segunda-feira, abril 15, 2019



"Já pensou como a Mãe sofreu ao ver o seu Filho em plena agonia, sem poder fazer nada?"




Há conversas que são autênticos testemunhos da Palavra de Deus. Enquanto o meu filho jogava à bola, fiquei a ler num banco. Apareceu uma senhora que já não via há muito tempo, com a neta. Só nos conhecemos da rua, por isso começámos pelas conversas banais.

Até que ela, senhora já de certa idade, começou a desabafar. Foi aí que percebi como vive num autêntico inferno. Não só ela, como também a neta. É daquelas vidas em que parece que nada corre bem. Desgraça vem após desgraça, afetando os mais inocentes.

Mas no meio do inferno que vive, impressionou-me sobretudo o amor que tem por Jesus e Maria. Não falo apenas de fé, mas de um amor muito intenso. Várias vezes me dizia, com lágrimas nos olhos: “Entrego tudo pelas chagas de Jesus e pelas dores de Nossa Senhora. Já pensou como eles sofreram? Já pensou como a Mãe sofreu ao ver o seu Filho em plena agonia, sem poder fazer nada?”

Fiquei a matutar nestas palavras. Quantas vezes penso no sofrimento de Jesus e de Maria quando estou em aflição? Poucas… Lembro-me mais quando passa a aflição, mas na altura nem sempre… Achei lindo o amor que ela tem por Jesus e Maria. Via-se nos seus olhos, não era apenas conversa bonita.

Peço assim ao Senhor que nos dê este amor, esta proximidade com Jesus e Maria, também no sofrimento. E peço por esta senhora, pela sua neta e por toda a família, que bem precisam…


quarta-feira, abril 10, 2019


“Fiz tanta asneira que não me achava digno de perdão”





O M. viveu no mundo da droga durante 20 anos. Do conforto da sua casa foi parar ao crime e à rua, onde dormiu durante anos a fio. Está recuperado há vários anos e, hoje em dia, ajuda outros sem-abrigo a sair da rua e toxicodependentes a deixar a droga, graças a Deus.

O que mais chamou a atenção no seu testemunho foram estas palavras: “Todos me perdoaram, a minha mãe, o meu pai… Mas eu não conseguia perdoar-me a mim mesmo. Fiz tanta asneira que não me achava digno de perdão e fazia-me confusão como todos me perdoavam e me aceitavam de volta, dando-me a mão para me levantar.” O M. diz que o perdão a si mesmo foi um processo muito complicado que só conseguiu resolver com a fé em Jesus Cristo.

Este caso fez-me lembrar dois exemplos, um bom outro não tanto: Pedro e Judas. Ambos traem Jesus, mas enquanto Pedro, mesmo esmagado de dor pelo que tinha feito, consegue ver nos olhos de Jesus o Seu perdão, Judas nem se atreveu a olhá-Lo e desistiu por completo da vida…

Meditando no exemplo de Pedro e de Judas, surgem-me estas questões:

- Até que ponto, após cometer erros (mesmo os mais graves), consigo olhar para Jesus e deixar-me invadir pela Sua Misericórdia?

- Será que na minha vida mostro esta Misericórdia de Jesus para quem mais erra – principalmente quando as ações dessa pessoa me prejudicaram - de modo que também ela, filha de Deus, saiba que ainda tem salvação?

- Mesmo que todos me condenem, será que consigo ir até Jesus e, com toda a minha miséria, voltar para a Casa do Pai?


Relembremos que Jesus disse: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os enfermos. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.” Mc 2, 17



terça-feira, abril 02, 2019


Ser cristão não é apenas não matar e não roubar… é amar os inimigos




No tempo em que andei longe da Igreja costumava dizer que era católica não praticante e cristã. Católica não praticante, porque me habituei a ouvir isso. Cristã, porque supostamente fazia o que Deus pedia. Não matava, não roubava…

Hoje olho para trás e penso como me estava a enganar a mim própria. Ser cristão católico é de facto ser Igreja, estando presente, não vivendo uma “fé individual”. Como Jesus nos disse: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles” Mt 18, 20. Aliás, se se defende o amor de Jesus, que sentido faz viver uma “fé individual”!? O amor não existe sozinho…

Quanto à questão de que sou cristã, porque não mato ou não roubo … Será que é mesmo assim? De facto, podemos não cometer um homicídio, podemos não roubar nada … mas a mensagem cristã não se fica por aí. Além de que matar e roubar pode significar simplesmente matar e roubar a autoestima do outro com palavras.  

