quarta-feira, julho 01, 2020


Vazio, sensação de sujidade: O trabalhador do sexo também é um ser humano…





“Um vazio muito grande.” “Sentimo-nos sujas depois de estarmos com um homem…” Estas foram algumas das palavras que mais me tocaram no testemunho de uma mulher que conheceu a prostituição e que hoje em dia luta pela legalização dos trabalhadores do sexo, em dadas circunstâncias, para evitar o abuso de jovens adolescentes, que dão o seu corpo por 20 euros.

Não quero entrar aqui na discussão da legalização. Vou focar-me apenas nas palavras desta mulher que, num programa de TV, revelou o vazio que sente e a sensação de sujidade após se estar com alguém que paga para ter sexo. Di-lo em lágrimas… É uma mulher muito bonita, bem vestida, mas por dentro mostra como não está bem.

Enquanto a oiço penso na mulher apanhada em adultério e que foi salva por Jesus quando a queriam matar à pedrada. (Cfr Jo 8, 1-11) Jesus não se ficou pelo que habitualmente fazemos: julgar ou olhar para o lado, como se o negócio do sexo não existisse ou como se fosse coisa de gente que está condenada e que vai inevitavelmente para o inferno. Jesus começou por salvar a vida daquela mulher, evitando que fosse apedrejada até à morte. E foi mais longe ao propor – não impondo – outra vida. Percebeu e interessou-se pelos seus sentimentos, fraquezas, condições de vida. Compreendeu que ela mendigava amor…

Devíamos aprender com o Mestre, porque o mundo da prostituição é muito vasto e há de tudo um pouco: as que gostam, as que querem ter dinheiro para umas calças de marca, as que fora enganadas e que, em busca de melhores condições de vida noutros países, são alvo de lenocínio… É uma situação muito delicada e que só tem solução – nem que seja menos uma pessoa na prostituição já é salvar uma vida – se olharmos para o interior de cada uma estas mulheres – ou homens – e percebermos o que as levou aquela realidade.
Quem sabe se o problema está na ausência dos pais, que preferiram a carreira e o dinheiro, em vez de dar amor? Ou na infância vivida entre brigas, álcool, droga… que impediram o conhecimento do verdadeiro amor?

E, nós cristãos, julgamos ou amamos, procurando soluções? Será que a forma como amamos e damos atenção aos nossos filhos não os levará um dia a mendigar amor onde impera antes o vazio, quer seja na prostituição ou noutras escolhas erradas?


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