sábado, agosto 08, 2026

 

Deus da morte e da vida…

 


A vida é uma montanha-russa: na Missa onde pedi pela alma da minha amiga que havia morrido poucas horas antes, presenciei um momento lindo: 50 anos de matrimónio. No meio da dor, inevitavelmente, sorri e emocionei-me com a alegria daquele casal. 50 anos, algo tão raro nos dias de hoje…

Por deuscidência, o refrão do salmo dizia-nos que o Senhor é quem dá a morte e a vida (Dt 32, 39)… A perda de alguém jovem gera sempre angústia e revolta. Mas a verdade é que nunca sabemos o dia e a hora (1 Ts 5, 2). A morte, sobretudo, de alguém muito jovem pode provocar duas coisas: vou viver, sem querer saber de mais nada e pensar apenas no prazer; ou vou preparar-me espiritualmente para estar pronto para o dia que Deus me chamar.

Aos olhos da sociedade, a primeira atitude faz todo o sentido; a segunda é vista como uma seca, uma parvoíce, uma opção por uma vida sem sabor.

Puro engano! Estar preparado para partir para a casa de Deus não é nenhuma seca. Significa que vamos fazer um exame de consciência, emendar-nos dos nossos erros, pedir perdão, viver mais em paz, apostar mais no amor. E a leveza que isso que nos traz, permite-nos viver de forma mais intensa e ter o que Jesus nos disse: “vida e vida em abundância” (Jo 10, 10).

E tudo isto com uma única certeza: mesmo que tenhamos de ser purificados no Purgatório, caminharemos para os braços de Jesus na Vida Eterna, aquela que é verdadeira.

Fazer o luto é importante, mas nunca esqueçamos da promessa da vida eterna, da importância de orar pela alma de quem parte e de ajudar quem fica para que voltemos a sorrir, como aquele casal que celebrava 50 anos de matrimónio.

“Irmãos, não queremos deixar-vos na ignorância a respeito dos que faleceram, para não andardes tristes como os outros, que não têm esperança. De facto, se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus reunirá com Jesus os que em Jesus adormeceram” (1 Ts 4, 13-14)

 

 

 

quarta-feira, julho 29, 2026

 

Vandalismo em Medjugorje. Oremos pela conversão deste homem

 

As imagens de vandalismo em Medjugorje não são bonitas, sobretudo porque ofendem a Mãe e Jesus. Mas já que aconteceram, aproveitemos para orar pelo atacante. Paulo perseguia Jesus … até O ter encontrado. Pois bem, recorramos às 5 pedrinhas da Mãe – Eucaristia/Adoração, Rosário, Leitura da Bíblia, Confissão (mensal, de preferência, como é pedido por Ela) e jejum/abstinência – para que este homem seja outro Paulo.

Um dos maiores perigos deste tipo de vandalismo é levar o cristão ao ódio, à raiva, à falta de perdão. Não podemos cair nessa cilada do demónio. Por mais revoltados que possamos estar, é preciso mostrar a graça de ser cristão, ou seja, perdoar e orar pela conversão desta pessoa ou até pela sua cura – não sei se tem doença mental.

“Orai pelos inimigos” (Mt 5, 44), pede-nos Jesus. O que nos diz a Mãe: “Fazei tudo O que ele vos disser.” (Jo 2, 5)

E aproveitemos este momento para ver com quem devemos usar estas pedrinhas no nosso dia a dia…

Mãe, pelo Teu Filho Jesus, transforma este vandalismo num momento de caída do cavalo, para que este homem se torne cristão. Que esta desgraça nos abra os olhos para ver por quem devemos orar, já que etsá longe de Ti e de Jesus. Ámen.

 

Mensagens da Mãe, em Medjugorje: https://medjugorje.pt/

terça-feira, julho 21, 2026

 

Deus fala-nos através das redes sociais?


A Internet tem permitido divulgar a Palavra de Deus de uma forma incrível. Mas não nos podemos esquecer que também existe interpretação pessoal da Palavra, muita superstição e … adivinhação. Quem costuma fazer scroll nas páginas do Instagram, por exemplo, acede a muitas publicações que dizem algo como “Deus falou comigo; você não está aqui por acaso”.

Obviamente, Deus pode falar-nos através de uma destas mensagens. Quem sou eu para impor limites a Deus. Mas é preciso haver discernimento em oração, pedindo o apoio de um sacerdote ou de um missionário preparado.

É preciso ter cuidado com os supostos ‘missionários’ e ‘profetas’ que dizem que Jesus lhes deu uma palavra ou que determinada situação vai ser resolvida até ao dia 20 do mês atual. Isto pode ser perigoso para a nossa saúde espiritual e também mental:

1 – São criadas falsas expectativas;

 

2 – Cria-se dependência de sinais e prodígios e desconfiança de Deus quando estes não são visíveis;

 

3 – Gera-se ansiedade e ‘cegueira’, porque se espera pelo tal dia em que vamos ter a resposta que mais desejamos.

 

4 – Perde-se confiança em Deus, tratando-O como uma ‘máquina de desejos’.

 

5 – Praticamos, mesmo que de forma inconsciente, adivinhação. É como ir ao astrólogo ou à ‘bruxa’.

 

Deus é muito claro em Deuteronómio 18, 10-12: “Ninguém no teu meio faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha; ou se dê a encantamentos, aos augúrios, à adivinhação, à magia, ao feiticismo, ao espiritismo, aos sortilégios, à evocação dos mortos, porque o SENHOR abomina todos os que fazem tais coisas.”

