sexta-feira, setembro 18, 2026

 

 Não caias na armadilha de desistir

 


Maria Madalena é uma figura que me fascina. Muito se diz e se especula sobre esta santa, discípula de Jesus, mas o que interessa é como se tornou numa mulher empoderada pelo Espírito Santo.

Não se sabe com exatidão o que eram os sete demónios (Mc 16,9), mas essa expressão bem forte só pode indicar uma vida fora de Deus e ou de um enorme sofrimento. Sendo mulher naquela época, pode dizer-se que era um caso perdido para a sociedade.

Mas Jesus gosta de casos perdidos. Ele vê além das aparências e sabia que aquela mulher poderia ser cheia do Espírito Santo e que seria dos poucos que não fugiriam à sua dor na cruz. Ele tinha a certeza que poderia esculpir aquela mulher para a tornar anunciadora da Boa Nova, mesmo vivendo numa sociedade que menosprezava o sexo feminino. Os próprios discípulos não acreditaram nela quando lhes disse “Vi o Senhor”… (Jo 20,18)

E o que nos ensina esta mulher nos dias de hoje?

1 – Não há casos perdidos e Jesus nunca desiste de nós. Está sempre à nossa espera, mesmo quando voltamos a cair mais que uma vez;

2 – A conjuntura da sociedade (menosprezo pelas mulheres, que não tinham papel ativo e voz) não foi desculpa para não anunciar Jesus, mesmo quando os discípulos não acreditaram;

3 – Não virou costas a Jesus quando O viu na cruz, cheio de sangue. Deveria estar cheia de dúvidas e confusa, porque Aquele que pendia na cruz era o mesmo que fazia milagres e que havia sido considerado rei, dias antes. Mas isso não a fez desistir de estar ali a apoiá-lo, assim como à Sua Mãe. Quantos de nós fugimos da dor do nosso próximo…

 

Maria Madalena é um exemplo para mulheres e homens, sobretudo para aqueles que acham que não são dignos de ir ter com Jesus ou que, face ao sofrimento e ao desalinho da vida, desistiram de acreditar que podem ser curados de sete demónios.

Muitas vezes, a maior cilada do diabo para nos afastar de Deus não é apenas o pecado em si, mas o sentimento de que não valho nada, não vou conseguir mudar, a vida está demasiado destruída, por isso não há volta a dar. Jesus disse a Santa Faustina: “A falta de confiança das almas dilacera-Me as entranhas.” (Diário, nr. 50) e “Quanta mágoa Me causa a falta de confiança na Minha Bondade!” (Diário, nr. 1076)

Jesus, através da intercessão da Mãe, peço-te para que nenhum de nós – eu, incluída – nos deixemos levar por estas ideias erradas. Ajuda-nos a ser fortes e corajosos, empoderados pelo Espírito Santo para Te levarmos onde mais precisas de nós. Ámen.

 

PS: A expressão empoderada pelo Espírito Santo tem por base o livro “Mulheres empoderadas do Espírito” da missionária da Canção Nova Rogerinha Moreira. Recomendo vivamente esta obra.

sábado, setembro 12, 2026

 

A roupa na Igreja e o nosso ‘vestido interior’

 


Tem-se falado muito da roupa que se deve levar à Igreja. É importante alertar para o respeito, mas também devíamos aproveitar estes alertas para lembrar o nosso ‘vestido interior’.

Lembro-me sempre com especial carinho e emoção as Missas celebradas nas missões dos bairros. Nem costumávamos ter tempo de tomar banho e mudar de roupa depois de sairmos de um bairro de barracas, com terra batida, onde andávamos a brincar com crianças ao pé de um esgoto. Mas vivia-se intensamente a Eucaristia; havia uma entrega e uma noção muito real de estarmos a receber Jesus para O levar aos outros, para O levar aonde poucos queriam ir.

Isto fez-me pensar muito na questão da roupa versus o nosso interior. Não me refiro a roupas mais decotadas. Obviamente, há formas de vestir que não se coadunam com o cristão dentro e fora da Igreja. Não temos de andar todos tapados, mas também não temos de ter quase tudo à mostra. Somos templo do Espírito Santo! (1 Co 6, 19)

Mas aquelas Missas faziam-me lembrar exemplos menos dignos de quem fora da Igreja era o diabo em figura de gente, enquanto dentro da Igreja levava o melhor fato. Todos erramos, mas não podemos ter vida dupla… Jesus é muito claro: o morno será vomitado (Ap 3, 15-16). Esta é uma chamada de atenção para todos nós! Sem exceção...

O mais importante é o ‘vestido interior’, porque mesmo levando a melhor roupa e a mais adequada em termos de respeito pelo local, podemos estar demasiado ‘decotados’ por dentro e não adorarmos em espírito e verdade, como Jesus nos pede (Jo 4, 23-24)!



segunda-feira, setembro 07, 2026

 

Vida em abundância e sofrimento. Há uma contradição?

 


Jesus disse que veio ao mundo para nos dar “vida e vida em abundância” (Jo 10,10), mas também avisou para termos coragem, pois no mundo teríamos aflições e perseguições (Jo 16, 33).