Ser cristão é muito mais. Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a mim mesmo é dar a outra face, orar por quem nos faz mal… Em suma, amar os nossos inimigos, porque assim somos filhos de Deus, Aquele que dá o sol e a chuva aos bons e aos maus…  Mt 5, 44-45

E isso eu não o fazia quando tinha a minha “fé individual”. Hoje em dia já o faço? Sim. Consigo sempre? Não. Mas consigo mais vezes, porque em comunidade e com os sacramentos vou fortalecendo a minha fé e abrindo portas a Jesus, para que, na Sua graça, consiga amar quem me faz mal, por mais difícil que seja. Afinal, também eu cometo erros e gosto de ser perdoada…  


quinta-feira, março 28, 2019



 “Jesus, tenho uns sapatos novos!” – A oração pura de uma criança





“Jesus, tenho uns sapatos novos!” As palavras são de uma menina pequena que entra na Igreja e que, perante o altar, mostra para Jesus aquilo que para ela é o mais importante no momento. Esta história foi contada pelo diácono António quando fiz o Seminário de Vida Nova no Espírito. Já lá vão uns anos mas nunca mais me esqueci. Lembro-me de o diácono nos dizer que, naquele momento, aprendeu a orar.

Lembro-me muitas vezes desta história quando estou em oração, principalmente quando entro dentro de uma Igreja. Sorrio muitas vezes, olhando para Jesus no sacrário, perguntando-lhe: “Quais são os sapatos novos que te quero mostrar?”

São muitos, obviamente. Mesmo na dor, quando as lágrimas escorrem pelo rosto, posso agradecer pela vida, por Ele me dar força para superar aquele momento, por ter comida, água, uma cama para dormir, emprego… E, acima de tudo, por ter um filho maravilhoso, a melhor prendinha que Jesus me deu na vida.

A oração desta menina faz-me lembrar como, muitas vezes, torno os momentos com Jesus num autêntico monólogo monótono em vez de optar pela simplicidade e por palavras simples e sinceras, mostrando claramente o que vai cá dentro. Jesus sabe o que se passa cá dentro, mas gosta de nos ouvir. Ele também sabia dos sapatos novos da menina, mas como deve ter sorrido quando a ouviu falar!?

Já a Palavra de Deus nos exorta:

“Nas vossas orações, não sejais como os gentios, que usam de vãs repetições, porque pensam que, por muito falarem, serão atendidos. Não façais como eles, porque o vosso Pai celeste sabe do que necessitais antes de vós lho pedirdes.” Mt 6, 7-8

Enfim, resta-me pedir: “Senhor, ensina-nos a orar!” Lc 11, 1



domingo, março 24, 2019


Saborear cada dia da Quaresma de mãos dadas com Jesus!





Viver a Quaresma… É isso que sinto este ano. Achava eu que vivia este tempo de preparação para a Páscoa… Mas, este ano, descobri que nunca havia saboreado cada um dos dias como este ano. E tudo por causa das meditações quaresmais do Instituto Hesed.

Não sinto, como é habitual todos os anos, que a Quaresma rapidamente vai passando. A meditação diária, nesta perspetiva de preparação para a Páscoa – a principal festa do cristão – tem-me aproximado mais de Jesus. Sinto que a oração é diferente, de maior proximidade, de maior simplicidade, de maior ternura, mesmo quando é preciso reconhecer os meus erros.

É maravilhoso saborear cada dia da Quaresma! Por mil e uma razões: por reconhecer os meus erros mais recônditos, por sentir nesses momentos a Misericórdia de Jesus, por meditar nas coisas boas que faço e que não são mais que graças de Deus – sem essa graça, nada conseguiria, por me sentir mais próxima de Jesus, meditando no seu sofrimento e na sua doação por amor…

Seja através do Instituto Hesed, de outro grupo da Igreja, não deixemos de saborear cada dia deste tempo de Quaresma! Paremos pelo menos 5 minutos e meditemos sobre a nossa vida e sobre a Palavra de Deus! Vai valer a pena! J

Meditações diárias na Quaresma:



sexta-feira, março 22, 2019


Quando são os nossos filhos a dar-nos a paz de Jesus…




Jesus bem diz que devemos ser como as crianças: simples, puras, confiantes. Estava no hospital, à espera de consulta, e tinha a cabeça em mil e um lugares. Só pensava nas horas, no que tinha que fazer… Estava de tal forma absorta nas minhas ideias que nem parei para ir visitar Jesus no Sacrário, eu que gosto tanto de lhe ir dizer “Olá!” quando entro num hospital.

