segunda-feira, março 30, 2026

 

O olhar de Jesus também é para ti!

 


Sempre que medito na Via Sacra, o que mais me comove é o olhar de Jesus. Mesmo cheio de dores, hematomas, feridas abertas, com fome e sede, sabendo que caminhava para a cruz, nunca deixou de ter um olhar de amor e de misericórdia.

Foi assim com a Sua Mãe, com as mulheres que choravam, com Verónica que lhe enxugou o rosto, com Pedro que o havia traído, com os seus algozes… Tinha tudo para se centrar apenas nas Suas dores agonizantes – as físicas, as psicológicas, as espirituais. Mas quis ensinar-nos que, mesmo nos piores momentos, devemos pensar nos outros.

A dor e a angústia podem quase sufocar-nos, mas é preciso lutar, com a graça de Deus, contra o rancor e o sentimento de desesperança e de derrota que se quer instalar nas tempestades da vida. O nosso olhar tem de ser de amor e de misericórdia. Na dor, mesmo que nos apeteça ficar quietos, devemos pensar nos outros. Na raiva, temos de pedir a graça da paz de coração. A vida é muito rápida. O hoje pode ser sempre a última oportunidade para perdoar, pedir perdão, amar, orar, testemunhar Jesus junto dos outros…

Como se pode conseguir isto – pelo menos na maioria das vezes? Só há uma solução: orar sem cessar! (1 Ts 5, 17) Nos maus e nos bons tempos, com ou sem vontade, é preciso ler todos os dias a Palavra de Deus, meditar no que Ele nos ensina e pedir-lhe a graça de prosperar. Haverá dias que nos apetece cantar, noutros apenas ficaremos em silêncio, sem sentir nada … Não importa! A fé não é só sentir. É uma decisão, é saber que Jesus está sempre presente, mesmo que não sintamos nada no coração e na alma.

Agarremo-nos àquele olhar misericordioso e amoroso de Jesus. No silêncio do quarto – ou noutro local – deixemo-nos tocar por esse olhar que cura, que acalma, que transforma. Isto é para mim e para ti. Não importa se estás afastado, com dúvidas, confuso, numa vida errante. Simplesmente, deixa-te levar pelo olhar de Jesus!

Meditar a Via Sacra (desde que é condenado até à morte na cruz): https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/via-sacra/

 


 

 

terça-feira, março 17, 2026

 


A Hóstia Consagrada é Jesus ou um símbolo?

 


Esta é uma discussão que gera polémica, sobretudo entre Católicos e Protestantes. Para os primeiros, a Hóstia Consagrada é o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Para os Protestantes, o pão é apenas um símbolo.

Lendo e estudando a Bíblia no seu todo, a que conclusão chegamos? A Hóstia Consagrada é realmente Jesus. Eis as passagens do Novo Testamento que o demonstram:

Quando chegou a hora, pôs-se à mesa e os Apóstolos com Ele. Disse-lhes: «Tenho ardentemente desejado comer esta Páscoa convosco, antes de padecer, pois digo-vos que já não a voltarei a comer até ela ter pleno cumprimento no Reino de Deus. Tomando uma taça, deu graças e disse: «Tomai e reparti entre vós, pois digo-vos que não tornarei a beber do fruto da videira, até chegar o Reino de Deus.» Tomou, então, o pão e, depois de dar graças, partiu-o e distribuiu-o por eles, dizendo: «Isto é o meu corpo, que vai ser entregue por vós; fazei isto em minha memória.» Depois da ceia, fez o mesmo com o cálice, dizendo: «Este cálice é a nova Aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós.” (Lc 22, 14-20)

Jesus não diz que isto simboliza, mas isto é. Pode-se argumentar: mas não se está a levar demasiado à letra o que Jesus nos diz? Ele falou muito em parábolas… É verdade, mas há um momento-chave na Escritura onde se pode perceber melhor que não estava a falar simbolicamente:

“Então, os judeus, exaltados, puseram-se a discutir entre si, dizendo: «Como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?!» Disse-lhes Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. 5Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia, 55porque a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue, uma verdadeira bebida. quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e Eu nele.” (Jo 6, 52-56)

Perante estas palavras, muitos dos que andavam com Ele, foram-se embora, comentando: “Que palavras insuportáveis! Quem pode entender isto?” (Jo 6, 60)

Ora, se Jesus estivesse a falar simbolicamente, deixaria estes discípulos irem embora sem lhes explicar que não estava a falar literalmente? Claro que não.

A Hóstia Consagrada é realmente Jesus Vivo. É um mistério? Sim, sem dúvida. Mas, com base na Bíblia, podemos ver como é verdade. Há ainda muitos milagres eucarísticos que o comprovam.

Por tudo isto, nem todos podemos receber Jesus na Eucaristia. Não se trata de discriminar pessoas, mas de termos respeito por Jesus:

“Assim, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. Portanto, examine-se cada um a si próprio e só então coma deste pão e beba deste vinho; 29pois aquele que come e bebe, sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a própria condenação.” (1 Co 11, 27-29)

Não comungar não significa que Jesus não nos ama. Não se trata disso. E há situações muito complexas; ninguém deve julgar. As “regras” que existem sobre a comunhão têm a ver com este pedido de Jesus.  Mesmo assim, permite-se a comunhão espiritual.

