sexta-feira, fevereiro 20, 2026

 

E se esta fosse a nossa última Quaresma?

 


Hoje de manhã, soube da morte de um homem ainda relativamente novo. “Ainda há dias falei com ele e estava ótimo…”, dizia uma das pessoas que estava em choque com a notícia. De facto, não se gosta de falar da morte, mas ela pode vir como um ladrão. Para o cristão não é o fim, mas também por amarmos Cristo, sabemos como é importante estar preparado.

A Quaresma é um dos muitos momentos que Deus nos permite aprofundar essa preparação através da oração, do jejum/abstinência e da esmola (caridade). Três atitudes que devem marcar a nossa vida ao longo do ano, em particular quando nos preparamos para a festa mais importante do Cristianismo: a Páscoa.

Pois, quer queiramos quer não, um dia vamos partir deste mundo. Seja esta a nossa última Quaresma ou não, não podemos esquecer-nos de que cada um destes gestos deve ser feito com amor.

 

Oração de coração, em “espírito e verdade” (Jo 4, 23-24) – Sem nos limitarmos a pedir coisas apenas para os nossos: É preciso pensar nos irmãos, inclusive nos inimigos (Mt 5, 44).

 

Jejum/abstinência – Nem todos podem jejuar a pão e água, mas é possível retirar aquilo de mais gostamos. Acrescentemos aos alimentos, os comportamentos menos bonitos, que tanto afastam os outros de Deus. Quantas vezes censuramos quem não aceita Deus, sem pensarmos que podem ser as nossas (más) ações que levam ao afastamento…

 

Esmola – Ajudar, ajudar, ajudar. No mundo do consumismo desenfreado deixemos de acumular, mas também evitemos dar naquela perspetiva de “dou sem saber se está em bom estado, pois isto é uma forma de limpar a casa”. E não nos cinjamos apenas aos bens materiais. Dêmos amor, companhia, um telefonema, o perdão, outra oportunidade…

 

Pelo amor é que seremos julgados, como Jesus é muito claro em Mateus 25, 31-46. “Sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer. Estes irão para o suplício eterno, e os justos, para a vida eterna”, diz-nos Jesus.

 

"Muitas vezes, queixamo-nos de Deus, sobretudo perante o sofrimento e a morte. Achamos que não nos ouve, mas eis a Sua resposta: “Jejuais, sim, mas no meio de contendas e discussões, e dando punhadas sem piedade. (…)
O jejum que Me agrada não será antes este: quebrar as cadeias injustas, desatar os laços da servidão, pôr em liberdade os oprimidos, destruir todos os jugos?

Não será repartir o teu pão com o faminto, dar pousada aos pobres sem abrigo, levar roupa aos que não têm que vestir e não voltar as costas ao teu semelhante?
Então a tua luz despontará como a aurora, e as tuas feridas não tardarão a sarar. Preceder-te-á a tua justiça e seguir-te-á a glória do Senhor.
Então, se chamares, o Senhor responderá; se O invocares, dir-te-á: "Estou aqui".
(Is 58, 1-9)

 

Boa Quaresma!

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