No meio da azáfama, oiço o meu filho: “Mãe, segue-me!” Não percebi logo o que ele queria, mas segui-o a pensar que me ia mostrar qualquer coisa. Curioso como ele é…

Qual é o meu espanto quando me diz, sorrindo: “Anda ao Jesus! Já te esquecias?” Naquele momento senti um misto de alegria e de vergonha… Eu é que devia levá-lo ali, como sempre costumo fazer…

Ele continuava a sorrir e perguntou: “Gostaste da minha prenda, mãe? Queria que visses o Jesus!” Foi aí que percebi que não tinha que ter vergonha e que devia saborear e agradecer aquele momento, aceitando a paz que Jesus me queria dar, quando tinha a cabeça tão cheia de preocupações …


terça-feira, março 12, 2019


Deus só nos dá aquilo de que necessitamos…



Ambições… quem as não tem! Mas será que são todas boas para a minha vida? Será que sou escrava dessas ambições? Se calhar Deus não nos dá o que pedimos porque, simplesmente, não precisamos…

Vale a pena ouvir este vídeo… Se não o ouvires agora, guarda-o…


sexta-feira, março 08, 2019


Ser constante na provação!




Ser cristão não é fácil. Quando descobrimos Jesus ficamos muito felizes, as coisas até nos correm muito bem, mas vai haver provações. Costumo dizer que Jesus sabe bem do que somos capazes, mas nós não. E essas provações são essenciais para vermos como nós próprios amamos mesmo Jesus e como O queremos seguir.

Como diz a Palavra:

Meu filho, se entrares para o serviço de Deus,
prepara a tua alma para a provação.
2Endireita o teu coração e sê constante,
não te perturbes no tempo do infortúnio.
3Conserva-te unido a Ele e não te separes,
para teres bom êxito no teu momento derradeiro.
4Aceita tudo o que te acontecer
e tem paciência nas vicissitudes da tua humilhação,
5porque no fogo se prova o ouro
e os eleitos de Deus, no cadinho da humilhação.
Nas doenças e na pobreza, confia nele.
6Confia em Deus e Ele te salvará,
endireita os teus caminhos e espera nele. Sir 2, 1-6




quarta-feira, março 06, 2019


Quaresma: É este o verdadeiro jejum que Deus nos pede...



O jejum que me agrada é este: libertar os que foram presos injus­tamente, livrá-los do jugo que levam às cos­tas, pôr em liberdade os oprimidos, quebrar toda a espécie de opres­são, 7repartir o teu pão com os esfo­meados, dar abrigo aos infelizes sem casa, atender e vestir os nus e não des­prezar o teu irmão. 8Então, a tua luz surgirá como a aurora, e as tuas feridas não tardarão a cicatrizar-se. A tua justiça irá à tua frente, e a glória do Senhor atrás de ti. 9Então invocarás o Senhor e Ele te atenderá, pedirás auxílio e te dirá: «Aqui estou!» Is 58, 6-9


quinta-feira, fevereiro 28, 2019


A vingança só traz guerra e ódio, atingindo inocentes!




Ninguém tem direito em tirar a vida do outro, por mais horrores que o outro tenha cometido. Sei que não é fácil aceitar-se isto numa sociedade onde todos os dias se houve falar de homicídios, violações, torturas.

Também sei que não é fácil esperar pela justiça de Deus. Mas a verdade é que Deus é Pai e sabe o que é melhor para nós. Se olharmos para a História temos imensos exemplos de como a vingança só gerou mais violência e ódio, acabando por afetar muitas vezes pessoas inocentes. Quantas guerras não começaram por ódios entre duas famílias? Quantas crianças não ficaram órfãs de pai e mãe por causa de vinganças?

