quinta-feira, julho 19, 2018



Quando o insulto e a má-língua matam ... 





Bastaram umas palavras mais azedas por telefone para que a Maria (nome fictício) tentasse o suicídio. A depressão já há muito que convivia com ela. A vida há muito que tinha deixado de fazer sentido.

Naquele dia, bastou umas palavras mais azedas ao telefone, para que a Maria sentisse o mundo a desmoronar-se. Dessas palavras que supostamente não passavam de um pequeno atrito entre duas pessoas conhecidas passou-se à tentativa de suicídio. Graças a Deus, a Maria está recuperada e medicada e já não pensa em morrer. Bem pelo contrário, agarrou-se como nunca à vida depois daquele dia.

Esta história bem real levou-me a pensar nas vezes que eu já “matei”, através de palavras. Um dos mandamentos de Deus é “Não matarás” (Ex 20, 23). Geralmente associa-se este mandamento aos homicídios e até ao suicídio. Mas, na verdade, o matar pode ser simplesmente o insulto e a má-língua.

Nunca sabemos como está a pessoa que estamos a insultar. Nunca sabemos se os nossos gritos e as nossas palavras mais feias não irão provocar um tsunami na outra pessoa que já está demasiado fragilizada por causa das agruras da vida.

Graças a Deus, nem todas as pessoas que são insultadas tentam o suicídio. Mas essas palavras podem provocar muitas feridas, contribuindo para a baixa-autoestima e para a pessoa se sentir menos amada.

Eu sei, não é fácil deixar de cair neste erro. Facilmente abrimos a boca para insultar, quer seja no trânsito caótico, nos transportes onde não cabe mais ninguém, na fila do supermercado quando nos passam à frente, quando nos insultam … Dar a outra face sempre foi muito difícil …

Como se pode mudar isto? Com muita oração, pedindo a Jesus a graça de nos contermos nas palavras. Por isso, peço:

Jesus, cura-nos deste nosso jeito de insultar e de não amar os nossos irmãos. Ajuda-nos a ter vontade para iniciar esta mudança na nossa vida. Quando cairmos – sabes que vai acontecer -, agarra-nos, levanta-nos e ajuda-nos a recomeçar e a pedir perdão a quem magoámos e a Ti, através do sacramento da Reconciliação. Ámen.



segunda-feira, julho 16, 2018


Santos à porta de casa e ... sem copy/paste!




É ou não verdade que nos sentimos bem quando olhamos para os pais que dão o seu amor pelos filhos, deixando tantas vezes o descanso para segundo plano para poderem conjugar o trabalho – que dá o pão-nosso de cada dia – com momentos de brincadeira e de carinho ? Ou quando olhamos para a senhora de 90 anos que, apesar de as pernas estarem fracas, continua a caminhar e a sorrir para os vizinhos? 

Estes são alguns exemplos que mostram que todos nós, SEM EXCEÇÃO, somos chamados por Deus à santidade. “Sede santos, como Eu sou santo.” (1 Ped 1, 16). Já muitas vezes havia escutado esta passagem, mas este sábado ganhou outro significado, num encontro da Canção Nova, na Igreja da Divina Misericórdia, em Odivelas.

O Padre Toninho lembrava-nos a última exortação apostólica do Papa, “Alegrai-vos e exultai!”, recordando o principal chamamento de Jesus, antes de sermos consagrados ou leigos: ser santos. Como ele nos dizia, ser santo não significa ser perfeito, mas tentar todos os dias seguir Jesus, refletindo nos nossos erros, lutando para sermos mais cristãos, quer seja nos bons ou nos maus momentos.

Jesus sabe que somos imperfeitos, mas pede-nos esta constância e esta luta diária para sermos reflexo de Cristo no mundo, ou seja, “santos ao pé da porta”, apesar das imperfeições. Para isso relembremos as palavras do Papa, para não entrarmos numa de “copy-paste”:

“«Cada um por seu caminho», diz o Concílio. Por isso, uma pessoa não deve desanimar, quando contempla modelos de santidade que lhe parecem inatingíveis. Há testemunhos que são úteis para nos estimular e motivar, mas não para procurarmos copiá-los, porque isso poderia até afastar-nos do caminho, único e específico, que o Senhor predispôs para nós. Importante é que cada crente discirna o seu próprio caminho e traga à luz o melhor de si mesmo, quanto Deus colocou nele de muito pessoal (cf. 1 Cor 12,7), e não se esgote procurando imitar algo que não foi pensado para ele.”