Quanto ao acreditar ou não que a Hóstia Consagrada é realmente Jesus, pensemos: os satânicos acreditam que é Jesus quem ali está e roubam a Hóstia Consagrada para pisarem Jesus nas suas “missas” negras. Se quem se entregou ao Diabo aceita que é Jesus na Hóstia Consagrada, por que razão, os cristãos, não hão de acreditar?

 


sexta-feira, março 13, 2026

 

Sem nada ver, mas com Jesus

 


Na vida temos muito a mania que temos várias coisas asseguradas. Facilmente, o ser humano acaba por se esquecer que o que tem vem de Deus. Muitas vezes nem dá o devido valor ao que Ele nos dá. Mesmo nas coisas más, é preciso louvá-lo, porque se Ele permitiu é para tirar um bem maior.

 “Tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus.” (Rm 8, 28)

Amando-os infinitamente, Deus vai então permitir alguns abanões bem fortes para ver se abrimos os olhos. Doem, mas fazem falta. Quantas vezes um filho se rebela e chora por algo e nós não lhe damos o que quer – mesmo que seja bom -, porque naquele momento não é o melhor para ele ou não é o tempo certo?

Deus é Pai e faz o mesmo com cada um de nós. A nossa atitude deve ser apenas uma: apesar do choro, do desânimo ou até da revolta, devemos parar em oração de silêncio e escuta e dizer-Lhe:

Pai, sinto-me fraca. Não vejo nada. Estou revoltada e triste com o que está a acontecer. Ajuda-me a ver que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus. Não é fácil, por isso, acolhe-me no Teu colo. Ter fé e amar-Te é mesmo isto: aprender a confiar em Ti, mesmo quando não se compreende o que se passa e não se vê a luz ao fundo do túnel. Ámen.



terça-feira, março 03, 2026

 

Olhar para a cruz não é masoquismo

 


Há quem ache que lembrar Jesus na cruz é masoquismo. Mas isso não é verdade. Devemos olhar para a ressurreição, mas também para a cruz. Ambos nos ensinam muitas coisas que devemos pôr em prática todos os dias.

A ressurreição é a Vida Eterna, o fim da dor, da doença e da morte (Ap 21,4). A cruz é mais difícil, mas é real. Quem não tem sofrimentos na vida? Ninguém. Olhar para a cruz e meditar sobre a Paixão de Jesus ensina-nos a abraçar as cruzes de cada dia, de forma digna.

O próprio Jesus nos alertou: “No mundo tereis aflições, mas coragem, Eu venci o mundo” (Jo 16, 33). Fala-nos inclusive de perseguição, de morte por causa do Seu nome, de aceitar a cruz de cada dia como condição para O seguir: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.” (Mt 16,24)

Meditar a Via Sacra é uma das orações mais preciosas para a nossa vida. Não se trata de esquecer os bons momentos da vida, mas de saber lidar com o sofrimento e com a ameaça da morte, sem deixarmos de ter “vida e vida em abundância” (Jo 10, 10).

Ao longo da minha vida, a cruz foi-me ensinando que o sofrimento não tem a última palavra. Quantas vezes podia já ter desistido e não o fiz por causa de meditar a Paixão de Jesus… Quantas vezes, a falta de ar, o pânico, a dor, a traição, o abandono foram ultrapassados por me lembrar de Jesus na cruz, entregando-lhe o que sinto para completar no meu corpo o que falta nas Suas chagas … (Col 1, 24)

Pode não ser fácil olhar para a cruz. Também não é preciso ir buscar algumas imagens mais sangrentas que circulam na internet: há quem consiga olhar para elas, outros não. Se não se conseguir olhar para a cruz, procure-se ler as orações da Via Sacra. Cada um, consoante a sua sensibilidade, procure esta oração de onde brota mil e um ensinamentos.

Os frutos hão de surgir, apesar dos altos e baixos da vida:

1 - O sofrimento passa a ter um sentido e pode ser usado para aliviar as dores de Jesus – e da Mãe -, assim como o de muitos irmãos e irmãs;

2- Interiorizamos (ou até descobrimos) o Amor que Jesus tem por cada um de nós. Afinal, quem se atreveria a sofrer tanto, estando inocente, para salvar até aqueles que lhe cuspiam no rosto e que lhe infligiam dores horrorosas?

 

Via Sacra:

 https://santuario.cancaonova.com/via-sacra/via-sacra-do-santuario-do-pai-das-misericordias/



 

quinta-feira, fevereiro 26, 2026

 

O sofrimento mental do padre

 


Mais um sacerdote morre por causa de um sofrimento psicológico profundo. O padre Pedro Ribeiro era conhecido pela sua dedicação e … alegria. Contudo, entre quatro paredes, a sua alma doía terrivelmente. Sim, é verdade que o suicídio vai contra o mandamento do “Não matarás” (Ex 20, 13), mas não podemos esquecer-nos de que a doença mental é terrível e ainda menosprezada por muitas pessoas. E esse desprezo inclui quem é da Igreja…

Deixemos bem claro: existe tratamento e o suicídio não tem de ser a última palavra. Mas ninguém deve julgar e ninguém deve esquecer que a doença mental é como outra qualquer. Os padres – assim como todos os missionários – são chamados para tudo e mais alguma coisa. Faltam trabalhadores para a messe (Mt 9, 37-38) e isso leva-nos a aceitar muitas missões. Isso tem dois grandes perigos: o ativismo, que nos afasta da oração em silêncio e da adoração, e o desgaste psicológico, que pode levar a pessoa ao limite.