De facto, se Jesus teve tudo isso, quem somos nós para achar que não passaremos pelo mesmo? A própria Palavra nos diz: “Não somos mais do que o Mestre.” (Lc 6, 40) É importante aceitar que a vida é mesmo assim: tem momentos muito bons e outros muito maus. E há quem tenha mais problemas do que alegrias.

A verdade é que mesmo no sofrimento podemos e devemos ter a vida em abundância que Deus nos veio trazer. Vejam o caso de Padre Pio: sofreu sempre desde o berço, teve as chagas, foi maltratado - inclusive por parte de grupos da Igreja Católica. Mas este homem, no meio do sofrimento, conseguiu ter vida em abundância, porque o sofrimento era usado como oração e como forma de ter maior compaixão para com aqueles que ele tinha de ajudar.

Atualmente, o Padre Marlon Múcio enfrenta uma doença rara que o deixa à morte vezes sem conta e que o impede de ter uma vida normal. Depende de oxigénio, da ajuda de terceiros, tem muitas dores e toma cerca de 300 comprimidos por dia. Mesmo assim, diz que se voltasse a nascer, queria ter a mesma doença, porque percebe que é desta forma que consegue levar a Palavra de Deus.

Este padre tem um sofrimento atroz, mas também vida em abundância. Quero com isto dizer que não devemos lutar contra o sofrimento? Não, claro que não! Mas devemos lembrar-nos, por mais difícil que seja, que Jesus também passou pela tortura e pela cruz. Teve de aceitar, porque não havia outra forma de nos salvar.

Lutemos contra o sofrimento, mas enquanto ele persiste é preciso aceitá-lo e utilizá-lo como oração para salvar almas e completar as chagas de Cristo. Lembremos o que Jesus nos diz: “Na fraqueza, basta-te a minha graça.” (2 Co 12, 9)

 

 

 

domingo, setembro 06, 2026


Ainda as Missas em latim…

 


Esta semana deixei um comentário num texto sobre Missas em latim. Apesar de ter dito que respeitava a opção, não consegui grande diálogo, pois fui acusada de reducionista, porque disse que a maioria das pessoas não entende latim…

Esta questão parece não ter grande importância para muitas pessoas, mas a verdade é que está a gerar divisões dentro da Igreja e isso é demasiado triste. Não vejo qualquer problema que haja quem prefira a Missa em latim, apenas não consigo aceitar, à luz do que está nas Escrituras e até da própria Tradição da Igreja, que seja “a única Missa correta ou original” ou “aquela em que há sempre respeito por parte dos fiéis”.

É preciso entender o seguinte: ainda há muitos católicos que não tiveram catequese e ensino da Palavra de Deus. Jesus quando falava com as pessoas adequava o discurso ao conhecimento de cada um. O fariseu sabia ler e conhecia as Escrituras; a população entendia mais a linguagem do dia a dia, da medida da farinha ou da pesca.

No Pentecostes, os apóstolos começaram a falar línguas diferentes para que todos entendessem a Palavra de Deus (Act 2,4). Isto é bíblico! É por causa desta passagem e do exemplo de Jesus, assim como da própria Tradição da Igreja, que não acho que a Missa em latim tenha benefícios para levar a Palavra à maioria das pessoas. À maioria, sublinho! Não disse a todos!

Não se trata de menosprezar estes irmãos que optam por esta Missa. Volto a repetir: respeito a sua escolha. Mas também é verdade que fico muito triste que haja divisão por causa disto.

Paremos! Sejamos um como Jesus e o Pai (Jo 17, 21)! Com estas questões de língua e de ritos deixamos facilmente de adorar em espírito e em verdade (Jo 4, 23-24) e acabamos por transmitir uma imagem errada da Igreja e de Cristo. Procuremos mais divulgar a Boa Nova em palavras e gestos!


quinta-feira, setembro 03, 2026

 

Estás parado e frustrado? É para teres uma vida melhor!

 


Há momentos em que a vida parece que não anda para a frente. Os sonhos não se concretizam, os problemas não param de surgir… Mas e se isto acontecer apenas porque Deus nos quer mostrar que o propósito para a nossa vida é outro, muito melhor?

Abraão, por exemplo, tinha uma vida dita normal e vivia com o desgosto de não ter um filho biológico. Os dias iam passando, as rugas eram cada vez mais acentuadas e tudo parecia que iria acabar por morrer sem ter um filho, ficando na terra onde habitava.

Mas Deus não quis. Ele permitiu que Abraão passasse por tudo aquilo para o conduzir a outra terra e para ter um filho já na velhice (Gn 18, 18). A sua vida tinha de ser um exemplo de fé, tanto que se tornou pai da fé de todos nós. Além disso, o milagre de a sua mulher, Sara, ter engravidado quando biologicamente já era impossível, foi uma forma de mostrar aos outros que para Deus não há impossíveis (Mt 19, 26).

