terça-feira, julho 14, 2026

 

A ameixa que me ensinou a Palavra de Deus

 


Devia ter 5 anos. Éramos muito pobres e não podíamos ter muita coisa, por isso a fruta que se comprava era sempre a mais barata. A minha mãe sempre me ensinou que a pobreza não é desculpa para roubar, mas naquele dia a bela de uma ameixa reluzia e chamava por mim no supermercado.

Não resisti. Peguei numa rapidamente e escondi-a. Os remorsos foram tomando conta de mim e só me lembrava do que a minha mãe me dizia. “Deus não quer isso!” A caminho de casa confessei o que tinha feito. A minha mãe, cheia de misericórdia, mas sem deixar de ser a mãe que educa uma filha, obrigou-me a voltar, a pedir desculpa e a devolver a ameixa.

Se houvesse um buraco, tinha-me metido lá dentro… Quando cheguei ao supermercado – onde todos nos conheciam – dirigi-me à empregada, entreguei a ameixa e pedi desculpa. A reação dela foi linda: pediu à minha mãe que me deixasse levar a ameixa. Ela tinha visto, mas ficou calada porque sabia da nossa situação. E disse-lhe: “A sua filha tinha ao lado imensos doces, mas quis apenas uma ameixa. Deixe estar.”

A senhora foi misericordiosa, graças a Deus. Mas, desde aquele dia, aprendi uma lição que me marca até hoje e que vai ao encontro do que está na Bíblia: "Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito, e quem é desonesto no pouco, também é desonesto no muito” (Lc 16, 10-15)

Tendo em conta a situação, o que fiz não foi assim tão grave. Tinha muitas desagravantes. Mas é com estes pequenos gestos e desculpas que acabamos por aceitar comportamentos menos corretos, que um dia nos irão afastar de Deus. A misericórdia é importante, mas a fidelidade à Palavra de Deus também.

 

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