A roupa na Igreja e o nosso ‘vestido interior’
Tem-se falado muito da roupa que se deve levar à Igreja. É
importante alertar para o respeito, mas também devíamos aproveitar estes alertas
para lembrar o nosso ‘vestido interior’.
Lembro-me sempre com especial carinho e emoção as Missas celebradas
nas missões dos bairros. Nem costumávamos ter tempo de tomar banho e mudar de
roupa depois de sairmos de um bairro de barracas, com terra batida, onde andávamos
a brincar com crianças ao pé de um esgoto. Mas vivia-se intensamente a
Eucaristia; havia uma entrega e uma noção muito real de estarmos a receber
Jesus para O levar aos outros, para O levar aonde poucos queriam ir.
Isto fez-me pensar muito na questão da roupa versus o
nosso interior. Não me refiro a roupas mais decotadas. Obviamente, há formas de
vestir que não se coadunam com o cristão dentro e fora da Igreja. Não temos de
andar todos tapados, mas também não temos de ter quase tudo à mostra. Somos
templo do Espírito Santo! (1
Co 6, 19)
Mas aquelas Missas faziam-me lembrar exemplos menos dignos
de quem fora da Igreja era o diabo em figura de gente, enquanto dentro da
Igreja levava o melhor fato. Todos erramos, mas não podemos ter vida dupla… Jesus
é muito claro: o morno será vomitado (Ap 3, 15-16). Esta é uma
chamada de atenção para todos nós! Sem exceção...
O mais importante é o ‘vestido interior’, porque mesmo
levando a melhor roupa e a mais adequada em termos de respeito pelo local,
podemos estar demasiado ‘decotados’ por dentro e não adorarmos em espírito e
verdade, como Jesus nos pede (Jo
4, 23-24)!


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