Caim tirou a vida ao seu irmão Abel por ciúmes. Deus condenou obviamente o que ele fez e Caim teve de levar com as consequências do seu crime. Mas Deus não deixou que o matassem. Gn 4, 15

Nunca nos podemos esquecer que o maior criminoso pode vir a ser um grande santo. Por mais estranho que nos possa parecer, a Deus tudo é possível. Mt 19, 26 Quantos santos, antes de conhecerem Jesus, tiveram uma vida de pecados graves? Veja-se S. Francisco de Assis, que vivia para a bebida, para o sexo desenfreado, para o dinheiro, para a fama… Tornou-se no santo dos pobres, que cuidou inclusive dos leprosos, que tanto nojo lhe provocavam antes de conhecer Jesus.

Que Jesus nos ajude a dizer não à vingança e a perdoar os inimigos, por mais difícil que isso possa ser e por maior atrocidade que tenha sido cometida. Só assim viveremos em paz e evitaremos que inocentes venham a sofrer.


sábado, fevereiro 23, 2019


Pedofilia na Igreja: As ovelhas negras existem, mas não tomemos a parte pelo todo




A Igreja Católica está a passar por um momento extremamente difícil e … ainda bem que assim o é. Por mais que nos custe, como Igreja (comunidade de fiéis), é preciso falar abertamente do problema da pedofilia e procurar ações concretas para debelar este mal que mais que manchar a Igreja, mancha o nome de Deus e a vida de muitas vítimas…

O momento é difícil, mas, como irmãos na fé, devemos unir-nos em oração para que as medidas do Papa façam a diferença, para que os pedófilos parem de cometer estas atrocidades e, sobretudo, para que as vítimas consigam curar-se de uma ferida que as asfixia cada dia que passa.

Também devemos mostrar que a Igreja não é só isto, nunca, obviamente, menorizando esta catástrofe. A Igreja que Jesus fundou tem por rocha os Seus ensinamentos que se resumem no principal mandamento: “Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros; que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei.” Jo 13, 34
Porque, “Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.” Jo13, 35

E este amor é mostrado vezes sem conta, todos os dias – sem exceção – por milhares de cristãos no mundo inteiro. Homens e mulheres que abraçam a sua cruz pesada por amor a quem mais precisa, por amor a quem é afastado da sociedade como se fosse um leproso.

Isto não pode ficar esquecido! A pedofilia existe, mas a coisas boas também. Há sempre duas faces da mesma moeda… Ainda hoje surgiu uma notícia sobre um presumível professor que abusou de uma menor… Neste caso, apesar de se condenar o que ele fez, não se vai considerar que todos os professores são pedófilos ou que nas escolas só existe pedofilia, certo? Então por que não temos a mesma atitude em relação aos padres e à Igreja?

Oração:
Jesus, lava com o Teu Preciosíssimo Sangue e Água, que derramaste na cruz por nosso amor, a Tua Igreja. Afasta estes desejos bárbaros da cabeça dos pedófilos, fortalece o Papa e todos os que lutam contra este crime e guarda todas as vítimas dentro do Teu Sagrado Coração. Cura-as, dá-lhes a paz que tanto anseiam. Ámen.

sexta-feira, fevereiro 15, 2019


“Mãe, mesmo com Jesus acontecem coisas más na vida, não é?”
 


A pergunta é do meu filho de 6 anos. Respondi-lhe que é verdade, mas que é sempre mais fácil suportar os momentos tristes e de doença com o nosso amigo Jesus.

Naquele momento lembrei-me de muitas ideias que me transmitiram desde criança sobre Deus. Uma delas tem a ver com o facto de que com Deus tudo corre bem. E é verdade, porque como disse Jesus: “Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus.” (Rm 8, 28)

Mas nunca me explicaram que esse “tudo corre bem” não significa ausência de sofrimento. O sofrimento existe neste mundo imperfeito. O próprio Jesus nos avisou que não seria fácil. “No mundo, tereis tribulações…” (Jo 16, 33)

Mas acrescentou: “… tende confiança: Eu já venci o mundo!” (Jo 16, 33) Apesar das dificuldades, devemos lembrar-nos que Jesus nos deu armas para esta luta diária, armas essas que não podem ficar guardadas na gaveta: oração, Palavra de Deus, amor, união, sacramentos, a paz de Jesus…

