terça-feira, agosto 19, 2025

 

Deixa Deus sonhar em Ti

 


E se não acreditarmos que é possível ser-se feliz neste mundo? Parece ridículo, mas isto acontece, sobretudo quando se teve uma vida madrasta, plena de dor e de angústia desde a infância. 

Desde pequeninos habituamo-nos à ideia de que a vida é mesmo assim. Não há nada a fazer. E, com esta atitude, acabamos por desistir dos sonhos que Deus tem para nós. Chegamos ao ponto de nem sequer vermos o que Ele tem para nós. O sofrimento da vida cega-nos.

Mas os sonhos de Deus têm de ser cumpridos. E Ele não desiste de nos dar vida e vida em abundância (Jo 10, 10), nem que para isso tenha de nos desmontar o puzzle da vida em segundos…

Quando ele se destrói, tudo parece um caos. Ficamos confusos, à deriva… mas com uma ordem bem clara de Deus: tens de remar o barco, sob a ação do Espírito Santo, mesmo não sabendo como vais concretizar estes sonhos…

Foi isto que aconteceu a Abraão, o nosso pai na fé. Ele e a mulher, Sara, habituaram-se à ideia de que não iriam ser pais. Mas, contra tudo o que se previa, já numa idade avançada, Sara deu à luz um filho. O mesmo aconteceu com Ana, que teve Samuel, ou com Isabel que trouxe ao mundo João Baptista. Tiveram um caminho difícil demais, tempestades que os assustaram, mas o sonho era de Deus e Ele providenciou...

E tu? E eu? Que sonhos Deus quer realizar, mesmo que, humanamente, já pareçam impossíveis? Será que já nos habituámos demasiado ao fracasso e, com isso, impedimos que Deus realize os Seus sonhos em nós? 

PS: O título é de uma música do Frei Gilson

 

quinta-feira, agosto 14, 2025

 

Orar sem vontade



Pois é, todos passaremos pela longa noite escura. Jesus foi tentado no deserto e nós também temos de passar por lá, mesmo que não seja cheio de areia, mas recheado de barulho e de uma vida dita normal.

À medida que vamos conhecendo Jesus, vamos perceber que há uma hora em que teremos de passar pela prova da aridez espiritual. Não se sente vontade, não se sente qualquer emoção, na Missa, nas orações, no cumprimento da Palavra de Deus.

O que fazer? Parar? Jamais! Mesmo sem sentir nada, mesmo sem vontade, é preciso continuar a participar na Missa, a orar – mesmo que seja de maneira diferente do habitual -, de pôr a Palavra de Deus em prática.

É apenas uma prova. Para quem? Para Deus? Ele precisa de saber se somos fiéis por amor ou apenas pelas sensações boas? Não, porque Ele sabe tudo. Mas, nós, não sabemos. Nesses momentos de aridez espiritual conseguimos provar a nós mesmos se, de facto, estamos com Jesus por amor ou por interesse.

Esse autoconhecimento vai levar-nos a ver, por vezes, coisas feias no espelho, que precisam de ser retiradas de nós. Não é preciso ter vergonha. É necessário, sim, pedir, com humildade, que Jesus nos molde, nos envie o Espírito Santo para nos purificar.

Não desistamos! Deixemos que Jesus nos leve ao deserto, onde nos vai falar ao coração e onde nos vai seduzir (Os 2, 16), para nos ajudar a entrar, um dia, na Vida Eterna – a Grande Meta do cristão.


quarta-feira, agosto 06, 2025

E a água benta, meu Deus?

 


A água benta é um sacramental muito importante, contudo com a pandemia acabou por ser retirada. Mas a pandemia já passou. Então, onde está a água benta?

Voltou tudo ao normal, menos este sacramental? Sei que basta levar uma garrafa e pedir ao padre que a benze. Mas havia sempre nas igrejas…

É verdade que conheço uma igreja onde ainda têm. Pode haver mais, claro, não sei… É triste! Já basta o abraço da paz também ter desaparecido nalguns sítios…

Ajuda-nos, Jesus, com estes ‘apagões’ …



quinta-feira, julho 24, 2025

 

Os sinais de Deus e a teimosia humana


Pedimos muitos sinais a Deus, mas nunca (ou raramente) nos lembramos de olhar para o passado e de ver se Ele já nos falou noutras situações. Muitas vezes, o passado dá-nos as respostas, mas nós não queremos encará-las. E porquê? Porque não aceitamos a vontade de Deus.

No Pai Nosso dizemos “seja feita a Tua Vontade”, mas no coração sentimos outro desejo: seja feita a minha vontade. Isso leva-nos à cegueira e ao sofrimento. Teimamos, muitas vezes, em seguir a mesma direção que Deus já nos mostrou não ser a melhor para nós. 