 

É normal estares cansado da tua dor. Mas foca-te no que o Pai te diz: “Nada temas, porque Eu estou contigo; não te angusties, porque Eu sou o teu Deus. Eu fortaleço-te e auxilio-te, e amparo-te com a minha mão direita e vitoriosa.” Isaías 41, 10

 

 

terça-feira, julho 14, 2026

 

A ameixa que me ensinou a Palavra de Deus

 


Devia ter 5 anos. Éramos muito pobres e não podíamos ter muita coisa, por isso a fruta que se comprava era sempre a mais barata. A minha mãe sempre me ensinou que a pobreza não é desculpa para roubar, mas naquele dia a bela de uma ameixa reluzia e chamava por mim no supermercado.

Não resisti. Peguei numa rapidamente e escondi-a. Os remorsos foram tomando conta de mim e só me lembrava do que a minha mãe me dizia. “Deus não quer isso!” A caminho de casa confessei o que tinha feito. A minha mãe, cheia de misericórdia, mas sem deixar de ser a mãe que educa uma filha, obrigou-me a voltar, a pedir desculpa e a devolver a ameixa.

Se houvesse um buraco, tinha-me metido lá dentro… Quando cheguei ao supermercado – onde todos nos conheciam – dirigi-me à empregada, entreguei a ameixa e pedi desculpa. A reação dela foi linda: pediu à minha mãe que me deixasse levar a ameixa. Ela tinha visto, mas ficou calada porque sabia da nossa situação. E disse-lhe: “A sua filha tinha ao lado imensos doces, mas quis apenas uma ameixa. Deixe estar.”

A senhora foi misericordiosa, graças a Deus. Mas, desde aquele dia, aprendi uma lição que me marca até hoje e que vai ao encontro do que está na Bíblia: "Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito, e quem é desonesto no pouco, também é desonesto no muito” (Lc 16, 10-15)

Tendo em conta a situação, o que fiz não foi assim tão grave. Tinha muitas desagravantes. Mas é com estes pequenos gestos e desculpas que acabamos por aceitar comportamentos menos corretos, que um dia nos irão afastar de Deus. A misericórdia é importante, mas a fidelidade à Palavra de Deus também.

 

sexta-feira, julho 10, 2026

 

Mesmo com cancro de mama, deixa Deus sonhar em ti…

 


Pouco tempo antes de saber que tinha um cancro de mama, Aldina Cardeal teve um sonho com a música do Frei Gilson, que diz: “verás um caminho difícil demais/verás tempestades que te assustarão, mas quando o sonho é de Deus ninguém destruirá”.  

Mãe de uma menina pequena, imaginemos o susto e a tempestade… No livro “Deixa Deus sonhar em ti”, dá testemunho da sua luta vivida em Jesus e como até nos momentos de maior fraqueza e dúvida, Deus lhe permitiu ultrapassar o medo e ir mais além.

De forma muito concreta, testemunha Jesus na sua vida e como é importante não se achar que por sermos cristãos estamos livres de (grandes) sofrimentos. Jesus nunca disse isso. “No mundo tereis aflições; mas, coragem, Eu venci o mundo.” (Jo 16, 33)

Podem contactar a Aldina através do email aldina.cardeal@gmail.com para pedirem o livro. É barato e tem um valor cristão inestimável.

À Aldina, muito obrigada pelo seu testemunho, que me aproximou ainda mais de Deus. A forma de lhe agradecer é divulgar a obra e rezar por si e pelos seus, sobretudo pela sua filhota!


quarta-feira, julho 08, 2026

 

Rezar o terço com doença de Alzheimer

 


Há uns anos, conheci uma senhora com doença de Alzheimer que já não se lembrava da maioria das coisas. A filha dizia-me que, apesar do esquecimento de pessoas e de atividades de vida diária, a mãe continuava a querer ir à Missa e a rezar o terço.

Já não sabia muito bem o Pai-Nosso e a Avé-Maria, mas os dedos tocavam cada conta com uma enorme delicadeza. Acredito sinceramente que a Mãe do Céu se deliciou com aqueles momentos de oração tão puros…

Se este gesto de oração ainda se mantinha na sua mente pela graça de Deus deveu-se, de certeza, à sua dedicação e firmeza diária de rezar o terço, como nos pede a Mãe. O terço (e mais concretamente o rosário) foi a Bíblia dos cristãos que não sabiam ler e escrever e que não tinham acesso às Escrituras. Em cada mistério meditavam uma passagem da Bíblia. A oração mariana é assim: conduz-nos sempre a Jesus…  


E, nós, se alguma vez perdermos a memória, será que vamos ter a mesma graça por termos prosperado na oração enquanto tínhamos consciência de tudo?

 

terça-feira, junho 30, 2026

 

 

Pára um pouco e ora por esta rapariga…

 


De manhã, no metro, vi uma rapariga cheia de cicatrizes no braço, coladinhas umas às outras… A automutilação é um problema de saúde mental que está a aumentar entre os jovens. É a forma que o cérebro encontra de acalmar as dores da alma. É estranho para muitas pessoas, mas é um problema de saúde muito grave e que exige todo o apoio. 

O vazio existencial está a aumentar nesta sociedade que exige mérito desde os primeiros tempos de vida. Mérito, muita competição, muito foco na imagem exterior, muita autossuficiência… Poderia falar sobre mil e uma coisas sobre este vazio experimental, mas neste post apenas vos gostaria de pedir o que é mais importante: oração e escuta. 