Como pode cada um ajudar? Aqui ficam algumas dicas:

- Usa o teu tempo para Deus e vê se não consegues, de facto, tirar nem que seja uma hora para ajudar na Igreja. Faltam catequistas, pessoas para decorar, abrir e fechar a Igreja, pessoas para ajudar nos grupos de oração…

-  Não critiques o padre, o catequista, etc. Procura, antes, ajudá-los, porque o cansaço faz parte da missão, mas a exaustão pode levar à doença e à morte. Essa ajuda inclui escutá-los e não exigir coisas que não passam de caprichos ou de tradições humanas…

- Ora e faz jejum/abstinência pelos missionários. É a oração que nos sustenta.

A nossa preguiça ou egoísmo – quando só queremos Deus para os nossos fins – pode levar outros a um grande sofrimento. Jesus chama-nos a todos, sem exceção. Mesmo aquele que está acamado, pode orar e entregar a sua doença pelas missões e pela salvação das almas. São Paulo bem dizia: “Ai de mim se não evangelizar!” (1 Co 9, 16) Não enterremos os talentos, porque um dia iremos dar contas dos mesmos (Lc 19, 12-27).

Que Jesus nos acompanhe a todos e que tenha misericórdia do padre Pedro Ribeiro.

 

Linha de Prevenção do Suicídio e Apoio Psicológico em Portugal - 1411

Pede ajuda, tu és importante: https://prevenirsuicidio.pt/contactos-e-servicos-disponiveis/


sexta-feira, fevereiro 20, 2026

 

E se esta fosse a nossa última Quaresma?

 


Hoje de manhã, soube da morte de um homem ainda relativamente novo. “Ainda há dias falei com ele e estava ótimo…”, dizia uma das pessoas que estava em choque com a notícia. De facto, não se gosta de falar da morte, mas ela pode vir como um ladrão. Para o cristão não é o fim, mas também por amarmos Cristo, sabemos como é importante estar preparado.

A Quaresma é um dos muitos momentos que Deus nos permite aprofundar essa preparação através da oração, do jejum/abstinência e da esmola (caridade). Três atitudes que devem marcar a nossa vida ao longo do ano, em particular quando nos preparamos para a festa mais importante do Cristianismo: a Páscoa.

Pois, quer queiramos quer não, um dia vamos partir deste mundo. Seja esta a nossa última Quaresma ou não, não podemos esquecer-nos de que cada um destes gestos deve ser feito com amor.

 

Oração de coração, em “espírito e verdade” (Jo 4, 23-24) – Sem nos limitarmos a pedir coisas apenas para os nossos: É preciso pensar nos irmãos, inclusive nos inimigos (Mt 5, 44).

 

Jejum/abstinência – Nem todos podem jejuar a pão e água, mas é possível retirar aquilo de mais gostamos. Acrescentemos aos alimentos, os comportamentos menos bonitos, que tanto afastam os outros de Deus. Quantas vezes censuramos quem não aceita Deus, sem pensarmos que podem ser as nossas (más) ações que levam ao afastamento…

 

Esmola – Ajudar, ajudar, ajudar. No mundo do consumismo desenfreado deixemos de acumular, mas também evitemos dar naquela perspetiva de “dou sem saber se está em bom estado, pois isto é uma forma de limpar a casa”. E não nos cinjamos apenas aos bens materiais. Dêmos amor, companhia, um telefonema, o perdão, outra oportunidade…

 

Pelo amor é que seremos julgados, como Jesus é muito claro em Mateus 25, 31-46. “Sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer. Estes irão para o suplício eterno, e os justos, para a vida eterna”, diz-nos Jesus.

 

"Muitas vezes, queixamo-nos de Deus, sobretudo perante o sofrimento e a morte. Achamos que não nos ouve, mas eis a Sua resposta: “Jejuais, sim, mas no meio de contendas e discussões, e dando punhadas sem piedade. (…)
O jejum que Me agrada não será antes este: quebrar as cadeias injustas, desatar os laços da servidão, pôr em liberdade os oprimidos, destruir todos os jugos?

Não será repartir o teu pão com o faminto, dar pousada aos pobres sem abrigo, levar roupa aos que não têm que vestir e não voltar as costas ao teu semelhante?
Então a tua luz despontará como a aurora, e as tuas feridas não tardarão a sarar. Preceder-te-á a tua justiça e seguir-te-á a glória do Senhor.
Então, se chamares, o Senhor responderá; se O invocares, dir-te-á: "Estou aqui".
(Is 58, 1-9)

 

Boa Quaresma!

domingo, fevereiro 15, 2026

 Os cristãos precisam de conhecer Jesus



Oras todos os dias? Nessa oração escutas Deus? Lês e meditas a Sua Palavra todos os dias? Infelizmente, muitos cristãos que nunca saíram da Igreja ou que se converteram há muitos anos, vão responder “Não” a todas ou a quase todas estas perguntas.

Levar Jesus a quem não O conhece é muito importante, mas também devemos fazê-lo dentro das nossas igrejas. Muitos de nós tornámo-nos mornos, deixámos de ter vontade de orar e meditar a Palavra todos os dias. Perdemos a disciplina em fazê-lo perante o cansaço, a angústia e a falta de vontade. Deus está lá no meio de muitas outras prioridades.

Mas Jesus avisa-nos que não basta fazer o bem, é preciso não perder o primeiro amor, aquele que sentimos quando O conhecemos. Caso contrário, tornamo-nos mornos. Em Apocalipse 3, 15-16, Ele é muito claro sobre este perigo: “Conheço as tuas obras: não és frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente. Assim, porque és morno - e não és frio nem quente - vou vomitar-te da minha boca”.