Esta pergunta do meu filho fez-me pensar como é importante falar a verdade aos nossos filhos, para se evitar aquilo que ouvimos tantas vezes: “Acreditar em Deus? Estou sempre a sofrer! Ou se esqueceu de mim ou não existe…”

 E devemos também explicar-lhes que muito do sofrimento se deve às nossas decisões, para que não cresçam na ideia de que não têm de ser responsáveis pelos seus atos. Jesus ama-nos, mas precisamente por isso, dá-nos liberdade para escolher entre o bem e o mal.  


segunda-feira, fevereiro 11, 2019



“Se eu não for para o céu, mais ninguém vai.” 

Será mesmo assim?



Quando Jesus cura o leproso não lhe restitui apenas a cura física, mas também a sua dignidade. Naquela época, os leprosos ficavam às portas da cidade e ninguém os ajudava. As pessoas não o faziam apenas por terem medo de ficar doentes, mas porque achavam que a sua condição de saúde se devia aos seus pecados.

Quando Jesus ouve aquele homem dizer: “Senhor, se quiseres, podes purificar-me (Mt 8, 2)” não teve medo de lhe tocar. Sem hesitar olhou-o nos olhos, tocou-o e restituiu-lhe a sua vida.

Tal como naquele tempo também há muitos que ainda hoje ficam às portas das cidades, sendo considerados “indignos de Deus”, “pecadores perdidos”. E quem lhes aponta o dedo somos muitas vezes, nós, cristãos. Esquecemo-nos que também nós temos “lepra”, ou seja, estamos cheios de vanglória e de soberba, a achar que já estamos salvos. Como ouvimos desde pequenos: “Se eu não for para o céu, mais ninguém vai.”

Mas, como Jesus disse, “os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos”. (Mt 20, 16) “Em verdade vos digo, os cobradores de impostos e as meretrizes vão preceder-vos no Reino de Deus” (Mt 21, 31)

Oração: 
Peço-Te, Jesus, que tires as escamas dos nossos olhos para olharmos para os nossos irmãos, principalmente os que mais erram, com a Tua Misericórdia, nunca desistindo de orar por eles e de mostrar o Teu exemplo com palavras e obras. Ajuda-nos a ser mais misericordiosos principalmente quando esses erros nos afetam diretamente. Mesmo quando nos temos de defender, relembra-nos: “Quem nunca pecou, que atire uma pedra.” (cfr. Jo 8, 1-7)

segunda-feira, janeiro 28, 2019


Deus não é contra a medicação! Cuidado com os pedidos de algumas seitas!



O homem entrou no consultório do cardiologista dizendo que tinha deixado de tomar os medicamentos para a hipertensão porque tinha “finalmente tomado posse da bênção de Deus”. Mal olhou para ele, o médico percebeu que ele estava pior da doença cardíaca.

Li este caso há pouco tempo num livro do cardiologista Enrique Roque Savioli, que é católico e missionário da Canção Nova, e que quis com este exemplo alertar as pessoas para NÃO DEIXAREM A MEDICAÇÃO RECOMENDADA PELO MÉDICO.

Com este exemplo lembrei-me de algumas seitas que incitam as pessoas a deixarem de tomar medicamentos, fazendo com que se sintam culpadas por não acreditarem que Jesus as está a curar.

Como alerta este médico, isto não faz qualquer sentido. Na própria Bíblia, logo no Antigo Testamento, está escrito:

“Honra o médico por causa da necessidade, pois foi o Altíssimo quem o criou”
Eclo, 38, 1 

“O Senhor fez a terra produzir os medicamentos: o homem sensato não os despreza”
Eclo, 38, 4 

Isto é muito sério! E não é apenas em seitas religiosas que isto acontece, mas também nas chamadas “bruxas” ou até em práticas ditas alternativas e que não são regulamentadas.



quinta-feira, janeiro 24, 2019


Um único comentário e … nunca mais voltou à Igreja…




Naquela manhã de domingo fomos à Missa. Para M. era um voltar ao seio da Igreja. Há muitos anos que não ia, porque achava que na Igreja só há hipocrisia e pessoas que vão lá só para cumprir preceito, não se importando com a mensagem de amor e de perdão de Jesus. Por mais que lhe dissesse que não somos todos iguais e que a imperfeição faz parte desta vida, ele não entendia determinados comportamentos.