Orem por esta rapariga e por tantos outros que sofrem na alma e que são desprezados por ainda se ver a doença mental como uma mania. E, por favor, escutemos o sofrimento destas pessoas, sem julgamento, ajudando a pedir apoio médico.

Que Deus permita a sua cura!

 

Se precisas de apoio imediato, contacta a Linha de Aconselhamento Psicológico do SNS 24 (disponível 24h/dia) através do 808 24 24 24 (seleciona a opção 4) ou a Linha Nacional de Prevenção do Suicídio, através do 1411.


 

quinta-feira, junho 18, 2026

 

As alergias e a oração dentro (mas fora) da igreja

 


Gosto muito de entrar numa igreja e ficar em silêncio. Eu olho para Jesus e Ele olha para mim. Mas naquele dia não pude ficar a escutar aquele silêncio maravilhoso da igreja, porque sendo muito antiga, tinha um cheiro intenso a humidade. Estava doente, com rinossinusite, e comecei a ficar aflita.

Saí e lá voltei ao barulho dos carros e à agitação própria de uma grande cidade. Contudo, dentro de mim, sentia uma vontade muito forte em continuar a oração em silêncio, como se estivesse na igreja. Não se tratava da oração que se faz em qualquer lugar. Sentia que devia continuar como se estivesse dentro da igreja. Pensei em aproveitar o jardim ali perto. Mais um problema: estavam a cortar a relva e sou alérgica a gramíneas. Tenho crises muito fortes de rinossinusite, podendo afetar a respiração, por isso tive de abandonar o local.

Caminhando, fui falando com Jesus, tentei escutá-Lo, olhei para os pormenores do que via à minha volta na ânsia de Ele me dizer qualquer coisa. No final, senti uma paz enorme e alegria. Não sei explicar bem, mas percebi que Jesus se utilizou das minhas alergias e do quadro agudo da rinossinusite para me levar a um encontro diferente com Ele.

Naquele momento, lembrei-me dos muitos irmãos e irmãs que vivem em regiões ou países onde a fé é proibida ou onde não se consegue ter uma igreja por perto. Como é que eles fazem para estar em silêncio em frente a Jesus? Não há sacrário, mas Deus permite-lhes que possam entrar no seu quarto – que pode ser a rua, o jardim, etc. – para estar com Ele como se estivessem em frente ao sacrário.

São momentos como este que reforçam algo muito importante: o Pai quer adoradores em espírito e verdade (Jo 4, 23-24). Quantas vezes multiplicamos palavras, ditas a correr, sem viver a oração? Até podemos não o fazer por mal, mas é preciso orar com mais calma, com mais verdade, sem se sentir aquele frenesim interior de se ter de fazer todas as novenas e ladainhas. Cada oração, mesmo que seja uma novena e uma ladainha, não deve ser a correr. Deve sair do coração, sempre em espírito e verdade.

Ensina-nos, Senhor, a orar! (Lc 11, 1)



 

terça-feira, junho 16, 2026

 

 

Amar implica sempre sentir “química”?

 


Amar como Jesus nos pede não implica sentir sempre “química”. Quem a sente pelo inimigo? Ninguém! No entanto, Jesus é bem claro quando pede para se amar e orar pelos que nos fazem mal (Mt 5, 38-47). Outro exemplo: sentimos “química” por todas as pessoas com quem convivemos ao longo da vida, mesmo que não nos façam mal? Não.

O Amor de que Jesus nos fala é, acima de tudo, uma decisão e um compromisso com a Sua Vontade, ou seja, devemos sempre optar pelo respeito e evitar a vingança. Diria que é também uma questão de lógica e de razão, alcançável por qualquer pessoa, independentemente de ter ou não fé.

Porquê? Porque se amarmos os inimigos e aqueles por quem não sentimos grande “química”, vamos viver muito mais em paz. Amar, neste caso concreto, significa negar a vingança ou optar pela indiferença, respeitar o outro como ser humano. Quantas guerras, brigas, chatices seriam evitadas…

Obviamente, é muito difícil pôr em prática o Amor de que Deus nos fala. Mas se Ele pediu, não é impossível. O segredo para o conseguir (mais vezes) é orar e vigiar sem cessar (1 Ts 5, 17-18), aceitar as nossas limitações, percebendo quando nos devemos retirar para que as coisas não corram mal… Vale mais o sentimento de que se perdeu uma batalha do que enfrentar o sofrimento que se segue após uma explosão de raiva.

Em suma, é preciso pedir a Deus a graça de não deixarmos a ira ir connosco para a cama (Ef 4, 26), acabando por se enraizar no nosso coração e na nossa mente. Imperfeitos como somos, é preciso treinar, treinar, treinar com o grande treinador da nossa Vida, a quem tudo é possível: Jesus Cristo.


Ajudai-nos, Jesus, pois sabes que é mais fácil deixar-nos levar pelas emoções do momento…



quarta-feira, junho 10, 2026

 

Perdoar o pai que tenta matar a mãe?



O pai tentou matar a mãe, mas não conseguiu porque um rapaz se pôs à frente. Acabou ele por morrer. Após este episódio trágico, a mulher virou-se para as drogas e a filha foi para uma instituição. Foi aí, e depois numa família adotiva, que conheceu Jesus.

