar que só estava a usar véu (expressão usada por ela) naquele dia, porque os pais foram a um almoço. Era um véu azul, muito elegante e a cara estava bem visível.

Percebi nesse momento que baixou a cabeça, com olhos tristes. Fiz questão de lhe dizer que respeitava o véu e que ela era muito bonita. Sem me conhecer, contou-me que havia meninos que gozavam com ela e que para não ter problemas virava a cara e ficava calada.

Tudo aquilo me fez muita confusão. Era apenas um véu muito elegante que só lhe tapava os cabelos e que, segundo amigos muçulmanos, é usado por motivos religiosos. Não vou entrar em discussões sobre se se concorda ou não, pois nesse caso teríamos de ir buscar exemplos a outras religiões ou até a pessoas sem religião...

O que mais me faz confusão nisto tudo, sobretudo por estar habituada a conviver com o Islamismo desde pequena, é que as crianças estão a ser alvo de palavras maldosas por causa dos comentários de alguns pais em casa.

Pai ou mãe, até podes não aceitar ou concordar com o uso do véu ou com o Islamismo, mas existe algo que está acima de qualquer fé e crença: o respeito pelo nosso próximo. Em casa, cuidado com determinados comentários. Mesmo que digam que não concordam com a fé de alguém – e têm esse direito -, acrescentem sempre que temos de respeitar os outros. Devemos mostrar aos nossos filhos que, mesmo não gostando ou aceitando a maneira de estar do outro, ele é um ser humano, com sentimentos.

Num mundo polarizado, em que parece que temos de ser todos iguais, convém educar cada vez mais para a diferença. Sei que podem estar a pensar: e as burcas? Independentemente do que possas pensar sobre burcas, niqabs, etc., nunca se pode maltratar o outro. Essa máxima cristã é para todos: crentes de diferentes denominações, ateus e agnósticos. A mensagem é simples: filho (a), não gostas ou não concordas, mas deves tratar o outro como um ser humano.

Termino com um exemplo muito concreto: há uns anos, tive uma vizinha com burca. Como mulher, fez-me confusão? Sim, não vou ser hipócrita. Mas ao passar por ela, cumprimentava-a. Esta mulher viveu muito pouco tempo no país, mas cada vez que se aproximava de mim, percebia-se ao falar que sorria e que se sentia um ser humano tão válido quanto eu que não uso burca.

Para os cristãos que me leem, acham que Jesus não falaria com esta mulher?