As dores horríveis e a fé aos 6 anos
Com 6 anos tive
de ser operada. Estive muito mal, com uma perfuração no intestino. As dores
eram indescritíveis e os exames eram muito dolorosos. Escusado será dizer que a
fraqueza de mal conseguir comer ainda piorava mais as coisas. Vivi o inferno.
Nem tinha vontade de brincar.
Das coisas mais
assustadoras que vivi, foi ficar sozinha à noite no hospital. Não permitiam que
as mães ou os pais pernoitassem. Nesses momentos, o que mais me salvou foi a fé
que a minha mãe me tinha transmitido. Hoje, entendo que era uma fé profunda,
indizível. Sem ter frequentado a catequese, sem conhecer a Bíblia, Deus ungi-a
para que transmitisse o amor de Deus aos seus filhos.
Nas noites terríveis
de solidão, no escuro dos monstros que enchem a cabeça de uma criança de 6
anos, agarrava-me a Jesus. Recordo-me
como se fosse hoje da cara de duas enfermeiras: estava a fazer um tratamento muito
doloroso e elas tentavam mimar-me. Eu dizia-lhes: “Só Deus sabe o que é melhor.”
Elas olhavam muito admiradas e comovidas e calavam-se… O que lhes iria na
cabeça naquele momento? Não sei… Se calhar, questionavam a sua própria fé. Ou
então criticavam a minha mãe por me ensinar que Deus existe.
Hoje, olhando
para esses momentos, penso como falar de Jesus não basta. É preciso que Ele transpareça
dentro de nós, apesar das nossas imperfeições. A minha mãe não conhecia a
Bíblia. Mas, apesar de vir de uma terra onde imperava o ateísmo e a
superstição, ela conseguiu entender quem é Jesus.
Será que nós
também entendemos quem Ele é? Será que O deixamos transparecer nos nossos
gestos e palavras? Será que temos coragem de criança para falarmos Dele sem
vergonha?