A história é real e foi notícia durante a visita do Papa a Espanha. A rapariga confidenciou que, apesar da fé, sente dificuldade em perdoar o pai. A resposta do Papa foi extremamente humana e concreta. Não foi contra a Palavra de Deus, que pede para se perdoar sempre (Mt 18, 21-22), mas demonstrou compreensão e compaixão por uma dor tão grande.

E lembrou algo muito importante: o perdão, sobretudo nestes casos, só é possível com a graça de Deus (Mt 19, 26). E pode ser necessário pedir essa graça até ao último dia da nossa vida… O perdão cura, mas convenhamos que nestas situações é muito mais difícil, apesar de não ser impossível.

Meditemos nas palavras do Papa Leão XIV e olhemos para a resposta pensando naquilo que mais nos magoa…

“Precisamos de aprender a ver no perdão um poderoso remédio contra o mal que cura as nossas feridas interiores, como parte de um processo, de uma viagem. Acima de tudo, precisamos de invocar o perdão do Senhor; precisamos de continuar a pedir — talvez por toda a vida — que o Senhor expanda o espaço do amor dentro de nós, precisamente onde fomos magoados; que Ele nos ajude a reconciliar-nos connosco mesmos e com esta parte da nossa história marcada pelo sofrimento; [e] que Ele transforme lentamente o ressentimento em misericórdia e compaixão. É um longo percurso, um processo que exige muita paciência. E é preciso não desanimar: no perdão, avança-se com pequenos passos.”


 

segunda-feira, junho 01, 2026

 

As dores horríveis e a fé aos 6 anos



Com 6 anos tive de ser operada. Estive muito mal, com uma perfuração no intestino. As dores eram indescritíveis e os exames eram muito dolorosos. Escusado será dizer que a fraqueza de mal conseguir comer ainda piorava mais as coisas. Vivi o inferno. Nem tinha vontade de brincar.

Das coisas mais assustadoras que vivi, foi ficar sozinha à noite no hospital. Não permitiam que as mães ou os pais pernoitassem. Nesses momentos, o que mais me salvou foi a fé que a minha mãe me tinha transmitido. Hoje, entendo que era uma fé profunda, indizível. Sem ter frequentado a catequese, sem conhecer a Bíblia, Deus ungi-a para que transmitisse o amor de Deus aos seus filhos.

Nas noites terríveis de solidão, no escuro dos monstros que enchem a cabeça de uma criança de 6 anos, agarrava-me a Jesus.  Recordo-me como se fosse hoje da cara de duas enfermeiras: estava a fazer um tratamento muito doloroso e elas tentavam mimar-me. Eu dizia-lhes: “Só Deus sabe o que é melhor.” Elas olhavam muito admiradas e comovidas e calavam-se… O que lhes iria na cabeça naquele momento? Não sei… Se calhar, questionavam a sua própria fé. Ou então criticavam a minha mãe por me ensinar que Deus existe.

Hoje, olhando para esses momentos, penso como falar de Jesus não basta. É preciso que Ele transpareça dentro de nós, apesar das nossas imperfeições. A minha mãe não conhecia a Bíblia. Mas, apesar de vir de uma terra onde imperava o ateísmo e a superstição, ela conseguiu entender quem é Jesus.

Será que nós também entendemos quem Ele é? Será que O deixamos transparecer nos nossos gestos e palavras? Será que temos coragem de criança para falarmos Dele sem vergonha?


 

terça-feira, maio 19, 2026

 

A oração e a montanha-russa da vida

 


A oração é uma aprendizagem constante. A montanha-russa da vida - com muitas voltas, quedas e subidas repentinas - nem sempre nos permite verbalizar o que sentimos. Mesmo perante Deus, ficamos mudos. Às vezes, lá saem algumas palavras, mas muito poucas. A confusão na cabeça não nos permite ir mais longe neste diálogo com o Senhor.

O mais incrível desta experiência agridoce é ver como Jesus nos ama e nos aceita sem julgar. Olha para nós, respeita o silêncio, a confusão, a revolta…O Seu silêncio nestes momentos não pode ser visto como castigo ou indiferença. É simplesmente amor e cuidado. Ele aguarda com infinita paciência que O deixemos arrumar a nossa confusão, para conseguirmos desabafar e escutar a solução para o problema.

Isto não tem nada de mal. Somos humanos. Mas também é verdade que não podemos ficar infinitamente nesta posição, porque, mesmo inconscientemente, poderá tornar-se um esconderijo, uma desculpa para não enfrentarmos a realidade.

É preciso pedir o Espírito Santo para nos dar força para enfrentarmos as dores da vida e para aceitarmos a Vontade do Pai. Apenas encarando as coisas como são podemos avançar. A montanha-russa das emoções pode dever-se à nossa teimosia em seguir por um caminho que não é o melhor; pode ser expressão dos nossos defeitos e teimosias; pode ser Deus a pôr-nos à prova para sabermos se O amamos pelas coisas/desejos ou apenas por quem Ele é…

 


quarta-feira, maio 13, 2026

 

Abandonar o primeiro amor

 


Deus alerta-nos para algo muito importante em Ap 2, 1-7: podemos fazer muitas coisas por Ele, mas isso não significa que O amemos como no momento que O (re) descobrimos. “Conheço as tuas obras, as tuas fadigas e a tua constância (…) tens constância, sofreste por causa de mim e não perdeste a coragem. No entanto, tenho uma coisa contra ti: abandonaste o teu primitivo amor.”