É duro ver a vida parada ou tipo montanha-russa. Somos seres humanos. Deus sabe que somos assim. Mas, tal como Abraão, falemos com o Pai, pois o que Ele permite nesses momentos pode ser o deserto necessário para irmos ao encontro do propósito que tem para a nossa vida. E precisamos falar com Ele e pedir direção espiritual a irmãos da fé para sabermos o que fazer nestas provas de vida.

Esquecemo-nos muitas vezes que Deus nos deu a vida também para fazermos bem aos outros. Lázaro teve de morrer e ressuscitar para levar outros a acreditarem em Jesus. Marta e Maria sofreram com a sua morte, para que ela fosse um sinal para outros irmãos. Não somos diferentes.

 

 

segunda-feira, agosto 31, 2026

 

Medo e pânico são falta de fé?

 


Pode ser que o medo e o pânico sejam sinais de que precisamos aprender a depender de Deus, mas também podem ser um problema de saúde. A ansiedade e o pânico, que geram medo, são perturbações do foro psicológico que precisam do apoio da fé, mas também de profissionais de saúde.

É importante ter esta noção, porque ainda se ouve dizer que quem tem este problema de saúde – e há cada vez mais pessoas – não ora o suficiente, não confia em Deus… Se estivermos com gripe, a fé em Deus vai fazer parar os espirros? Claro que não. É preciso olhar para a saúde mental como se olha para uma perna partida.

O sofrimento desta condição é indescritível. Só quem vive com ansiedade e síndrome de pânico sabe como se sofre. Falo na primeira pessoa. Estou estabilizada, graças a Deus, e faço uma vida dita normal, mas passei anos a combater estes males e a ouvir pessoas a dizerem que tinha de confiar mais em Deus. Não as censuro, pois existe muita desinformação sobre saúde mental. Elas achavam que estavam a fazer o melhor.

A fé e o amor por Deus são um amparo precioso, mas tal como na gripe ou na perna partida tem de haver intervenção médica, na perturbação de ansiedade e na síndrome de pânico também é necessário pedir ajuda.

A quem sofre com este problema, não se deixe levar por comentários de que não tem fé, mas também não guarde rancor dessas pessoas, porque elas desconhecem que se trata de um problema de saúde.

Procure ajuda médica, tome a medicação, faça a terapia que aconselham e procure ajuda espiritual. Há grupos de oração de cura e libertação na Igreja – Renovamento Carismático Católico - que podem dar um apoio muito importante e que sabem lidar com este tipo de situações. Não percam a esperança! Sei que há momentos em que se vê tudo negro, mas é possível passar das trevas à luz. Sou o exemplo vivo disso!

E lembrem-se: Jesus sabe bem pelo que estás a passar. Ele próprio suou sangue antes da crucificação (Lc 22, 44) – sinal de pânico extremo – e sentiu uma tristeza de morte (Mt 26, 38). Agarra-te a Ele, porque Ele vai fortalecer-te e auxiliar-te, segurando-te com a Sua mão direita e vitoriosa. (Is 41, 10)



 

  

 

terça-feira, agosto 25, 2026

 

A fé do pássaro preso por um fio

 


Há uma fase da nossa fé em que vamos a tudo o que é retiro, sobretudo se disser que vai haver oração de cura e libertação. Esta fase na caminhada com Cristo é normal. O problema é quando se fica por ali, como um pássaro que tem de voar, mas que se mantém sempre no mesmo lugar porque tem uma pata atada por um pequeno fio.

“Ai de mim se não evangelizar!” (1 Co 9, 16), diz-nos Paulo. O próprio Jesus deixou bem claro a todos os batizados: “Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho!” (Mc 16, 15) Não podemos continuar parados a receber sem dar. É urgente levar Jesus aos outros! O mundo está cada vez mais egoísta e individualista; as pessoas vivem demasiado para o seu umbigo e há muita sede do amor.

O que se costuma dizer:

 “Mas não sei falar, escrever, cantar…”

Mas sabes orar. Em casa, no carro, no metro … em qualquer lugar podes orar e entregar os sacrifícios do dia pela conversão dos irmãos que andam perdidos. Podes conversar com alguém que está sozinho, nem que seja por telefone, por exemplo. Todos temos talentos e não convém que Deus nos venha dizer que fomos servos maus, que optámos por os enterrar… (Mt 25, 14-30)

 

“Não tenho tempo.”

Quanto tempo dedicas às redes sociais? Quanto tempo gastas com os outros a falar da vida alheia? O tema deste texto surgiu em oração, enquanto arrumava a cozinha. Havia outras orações para fazer e pedi a Deus que me ajudasse nesse momento.


Não quero apontar o dedo a ninguém. Apenas alertar. Não podemos ficar parados, pois isso não é bom para o nosso próximo, nem para nós mesmos. Ao nos focarmos apenas na nossa vida, estamos a perder mil e uma maravilhas que Deus nos tem para mostrar. Dessa forma, a fé vai morrendo e o amor por Jesus não cresce. Coragem, pede a Deus para te mostrar o que quer que faças e neste processo de cura não pares de orar por ti e pelos outros. Deus precisa de cada um de nós!