A Quaresma – tempo de preparação para a Páscoa - vai começar na próxima quarta-feira. Penso que seria importante fazer uma revisão da nossa vida cristã, para se perceber até que ponto é morna. Neste tempo particular de oração, jejum/abstinência e esmola (caridade) dediquemos mais tempo a Jesus, tentando perceber onde temos de reavivar a nossa vida cristã.

Peçamos a graça a Deus que nos dê discernimento e humildade para ver o que não está a correr bem na nossa relação com Ele. Até pode ser que não se sinta vontade de o fazer. Mas enfrentemos essa preguiça e perguntemos a Jesus: “O que tenho de mudar? Onde não estou a ser verdadeiramente cristão? O que faço que leva os irmãos a achar que seguir Jesus não vale a pena, porque não dou um bom exemplo no dia-a-dia, onde me encontro?”



quinta-feira, fevereiro 12, 2026

 

Onde está Deus nestas tempestades?

 


A questão está na ordem do dia, perante tanta desgraça... E deve ser respeitada, porque quem a faz pode estar em grande sofrimento. Ainda há quem veja este tipo de catástrofes como castigo de Deus.

Deus não castiga. Deus não quer que as pessoas fiquem sem nada. Não quer o sofrimento. No entanto, Ele foi bem claro: “No mundo, tereis tribulações; mas, tende confiança: Eu já venci o mundo!” (Jo 16, 33)

As tribulações existem por muitas razões, sendo muitas vezes consequência dos nossos atos ou dos atos de terceiros. Se consumir droga, posso morrer; se fumar, posso ter cancro; se tiver uma vida sem descanso, posso ter um AVC, etc., etc.

Deus permite, muitas vezes, determinados problemas para aprendermos uma lição ou para olharmos para a vida (a nossa e a dos outros) com outros olhos. Mas isso não é um castigo de um Deus mau. Ele deixa que certas catástrofes aconteçam para vermos que a verdadeira vida é a Eterna e que, se calhar, não estamos a lutar muito para lá chegar...

Estas tempestades estão a provocar muito sofrimento e, obviamente, ninguém quer passar por isto. Neste momento, há muitas pessoas sem casa, sem emprego, sem ter uma perspetiva de futuro. Tenhamos muito respeito pela dor que estão a sentir.

Mas, já que isto tudo teve que acontecer, aproveitemos para repensar na nossa vida. Está assente em areia ou numa rocha? (Mt 7, 24-27) Se Deus nos chamar a qualquer momento, estamos preparados com os sacramentos, com uma vida baseada no amor a Deus e ao próximo?

É também importante olhar para o bem que está à nossa volta no meio de tremenda tragédia. As pessoas começaram a ajudar-se umas às outras. Quantos vizinhos se davam mal e agora já falam? Quantas vezes se falou mal do imigrante e agora olha-se para ele como um dos muitos que foram ajudar a reparar casas?

Para nós, cristãos, deixo mais um apelo: em vez de estarmos horas a fio a ver imagens da tragédia nas redes sociais ou na TV, dediquemo-nos à oração e até ao jejum/abstinência. É preciso estar informado, mas não é preciso estar demasiadas horas longe da oração. E quem está por perto e pode ajudar, não deixe de orar, mesmo que essa oração seja a entrega do cansaço de andar em caminhos lamacentos para dar uma mão a quem precisa.

 Que Jesus dê muita força a todos os que estão a sofrer...


 

 

 

 

sexta-feira, fevereiro 06, 2026

 

O verdadeiro amor por Deus no meio do erro

 


David fez muito por Deus, mas também cometeu erros muito graves. O maior de todos foi quando decidiu enviar Urias, marido da sua amante, para a frente de batalha para ser morto (2.º Samuel, 11). O homem temente a Deus deixou-se levar pela paixão, pela beleza de uma mulher, que não era sua. Estava tão cego que chegou ao ponto de se tornar responsável por uma morte.

Mas, por incrível que pareça, Deus deu-lhe um grande futuro. Do ponto de vista humano, faz sentido? Não! Mas do ponto de vista de Deus, sim. Ao lermos toda a sua história, percebemos melhor a razão que leva Deus a agir assim. Obviamente, Deus perdoa-nos a todos. Contudo, percebe-se que há um carinho muito especial por David, mil e uma tentativas para que ele se corrigisse.

Tenho refletido muito sobre esta história. Acredito que, além obviamente do Amor e da Misericórdia de Deus, o que está em causa nesta história de vida é o amor verdadeiro que David sentia por Deus. Falhava, mas arrependia-se do fundo do coração. Mesmo com o coração contrito e cheio de vergonha, pedia perdão a Deus e ajuda para recomeçar e para conseguir aceitar as consequências dos seus atos. Deus perdoa, mas temos que levar com as consequências dos nossos pecados… Deus também é justiça.

A história de David fascina-me por duas grandes razões:

- Mostra-nos como Deus nos ama imensamente e como nunca desiste de cada um de nós.

- Revela-nos como é importante amar a Deus de coração, sem fingimento, porque, mesmo no erro, se O amarmos assim, vamos conseguir ver o pecado, pedir perdão e recomeçar com a Sua ajuda.



terça-feira, janeiro 27, 2026

 

“Não faça como eu, menina! Não fique sozinha, é muito triste…”

 


Já passaram 20 anos (ou mais) desde que ouvi uma senhora, sem-abrigo, me dizer isto. Vivia na rua a pedir esmola e nos seus olhos apenas havia tristeza, angústia e arrependimento. Não sei o que terá acontecido na sua vida. O que a levou à rua? O que a levou a ficar sozinha? Decisões erradas, abandono? 

