Orar
com o coração, sem fingimentos
“Estou exausta, farta disto tudo. E quando chega a minha vez? Quando deixarei de ser o pilar de tudo?” As palavras são minhas e foram ditas a Jesus, em oração. E ele aceitou este meu grito, dando-me consolo e fortaleza.
Como acrescentei: “Meu Deus, Tu sabes tudo, eu sei que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8, 28), mas estou mesmo muito cansada. Aceita este desabafo. Não Te sintas ofendido.”
Esta oração que brotou bem do fundo da minha alma e do meu coração aliviou-me imenso. Por um lado, deitei para fora o que me magoava e, por outro, percebi que Jesus logo de seguida me lembrava: “Não temas, não te angusties; Eu te auxilio e Te fortaleço; te seguro com a minha mão destra e vitoriosa (Is 41, 10).”
Orar também é isto: ser sincero, não fingir. Afinal, Deus sabe tudo… Com isto não estou a dizer que não o devamos respeitar, apenas realço a importância da oração com o coração, sem fingimento. É preciso derramar as nossas lágrimas e angústias, mesmo que não consigamos dizer uma única palavra. O próprio Jesus pediu ao Pai que lhe retirasse o cálice da morte na cruz… (Mt 26, 39)
E depois disto? O problema deixa de existir? Depende. Podemos chegar à conclusão, através do Espírito Santo, que o que nos angustia não tem razão de ser e tudo fica resolvido. Ou então, tudo se mantém, mas com outra paz e com outra força – aquelas que são dadas por Deus nas tempestades.
Como seria bom se procurássemos viver
mais na intimidade com Deus, adorando-O em espírito e verdade…(Jo 4, 23-24) Ajudai-nos,
Jesus, a conseguir – mesmo que de modo imperfeito – esta intimidade e
proximidade Contigo. Não é apenas para nos consolarmos, para também para levarmos
o Teu amor e apoio aos irmãos que estão perdidos, angustiados e ansiosos. Ámen.

