domingo, julho 08, 2007

Olhar com outros olhos para os bairros sociais

Alguns missionários combonianos estiveram esta semana num bairro social. Brincaram com as crianças, mostraram-lhe o valor do Amor, deram mais força aquelas pessoas que lá vivem e que são alvo de discriminação. São-no por viverem num bairro onde há problemas graves, que trazem mau nome a todas as pessoas que lá vivem, mesmo que estejam inocentes.

Estive na missa de domingo. Gostava muito de ter estado a semana toda, mas o trabalho não deixou. Em conversa com os missionários não consegui deixar de me sensibilizar com os problemas destes bairros. É verdade que há problemas, por vezes graves, mas temos o direito de considerar que todos são iguais, que todos provocam conflitos? Já basta dizer que vivem num bairro social. A própia designação é discriminativa...

Regra geral, há instituições que se dedicam a tempo inteiro a estes bairros onde, muitas vezes, se cruzam culturas diferentes. Sejam instituições religiosas ou não, fazem tudo para que as pessoas sintam que devem lutar pela sua dignidade, que as crianças não têm de ter um futuro triste e de criminalidade...

Penso que devíamos olhar com outros olhos para os bairros sociais (maldito nome)... Já é altura de olhar para as pessoas que lá vivem como seres humanos de carne e osso, com sentimentos, tal como todos nós que vivemos em bairros "não sociais"... Muitas vezes, a chave está na aceitação de culturas diferentes... Como dizia o Padre João (comboniano), "há mais coisas que nos unem do que nos dividem". Temos de ter uma mente aberta para, como dizia uma irmã que está lá há alguns anos, saibamos ir ao encontro de ...

Nós, cristãos, queremos mostrar o rosto de Cristo. Aqui está uma oportunidade. Deixar que o Amor e a Misericórdia de Deus Pai se espalhe nos nossos corações para que chegue aos destes nossos irmãos que estão tão perto e ... tão longe.

O que fazer, então? Penso que, antes de mais, devemos mudar o nosso coração e a nossa mente, informando-nos sobre a realidade concreta destes bairros, tentando perceber o que está por detrás dos conflitos... Depois é ajudar. Há muitas instituições, religiosas e não religiosas, que precisam da nossa mão amiga que ajude pessoas que são seres humanos como eu e tu, que são filhos de Deus como eu e tu.

7 comentários:

Catequista disse...

Sim, devemos mudar a mente. Esse é o primeiro passo. Como dizes, a própria designação de "bairro social" já é algo discrimanatório, já é algo que nos faz olhar de lado. É certo que existem certos locais que nos dão razões para o fazer, mas muitas vezes esquecemo-nos que como em tudo na vida existem coisas boas e coisas más, pessoas boas e pessoas más. Por outro lado, os moradores desses bairros precisam de ajuda, da ajuda que todos nós, como cristãos, podemos e devemos prestar, porque no rosto de cada um desses irmãos está Cristo.

Beijos

Sandra Dantas disse...

Querida amiga,
tenho um desafio para ti no Teologar!
Passa por lá!
Bjs

malu disse...

É Mª João, dizes bem: primeiro temos que mudar de maneira a recebermos o Amor e praticá-lo. Essa é A Missão.

Bjinho.

s.p. disse...

olá de passagem...quando puderes passa no cantinho...

lucia disse...

Basta ir ao encontro do nosso próximo mais próximo... ELE!

joaquim disse...

Boa noite Maria João
O problema também é que ao criarmos os "bairros sociais" estamos a criar uma espécie de guetos, só falta por vezes colocar arame farpado à volta e dizer: " bem voçês são assim, por isso resolvam lá os vossos problemas e não nos incomodem".
Penso que a primeira coisa é acabar com os "bairros sociais", ou pelo menos, com a designação e o modo como são pensados e construidos, para qu aqueles que lá vivem não se sintam "marginalizados" ou "rotulados" pelos outros.
Abraço amigo em Cristo

silvino disse...

conheço uma realidade relativamente próxima, quase à porta de casa, onde o apoio do serviço social conseguiu mudar bastante do ambiente q se vivia.

a fórmula foi simples: apostar nas ocupações das crianças, para não serem mais uns "meninos de rua".

o que atinge de forma imediata a mães e, de certa forma, toda a familia.

e é claro q, msmo assim, mais poderia ser feito. especialmente ao nível da criação de oportunidades de formação para os jovens e para os pais.

todos desejamos o melhor para as nossas famílias.

o problema é q pouco ou nada muda enquanto estes "problemas sociais" forem politicamente e economicamente vantajosos para alguns.