Não sei. Apenas sei que aquelas palavras me marcaram até hoje. Numa sociedade em que há muito se deixou de acreditar nas relações verdadeiras e no casamento, as palavras desta senhora deviam fazer-nos pensar. A modernidade diz-nos para ficarmos sozinhos, para irmos curtindo a vida… O problema é o depois… 

Com estas palavras não estou a criticar quem quer ficar sozinho por decisão própria. Há quem prefira assim e é feliz. Apenas quero alertar para aqueles casos em que se vai adiando o compromisso de uma vida a dois, em família, apesar de esse ser um desejo profundo. Porquê? Porque os anos vão passando e podemos perder oportunidades que não se voltam a repetir… Para nós, mulheres, há ainda outro problema: ter filhos.

Porquê ter-se tanto medo do compromisso? Por que razão temos de olhar para o casamento como algo pesado, enfadonho? Será um trauma do passado; uma família disfuncional, onde imperava a violência física e psicológica; o medo do futuro? Seja o que for, entreguemos a Deus. Deixemo-Lo curar-nos das feridas ou das más escolhas, para que a solidão e a angústia não se tornem companheiras diárias como aconteceu com aquela senhora…

 


 

segunda-feira, janeiro 19, 2026

 

Odiar um idoso doente? É possível…

 


Pode haver alguém que não tenha compaixão por um idoso com pouca mobilidade, que precisa da ajuda do neto para se equilibrar, apenas por ser muçulmano e imigrante? Sim, há quem consiga chegar ao ponto de não sentir qualquer amor por esta pessoa, que é tão ser humano como qualquer um de nós.

Assisti a uma cena de ódio horrível, ontem, nas mesas de voto. Um homem demonstrou o maior desprezo por este idoso. “Mas agora os estrangeiros têm prioridade?” O neto é português e este idoso deve viver em Portugal há muitos anos, porque o seu português era impecável. Mas mesmo que não fosse, como podemos mostrar ódio e desprezo por um idoso combalido? 

É triste ver ao ponto que se chegou por causa da política. Há crianças a serem maltratadas nas escolas por terem determinada nacionalidade ou por serem muçulmanos – alguns nem sequer o são, mas são apelidados como tal por ignorância.

Mas somos seres humanos ou somos máquinas de ódio? Cada um pensa o que quiser em termos políticos, mas ninguém pode maltratar outro ser humano. Não podemos deixar o ódio vencer. Não se trata de ideologia política ou da (velha) guerra entre Esquerda e Direita. Trata-se de Direitos Humanos. 

Estou indignada, mas a resposta cristã a estas situações só pode ser uma: orar para que este homem deixe de ter um coração de pedra e não se deixe influenciar por discursos de ódio e de mentira. Vamos lá! Nem que seja uma simples oração, um Pai-Nosso. Esta é a melhor resposta ao ódio; é a resposta que Jesus nos ensinou na cruz. “Perdoai-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem!” (Lc 23, 34)


quarta-feira, janeiro 14, 2026

 

E se Deus não te quiser curar?



O leproso foi ter com Jesus e, prostrando-se aos Seus pés, disse: “Senhor, se quiseres podes curar-me.” (Lc 5, 12-16) Voltemos ao tempo de Jesus para perceber a coragem, a humildade e a fé do leproso. Naquele tempo, os leprosos eram excluídos da sociedade, ficando às portas das povoações. Ninguém os queria e ainda se acreditava que estavam doentes por serem pecadores.

Mas este homem, doente física e psicologicamente, ouviu falar de Jesus e, contra tudo e todos, atravessou as portas proibidas para ir pedir a sua cura. Sabe Deus o que teve de enfrentar até chegar aos pés de Jesus: medo de não conseguir, olhares de nojo, acusações… Mesmo assim, foi. Não desistiu. Manteve-se firme na sua fé.

Apesar de tanto sofrimento, teve a humildade de deixar Jesus escolher se o queria curar. Por coisas bem menores, exigimos a Deus este e o outro mundo e, se não conseguirmos o que queremos, apontamos o dedo a Deus…

Também, nós, temos lepra. Muitas lepras. Umas mais visíveis, outras menos. Até podemos estar cheios de lepra no nosso interior e para os outros parecemos imaculados… Nesses momentos precisamos fazer como o leproso: aceitar a doença, ir ter com Jesus (mesmo com muitas dificuldades), ser humildes e ter fé. 

Ser humilde é muito importante, porque há doenças que se vão manter ao longo da vida. São como o espinho na carne de Paulo. Três vezes pediu a Deus para o curar, mas viu sempre o seu pedido ser negado. Jesus foi claro: “Basta-te a minha graça, porque a força manifesta-se na fraqueza.” (2 Co 12, 9) 

Não é fácil ouvir isto de Deus. Preferimos que Ele nos cure, como fez com o leproso. Mas Ele sabe o que é melhor. A vida verdadeira é a Eterna, não é esta. Só Deus sabe se o nosso sofrimento vai ser mais proveitoso para salvar almas do que a nossa cura.