E sabem qual é o principal sintoma deste abandono do primitivo amor? A oração torna-se secundária ou quase inexistente. As obras também são oração, se feitas em nome de Deus, mas é preciso que estejam sustentadas na oração silenciosa, contemplativa, na leitura orante da Palavra, nos sacramentos, na partilha entre irmãos.

O cansaço – ou exaustão – leva-nos a ver a oração como um peso e facilmente desistimos. Afinal, pensamos: faço tantas coisas por Deus! O primitivo amor torna-se facilmente ativismo puro e duro. Sem oração, sem o Espírito Santo, rapidamente começamos a fazer aquilo que nós achamos e não o que Deus quer.

Um exemplo: posso ser uma ótima oradora, mas se não tiver o Espírito Santo, os frutos não vão ser os mesmos.

É preciso parar e pensar se a nossa caminhada com Deus está nesta fase. Se sim, peçamos a Deus coragem para mudar. Tal como nos diz: “Lembra-te, pois, donde caíste, arrepende-te e torna a proceder como ao princípio.” Ap 2, 5

 

quarta-feira, abril 29, 2026

 

A oração turbulenta que me fez ver a verdade

 


Entro na Igreja à procura de silêncio. Mas não encontrei. Três senhoras fizeram questão de conversar sobre a vida. Senti-me incomodada, mas fiz um esforço para ignorar. Se calhar não têm catequese e conhecimento da Palavra e do que é ser Igreja - pensei eu. E isso não as faz menos filhas de Deus. Também erro todos os dias.

Mas, admito, aquele barulho pareciam facas a espetarem-se na minha cabeça. Como estava sedenta de silêncio… Apeteceu-me sair rapidamente, mas senti que Jesus me pedia para ficar mais um pouco. Assim o fiz.

E ainda bem que obedeci, pois naquela oração turbulenta percebi o que Jesus me estava a dizer: “É isto que Eu sinto quando não fazes silêncio. Quero ajudar-te, amar-te, pedir o Teu amor e tu não fazes silêncio…”

Muitas vezes, os outros são o nosso espelho, por isso:

“Não julgueis, para não serdes julgados; pois, conforme o juízo com que julgardes, assim sereis julgados; e, com a medida com que medirdes, assim sereis medidos. Porque reparas no argueiro que está na vista do teu irmão, e não vês a trave que está na tua vista?” Mt 7, 1-3


segunda-feira, abril 27, 2026

 

A amargura que vem da dor que se esconde…

 


“Passa a vida a refilar, até chateia!” De facto, (con) viver com alguém amargurado é muito difícil. Na maioria das vezes, esse sentimento vem do fundo da alma e do coração. Há uma dor intensa, demasiado enraizada, que se teima em esconder atrás de palavras rancorosas ou até de sorrisos …

É preciso ir ao fundo do nosso poço e aceitar aquilo que dói há muitos anos. O que não aceitamos? O que nos revolta? O que ainda nos magoa? Quem ainda não perdoámos? Será que ainda não nos perdoámos por algo que fizemos no passado?

Há situações tão dolorosas que preferimos esconder e fazer de conta que já está tudo bem. Até podemos viver muitas anos a achar que a vida se recompôs. Ou então, na vida social sorrimos, e em casa choramos e refilamos… Jesus quer curar-nos, mas para tal é preciso aceitar o que está errado. Sem medo, sem vergonha.  Perceber que entulhos pusemos em cima da dor ou da revolta que está bem enraizada na nossa alma e no coração e deixar que Jesus toque esse mundo escondido.

Jesus diz-nos: “Eu vim para que tenham vida e vida em abundância.” (Jo 10, 10) Mas enquanto não retirarmos as pedras ou rochas de cima do que nos magoa, não vamos ter essa vida em abundância…

Procura ajuda num grupo de oração. Pode também ser preciso ajuda psicológica. Não importa o processo até à cura, porque, no final, vamos sentir um alívio muito grande e vamos receber e levar vida cheia do Espírito Santo a muitos outros irmãos em sofrimento. Em suma: vamos ser curados, para curar!

Ajuda-nos, Jesus!


quinta-feira, abril 23, 2026

 

Oração em silêncio traz força e alegria

 


Vivemos num mundo cheio de barulho. Há uns anos descobri a oração contemplativa em silêncio. Em casa, numa igreja, no jardim, na praia, seja lá onde for, apenas digo a Jesus: “Aqui estou”. Assim fico, muitas vezes, sem conseguir dizer uma palavra.

O cansaço (exaustão) toma conta do corpo e da mente e nem sempre podemos parar. É importante parar, mas quando somos o pilar da casa, sozinhos, é complicado… O meu parar acaba por ser muito este: estar com Jesus em silêncio. Eu olho para Ele, Ele olha para mim. Às vezes há palavras – algumas de desalento e de revolta -, outras vezes nem consigo pensar. Simplesmente, estou ali com Ele.

Quantas vezes, termino a oração sem nada sentir… Mas sei que Jesus me enche do Seu Santo Espírito. Neste diálogo silencioso com Jesus, Ele aumenta as minhas forças, ajuda-me a enfrentar a tempestade e devolve-me a alegria, que queria fugir por causa de feridas que ainda sangram…

Como Jesus disse a Paulo:

“Basta-te a minha graça, porque a força manifesta-se na fraqueza” (2Co 12, 9)

 

 

quarta-feira, abril 01, 2026


Jesus Misericordioso, eu confio em Vós! Na Sexta-Feira Santa começa a Novena!




