segunda-feira, maio 05, 2008


O sofrimento e as crianças


Na catequese deste fim-de-semana falei dos Pastorinhos de Fátima. Contei-lhes como eles rezavam tanto, apesar de terem sofrido muito. Rezavam muito e entregavam o sofrimento pela conversão dos pecadores. Mesmo o Francisco e a Jacinta que morreram tão novos.

As reacções foram imediatas. "O quê? Como é que é possível, Maria João? Estavam a sofrer tanto e ainda acreditavam em Jesus e rezavam? Puxa, estou arrepiada." Diziam outros:"Morreram tão novos! E nunca deixaram de rezar... Como é que isso é possível?"

Pois é! Os beatos Jacinta e Francisco continuam a ser um exemplo de fé e amor pelo Pai. As crianças da minha catequese ficaram muito sensibilizadas e entenderam melhor quando lhes dizia que na vida há sofrimento (infelizmente alguns deles já passaram por mais coisas más do que alguns adultos), mas esse sofrimento não pode ser maior do que a ajuda que recebemos de Jesus e de Maria. Nunca devemos deixar de rezar e devemos ver o que podemos aprender com o sofrimento.

Infelizmente, não se ensina as crianças a lidarem com o sofrimento. Ele existe, quer queiramos quer não. Nós, cristãos, acreditamos na Vida Eterna, sabemos que Jesus nos ajuda a carregar as cruzes, então por que não ensinamos isto logo desde cedo? Não teríamos adultos a enfrentar melhor os problemas? Preparamo-los para atravessarem a estrada na passadeira e quando o sinal está verde, mas será que os ensinamos a "atravessar a estrada da vida"?


5 comentários:

Fa menor disse...

Não sei, Maria João,
mas acho que há uma tendência muito grande para tentar preservar as crianças, para as afastar de tudo o que poder vir a ensombrar-lhes a felicidade.
Coitadinhas destas crianças que crescem a pensar que tudo são rosas belas sem espinhos...
e depois quando inevitavelmente têm que passar por algum sofrimento, afundam-se em desânimo, sem verem tábua de salvação.

Beijinho

Mariana disse...

Acho que o sofrimento é inevitável, podemos poupar as crianças mas nunca criá-las num mundo de fantasia sem sofrimento!
Abraço em Cristo e Maria
Mariana

silvino disse...

nestas coisas da morte, do sofrimento, da doença, a tendência é logo dizer q se deve proteger as crianças.

mas se calhar, passa um pouco pela mesma lógica da saúde, em q convém estar exposto a certos agentes infecciosos quando se é novo pois embora frágil, o sistema imunitário da criança tem melhor versatilidade e rapidez de resposta :)

Ecclesiae Dei disse...

Excelente tática, muito ungida pelo Espírito, mostrar a crianças o sofrimento de outras crianças e a presença de Deus no meio de tudo isso. Parabéns. É de catequistas assim que precisamos.

Ver para crer disse...

Pois eu falei em Fina d'Armada que escreveu há tempos um livro a dizer que quem lhes apareceu foi uma extraterreste. E o sol a dançar era a nave que a trouxe e levou.E a tal personagem fala-lhes da oração e conversão.
Rematei que é preciso mais fé para crer nisso do que para acreditar que a Mãe de Jesus veio à Terra para nos falar do projecto de salvação, pelo qual morreu o Seu Filho.