Como superar este “não”? Com muita oração, sobretudo nos momentos de queda e de desespero, e com a entrega diária das nossas dores. Apelo a todos para a importância da oração: muitos dos que sofrem horrores, só conseguem aguentar graças à oração de intercessão. Por isso mesmo não podemos orar apenas pelos nossos problemas, mas também pelos dos outros irmãos.

 

 

 

quarta-feira, janeiro 07, 2026

 

Jesus passa, mas não O chamamos

 


No Evangelho de hoje (Mc 6, 45-52), Jesus passa pelo barco dos discípulos. Estão apavorados, mas não conseguem vê-Lo no primeiro instante. O medo e a fé imatura impedem-nos de sentir confiança em Deus. É curioso, porque tinham acabado de ver Jesus a multiplicar os pães e os peixes. Como não conseguiram acreditar que Jesus os podia salvar?

É fácil para nós olharmos e apontarmos o dedo aos discípulos. Mas não fazemos nós também o mesmo? Quantas vezes já tivemos milagres e mesmo assim desesperamos? O barco da vida navega muitas vezes em alto mar, em plena tempestade. Há momentos muito duros e qualquer um – sem exceção – pode fazer o mesmo: desesperar, não pedir ajuda a Deus e deixá-Lo passar ao lado… Ou então vemo-Lo já muito tarde, restando-nos remediar a situação com a Sua graça.

Esta passagem da Bíblia também nos deve fazer refletir sobre a atitude de Jesus: Ele passa ao lado do barco, mas não faz nada. Só vai ter com os discípulos quando eles O veem e O chamam. Porquê? Jesus não nos força a nada. O verdadeiro amor é assim: não é impingido. O Amor não pode ser de outra forma. Jesus está sempre disponível, mas se não O quisermos…

Querer e amar Jesus não é algo que se consiga num clique. É preciso caminhar, ler e meditar a Palavra – com a ajuda de quem sabe – e orar sem cessar. Orar com palavras, no silêncio, na contemplação, na ação… É preciso treinar todos os dias e pedir-Lhe a graça da oração contínua. Oração pode ser um simples olhar para uma imagem ou um pensamento em Jesus. Pode ser uma simples palavra dita em silêncio, no meio da multidão. 

E nunca se pode parar. Mesmo que haja quedas, temos que nos levantar e voltar à oração de coração, “em espírito e verdade” (Jo 4, 24). Uma pessoa pode andar anos a fio no ginásio a praticar musculação, mas basta parar por pouco tempo e os músculos vão diminuir… Na vida espiritual é a mesma coisa. 

Entremos no ‘ginásio’ de Deus para que vejamos Jesus em todos os momentos da vida, quer sejam bons ou maus. Vamos ter mais força e Jesus vai ficar mais feliz!



quinta-feira, janeiro 01, 2026

 

A última cartada de Deus no deserto…

 


Há objetivos na vida que são tão preciosos aos olhos de Deus que Ele se recusa a dar-no-los à primeira. Sabendo como falhamos facilmente e como adoramos falsas sensações e metas, prefere atrair-nos ao deserto para nos falar ao coração. (Os 2, 16)

E isso pode levar anos… Veja-se o exemplo de José, vendido como escravo pelos irmãos e vítima de grande injustiça, que só após décadas conseguiu perceber qual era a sua missão. 

Ao longo desses anos, Deus pede-nos a humildade de aceitarmos ir com Ele ao deserto, onde muitas vezes vamos escutar apenas silêncio. Vamos orar, chorar e a resposta de Deus será … silêncio. A revolta vai instalar-se, a confusão vai ser cada vez maior, assim como o sentimento de injustiça, mas Deus continuará sem falar…

É aqui que se prova a maturidade da nossa fé. Diria mesmo que é neste deserto que Ele nos ajuda a perceber se estamos com Ele para O amar ou apenas para ter algo em troca.

Se não desistirmos, mesmo sem nada entender, eis o que acontece:

- Deus vai refazer-nos e vamos ver quais as feridas e as imperfeições que devem ser curadas. Será a hora de aceitar também que ainda continuamos com alguns ‘pecados de estimação’ apenas porque não temos vontade de nos desafazermos deles. São demasiado prazerosos…

- No deserto vamos aprender o que é orar. A oração não é apenas palavras e cânticos maravilhosos, mas também lágrimas e silêncio. Um silêncio que chega a doer até aos ossos…

- E, mais importante que tudo, vamos entender o Amor infinito que Deus tem por cada um de nós e como é Ele que deve ser o centro das nossas vidas. Por melhor que seja uma pessoa ou uma profissão, tudo passa. Apenas fica Deus. 


Durante a experiência do deserto pode acontecer que Ele fale e que nos dê sinais da Sua Vontade. Isso é percetível pela paz que se sente no coração e que pode até ser racionalmente estúpida. Nestes momentos, os sinais de Deus contradizem tudo o que vemos à nossa volta. Mas Ele insiste que é possível.

O tempo passa e, quando menos esperamos, Ele lança a Sua última cartada. E nesse momento, o deserto torna-se num oásis e aquilo que parecia impossível torna-se realidade. Porquê? Porque as grandes obras de Deus parecem sempre impossíveis e começam sempre aos pés da cruz. É desta forma que mostra a todos que a obra é Dele e que irá salvar muitos filhos…

 

 

 

 

quinta-feira, dezembro 18, 2025

 

Salvar vidas no silêncio

 


Às vezes, na vida passamos por grandes sustos. As coisas podem estar bem – até muito bem – e, de repente, tudo se desmorona. As certezas tornam-se incertezas, a alegria vira tristeza e angústia e ficamos sem chão.

