Deus da morte e da vida…
A vida é uma montanha-russa: na Missa onde pedi pela alma
da minha amiga que havia morrido poucas horas antes, presenciei um momento
lindo: 50 anos de matrimónio. No meio da dor, inevitavelmente, sorri e
emocionei-me com a alegria daquele casal. 50 anos, algo tão raro nos dias de
hoje…
Por deuscidência, o refrão do salmo dizia-nos que o Senhor
é quem dá a morte e a vida (Dt
32, 39)… A perda de alguém jovem gera sempre angústia e revolta. Mas a
verdade é que nunca sabemos o dia e a hora (1 Ts 5, 2). A
morte, sobretudo, de alguém muito jovem pode provocar duas coisas: vou viver,
sem querer saber de mais nada e pensar apenas no prazer; ou vou preparar-me
espiritualmente para estar pronto para o dia que Deus me chamar.
Aos olhos da sociedade, a primeira atitude faz todo o
sentido; a segunda é vista como uma seca, uma parvoíce, uma opção por uma vida
sem sabor.
Puro engano! Estar preparado para partir para a casa de
Deus não é nenhuma seca. Significa que vamos fazer um exame de consciência, emendar-nos
dos nossos erros, pedir perdão, viver mais em paz, apostar mais no amor. E a
leveza que isso que nos traz, permite-nos viver de forma mais intensa e ter o
que Jesus nos disse: “vida e vida em abundância” (Jo 10, 10).
E tudo isto com uma única certeza: mesmo que tenhamos de
ser purificados no Purgatório, caminharemos para os braços de Jesus na Vida
Eterna, aquela que é verdadeira.
Fazer o luto é importante, mas nunca esqueçamos da promessa
da vida eterna, da importância de orar pela alma de quem parte e de ajudar quem
fica para que voltemos a sorrir, como aquele casal que celebrava 50 anos de
matrimónio.
“Irmãos, não queremos deixar-vos na ignorância a respeito
dos que faleceram, para não andardes tristes como os outros, que não têm
esperança. De facto, se acreditamos que Jesus morreu e
ressuscitou, assim também Deus reunirá com Jesus os que em Jesus adormeceram”
(1 Ts 4, 13-14)


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