sábado, agosto 08, 2026

 

Deus da morte e da vida…

 


A vida é uma montanha-russa: na Missa onde pedi pela alma da minha amiga que havia morrido poucas horas antes, presenciei um momento lindo: 50 anos de matrimónio. No meio da dor, inevitavelmente, sorri e emocionei-me com a alegria daquele casal. 50 anos, algo tão raro nos dias de hoje…

Por deuscidência, o refrão do salmo dizia-nos que o Senhor é quem dá a morte e a vida (Dt 32, 39)… A perda de alguém jovem gera sempre angústia e revolta. Mas a verdade é que nunca sabemos o dia e a hora (1 Ts 5, 2). A morte, sobretudo, de alguém muito jovem pode provocar duas coisas: vou viver, sem querer saber de mais nada e pensar apenas no prazer; ou vou preparar-me espiritualmente para estar pronto para o dia que Deus me chamar.

Aos olhos da sociedade, a primeira atitude faz todo o sentido; a segunda é vista como uma seca, uma parvoíce, uma opção por uma vida sem sabor.

Puro engano! Estar preparado para partir para a casa de Deus não é nenhuma seca. Significa que vamos fazer um exame de consciência, emendar-nos dos nossos erros, pedir perdão, viver mais em paz, apostar mais no amor. E a leveza que isso que nos traz, permite-nos viver de forma mais intensa e ter o que Jesus nos disse: “vida e vida em abundância” (Jo 10, 10).

E tudo isto com uma única certeza: mesmo que tenhamos de ser purificados no Purgatório, caminharemos para os braços de Jesus na Vida Eterna, aquela que é verdadeira.

Fazer o luto é importante, mas nunca esqueçamos da promessa da vida eterna, da importância de orar pela alma de quem parte e de ajudar quem fica para que voltemos a sorrir, como aquele casal que celebrava 50 anos de matrimónio.

“Irmãos, não queremos deixar-vos na ignorância a respeito dos que faleceram, para não andardes tristes como os outros, que não têm esperança. De facto, se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus reunirá com Jesus os que em Jesus adormeceram” (1 Ts 4, 13-14)