segunda-feira, março 30, 2026

 

O olhar de Jesus também é para ti!

 


Sempre que medito na Via Sacra, o que mais me comove é o olhar de Jesus. Mesmo cheio de dores, hematomas, feridas abertas, com fome e sede, sabendo que caminhava para a cruz, nunca deixou de ter um olhar de amor e de misericórdia.

Foi assim com a Sua Mãe, com as mulheres que choravam, com Verónica que lhe enxugou o rosto, com Pedro que o havia traído, com os seus algozes… Tinha tudo para se centrar apenas nas Suas dores agonizantes – as físicas, as psicológicas, as espirituais. Mas quis ensinar-nos que, mesmo nos piores momentos, devemos pensar nos outros.

A dor e a angústia podem quase sufocar-nos, mas é preciso lutar, com a graça de Deus, contra o rancor e o sentimento de desesperança e de derrota que se quer instalar nas tempestades da vida. O nosso olhar tem de ser de amor e de misericórdia. Na dor, mesmo que nos apeteça ficar quietos, devemos pensar nos outros. Na raiva, temos de pedir a graça da paz de coração. A vida é muito rápida. O hoje pode ser sempre a última oportunidade para perdoar, pedir perdão, amar, orar, testemunhar Jesus junto dos outros…

Como se pode conseguir isto – pelo menos na maioria das vezes? Só há uma solução: orar sem cessar! (1 Ts 5, 17) Nos maus e nos bons tempos, com ou sem vontade, é preciso ler todos os dias a Palavra de Deus, meditar no que Ele nos ensina e pedir-lhe a graça de prosperar. Haverá dias que nos apetece cantar, noutros apenas ficaremos em silêncio, sem sentir nada … Não importa! A fé não é só sentir. É uma decisão, é saber que Jesus está sempre presente, mesmo que não sintamos nada no coração e na alma.

Agarremo-nos àquele olhar misericordioso e amoroso de Jesus. No silêncio do quarto – ou noutro local – deixemo-nos tocar por esse olhar que cura, que acalma, que transforma. Isto é para mim e para ti. Não importa se estás afastado, com dúvidas, confuso, numa vida errante. Simplesmente, deixa-te levar pelo olhar de Jesus!

Meditar a Via Sacra (desde que é condenado até à morte na cruz): https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/via-sacra/

 


 

 

terça-feira, março 17, 2026

 


A Hóstia Consagrada é Jesus ou um símbolo?

 


Esta é uma discussão que gera polémica, sobretudo entre Católicos e Protestantes. Para os primeiros, a Hóstia Consagrada é o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Para os Protestantes, o pão é apenas um símbolo.

Lendo e estudando a Bíblia no seu todo, a que conclusão chegamos? A Hóstia Consagrada é realmente Jesus. Eis as passagens do Novo Testamento que o demonstram:

Quando chegou a hora, pôs-se à mesa e os Apóstolos com Ele. Disse-lhes: «Tenho ardentemente desejado comer esta Páscoa convosco, antes de padecer, pois digo-vos que já não a voltarei a comer até ela ter pleno cumprimento no Reino de Deus. Tomando uma taça, deu graças e disse: «Tomai e reparti entre vós, pois digo-vos que não tornarei a beber do fruto da videira, até chegar o Reino de Deus.» Tomou, então, o pão e, depois de dar graças, partiu-o e distribuiu-o por eles, dizendo: «Isto é o meu corpo, que vai ser entregue por vós; fazei isto em minha memória.» Depois da ceia, fez o mesmo com o cálice, dizendo: «Este cálice é a nova Aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós.” (Lc 22, 14-20)

Jesus não diz que isto simboliza, mas isto é. Pode-se argumentar: mas não se está a levar demasiado à letra o que Jesus nos diz? Ele falou muito em parábolas… É verdade, mas há um momento-chave na Escritura onde se pode perceber melhor que não estava a falar simbolicamente:

“Então, os judeus, exaltados, puseram-se a discutir entre si, dizendo: «Como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?!» Disse-lhes Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. 5Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia, 55porque a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue, uma verdadeira bebida. quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e Eu nele.” (Jo 6, 52-56)

Perante estas palavras, muitos dos que andavam com Ele, foram-se embora, comentando: “Que palavras insuportáveis! Quem pode entender isto?” (Jo 6, 60)

Ora, se Jesus estivesse a falar simbolicamente, deixaria estes discípulos irem embora sem lhes explicar que não estava a falar literalmente? Claro que não.

A Hóstia Consagrada é realmente Jesus Vivo. É um mistério? Sim, sem dúvida. Mas, com base na Bíblia, podemos ver como é verdade. Há ainda muitos milagres eucarísticos que o comprovam.