Muito do sofrimento que temos hoje, tem a ver com essa cegueira, com essa teimosia em seguir a nossa vontade, em não querer interpretar os sinais bem visíveis de Deus na nossa vida. 

Como somos difíceis, meu Deus! Como complicamos tudo! Ajuda-nos a sair desta teimosia e a aceitar a Tua Vontade, que é aquela que nos vai levar à salvação eterna. Ámen.



quinta-feira, julho 17, 2025

 

Quando a dor revela a nossa verdade…

Quando uma criança está no hospital, a sentir dores, agarra-se à mãe e ou ao pai e chora. Fica ali nos seus braços, à procura de consolo. A dor até pode não parar de imediato. Ainda pode levar muitos dias… Mas a criança não deixa o colo da mãe e ou do pai.

Com Jesus é o mesmo. A vida é imprevisível e pode ser muito dolorosa. Quando nos sentimos oprimidos e cansados, Jesus convida-nos a ir ter com Ele (Mt 11,28). E como é bom ter este colo! Mas isso não significa que a dor passe de imediato.

Muitas vezes, a dor tem de se manter, porque Jesus sabe que temos algo a aprender com ela. Sabe que essa dor pode ser a única maneira de conhecermos a Verdade, nomeadamente a verdade de quem realmente somos.

É na dor que descobrimos as nossas misérias, que temos noção de até que ponto daríamos a vida ou recusaríamos uma coisa boa que é má, em nome de Deus.

Ficar no colo de Deus é um gesto que deve ser diário, mas é ainda mais importante no momento da dor, do cansaço, da desilusão, da provação. Até se pode ter vergonha da verdade que a dor nos mostra de nós mesmos. Mas jamais devemos sentir vergonha em ir ter com Jesus. Ele ama-nos como somos. Ele já nos amava antes de conhecermos essa verdade. Por isso, nunca abandonemos o colo de Jesus. É Ele, e só Ele, que nos pode consolar e dar a mão para nos desviarmos (ou para nos levantarmos) do caminho errado.




sexta-feira, julho 11, 2025

 Esperança, ainda existes?

 


Caminhando, a pensar na vida, deparo-me com esta frase num cartaz de um seminário: “Transbordar de Esperança”. Esta palavra, Esperança, é cada vez mais uma prova de que o cristão é muitas vezes visto como um louco.

Como sentir/ter esperança num mundo de guerra, onde se matam crianças que vão pedir comida; onde se anunciam, publicamente, nomes de crianças, sem qualquer respeito pela sua privacidade, apenas por serem filhos de imigrantes; onde se trata o outro, sobretudo idoso e doente, como um fardo…

Se olharmos à nossa volta, vemos crianças que estão a ser recrutadas por grupos neonazis e satanistas; crianças e jovens que odeiam mulheres; pessoas de todas as idades que acreditam em todas as desinformações/mentiras que circulam nas redes sociais… Onde está a esperança no meio de tanta desgraça, de tanta falta de princípios e valores, inclusive por parte de quem se intitula cristão?

A esperança está nas palavras de Jesus: “No mundo tereis tribulações; mas, tende confiança: Eu já venci o mundo” (Jo 16, 33) Jesus não nos engana: não diz que tudo vai correr bem. Mas promete-nos a Vida Eterna. Hoje vivemos num caos, mas não podemos perder a esperança de que, um dia, Ele voltará e, após o julgamento com base no Amor (inclusive por quem ninguém quer Mt 25,31-46), vai dar a Vida Eterna a quem preservar.

Ajuda-nos, Jesus, a ter Esperança e a levá-la aos outros, em Teu nome!


segunda-feira, junho 30, 2025

 
Da alegria à dor em segundos

 


“Os baldes de água fria” surgem, sem aviso, na nossa vida. Podemos estar muito bem e, de repente, surge uma mensagem ou um telefonema que nos fazem cair no chão. Pode ser a morte repentina de alguém, abandono, traição…

São situações que, mesmo perante uma grande fé, nos abalam, nos angustiam... Não somos mais que o Mestre. Até Jesus teve esses momentos… Também Ele chorou. (Jo 11, 35)

O que fazer? Devemos orar, orar, orar. As palavras até podem não sair, mas basta ficar em silêncio perante Jesus ou ouvir alguma canção de louvor… Pode ser difícil, mas não podemos cair na tentação de não orar e/ou de meditar a Palavra de Deus, porque só Ele sabe a razão pela qual tudo aconteceu.

Há notícias más que, um dia, se poderão tornar uma bênção. Há outras que só iremos entender quando partirmos deste mundo. E há outras que ainda podem ter um revés.

Como nos diz Jesus: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei de aliviar-vos. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” (Mt 11, 28-29)

Dai-nos, Jesus, força para “os baldes de água fria” desta vida! Ámen.