segunda-feira, setembro 07, 2026

 

Vida em abundância e sofrimento. Há uma contradição?

 


Jesus disse que veio ao mundo para nos dar “vida e vida em abundância” (Jo 10,10), mas também avisou para termos coragem, pois no mundo teríamos aflições e perseguições (Jo 16, 33).

De facto, se Jesus teve tudo isso, quem somos nós para achar que não passaremos pelo mesmo? A própria Palavra nos diz: “Não somos mais do que o Mestre.” (Lc 6, 40) É importante aceitar que a vida é mesmo assim: tem momentos muito bons e outros muito maus. E há quem tenha mais problemas do que alegrias.

A verdade é que mesmo no sofrimento podemos e devemos ter a vida em abundância que Deus nos veio trazer. Vejam o caso de Padre Pio: sofreu sempre desde o berço, teve as chagas, foi maltratado - inclusive por parte de grupos da Igreja Católica. Mas este homem, no meio do sofrimento, conseguiu ter vida em abundância, porque o sofrimento era usado como oração e como forma de ter maior compaixão para com aqueles que ele tinha de ajudar.

Atualmente, o Padre Marlon Múcio enfrenta uma doença rara que o deixa à morte vezes sem conta e que o impede de ter uma vida normal. Depende de oxigénio, da ajuda de terceiros, tem muitas dores e toma cerca de 300 comprimidos por dia. Mesmo assim, diz que se voltasse a nascer, queria ter a mesma doença, porque percebe que é desta forma que consegue levar a Palavra de Deus.

Este padre tem um sofrimento atroz, mas também vida em abundância. Quero com isto dizer que não devemos lutar contra o sofrimento? Não, claro que não! Mas devemos lembrar-nos, por mais difícil que seja, que Jesus também passou pela tortura e pela cruz. Teve de aceitar, porque não havia outra forma de nos salvar.

Lutemos contra o sofrimento, mas enquanto ele persiste é preciso aceitá-lo e utilizá-lo como oração para salvar almas e completar as chagas de Cristo. Lembremos o que Jesus nos diz: “Na fraqueza, basta-te a minha graça.” (2 Co 12, 9)

 

 

 

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