Por tudo isto, nem todos podemos receber Jesus na Eucaristia. Não se trata de discriminar pessoas, mas de termos respeito por Jesus:

“Assim, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. Portanto, examine-se cada um a si próprio e só então coma deste pão e beba deste vinho; 29pois aquele que come e bebe, sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a própria condenação.” (1 Co 11, 27-29)

Não comungar não significa que Jesus não nos ama. Não se trata disso. E há situações muito complexas; ninguém deve julgar. As “regras” que existem sobre a comunhão têm a ver com este pedido de Jesus.  Mesmo assim, permite-se a comunhão espiritual.

Quanto ao acreditar ou não que a Hóstia Consagrada é realmente Jesus, pensemos: os satânicos acreditam que é Jesus quem ali está e roubam a Hóstia Consagrada para pisarem Jesus nas suas “missas” negras. Se quem se entregou ao Diabo aceita que é Jesus na Hóstia Consagrada, por que razão, os cristãos, não hão de acreditar?

 


sexta-feira, março 13, 2026

 

Sem nada ver, mas com Jesus

 


Na vida temos muito a mania que temos várias coisas asseguradas. Facilmente, o ser humano acaba por se esquecer que o que tem vem de Deus. Muitas vezes nem dá o devido valor ao que Ele nos dá. Mesmo nas coisas más, é preciso louvá-lo, porque se Ele permitiu é para tirar um bem maior.

 “Tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus.” (Rm 8, 28)

Amando-os infinitamente, Deus vai então permitir alguns abanões bem fortes para ver se abrimos os olhos. Doem, mas fazem falta. Quantas vezes um filho se rebela e chora por algo e nós não lhe damos o que quer – mesmo que seja bom -, porque naquele momento não é o melhor para ele ou não é o tempo certo?

Deus é Pai e faz o mesmo com cada um de nós. A nossa atitude deve ser apenas uma: apesar do choro, do desânimo ou até da revolta, devemos parar em oração de silêncio e escuta e dizer-Lhe:

Pai, sinto-me fraca. Não vejo nada. Estou revoltada e triste com o que está a acontecer. Ajuda-me a ver que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus. Não é fácil, por isso, acolhe-me no Teu colo. Ter fé e amar-Te é mesmo isto: aprender a confiar em Ti, mesmo quando não se compreende o que se passa e não se vê a luz ao fundo do túnel. Ámen.



terça-feira, março 03, 2026

 

Olhar para a cruz não é masoquismo

 


Há quem ache que lembrar Jesus na cruz é masoquismo. Mas isso não é verdade. Devemos olhar para a ressurreição, mas também para a cruz. Ambos nos ensinam muitas coisas que devemos pôr em prática todos os dias.

A ressurreição é a Vida Eterna, o fim da dor, da doença e da morte (Ap 21,4). A cruz é mais difícil, mas é real. Quem não tem sofrimentos na vida? Ninguém. Olhar para a cruz e meditar sobre a Paixão de Jesus ensina-nos a abraçar as cruzes de cada dia, de forma digna.

O próprio Jesus nos alertou: “No mundo tereis aflições, mas coragem, Eu venci o mundo” (Jo 16, 33). Fala-nos inclusive de perseguição, de morte por causa do Seu nome, de aceitar a cruz de cada dia como condição para O seguir: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.” (Mt 16,24)

Meditar a Via Sacra é uma das orações mais preciosas para a nossa vida. Não se trata de esquecer os bons momentos da vida, mas de saber lidar com o sofrimento e com a ameaça da morte, sem deixarmos de ter “vida e vida em abundância” (Jo 10, 10).

Ao longo da minha vida, a cruz foi-me ensinando que o sofrimento não tem a última palavra. Quantas vezes podia já ter desistido e não o fiz por causa de meditar a Paixão de Jesus… Quantas vezes, a falta de ar, o pânico, a dor, a traição, o abandono foram ultrapassados por me lembrar de Jesus na cruz, entregando-lhe o que sinto para completar no meu corpo o que falta nas Suas chagas … (Col 1, 24)

Pode não ser fácil olhar para a cruz. Também não é preciso ir buscar algumas imagens mais sangrentas que circulam na internet: há quem consiga olhar para elas, outros não. Se não se conseguir olhar para a cruz, procure-se ler as orações da Via Sacra. Cada um, consoante a sua sensibilidade, procure esta oração de onde brota mil e um ensinamentos.

Os frutos hão de surgir, apesar dos altos e baixos da vida:

1 - O sofrimento passa a ter um sentido e pode ser usado para aliviar as dores de Jesus – e da Mãe -, assim como o de muitos irmãos e irmãs;

2- Interiorizamos (ou até descobrimos) o Amor que Jesus tem por cada um de nós. Afinal, quem se atreveria a sofrer tanto, estando inocente, para salvar até aqueles que lhe cuspiam no rosto e que lhe infligiam dores horrorosas?

 

Via Sacra:

 https://santuario.cancaonova.com/via-sacra/via-sacra-do-santuario-do-pai-das-misericordias/