quarta-feira, novembro 29, 2017

Aguenta-se tudo, menos na Missa …




Na Missa tudo serve para nos distrair. É o calor, o frio, a criança que chora, a pronúncia do padre, o coro que não canta muito bem… Tudo é desculpa para não estarmos atentos à Palavra e para nos esquecermos que estamos a celebrar o principal sacramento.

Mas, já pensaste, quando vais aos saldos nada te incomoda. Ou por outro, incomoda-te, mas o que queres mesmo é comprar a blusa e as calças que já viste há umas semanas na montra. Aguentas tudo, não é verdade?

O mesmo acontece se estiveres na fila de trânsito para ires para a praia ou para ires ver o último filme do teu ator preferido…

Então por que não tens também esta resiliência na Missa? Nos saldos, na praia ou no cinema recebes bens materiais que vão desaparecer, na Missa recebes Jesus, a Vida Eterna …

Lembra-te:
«Não acumuleis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os corroem e os ladrões arrombam os muros, a fim de os roubar. Acumulai tesouros no Céu, onde a traça e a ferrugem não corroem e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois, onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” Mt 6, 19-20

Lembra-te também das palavras do Papa Francisco:
“Quando entramos na igreja para celebrar a Missa pensemos nisto: entro no calvário, onde Jesus dá a sua vida por mim (…) E assim desaparece o espetáculo, desaparece a conversa, os comentários e essas coisas que nos afastam desta coisa tão bela que é a Missa, o triunfo de Jesus.” 


quinta-feira, novembro 23, 2017

Jesus não te disse que ia ser fácil …




“No mundo, tereis tribulações; mas, tende confiança: Eu já venci o mundo!” Jo 16, 33


Esta passagem é a resposta a quem diz: “Mas és tão crente e continuas a ter problemas?” Amar a Cristo, ser cristão não nos livra do sofrimento e da dor. Jesus podia ter-se livrado da cruz, mas não o fez. E avisou-nos que a vida não seria fácil.

Estamos neste mundo imperfeito, por isso sofremos, temos dores, choramos, perdemos os nossos entes queridos, ficamos doentes…

De que vale a pena, então, ser-se cristão? Vale muito, porque significa caminhar para a vida eterna, para a vida plena no amor de Deus! Vale muito, porque significa que, mesmo no meio da maior tempestade desta vida, Jesus caminha pelas águas e nos dá a mão! Vale a pena, porque descobres e vives o verdadeiro amor, aquele que só Deus pode dar!


Mas … para Ele nos dar a mão é preciso construir a casa na rocha. Aí até podemos abanar, mas temos a certeza que a casa não vai ser destruída! Mt 7, 24-27 
Porque Jesus JÁ venceu o mundo!

sexta-feira, novembro 17, 2017

A cruz da missão do leigo é esta: o stress, a correria …



Como mãe e filha, passo a vida a correr. Sendo a única a trabalhar, tenho dias que o cansaço fala mais alto. São os atrasos nos transportes, o filho que adoece, a mãe que adoece, a crise de estômago, a roupa para lavar, a limpeza, a comida, o ordenado que só dá para pagar contas …

Os dias correm velozes, mal saboreamos o ar que respiramos, quanto mais as coisas belas que Deus nos coloca no caminho…

Mas é nisto que queremos mudar se queremos mesmo ser cristãos. A missão não é apenas para os consagrados e para quem parte para outras terras, é para todos. E, tal como os consagrados, a cruz do leigo é esta: o stress, a correria, a tentação de mergulhar neste mundo superficial, esquecendo Jesus nos muitos afazeres do dia.

Os dias são cheios de stress e de mil e uma responsabilidades, mas também estão cheios de momentos para orar. Não é fácil, mas peçamos a Jesus que nos dê a graça desta oração contemplativa em ação.

Aproveitemos os transportes ou a fila de trânsito para ler a Palavra de Deus, para rezar o terço, para estar em silêncio, para escutar Jesus… Entreguemos cada gesto a Ele, mesmo aqueles que são menos perfeitos.