Jesus veio para nos salvar e faz tudo por tudo para o conseguir. Mesmo que tenhamos cometido erros horríveis, com Jesus é possível ter uma vida nova. 

Nesta novena, cujo foco não somos nós em particular mas todos os irmãos, inclusive quem já partiu, descobrimos esse Amor e Misericórdia infinita de quem morreu por nós na cruz. 

E no Domingo a seguir à Páscoa é a Festa da Divina Misericórdia, na qual se pode receber indulgência plenária. Para tal, é preciso Confissão, Eucaristia, Comunhão pelas intenções do Papa. 

Novena: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/devocao/novena/reze-com-confianca-a-novena-a-divina-misericordia/



Santa Páscoa!

PS: Não deixem de ir à Adoração! :) 


segunda-feira, março 30, 2026

 

O olhar de Jesus também é para ti!

 


Sempre que medito na Via Sacra, o que mais me comove é o olhar de Jesus. Mesmo cheio de dores, hematomas, feridas abertas, com fome e sede, sabendo que caminhava para a cruz, nunca deixou de ter um olhar de amor e de misericórdia.

Foi assim com a Sua Mãe, com as mulheres que choravam, com Verónica que lhe enxugou o rosto, com Pedro que o havia traído, com os seus algozes… Tinha tudo para se centrar apenas nas Suas dores agonizantes – as físicas, as psicológicas, as espirituais. Mas quis ensinar-nos que, mesmo nos piores momentos, devemos pensar nos outros.

A dor e a angústia podem quase sufocar-nos, mas é preciso lutar, com a graça de Deus, contra o rancor e o sentimento de desesperança e de derrota que se quer instalar nas tempestades da vida. O nosso olhar tem de ser de amor e de misericórdia. Na dor, mesmo que nos apeteça ficar quietos, devemos pensar nos outros. Na raiva, temos de pedir a graça da paz de coração. A vida é muito rápida. O hoje pode ser sempre a última oportunidade para perdoar, pedir perdão, amar, orar, testemunhar Jesus junto dos outros…

Como se pode conseguir isto – pelo menos na maioria das vezes? Só há uma solução: orar sem cessar! (1 Ts 5, 17) Nos maus e nos bons tempos, com ou sem vontade, é preciso ler todos os dias a Palavra de Deus, meditar no que Ele nos ensina e pedir-lhe a graça de prosperar. Haverá dias que nos apetece cantar, noutros apenas ficaremos em silêncio, sem sentir nada … Não importa! A fé não é só sentir. É uma decisão, é saber que Jesus está sempre presente, mesmo que não sintamos nada no coração e na alma.

Agarremo-nos àquele olhar misericordioso e amoroso de Jesus. No silêncio do quarto – ou noutro local – deixemo-nos tocar por esse olhar que cura, que acalma, que transforma. Isto é para mim e para ti. Não importa se estás afastado, com dúvidas, confuso, numa vida errante. Simplesmente, deixa-te levar pelo olhar de Jesus!

Meditar a Via Sacra (desde que é condenado até à morte na cruz): https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/via-sacra/

 


 

 

terça-feira, março 17, 2026

 


A Hóstia Consagrada é Jesus ou um símbolo?

 


Esta é uma discussão que gera polémica, sobretudo entre Católicos e Protestantes. Para os primeiros, a Hóstia Consagrada é o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Para os Protestantes, o pão é apenas um símbolo.

Lendo e estudando a Bíblia no seu todo, a que conclusão chegamos? A Hóstia Consagrada é realmente Jesus. Eis as passagens do Novo Testamento que o demonstram:

Quando chegou a hora, pôs-se à mesa e os Apóstolos com Ele. Disse-lhes: «Tenho ardentemente desejado comer esta Páscoa convosco, antes de padecer, pois digo-vos que já não a voltarei a comer até ela ter pleno cumprimento no Reino de Deus. Tomando uma taça, deu graças e disse: «Tomai e reparti entre vós, pois digo-vos que não tornarei a beber do fruto da videira, até chegar o Reino de Deus.» Tomou, então, o pão e, depois de dar graças, partiu-o e distribuiu-o por eles, dizendo: «Isto é o meu corpo, que vai ser entregue por vós; fazei isto em minha memória.» Depois da ceia, fez o mesmo com o cálice, dizendo: «Este cálice é a nova Aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós.” (Lc 22, 14-20)

Jesus não diz que isto simboliza, mas isto é. Pode-se argumentar: mas não se está a levar demasiado à letra o que Jesus nos diz? Ele falou muito em parábolas… É verdade, mas há um momento-chave na Escritura onde se pode perceber melhor que não estava a falar simbolicamente:

“Então, os judeus, exaltados, puseram-se a discutir entre si, dizendo: «Como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?!» Disse-lhes Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. 5Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia, 55porque a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue, uma verdadeira bebida. quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e Eu nele.” (Jo 6, 52-56)

Perante estas palavras, muitos dos que andavam com Ele, foram-se embora, comentando: “Que palavras insuportáveis! Quem pode entender isto?” (Jo 6, 60)

Ora, se Jesus estivesse a falar simbolicamente, deixaria estes discípulos irem embora sem lhes explicar que não estava a falar literalmente? Claro que não.

