segunda-feira, junho 01, 2026

 

As dores horríveis e a fé aos 6 anos



Com 6 anos tive de ser operada. Estive muito mal, com uma perfuração no intestino. As dores eram indescritíveis e os exames eram muito dolorosos. Escusado será dizer que a fraqueza de mal conseguir comer ainda piorava mais as coisas. Vivi o inferno. Nem tinha vontade de brincar.

Das coisas mais assustadoras que vivi, foi ficar sozinha à noite no hospital. Não permitiam que as mães ou os pais pernoitassem. Nesses momentos, o que mais me salvou foi a fé que a minha mãe me tinha transmitido. Hoje, entendo que era uma fé profunda, indizível. Sem ter frequentado a catequese, sem conhecer a Bíblia, Deus ungi-a para que transmitisse o amor de Deus aos seus filhos.

Nas noites terríveis de solidão, no escuro dos monstros que enchem a cabeça de uma criança de 6 anos, agarrava-me a Jesus.  Recordo-me como se fosse hoje da cara de duas enfermeiras: estava a fazer um tratamento muito doloroso e elas tentavam mimar-me. Eu dizia-lhes: “Só Deus sabe o que é melhor.” Elas olhavam muito admiradas e comovidas e calavam-se… O que lhes iria na cabeça naquele momento? Não sei… Se calhar, questionavam a sua própria fé. Ou então criticavam a minha mãe por me ensinar que Deus existe.

Hoje, olhando para esses momentos, penso como falar de Jesus não basta. É preciso que Ele transpareça dentro de nós, apesar das nossas imperfeições. A minha mãe não conhecia a Bíblia. Mas, apesar de vir de uma terra onde imperava o ateísmo e a superstição, ela conseguiu entender quem é Jesus.

Será que nós também entendemos quem Ele é? Será que O deixamos transparecer nos nossos gestos e palavras? Será que temos coragem de criança para falarmos Dele sem vergonha?


 

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