Quando estamos cansados e nos apetece chorar, entreguemo-nos assim a Jesus. Ele aceita-nos como somos. Se não te apetece falar, não fales e diz: “Jesus, não me apetece dizer nada, mas sei que estás aqui comigo! Obrigada.”

Não nos deixemos levar pela tentação do “não tenho tempo”, “está muito barulho e confusão”, “não sou consagrada, basta ir à Missa e rezar um Pai-Nosso de vez em quando”…

Jesus morreu na cruz por ti! Não O abandonemos nesta missão de leigos! Ele não merece!


quinta-feira, novembro 16, 2017

Dá-nos, Jesus, momentos de oração!





Mais que uma vez, os Evangelhos mostram-nos Jesus a deixar, por momentos, os seus discípulos para ir orar. Estar com o Pai, falar com Ele, estar em silêncio eram práticas comuns na vida de Jesus, apesar de toda a agitação e de tantos pedidos de ajuda.

Cada um de nós devia fazer o mesmo. Todos os dias devíamos parar e orar. Mas, com tantas solicitações, como o podemos fazer? É o trabalho, os filhos, fazer a comida, passar a ferro, ir buscar o pão…


Fiz esta pergunta vezes sem conta e cheguei a uma conclusão: pedir a Jesus para nos dar este tempo, que é uma graça. Quantas vezes estivemos apenas 5 minutos em oração e soube como se fosse 1 hora? Pois bem, mesmo que sejam apenas minutos, se forem dados por Ele, vão saber a horas de paz e conforto! J

“Senhor, ensina-nos a orar!” (Lc 11, 1)



sexta-feira, novembro 10, 2017

A Mãe de Jesus é uma escola para todas as mães …





E que tal meditarmos no que a Mãe de Jesus sofreu? Será que já pensámos bem no que ela passou na vida?

 - Primeiramente fica grávida ainda sem estar casada – apesar de já estar prometida a José. Naquela altura não era apenas um escândalo, Maria sabia que a sentença para estes casos era a lapidação, ou seja, a morte…

- Depois teve de contar à família, a José … Como iriam eles reagir? Vivendo numa região muito pequena, já sabia que tanto ela como os pais e José iriam ser muito maltratados pelos vizinhos. O gozo, a vergonha iriam fazer parte do dia-a-dia de quem ela mais amava…

- Ainda no meio de todo este rebuliço, caminhou por montanhas para chegar a casa de Isabel para a ajudar ….

- Teve o filho num estábulo, após muitos lhe terem fechado a porta e depois de uma viagem longa…

- Jesus desaparece aos 12 anos. Durante 3 dias procura-O, acabando por ouvir estas palavras que Ela não entendia: “Não sabias que devia estar na casa de meu Pai?” Além do sofrimento da perda, ainda teve de ouvir os comentários maliciosos dos vizinhos e parentes …

- Não se sabe quando José morreu, mas imagine-se o que é criar um filho, que se mostrou sempre diferente dos outros, sem pai …

- Viu o Filho partir em missão, ser maltratado, agredido, torturado, morto …

- Teve de enfrentar a perseguição dos cristãos após a morte de Jesus na cruz, teve de ouvir as pessoas a rirem e a gozarem com a ressurreição do Seu Filho …


Maria é Mãe de Jesus, mas como Ele, não deixou de sofrer. Mesmo assim, sempre guardou tudo no seu coração, dizendo apenas “Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a Tua vontade” (Lc 1, 38).

Peçamos a Jesus para, mesmo sem saber para onde vamos, confiemos Nele e tenhamos a graça de nos entregarmos, de corpo e alma, como o fez a Sua/Nossa Mãe!