Acredito que foi isto que sentiu José quando soube da gravidez de Maria (Cfr. Mt 1, 18-25). Se fosse outro homem, tê-la-ia difamado, não se importando com a sua morte por lapidação. As mulheres adúlteras (apenas elas) eram apedrejadas, em praça pública, até à morte.

Naquele momento, José não quis saber da sua dor, do sonho desfeito de quem achava que iria casar. Simplesmente, sendo um homem de Deus, protegeu-a da morte. Esta atitude acabou por lhe dar a graça de escutar o anjo de Deus a dizer-lhe para não ter medo, porque o fruto do ventre de Maria era obra do Espírito Santo. Não havia cometido adultério.

Reparem que José, mesmo na mágoa intensa, não deixou de escutar a voz de Deus… Nos momentos de dor, qual é a nossa tendência? Não escutamos ninguém, quanto mais Deus…

Podem dizer-me: isso é tudo muito bonito na teoria, mas na prática é diferente. Eu sei! Também sou fraca, resmungona nas dificuldades, também tenho a tendência de divulgar o que o outro me fez, para que a minha imagem não fique manchada…

Mas, nos últimos tempos, tenho aprendido (com algumas dores) que não é preciso gritar e ir a correr contar o que o outro fez. É melhor esperar como José. Ficar em silêncio e orar, mesmo que se chore e se tenha vontade de berrar.

Nesses momentos, dou por mim a olhar para o problema de forma muito fria e concreta, sem desculpas. E, perante a verdade do outro, consigo perceber melhor até que ponto o erro é cometido por traumas e por falta de cura interior. Não se trata de apagar o que aconteceu ou de achar que tudo se justifica, mas de reler os factos com base no amor e no perdão. 

Consigo sempre fazer isto? Não. Mas faço-o mais vezes, desde que olho para Jesus no Sacrário em silêncio ou quando oro apenas em silêncio no meu quarto. No silêncio, tal como José nos ensina, Deus enche-nos do Seu Espírito. Sem o Espírito Santo vamos cair muito mais vezes na tentação de abrir a boca, independentemente de o outro correr riscos de morrer física e ou psicologicamente…

Afinal, quem nunca pecou, que atire a primeira pedra… (Jo 8, 7)

 


quinta-feira, dezembro 11, 2025

 

A dor mostra a tua verdade, os teus sonhos!

 

Em silêncio, em frente a Jesus, agradeço-Lhe por o sofrimento ter um sentido na vida. Apenas com Jesus consigo perceber que o sofrimento não tem de ser em vão. E como isso me consola…Todas as dores são um ensinamento, uma oração… como Jesus nos mostrou na cruz. 

Um dos principais frutos do sofrimento é descobrir a nossa verdade interior. Afinal, quem sou eu? O que é muito importante na minha vida? O que mais desejo? O que me faz realmente feliz, mesmo no meio das tempestades?

A vida pode ser muito dura – e até injusta – e isso leva-nos a reprimir os nossos sonhos. Refiro-me aos sonhos que nos completam, ou seja, àqueles que Jesus preparou para cada um de nós. Por medo, vergonha, trauma, vamos (sobre)vivendo durante anos, sem lutar por aquilo que mais nos preenche como filhos muito amados de Deus. 

A dor e as experiências não curadas levam-nos a acreditar que não somos dignos de ser felizes e de alcançar aquilo que Deus sonhou para nós. O sofrimento é, muitas vezes, a única forma de Deus nos dizer: “Pára! Deixa-me sonhar em ti! Deixa-me fazer-te feliz!”

Nesse momento, por mais doloroso que seja, é preciso parar, escutar, orar e pedir aconselhamento. É preciso saber que passos teremos de dar para aceitarmos os sonhos de Deus, que são precisamente aqueles que Ele já colocou no nosso coração há muito, muito tempo.

Deixemos Deus sonhar em nós!


 

sexta-feira, dezembro 05, 2025

 

O que diz o olhar do Menino Jesus?

 


Eis a agitação habitual das vésperas do Natal… Onde estão os pensamentos de um cristão? Infelizmente, estão muitas vezes nas prendas e na comida da Ceia. Jesus fica para segundo, terceiro, quarto plano… Lá nos lembramos Dele quando olhamos para o presépio, mas não muito mais.

É preciso parar, orar, escutar e amar. No meio da agitação não podemos esquecer que o Natal é o nascimento de Jesus. O Menino embrulhado em panos, numa manjedoura, é Deus feito homem, que veio ao mundo para nos salvar. Não nos podemos distrair deste Seu Amor tão grande! Se o fizermos, estamos a ser ingratos.

Nestas semanas que antecedem a noite de Natal – Advento, na Igreja Católica -, deixemo-nos levar pelo olhar do Menino Jesus. O que Ele nos diz? O que temos de mudar na vida? A quem devemos estar mais atentos, porque está a sofrer em silêncio, apesar de sorrir todos os dias?

Olhemos para o Menino Jesus como se fosse a primeira vez. Peguemos na Palavra de Deus (a Bíblia) e voltemos a ler a passagem do seu nascimento. O que mais nos chama a atenção, tendo em conta o que estou a viver neste momento?

 

quarta-feira, novembro 26, 2025

 

Quando somos um mundo fechado

 



Quando lidamos com muitas pessoas ao longo da vida, apercebemo-nos de como há tantos que vivem fechados no seu mundo. Até podem sorrir por fora, mas por dentro há algo que dói. E isso só é possível de entender quando estamos atentos, quando nos aproximamos sem julgamentos e permitimos que a pessoa fale.