Esta santidade nos bons e maus momentos começa por pequenos gestos, como nos diz o Papa. “Uma senhora vai ao mercado fazer as compras, encontra uma vizinha, começam a falar e… surgem as críticas. Mas esta mulher diz para consigo: «Não! Não falarei mal de ninguém». Depois, em casa, o seu filho reclama a atenção dela para falar das suas fantasias e ela, embora cansada, senta-se ao seu lado e escuta com paciência e carinho.”

Neste encontro, em frente ao Santíssimo, pedimos esta graça: Jesus dá-nos paciência, oração e silêncio para discernirmos o que devemos mudar e o que devemos reforçar para sermos santos e levar os irmãos a conhecer este Deus maravilhoso!

Se lutamos por tanta coisa supérflua, porque não o fazemos também para sermos já santos aqui neste mundo, a fim de termos a Vida Eterna que Jesus nos tem para dar? Gostámos de conhecer Jesus, então levemo-Lo aos nossos irmãos!


terça-feira, julho 10, 2018


A verdadeira fé não nos afasta do mundo real. Jamais!




Estive a ler umas palavras de um psicólogo que comentava a importância da fé e da religião por causa das crianças e do treinador que ficaram presos na gruta. Ele dizia que até pode ajudar mas tem um senão, que é o facto de afastar as pessoas da realidade concreta. Este comentário surgiu por causa de o treinador ter recorrido à ajuda da meditação para que o grupo ultrapassasse aqueles momentos indescritíveis de sofrimento.

Mas este psicólogo errou e só demonstrou um mito/estereótipo que ainda perdura na nossa sociedade e que deve ser esclarecido: A verdadeira fé não nos afasta do mundo real. Jamais!

Não me focando no Budismo – que é mais visto como filosofia de vida e não como religião por muitas pessoas -, como cristã católica vou falar do exemplo de Jesus e de como Ele jamais nos pediu para nos alienarmos da realidade em que vivemos.

Jesus diz-nos, antes de mais, que veio para que “tenhamos vida e vida em abundância” (Cf. Jo 10,10). Quer que vivamos alegres em todo o momento, dando graças a Deus por tudo! (Cf. 1 Ts 5, 16-17) Mas também nos diz: “No mundo, tereis tribulações; mas, tende confiança: Eu já venci o mundo!” (Jo, 16, 33)

Jesus mostra-nos, por palavras e com o seu exemplo de sofrimento na vida e na cruz, que ter fé e acreditar em Deus não é viver alienado e negar o que se passa. Pelo contrário, é ter uma noção exata das coisas más, para das mesmas retirarmos coisas boas.

Mesmo quando a realidade nua e crua nos parece esmagar, Ele lembra-nos: “E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos” (Mt 28, 20). Tal como dizia o apóstolo S. Paulo: “Em tudo somos atribulados, mas não esmagados; confundidos, mas não desesperados; perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não aniquilados.” (2 Co 4, 8-9

Muito poderia escrever sobre exemplos concretos de como a fé não nos afasta da realidade concreta deste mundo. Mas basta recordar que Jesus nos pediu para nos amarmos uns aos outros como a nós mesmos, o que implica estar atento ao nosso próximo, que é quem tem fome, quem tem sede, quem está nu, doente, na prisão … (Cf. Mt25, 31-46)



quarta-feira, julho 04, 2018



E quando a ira destrói tudo …




“Felizes os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus!” (Mt 5, 9) Estas palavras de Jesus levam-me a pensar naqueles momentos em que só nos apetece gritar e mandar tudo “à fava”, como se costuma dizer.

De facto, como cristãos devemos ser pacíficos, porque assim é o coração de Jesus: manso e humilde. E Jesus bem nos mostra como a mansidão e a humildade são a melhor resposta a todas as situações da vida, principalmente nas mais tempestivas.