PS: Nesta meditação muito ajudou a palestra da Edenilde do Canção Nova nos 18 anos do Grupo de Oração Ruah da Paróquia de Odivelas.


terça-feira, outubro 17, 2017

O perigo de deixar para amanhã …





“Por isso recomendo-te que reacendas o dom de Deus que se encontra em ti, pela imposição das minhas mãos, 7pois Deus não nos concedeu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e de bom senso.” 2Tm 1, 6-7 

Nunca, mas nunca, deixemos de escutar a Palavra de Deus! Há uns anos percebi que Deus me pedia incessantemente para reacender o dom de Deus, mas, mesmo assim protelei esse reacendimento.

O que aconteceu? 
Deixei-me levar pela beleza falsa deste mundo, pela paz enganadora. Senti na pele a amargura de seguir caminhos que não devia! E lembrei-me, muitas vezes, dos momentos em que deixei para depois o reacendimento do dom de Deus… Como se a salvação não fosse o mais importante…


Por isso, ouve e põe em prática a Palavra de Deus! Podes não ter mais nenhuma oportunidade … 

quinta-feira, setembro 21, 2017


E o paizinho toma o filho nos braços e beija-o ...




“No outro dia, alguém, um jornalista, fez-me uma pergunta estranha: «A Madre também se confessa? – Sim, confesso-me todas as semanas, respondi. – Deus deve ser muito exigente, para a Madre também ter de se confessar.»

Então disse-lhe: «Por vezes, o seu filho também se porta mal. O que é que o senhor faz quando ele lhe diz: 'Paizinho, desculpa-me!' O que é que faz? Toma o seu filho nos braços e beija-o. Porquê? Porque é a sua maneira de lhe dizer que o ama. Deus faz a mesma coisa. Ele ama-o com ternura.»

Madre Teresa de Calcutá

In Evangelho Quotidiano  - Ler aqui 



segunda-feira, setembro 11, 2017

Correção fraterna … tão doce e tão amarga!


Quando um irmão faz uma asneira, costumamos ter 2 atitudes: assobiar para o lado ou julgar, de preferência, contando a todos o que o outro fez.

Mas Deus em Ez 33, 7-9 ensina-nos a corrigir com fraternidade, a dizer o que está errado sem nos acharmos superiores e sem pensarmos que nunca cometeremos a mesma falha.

Não se trata de nos intrometermos na vida privada dos outros, mas de amar, sem limites, querendo que o irmão se salve e que seja feliz também aqui neste mundo imperfeito!

Não é fácil, eu sei. Também sinto muita dificuldade em colocar em prática este pedido de Deus, mas se Lhe pedirmos ajuda, vamos conseguir.

PS: Não nos esqueçamos também de aceitar as admoestações dos nossos irmãos, quando somos nós a fazer a asneira … ;) 


segunda-feira, setembro 04, 2017

Tens de apaziguar o teu coração!
 

A caminho da Igreja, para ir ao sacramento da Reconciliação, dizia para Jesus: “Que vergonha! Nunca mais deixo de cometer este erro. O que posso fazer? O que estou a fazer de mal?”

Na sua infinita Misericórdia, Jesus deu-me a resposta através do sacerdote. “Minha filha, enquanto não resolveres esse passado dentro de ti, não vais conseguir! Tens de apaziguar o teu coração!”

Naquele momento, os meus olhos deixaram cair escamas. Vi plenamente o que Jesus me estava a dizer. Precisava olhar bem dentro de mim – sem filtros – e perceber que as falhas de amor do passado me levavam a exigir da outra pessoa o que ela não podia dar. Percebi que era a hora certa para limpar todo o rancor e perdoar.

Por vezes, exigimos muito dos outros, principalmente de quem nos magoou. Mas, nós também magoamos! Por que então temos de ser exigentes?

Quantas pontes construímos, quantas pessoas magoamos porque não conseguimos resolver os maus sentimentos que habitam em nós e que apenas se devem ao nosso ressentimento!

É caso para dizer “bola p’ra frente”, afinal todos cometemos erros e todos gostamos de ser perdoados, sem estarmos sempre a ouvir os outros a atirem-nos à cara o que já fizemos.

