Tens inveja do irmão
que volta para Deus?
A parábola da ovelha
perdida (Lc 15, 1-7) faz-nos
refletir sobre o amor de Deus, que nos vai buscar ao fundo do poço. Quando
voltamos aos Seus braços, não há dedos apontados, uma lista de queixumes.
Existe apenas um abraço, amor, puro acolhimento, tal como na parábola do Filho
Pródigo.
Vamos ter com o Pai e Ele já está de braços abertos, não lembrando mais dos nossos erros, optando por haver festa no céu. E nós? Será que somos o irmão que se queixa junto do Pai que está há muito tempo com Ele e que nunca teve direito a uma festa?
De facto, dá-se muita importância a quem chega de novo à Igreja e é sempre muito comovente ouvir histórias de vida complicadas que levaram alguém a (re) descobrir Deus. Os que já lá estão desde sempre não são tão escutados. Parece que são menos importantes.
Mas não é nada disso. Tal como ao irmão da parábola, Deus diz-nos: "Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas, mas era preciso fazermos uma festa e alegrarmo-nos, porque o teu irmão estava morto e voltou a viver, estava perdido e reapareceu.” (Lc 15, 31-32)
Essa atenção a quem volta ou é novo na Igreja deve-se ao facto de estar bastante ferido, com muitas incertezas, dúvidas, sentimentos de culpa, ideias erradas de quem é Deus. Precisa de cuidados especiais. Não quer dizer que quem sempre permaneceu em Deus não tenha de ser cuidado para preservar até ao fim, mas se conhecer Deus tem outra firmeza.
É como na nossa família: é
preciso dar apoio a todos os filhos, mas se há um que tem alguma doença ou
necessidade especial, os pais terão de prestar mais cuidados. Não que o amem
mais que aos outros, mas simplesmente porque está mais fragilizado.




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