A Hóstia Consagrada é realmente Jesus Vivo. É um mistério? Sim, sem dúvida. Mas, com base na Bíblia, podemos ver como é verdade. Há ainda muitos milagres eucarísticos que o comprovam.

Por tudo isto, nem todos podemos receber Jesus na Eucaristia. Não se trata de discriminar pessoas, mas de termos respeito por Jesus:

“Assim, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. Portanto, examine-se cada um a si próprio e só então coma deste pão e beba deste vinho; 29pois aquele que come e bebe, sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a própria condenação.” (1 Co 11, 27-29)

Não comungar não significa que Jesus não nos ama. Não se trata disso. E há situações muito complexas; ninguém deve julgar. As “regras” que existem sobre a comunhão têm a ver com este pedido de Jesus.  Mesmo assim, permite-se a comunhão espiritual.

Quanto ao acreditar ou não que a Hóstia Consagrada é realmente Jesus, pensemos: os satânicos acreditam que é Jesus quem ali está e roubam a Hóstia Consagrada para pisarem Jesus nas suas “missas” negras. Se quem se entregou ao Diabo aceita que é Jesus na Hóstia Consagrada, por que razão, os cristãos, não hão de acreditar?

 


sexta-feira, março 13, 2026

 

Sem nada ver, mas com Jesus

 


Na vida temos muito a mania que temos várias coisas asseguradas. Facilmente, o ser humano acaba por se esquecer que o que tem vem de Deus. Muitas vezes nem dá o devido valor ao que Ele nos dá. Mesmo nas coisas más, é preciso louvá-lo, porque se Ele permitiu é para tirar um bem maior.

 “Tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus.” (Rm 8, 28)

Amando-os infinitamente, Deus vai então permitir alguns abanões bem fortes para ver se abrimos os olhos. Doem, mas fazem falta. Quantas vezes um filho se rebela e chora por algo e nós não lhe damos o que quer – mesmo que seja bom -, porque naquele momento não é o melhor para ele ou não é o tempo certo?

Deus é Pai e faz o mesmo com cada um de nós. A nossa atitude deve ser apenas uma: apesar do choro, do desânimo ou até da revolta, devemos parar em oração de silêncio e escuta e dizer-Lhe:

Pai, sinto-me fraca. Não vejo nada. Estou revoltada e triste com o que está a acontecer. Ajuda-me a ver que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus. Não é fácil, por isso, acolhe-me no Teu colo. Ter fé e amar-Te é mesmo isto: aprender a confiar em Ti, mesmo quando não se compreende o que se passa e não se vê a luz ao fundo do túnel. Ámen.



terça-feira, março 03, 2026

 

Olhar para a cruz não é masoquismo

 


Há quem ache que lembrar Jesus na cruz é masoquismo. Mas isso não é verdade. Devemos olhar para a ressurreição, mas também para a cruz. Ambos nos ensinam muitas coisas que devemos pôr em prática todos os dias.

A ressurreição é a Vida Eterna, o fim da dor, da doença e da morte (Ap 21,4). A cruz é mais difícil, mas é real. Quem não tem sofrimentos na vida? Ninguém. Olhar para a cruz e meditar sobre a Paixão de Jesus ensina-nos a abraçar as cruzes de cada dia, de forma digna.

O próprio Jesus nos alertou: “No mundo tereis aflições, mas coragem, Eu venci o mundo” (Jo 16, 33). Fala-nos inclusive de perseguição, de morte por causa do Seu nome, de aceitar a cruz de cada dia como condição para O seguir: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.” (Mt 16,24)

Meditar a Via Sacra é uma das orações mais preciosas para a nossa vida. Não se trata de esquecer os bons momentos da vida, mas de saber lidar com o sofrimento e com a ameaça da morte, sem deixarmos de ter “vida e vida em abundância” (Jo 10, 10).

Ao longo da minha vida, a cruz foi-me ensinando que o sofrimento não tem a última palavra. Quantas vezes podia já ter desistido e não o fiz por causa de meditar a Paixão de Jesus… Quantas vezes, a falta de ar, o pânico, a dor, a traição, o abandono foram ultrapassados por me lembrar de Jesus na cruz, entregando-lhe o que sinto para completar no meu corpo o que falta nas Suas chagas … (Col 1, 24)

Pode não ser fácil olhar para a cruz. Também não é preciso ir buscar algumas imagens mais sangrentas que circulam na internet: há quem consiga olhar para elas, outros não. Se não se conseguir olhar para a cruz, procure-se ler as orações da Via Sacra. Cada um, consoante a sua sensibilidade, procure esta oração de onde brota mil e um ensinamentos.

Os frutos hão de surgir, apesar dos altos e baixos da vida:

1 - O sofrimento passa a ter um sentido e pode ser usado para aliviar as dores de Jesus – e da Mãe -, assim como o de muitos irmãos e irmãs;

2- Interiorizamos (ou até descobrimos) o Amor que Jesus tem por cada um de nós. Afinal, quem se atreveria a sofrer tanto, estando inocente, para salvar até aqueles que lhe cuspiam no rosto e que lhe infligiam dores horrorosas?