Dai-nos, Jesus, um coração novo e uma vida transformada pelo Espírito Santo!



segunda-feira, agosto 28, 2017

Mais do que a cura física …






O homem, paraplégico, saiu daquele encontro de oração do Renovamento Carismático Católico, com o falecido Pe. Emiliano Tardiff, a dizer que estava curado. Quem olhava para ele achava que ele não estava muito bem psicologicamente, afinal continuava em cadeira de rodas.

Mas aquele homem deixou todos boquiabertos ao explicar que a sua cura estava em aceitar a sua condição física, em amar a Deus sem estar sempre a refilar com Ele e com os que estavam à sua volta por causa do acidente que o tinha deixado naquele estado.

Tinha percebido que, mesmo sem andar, podia ser feliz e fazer os outros felizes. Podia, sobretudo, ser um testemunho para os irmãos afastados de Deus, que precisam ver sinais e prodígios para acreditarem.


E, nós, quantas vezes pedimos a cura física, esquecendo-nos da cura dos pecados, que nos levam a ficar ainda mais paralisados, longe da vida eterna? 

segunda-feira, agosto 21, 2017

A tua fé é uma «fezada»?




«Mas chega a hora - e é já - em que os verdadeiros adoradores hão-de adorar o Pai em espírito e verdade, pois são assim os adoradores que o Pai pretende. Deus é espírito; por isso, os que O adoram devem adorá-lO em espírito e verdade.» Jo 4, 23-24


Palavra tão bela! Mas será que a colocamos em prática? No nosso dia-a-dia adoramo-Lo onde quer que estejamos?


Ou limitamo-nos a uma fé que não passa de uma «fezada» e que nos leva a ir à Missa para “cumprir o nosso dever”, sem escutarmos a Palavra de Deus, olhando sempre para o relógio à espera que o padre dê a bênção?



quinta-feira, junho 22, 2017



O terço é chato? Se calhar não … ;)






Apesar de rezar o terço todos os dias, admito que nem sempre foi a oração que mais me preencheu... Tenho-o feito por amor e sei que se a Mãe o pediu é porque é um ponto muito importante na nossa caminhada para a vida eterna.

Mas sempre me senti mal por não sentir aquele gosto especial pelo terço. Como se faltasse algo…

Até que percebi, ao longo destes anos de caminhada, que precisava acrescentar algo mais aqueles momentos de oração. O quê? Num dia rezo o terço acompanhando as pessoas que o fazem pela TV ou pela rádio, noutras ofereço as interrupções do meu filho que não para de dizer “Mãe”, noutras entrego o senhor com ar cansado que está ao meu lado no Metro, a flor que vejo no jardim a caminho do trabalho, o silêncio que paira no ar no final do dia …

E desta forma estou a descobrir que o terço não é aquela oração rotineira, mas muitos “amo-te” a Maria e a Jesus.

E, claro, não me posso esquecer que é a Bíblia dos pobres. Antigamente, os mais pobres não sabiam ler nem escrever ou então não tinham acesso à Bíblia, daí que todos os dias tenhamos mistérios que nos levam a percorrer a vida de Jesus, com todos os Seus ensinamentos maravilhosos…

Pois é, o terço – visto, muitas vezes, como repetitivo e chato – é uma oração muito completa, viva, e que nos conduz sempre a Jesus. ;)


Termino com a principal oração:

 “Senhor, ensina-nos a orar” (Lc 11,1)!

quarta-feira, junho 14, 2017


E a criança rebelde mudou … com um abraço!





Há uma história que nunca mais me esqueço. Foi contada por um padre num retiro da Canção Nova. Era um padre do Congo - do qual não me lembro o nome – e que tem um orfanato no seu país.

Viajando muito, um dia foi a outra casa de abrigo de crianças e viu um menino que devia ter 6 anos. Na altura disseram-lhe que era um caso perdido, era muito agressivo e ninguém conseguia fazer nada com ele.

Lembro-me de o padre dizer que, além de ter orado por ele, que o abraçou.