Mas naquele dia, sem eu estar à espera, pediu-me para ir com ele à Missa. Tudo correu bem, exceto no final… Já estávamos a entrar no carro, quando se ouviu uma senhora a dizer: “Aquela dá sempre nas vistas... Aquela roupa, aquele chapéu nunca passam despercebidos.”

Naquele momento, ele vira-se para mim e diz-me: “Estás a ver! Eu tenho razão. Esta mulher está a sair da Missa e está a gozar com alguém que se vê perfeitamente que tem uma doença mental e que por isso é que se veste assim…”

Naquele momento senti uma enorme vergonha e tristeza. Obviamente que aquele comentário não estava correto… Voltei a relembrar que não somos todos iguais e que todos erramos… Mas para ele foi difícil, principalmente porque também ele sabe o que é gozarem com o seu problema de saúde mental.

Já passaram 4 anos e M. nunca mais voltou à Igreja… Costumamos desvalorizar cada um dos nossos erros, mas a verdade é que um único erro pode afastar ainda mais uma pessoa da Igreja e de Deus. Obviamente que todos nós, sem exceção, transmitimos má imagem de Jesus, todos os dias, ou não fôssemos imperfeitos. Mas se calhar acabamos por desvalorizar muitas vezes o impacto das nossas ações. Pelo menos falo por mim. Quantas vezes já não contribuí para que os meus irmãos e irmãs em Cristo se afastassem da verdadeira Vida…
Às vezes com a desculpa de que sempre fui assim…

Resta-me orar por este irmão para que perdoe e para que volte ao colo de Quem lhe quer dar vida e vida em abundância. (Jo 1, 10)

sexta-feira, janeiro 18, 2019


Quero ir aonde ninguém quer, Jesus! Que saudades do Bairro do Barruncho…




É com um sorriso rasgado e com os olhos a brilhar que a M. nos recebe na sua casa. A demência não lhe permite ter plena noção de tudo o que faz, mas ela sabe que aquele dia é especial. Há muito que a M. pedia à família para que o padre fosse a sua casa, uma barraca num bairro pobre. Já não conseguia dizer coisa com coisa, mas sabia que o padre estava ali. Só falava crioulo e mal se entendia, mas o seu sorriso dizia tudo.

Este foi dos momentos que mais me marcaram no Bairro do Barruncho, onde entrei pela primeira vez com os Missionários Combonianos. Já lá vão uns anos, mas é impossível esquecer aquela terra de missão, como gosto de dizer. Vivi momentos muito duros, fui a funerais, vi muito sofrimento… Não me esqueço também do frio que se entranhava nos ossos enquanto dávamos explicações às crianças dentro daquelas barracas, onde nenhum ser humano devia viver. Não me esqueço também do esgoto no largo onde as crianças costumavam brincar…

Mas todos esses momentos menos bons não ofuscam o sorriso da M. e de todas aquelas crianças… O Barruncho mostrou-me a beleza de Deus no meio da pobreza, no meio daqueles que ninguém quer e que são estigmatizados e rejeitados pela sociedade. Pessoas como eu e tu… Filhos de Deus, nossos irmãos em Cristo. Pessoas que nos habituamos, mesmo inconscientemente, a colocar do outro lado. Eles e nós… Como se isto fizesse algum sentido…

Foi dos sítios onde mais li a Bíblia na vida de cada irmão em Cristo. Mesmo quando o cansaço quase me derrubava, sentia os braços de Jesus a erguerem-me… Percebia claramente que Jesus me dizia: “É aqui, junto de quem ninguém quer, que te peço ajuda!”

