Vida em abundância e sofrimento. Há uma
contradição?
Jesus
disse que veio ao mundo para nos dar “vida e vida em abundância” (Jo 10,10), mas também avisou
para termos coragem, pois no mundo teríamos aflições e perseguições (Jo 16, 33).
De
facto, se Jesus teve tudo isso, quem somos nós para achar que não passaremos
pelo mesmo? A própria Palavra nos diz: “Não somos mais do que o Mestre.” (Lc 6, 40) É importante aceitar
que a vida é mesmo assim: tem momentos muito bons e outros muito maus. E há quem
tenha mais problemas do que alegrias.
A
verdade é que mesmo no sofrimento podemos e devemos ter a vida em abundância
que Deus nos veio trazer. Vejam o caso de Padre Pio: sofreu sempre desde o
berço, teve as chagas, foi maltratado - inclusive por parte de grupos da Igreja
Católica. Mas este homem, no meio do sofrimento, conseguiu ter vida em
abundância, porque o sofrimento era usado como oração e como forma de ter maior
compaixão para com aqueles que ele tinha de ajudar.
Atualmente,
o Padre Marlon
Múcio enfrenta uma doença rara que o deixa à morte vezes sem conta e que o
impede de ter uma vida normal. Depende de oxigénio, da ajuda de terceiros, tem
muitas dores e toma cerca de 300 comprimidos por dia. Mesmo assim, diz que se
voltasse a nascer, queria ter a mesma doença, porque percebe que é desta forma
que consegue levar a Palavra de Deus.
Este
padre tem um sofrimento atroz, mas também vida em abundância. Quero com isto
dizer que não devemos lutar contra o sofrimento? Não, claro que não! Mas
devemos lembrar-nos, por mais difícil que seja, que Jesus também passou pela
tortura e pela cruz. Teve de aceitar, porque não havia outra forma de nos
salvar.
Lutemos
contra o sofrimento, mas enquanto ele persiste é preciso aceitá-lo e utilizá-lo
como oração para salvar almas e completar as chagas de Cristo. Lembremos o que
Jesus nos diz: “Na fraqueza, basta-te a minha graça.” (2 Co 12, 9)


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