Veio a saber que a partir daí, aquela criança passou a ser outra… O mal era a falta de amor, de carinho…

Quantos abraços deixamos de dar? E de quantos abraços estamos a precisar para acalmar as nossas feridas?



quarta-feira, abril 26, 2017

  
Jesus no cacifo da … Polícia



“O Senhor é o meu pastor, nada me faltará” (Sl 23, 1)

Esta passagem estava num cacifo da PSP, quando há 3 anos tive de pedir ajuda por um problema de violência doméstica. Não ganhava quase nada, o meu filho era bebé, a minha mãe precisava da minha ajuda, as marcas físicas e psicológicas do que me tinham feito ainda doíam muito…

Não sabia por onde caminhar, estava muito fragilizada. Aquela passagem, num local onde menos esperava encontrar a Palavra de Deus, tocou-me profundamente. Naquele momento disse: “Não vejo nada, mas sei que essa Palavra é para mim e que me vai dar forças.”

Assim foi. Mesmo quando cheguei ao ponto de mal ter dinheiro para comprar iogurtes ao meu filho – não estava a aceitar bem o leite -, essa Palavra lá estava… E a solução surgia.

A Palavra de Deus é viva, mas nem sempre percebemos como. Acredita, quando menos esperares – às vezes naqueles momentos derradeiros, em que não se vê qualquer luz ao fundo do túnel – Jesus vai falar.


Dá-lhe a mão, segue-O, ama como Ele ama, pede perdão quando caíres e entrega todos os momentos a Jesus. Porque “nada me faltará” é uma promessa de Jesus e Ele não mente…


quarta-feira, abril 19, 2017

A imagem denegrida da Igreja Católica pode estar … na tua cara!





Estava no parque infantil com o meu filho. Uma mãe de 3 crianças, uma ainda dentro da barriga, começou a conversar comigo. Começámos por conversas banais, até que surgiu … Jesus.

Esta irmã em Cristo frequenta a Igreja Pentecostal e ficou muito admirada por saber que na Igreja Católica também há grupos de oração – que se realizam inclusive em casa -, que existe leitura e meditação da Palavra de Deus, que se ora a Jesus por palavras soltas, vindas do coração, sem ser obrigatório recorrer apenas ao terço ou ao Pai-Nosso e Ave-Maria.

Falei-lhe das missões, mesmo em Portugal, e de como a Igreja que ela conhece não é apenas a que passa na TV, onde imperam os escândalos e a ideia de que somos dados apenas a rituais sensabor, onde a alegria não existe.

No final abraçámo-nos e sorrimos. E eu fui para casa a pensar: Infelizmente, é normal que esta irmã não conheça a Igreja Católica!

Pensem bem: Nós, cristãos católicos, passamos a vida a queixar-nos e envergonhar-nos, muitas vezes, de expressar a alegria e a vida em abundância que Jesus nos deu (Cfr Jo 10, 10)!?


É caso para dizer que estamos a enterrar os dons que Jesus nos dá (Cfr MT 25, 14-30). Deixemos a cara feia, deixemos o Espírito Santo agir em nós! J


quarta-feira, março 15, 2017


“Peça ao médico para me dar um comprimido para dormir e nunca mais acordar”






Hoje fiz uma reportagem num serviço de Ortopedia de um hospital de uma grande cidade. E lembrei-me da Palavra:

“Meu filho, ampara o teu pai na velhice e não lhe causes desgosto enquanto ele vive. Mesmo que ele esteja perdendo a lucidez, procura ser compreensivo para com ele; não o humilhes, em nenhum dos dias de sua vida: a caridade feita ao teu pai não será esquecida, mas servirá para reparar os teus pecados e, na justiça, será para tua edificação.” Eclo 3, 14-17

A senhora deve ter 90 ou mais anos, o cabelo é como neve e está internada por causa de uma queda. Aliás, da queda já está a recuperar, mantém-se no hospital, porque não tem para onde ir.

Quando falei com ela, pegou-me com muita força na mão e pediu-me: “Peça ao médico para me dar um comprimido para dormir e nunca mais acordar. Quando caí, devia ter batido com a cabeça, agora estava morta.”