Mas bem sabemos que nem sempre é fácil e como é difícil manter esta mansidão quando em casa não há paz, quando o desemprego dificulta o pagamento da renda da casa ou a compra de comida… Quando são injustos com os nossos filhos – mãe e pai têm o coração na boca, quando após muito empenho o patrão berra connosco sem nos dar qualquer valor…

O gatilho para a ira pode estar nas coisas mais comuns da vida: cansaço, doença, alterações hormonais no caso da mulher, problemas antigos mal resolvidos, no perdão que ainda não concedemos a nós próprios e aos outros…

E, em segundos, explodimos e acabamos por nos deixar levar por sentimentos que são tudo menos cristãos. Além de mancharmos o nome de Jesus, apenas ficamos com mais problemas.

A solução? Oração, oração, oração. Pedir muito o Espírito Santo ao longo do dia e, sobretudo, quando percebemos que o gatilho da ira se aproxima. Pedir muito a Jesus que nos ajude a ter autodomínio, um dos frutos do Espírito Santo (Gl 5, 22-23).

E se cairmos e não conseguirmos controlar a ira? Reconheçamos que fizemos asneira, peçamos perdão a quem magoámos e também a Deus, recorrendo ao sacramento maravilhoso da Reconciliação, onde Jesus nos espera de braços abertos.


Não é fácil – falo por experiência própria - mas se não desistimos de nos aperfeiçoarmos em coisas triviais e efémeras, porque não podemos colocar o mesmo empenho na luta pela felicidade já aqui neste mundo e na vida eterna que nos aguarda?



sexta-feira, junho 29, 2018




Testemunho na prisão: “Jesus é fantástico!”




“Jesus é fantástico!” A frase foi dita vezes sem conta pelo Padre Dâmaso, conhecido como o “padre das prisões”. Faleceu recentemente aos 87 anos, mas a sua marca vai ficar por muito mais tempo nos corações de muitos reclusos e ex-reclusos.

Este homem de Deus nunca parou de mostrar a verdadeira imagem de Jesus: um Deus misericordioso que ama e que luta pela salvação – física, psicológica e espiritual – de todos nós, mesmo se cometemos um ou vários crimes.

No outro dia tive acesso a um testemunho de um recluso que conviveu com o padre e que agradecia por ele o ter ajudado e a outros “a chorar os nossos erros mas sem deixar de viver na esperança”. Continuando, relembra que o Padre Dâmaso lhe relembrava que “só há um Deus, o Deus do amor, do perdão e que nunca nos abandona, procurando-nos sempre”.

Este é um testemunho de alguém que cometeu um crime e que ainda está atrás das grades e que, na minha singela opinião, deve fazer-nos refletir. Até que ponto conseguimos transmitir esta imagem – a que é realmente verdadeira – de Deus? Se calhar até o fazemos com quem achamos que “se porta bem”. Mas será que o fazemos com quem já cometeu graves erros na vida?

Quando falo em erros graves não tem de ser obrigatoriamente daqueles que nos levam a tribunal e a uma prisão. Um erro grave pode ser simplesmente fechar os olhos perante uma mulher, nossa vizinha, que é maltratada pelo marido e a quem nunca damos a mão … Se for preciso até a condenamos, dizendo que “se calhar gosta de levar porrada” …

Que o exemplo deste padre nos leve a refletir e a meditar nas nossas próprias ações e na maneira como mostramos Jesus aos outros, independentemente dos erros cometidos ao longo da vida para que o nosso testemunho seja o de que Jesus é fantástico…

Como Ele próprio nos diz: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os enfermos. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.” Mc 2, 17


sexta-feira, junho 08, 2018



Que imagem de Jesus deixo refletir na minha vida?





Uma amiga contou-me uma história que me deixou triste, como cristã católica. E que nos deve levar a pensar na imagem que passamos de Jesus. Não falo dos erros que todos cometemos, mas daquelas falhas de amor que não devem ter justificação, se é que me entendem…

Esta amiga esteve recentemente em países onde há muitos budistas. Conviveu com uma cultura muito diferente da nossa, mas uma imagem ficou bem marcada no seu coração: A forma como as pessoas se ajudavam umas às outras. Por exemplo, às 5h30 da manhã vão para a rua distribuir comida aos monges que, por sua vez, a dividem com as crianças e famílias mais pobres.