 

Via Sacra:

 https://santuario.cancaonova.com/via-sacra/via-sacra-do-santuario-do-pai-das-misericordias/



 

quinta-feira, fevereiro 26, 2026

 

O sofrimento mental do padre

 


Mais um sacerdote morre por causa de um sofrimento psicológico profundo. O padre Pedro Ribeiro era conhecido pela sua dedicação e … alegria. Contudo, entre quatro paredes, a sua alma doía terrivelmente. Sim, é verdade que o suicídio vai contra o mandamento do “Não matarás” (Ex 20, 13), mas não podemos esquecer-nos de que a doença mental é terrível e ainda menosprezada por muitas pessoas. E esse desprezo inclui quem é da Igreja…

Deixemos bem claro: existe tratamento e o suicídio não tem de ser a última palavra. Mas ninguém deve julgar e ninguém deve esquecer que a doença mental é como outra qualquer. Os padres – assim como todos os missionários – são chamados para tudo e mais alguma coisa. Faltam trabalhadores para a messe (Mt 9, 37-38) e isso leva-nos a aceitar muitas missões. Isso tem dois grandes perigos: o ativismo, que nos afasta da oração em silêncio e da adoração, e o desgaste psicológico, que pode levar a pessoa ao limite.

Como pode cada um ajudar? Aqui ficam algumas dicas:

- Usa o teu tempo para Deus e vê se não consegues, de facto, tirar nem que seja uma hora para ajudar na Igreja. Faltam catequistas, pessoas para decorar, abrir e fechar a Igreja, pessoas para ajudar nos grupos de oração…

-  Não critiques o padre, o catequista, etc. Procura, antes, ajudá-los, porque o cansaço faz parte da missão, mas a exaustão pode levar à doença e à morte. Essa ajuda inclui escutá-los e não exigir coisas que não passam de caprichos ou de tradições humanas…

- Ora e faz jejum/abstinência pelos missionários. É a oração que nos sustenta.

A nossa preguiça ou egoísmo – quando só queremos Deus para os nossos fins – pode levar outros a um grande sofrimento. Jesus chama-nos a todos, sem exceção. Mesmo aquele que está acamado, pode orar e entregar a sua doença pelas missões e pela salvação das almas. São Paulo bem dizia: “Ai de mim se não evangelizar!” (1 Co 9, 16) Não enterremos os talentos, porque um dia iremos dar contas dos mesmos (Lc 19, 12-27).

Que Jesus nos acompanhe a todos e que tenha misericórdia do padre Pedro Ribeiro.

 

Linha de Prevenção do Suicídio e Apoio Psicológico em Portugal - 1411

Pede ajuda, tu és importante: https://prevenirsuicidio.pt/contactos-e-servicos-disponiveis/


sexta-feira, fevereiro 20, 2026

 

E se esta fosse a nossa última Quaresma?

 


Hoje de manhã, soube da morte de um homem ainda relativamente novo. “Ainda há dias falei com ele e estava ótimo…”, dizia uma das pessoas que estava em choque com a notícia. De facto, não se gosta de falar da morte, mas ela pode vir como um ladrão. Para o cristão não é o fim, mas também por amarmos Cristo, sabemos como é importante estar preparado.

A Quaresma é um dos muitos momentos que Deus nos permite aprofundar essa preparação através da oração, do jejum/abstinência e da esmola (caridade). Três atitudes que devem marcar a nossa vida ao longo do ano, em particular quando nos preparamos para a festa mais importante do Cristianismo: a Páscoa.

Pois, quer queiramos quer não, um dia vamos partir deste mundo. Seja esta a nossa última Quaresma ou não, não podemos esquecer-nos de que cada um destes gestos deve ser feito com amor.

 

Oração de coração, em “espírito e verdade” (Jo 4, 23-24) – Sem nos limitarmos a pedir coisas apenas para os nossos: É preciso pensar nos irmãos, inclusive nos inimigos (Mt 5, 44).

 

Jejum/abstinência – Nem todos podem jejuar a pão e água, mas é possível retirar aquilo de mais gostamos. Acrescentemos aos alimentos, os comportamentos menos bonitos, que tanto afastam os outros de Deus. Quantas vezes censuramos quem não aceita Deus, sem pensarmos que podem ser as nossas (más) ações que levam ao afastamento…

 

Esmola – Ajudar, ajudar, ajudar. No mundo do consumismo desenfreado deixemos de acumular, mas também evitemos dar naquela perspetiva de “dou sem saber se está em bom estado, pois isto é uma forma de limpar a casa”. E não nos cinjamos apenas aos bens materiais. Dêmos amor, companhia, um telefonema, o perdão, outra oportunidade…

 

Pelo amor é que seremos julgados, como Jesus é muito claro em Mateus 25, 31-46. “Sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer. Estes irão para o suplício eterno, e os justos, para a vida eterna”, diz-nos Jesus.

 

"Muitas vezes, queixamo-nos de Deus, sobretudo perante o sofrimento e a morte. Achamos que não nos ouve, mas eis a Sua resposta: “Jejuais, sim, mas no meio de contendas e discussões, e dando punhadas sem piedade. (…)
O jejum que Me agrada não será antes este: quebrar as cadeias injustas, desatar os laços da servidão, pôr em liberdade os oprimidos, destruir todos os jugos?

Não será repartir o teu pão com o faminto, dar pousada aos pobres sem abrigo, levar roupa aos que não têm que vestir e não voltar as costas ao teu semelhante?
Então a tua luz despontará como a aurora, e as tuas feridas não tardarão a sarar. Preceder-te-á a tua justiça e seguir-te-á a glória do Senhor.
Então, se chamares, o Senhor responderá; se O invocares, dir-te-á: "Estou aqui".
(Is 58, 1-9)

 

Boa Quaresma!