Aquelas palavras caíram como um balde água fria. Disse-lhe que tinha um sorriso lindo, fiz-lhe festas com a mão que estava livre – a outra ela não a largava – e não referi uma palavra em relação ao comprimido. Não sabia o o que dizer…

Quando lhe falei do sorriso, ela disse-me que tinha perdido uma filha, que o pai gostava muito de fado e que ela própria cantava. E começou, com um sorriso lindo nos olhos: “Ai, quem me dera Ter outra vez vinte anos/ Ai! Como eu era Como te amei” (O Meu Primeiro Amor de Amália Rodrigues)

Bati palmas, dei-lhe um beijo e disse: “Canta tão bem, faça-o e sorria. É tão bonita!” E ela sorriu, deixou de pedir para morrer e o sorriso não estava só nos lábios, mas também nos olhos.

Chocou-me muito ver a senhora sem ter uma família para onde ir. O que estamos a fazer aos nossos velhos? Não nos lembramos que também vamos ter rugas, cabelos brancos, falhas de memória, falta de força nas pernas?

Jesus, acolhe esta senhora! Para onde vai? Para um lar onde não há grande humanidade e onde vai ficar numa cama até morrer de tristeza?



quinta-feira, março 02, 2017

Sofres com paciência a fraqueza dos que estão mais próximos de ti?




“Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo” é uma das obras de Misericórdia espirituais.

Como estamos em relação a esta obra? Será que temos paciência para os erros dos nossos filhos, dos nossos pais (se calhar já idosos), do nosso marido/mulher?

É fácil esquecer e aguentar as imperfeições daqueles que mal conhecemos. Mas é muito mais difícil quando estamos a falar dos que fazem parte da nossa vida todos os dias…


Oração: 
Jesus ajuda-nos a sofrer com paciência as fraquezas dos outros, pois, quando é connosco exigimos sempre que nos perdoem! 



quarta-feira, fevereiro 08, 2017

Será que a tua fé é fechada, vivida em quatro paredes?



Vamos a muitos encontros para pedir a cura, para desanuviar do dia-a-dia, para chorar aos pés de Jesus… E ainda bem que assim é. Só Jesus é o caminho, a verdade e a vida! (Jo 14, 6)

Mas já pensaram que só pedimos? A fé é, na maioria dos casos, muito fechada.
Afinal, o que é que Jesus nos pede? Qual é a nossa missão? Precisamos receber, mas também dar! Neste frenesim de encontros – que são importantes -, quantas vezes já perguntámos quantos talentos (Lc19,12-27) estamos a enterrar?

Permitai, Senhor, que nos levantemos desta fé fechada, fortalece-nos para que saibamos assumir um compromisso.

Como aquela senhora de 80 anos, com problemas de mobilidade, que descobriu que a sua missão passava por organizar cenáculos de oração com as vizinhas… 



quinta-feira, janeiro 19, 2017


Não há idade para se sair em missão! Nem que tenhas 80 anos ou mais!

 


 

A senhora já estava na casa dos 80 anos e andava de bengala. Foi ter com o padre, depois de o ouvir numa palestra e disse-lhe: “Sr. Padre, já sei qual é a minha missão, o que Jesus me pede!”

Sabem qual é a missão? Reunir-se com umas amigas, em casa, para orar pelos irmãos em Cristo.

Parece simples, nada de extraordinário? Mas a missão é isso: O que Deus nos pede não ultrapassa as nossas capacidades, as nossas forças.

Uns podem ir para África, outros para a Síria, outros para um bairro problemático da nossa cidade …

Outros – senão a maioria – são chamados para a missão de orar, de educar uma criança travessa, de aguentar um trabalho duro para dar de comer aos nossos filhos, entregando tudo para conversão dos pecadores e para completar as chagas de Cristo (Cfr. Cl1, 24)

Não compliques! Deixa Jesus mostrar-te o que Ele te pede ao longo das várias etapas da tua vida. E, aí, mesmo com o sofrimento normal da vida, vais ver como encontras a verdade e a felicidade. J