Quando me falou disto, lembrou-se do que se tinha passado numa peregrinação que fez a pé a Fátima. Dessa vez, apesar de se ir em oração, houve quem tivesse reservas em deixar um outro peregrino, que caminhava sozinho, comer no mesmo local. A razão prendia-se com a logística, porque não se contava com o prato dele… Graças a Deus, tudo se resolveu e obviamente que aquele peregrino comeu com o grupo e a maioria do grupo não levantou problemas.

Com estes exemplos, questiono-me: Até que ponto, cada um de nós que nos dizemos cristãos, somo-lo de facto? Até que ponto deixamos a Palavra de Deus ser Vida em nós?

Jesus diz em Mt 25 que seremos julgados pelo amor ao próximo, como dar de comer e de beber a quem tem fome e sede… Mas depois acabamos por viver, muitas vezes, como não cristãos, não humanos, escondemo-nos nos nossos próprios interesses, fechamo-nos em regras que são tudo menos humanas e cristãs.

Não entendam este post como um julgamento, mas como uma reflexão para todos – inclusive para mim própria – sobre a imagem que passamos de Jesus e façamos como aquela mulher muito pobre que, após receber uma tigela de arroz da Madre Teresa de Calcutá, foi dividi-la com a vizinha, porque valia mais cada uma ter pouco do que só uma ter tudo e a outra não ter nada.

segunda-feira, junho 04, 2018


Satanismo? Até aí Jesus te vai buscar para te amar!




Testemunho de Isabel Margarita Rojas Leiva, do Chile, dos Missionários Leigos Consagrados no Espírito Santo, no decurso de uma das suas missões em Espanha.

“Um certo dia, o meu bispo enviou-me pela primeira vez a uma prisão de jovens. Quando estava com eles, comecei a tocar guitarra. Aproximaram-se todos e formaram um círculo à minha volta, juntando as suas vozes à minha, excepto um jovem que ficou sempre no seu canto.

Quando os cantos terminaram, dirigi-me a ele, mas apenas me tinha aproximado, ele disse:
-Não se aproxime de mim! - vendo a minha surpresa disse de novo:
-Não se aproxime, eu sou mau. E mostrou-me uma tatuagem de Satanás nas costas.
Nesse momento, sem saber porquê tive a ideia de lhe perguntar:
-Diz-me, quando foi que a tua mãe te beijou pela última vez?
-Não o fez nunca - respondeu, e rompeu em soluços.
-Posso beijar-te?
Não sei porque lhe disse isso, pois eu tinha uma certa repugnância. Mas, apesar disso beijei-o. Depois falámos durante muito tempo sobre o amor de Deus. Quando chegou o momento da despedida, ele disse-me:
- Se me ama verdadeiramente, dê-me a cruz que traz ao peito!

Devo confessar que este pedido me causou um aperto no coração. Esse crucifixo tinha, para mim, um grande valor sentimental porque era a ultima recordação que conservava da minha falecida mãe. Mas senti que Deus me pedia esse sacrifício e, inspirando profundamente, respondi:
-Eu amo-te; toma-o fica com ele!

Despedimo-nos e depois perdemo-nos de vista. Sete anos mais tarde, encontrei-o no decurso de uma outra missão. Ele já tinha saído da prisão. Com a cara transfigurada e radiante de alegria, aproximou-se de mim e disse-me:
-Lembra-se de mim, Isabel? Conhecemo-nos na prisão. Ofereceu-me este crucifixo. Depois baptizei-me! Agora pertenço à Igreja e recebo regularmente os sacramentos.

Não consigo descrever a alegria que senti nesse momento. Compreendi então que a Misericórdia Divina é infinita. Os milagres acontecem quando nos abrimos à Misericórdia Divina. Quando nos damos sem esperar nada.”

Fonte: Notícias de Medjugorge. Foi publicado na revista Mensageiro da Divina Misericórdia, distribuída pela Paróquia de Odivelas.