A vida levou-as a viverem caladas e  a esconderem os sentimentos. Isso poderá acontecer por diversas razões: não conseguem expressar as emoções que foram sempre reprimidas; por acreditarem que se o fizeram vão ser gozadas ou consideradas fracas; ou simplesmente por quererem ‘tapar os pobres’ de quem lhes é mais próximo.

Estas dores revelam-se também em sorrisos ou palavras mais amargas, em desconfiança de tudo e de todos… Ainda, ontem, no autocarro me apercebi disso numa senhora. O seu tom amargo e crítico, assim como a sua expressão facial, demonstravam o quanto deve ser uma pessoa fechada no seu mundo. Com isto vem o ódio e o rancor e muitas amizades que desaparecem. 

Este episódio faz-me lembrar um projeto que existe na Chéquia com o teólogo e padre Tomáš Halík. O objetivo é apenas um: há padres e leigos disponíveis para escutar quem queira ser ouvido, sem julgamentos. Todos eles têm formação para tal. Num país onde há mais ateus do que crentes, esta iniciativa tem permitido que as pessoas possam desabafar, esclarecer dúvidas. Algumas até (re) descobrem que Deus é Amor e Misericórdia e não apenas uma ideia ou um tirano. 

Esta também deve ser uma das missões dos cristãos: escutar palavras, gestos, olhares. Que Deus nos dê quem possa ter vocação e formação para a escuta ativa, para o discernimento dos espíritos. Há muitos mundos fechados, sedentos de compreensão, amor e orientação…



sexta-feira, novembro 21, 2025

 

O deus do ginásio

 



Praticar exercício físico adequado é essencial para a saúde. Mas existe um problema: o ginásio (ou até o exercício ao ar livre) tornou-se um deus para muitas pessoas. Há sempre tempo para o exercício, para moldar o corpo, mas nunca há tempo para a família, amigos, namorado (a), etc.

Eu também faço ginásio e natação e, como referi, isso é essencial para uma boa saúde. O problema está quando se tornam ídolos. Assisto e conheço histórias bem reais de quem ‘adore’ o deus ginásio/exercício, procurando viver o pleno bem-estar como se fosse um deus. E nem sequer têm noção de que é assim: acham que não estão a fazer nada de mal.

É preciso parar e ver até que ponto este novo deus nos está a afetar… Porquê? Porque, quando se tomar plena consciência desse deus, vai-se sentir uma dor enorme: a dor do vazio, das oportunidades de vida e das pessoas maravilhosas que se foram perdendo…

O telemóvel e todos os ecrãs podem ser deuses, mas a esses atribuiu-se-lhes facilmente um malefício. Ao ginásio, não. Na vida tudo deve ser com conta peso e medida. “Ninguém poderá servir a dois senhores…” (Mt 6, 24), já Jesus nos alertava…

Meditemos nos deuses da nossa vida e, com a graça de Deus, afastemo-los. E vejamos se, por acaso, esses deuses não estão simplesmente a esconder dores e medos interiores, que não conseguimos enfrentar…

Ajudai-nos, Jesus, a descobrir os deuses da nossa vida, sobretudo aqueles que passam facilmente por ser uma coisa boa, ou que até o são – como ir ao ginásio -, mas que em exagero nos afastam do Teu amor e do amor ao próximo! Ou, então, escondem medos e falta de coragem para dar certos passos… Ámen.



quinta-feira, novembro 13, 2025

 

A tua vida é muito importante!

 


A angústia pode ser tão profunda e intensa, que não há forma de a expressar por palavras. A depressão não se vê como uma perna partida, mas dói muito mais do que se possa pensar. Tu, que estás, farto de viver, tens em Jesus Alguém que sabe bem o que sentes. Jesus também sentiu angústia no Horto das Oliveiras. Chegou a suar gotas de sangue por causa do pânico e da angústia que sentia ao ver o sacrifício da cruz a aproximar-se (Lc 22, 44) …

Ele não te censura. Sabe bem o que tens sofrido e vivido. Mesmo sem O sentires, Ele está sempre contigo e diz-te: “Tu és muito importante. Não vês nenhuma saída, mas ela existe. Amo-Te muito, tal como és!”

No mês de novembro, o Papa dedica a sua intenção de oração às “pessoas que se debatem com pensamentos suicidas”, para que “encontrem apoio” nas suas comunidades e “se abram à beleza da vida”.

“Senhor Jesus, Tu que convidas os cansados e oprimidos a virem a Ti e a descansarem no Teu Coração, pedimos-Te neste mês por todas as pessoas que vivem na escuridão e no desespero, especialmente por aquelas que lutam contra pensamentos suicidas. Que sempre encontrem uma comunidade que as acolha, escute e acompanhe. Concede-nos um coração atento e compassivo, capaz de oferecer conforto e apoio, bem como a ajuda profissional necessária.” Papa Leão XIV

A todos os outros, peço compaixão por esta dor que leva a querer pôr fim à vida. Há dores que não se veem, que não se entendem. Mas existem, são bem reais. Deixemos o preconceito de que a depressão é uma mania da outra pessoa. Não é mania nenhuma, mas uma doença, que pode ser controlada. Oremos mais, critiquemos menos!

 

Linha nacional de prevenção do suicídio: 1411. É gratuito e funciona 24 horas por dia.