quinta-feira, dezembro 18, 2025

 

Salvar vidas no silêncio

 


Às vezes, na vida passamos por grandes sustos. As coisas podem estar bem – até muito bem – e, de repente, tudo se desmorona. As certezas tornam-se incertezas, a alegria vira tristeza e angústia e ficamos sem chão.

Acredito que foi isto que sentiu José quando soube da gravidez de Maria (Cfr. Mt 1, 18-25). Se fosse outro homem, tê-la-ia difamado, não se importando com a sua morte por lapidação. As mulheres adúlteras (apenas elas) eram apedrejadas, em praça pública, até à morte.

Naquele momento, José não quis saber da sua dor, do sonho desfeito de quem achava que iria casar. Simplesmente, sendo um homem de Deus, protegeu-a da morte. Esta atitude acabou por lhe dar a graça de escutar o anjo de Deus a dizer-lhe para não ter medo, porque o fruto do ventre de Maria era obra do Espírito Santo. Não havia cometido adultério.

Reparem que José, mesmo na mágoa intensa, não deixou de escutar a voz de Deus… Nos momentos de dor, qual é a nossa tendência? Não escutamos ninguém, quanto mais Deus…

Podem dizer-me: isso é tudo muito bonito na teoria, mas na prática é diferente. Eu sei! Também sou fraca, resmungona nas dificuldades, também tenho a tendência de divulgar o que o outro me fez, para que a minha imagem não fique manchada…

Mas, nos últimos tempos, tenho aprendido (com algumas dores) que não é preciso gritar e ir a correr contar o que o outro fez. É melhor esperar como José. Ficar em silêncio e orar, mesmo que se chore e se tenha vontade de berrar.

Nesses momentos, dou por mim a olhar para o problema de forma muito fria e concreta, sem desculpas. E, perante a verdade do outro, consigo perceber melhor até que ponto o erro é cometido por traumas e por falta de cura interior. Não se trata de apagar o que aconteceu ou de achar que tudo se justifica, mas de reler os factos com base no amor e no perdão. 

Consigo sempre fazer isto? Não. Mas faço-o mais vezes, desde que olho para Jesus no Sacrário em silêncio ou quando oro apenas em silêncio no meu quarto. No silêncio, tal como José nos ensina, Deus enche-nos do Seu Espírito. Sem o Espírito Santo vamos cair muito mais vezes na tentação de abrir a boca, independentemente de o outro correr riscos de morrer física e ou psicologicamente…

Afinal, quem nunca pecou, que atire a primeira pedra… (Jo 8, 7)

 


quinta-feira, dezembro 11, 2025

 

A dor mostra a tua verdade, os teus sonhos!

 

Em silêncio, em frente a Jesus, agradeço-Lhe por o sofrimento ter um sentido na vida. Apenas com Jesus consigo perceber que o sofrimento não tem de ser em vão. E como isso me consola…Todas as dores são um ensinamento, uma oração… como Jesus nos mostrou na cruz. 

Um dos principais frutos do sofrimento é descobrir a nossa verdade interior. Afinal, quem sou eu? O que é muito importante na minha vida? O que mais desejo? O que me faz realmente feliz, mesmo no meio das tempestades?

A vida pode ser muito dura – e até injusta – e isso leva-nos a reprimir os nossos sonhos. Refiro-me aos sonhos que nos completam, ou seja, àqueles que Jesus preparou para cada um de nós. Por medo, vergonha, trauma, vamos (sobre)vivendo durante anos, sem lutar por aquilo que mais nos preenche como filhos muito amados de Deus. 

A dor e as experiências não curadas levam-nos a acreditar que não somos dignos de ser felizes e de alcançar aquilo que Deus sonhou para nós. O sofrimento é, muitas vezes, a única forma de Deus nos dizer: “Pára! Deixa-me sonhar em ti! Deixa-me fazer-te feliz!”

Nesse momento, por mais doloroso que seja, é preciso parar, escutar, orar e pedir aconselhamento. É preciso saber que passos teremos de dar para aceitarmos os sonhos de Deus, que são precisamente aqueles que Ele já colocou no nosso coração há muito, muito tempo.

Deixemos Deus sonhar em nós!


 

sexta-feira, dezembro 05, 2025

 

O que diz o olhar do Menino Jesus?

 


Eis a agitação habitual das vésperas do Natal… Onde estão os pensamentos de um cristão? Infelizmente, estão muitas vezes nas prendas e na comida da Ceia. Jesus fica para segundo, terceiro, quarto plano… Lá nos lembramos Dele quando olhamos para o presépio, mas não muito mais.

É preciso parar, orar, escutar e amar. No meio da agitação não podemos esquecer que o Natal é o nascimento de Jesus. O Menino embrulhado em panos, numa manjedoura, é Deus feito homem, que veio ao mundo para nos salvar. Não nos podemos distrair deste Seu Amor tão grande! Se o fizermos, estamos a ser ingratos.

Nestas semanas que antecedem a noite de Natal – Advento, na Igreja Católica -, deixemo-nos levar pelo olhar do Menino Jesus. O que Ele nos diz? O que temos de mudar na vida? A quem devemos estar mais atentos, porque está a sofrer em silêncio, apesar de sorrir todos os dias?

Olhemos para o Menino Jesus como se fosse a primeira vez. Peguemos na Palavra de Deus (a Bíblia) e voltemos a ler a passagem do seu nascimento. O que mais nos chama a atenção, tendo em conta o que estou a viver neste momento?