“Não faça como eu, menina! Não fique
sozinha, é muito triste…”
Já passaram 20 anos (ou mais) desde que ouvi uma senhora, sem-abrigo, me dizer isto. Vivia na rua a pedir esmola e nos seus olhos apenas havia tristeza, angústia e arrependimento. Não sei o que terá acontecido na sua vida. O que a levou à rua? O que a levou a ficar sozinha? Decisões erradas, abandono?
Não sei. Apenas sei que aquelas palavras me marcaram até hoje. Numa sociedade em que há muito se deixou de acreditar nas relações verdadeiras e no casamento, as palavras desta senhora deviam fazer-nos pensar. A modernidade diz-nos para ficarmos sozinhos, para irmos curtindo a vida… O problema é o depois…
Com estas palavras não estou a criticar quem quer ficar sozinho por decisão própria. Há quem prefira assim e é feliz. Apenas quero alertar para aqueles casos em que se vai adiando o compromisso de uma vida a dois, em família, apesar de esse ser um desejo profundo. Porquê? Porque os anos vão passando e podemos perder oportunidades que não se voltam a repetir… Para nós, mulheres, há ainda outro problema: ter filhos.
Porquê
ter-se tanto medo do compromisso? Por que razão temos de olhar para o casamento
como algo pesado, enfadonho? Será um trauma do passado; uma família
disfuncional, onde imperava a violência física e psicológica; o medo do futuro?
Seja o que for, entreguemos a Deus. Deixemo-Lo curar-nos das feridas ou das más
escolhas, para que a solidão e a angústia não se tornem companheiras diárias
como aconteceu com aquela senhora…


Sem comentários:
Enviar um comentário