Ainda ontem senti isso ao encontrar a F. no Hospital, onde trabalha. Mais uma vez o meu coração se sentiu apertado de tantas saudades que tenho desses tempos do Barruncho… Mais uma vez disse a Jesus: “Sim, leva-me até quem ninguém quer, aos lugares onde fazes mais falta, aos lugares onde a exclusão social não tem que ter a última palavra…”

Aqui, estou, Jesus! Não sei o que me espera, só sei que essa é a Tua vontade! Senti isso desde o primeiro dia que entrei no Barruncho, senti isso no dia do acidente e sinto cada vez mais a cada dia que passa… Molda-me, como barro, e conduz-me onde precisas da minha ajuda! Ámen.


quinta-feira, janeiro 17, 2019



"Tranquilizai-vos, sou eu. Não tenhais medo!" Mt 14,22-33




Não resisto em partilhar. :) 

"Na nossa vida sempre haverá tempestades, pois as maiores não são as tempestades externas, mas as tormentas interiores. Mas o que não pode acontecer é estarmos sozinhos sem Jesus, sem companheiros de caminhada. A nossa fé sempre será provada, é assim que a gente amadurece, cresce. São tantos fantasmas no caminho, mas não podemos nos enganar e confundir a Deus. O mais importante é reconhecê-lo, manter os olhos fixos no Senhor e clamar a salvação. Ter a coragem de nadar contra maré, assumir o sofrimento e ouvir dos lábios do Senhor as Palavras da salvação: Tranquilizai-vos, sou eu. Não tenhais medo!" P.e Luizinho




sexta-feira, janeiro 11, 2019

O abraço da “senhora incómoda” que cura com amor 

 





Deve ter perto de 70 anos, mas já há alguns que não sabe quem é. É assim a doença… Quem olha para ela diz que é a “maluquinha” e foge dela por ser “incómoda”. A doença mental continua a não ser aceite pela sociedade…

Mas esta senhora não perdeu a noção de um verdadeiro abraço. Chegando ao pé de mim, sorriu, olhou-me cheia de ternura e abraçou-me! Meu Deus, que abraço tão bom, tão puro, tão verdadeiro!

Naquele momento lembrei-me do abraço de um familiar bem próximo, que me devia ter protegido sempre… Tinha 7 anos. Como foi diferente… Apesar da ligação de sangue e do dever de me proteger, abraçou-me de forma fria, forjada. Senti logo que algo estava errado naquele abraço. Rapidamente percebi porquê: estava uma vizinha à janela e convinha passar a imagem de amor e de proximidade para ficar bem na fotografia…

Desde então que sinto dificuldade em abraçar alguém, admito. O meu filho é o único abraço que recebo mesmo de braços abertos. Sei que os outros não têm culpa do que me aconteceu aos 7 anos, mas fiquei sempre com esta dificuldade.

Mas o abraço desta senhora foi o começo da minha cura quanto a esse sentimento de desconfiança permanente de quem me queira abraçar. Percebi que Jesus me abraçava naquele momento através daquela senhora, daquela minha irmã em Cristo, e que me dizia: “Perdoa aquele abraço mal dado, olha em frente e deixa que o amor renasça em Ti. Já te tinha enviado o teu filho para te curar desse abraço, assim como as crianças das missões… Agora enviei mais esta senhora, percebes?”

Jesus é maravilhoso! Resta-me agradecer e pedir-Lhe que me ajude no que resta desta lembrança amarga, para realmente perdoar de todo o coração, tal como gosto de ser perdoada.


quarta-feira, janeiro 09, 2019




E os cuidadores informais, Jesus?




Estava no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, à espera para fazer uma reportagem. Como estava um frio de rachar, fugi para um cantinho da entrada das Consultas Externas. Preparava-me para ler a revista, quando olho para uma senhora, que devia ter 80 ou mais anos, que mal conseguia andar.

Fui ter com ela e enquanto a ajudei a ir até aos elevadores, foi-me contando que estava ali sozinha com o marido, também ele com certa idade. Estava a tentar chegar ao pé dos elevadores, enquanto o marido arrumava o carro. Não tinham ali mais ninguém.

A senhora mal conseguia falar, mas fazia questão de sorrir e de contar a sua história. Teve de parar várias vezes no caminho, porque tinha problemas de coração e as próteses na coluna já não a ajudavam. Precisava mudá-las, mas ninguém a operava por causa do coração.

Naquele momento senti vontade de chorar por estarmos numa sociedade que abandona cada vez mais os idosos, apesar de o envelhecimento da população ser uma realidade bem vincada nos dias de hoje.

Não sei o que se passa com a família dela, mas do muito tempo que passo em unidades de saúde sei que há a possibilidade de esta senhora ter um filho ou uma filha que até gostaria de estar ali a ajudá-la, mas não pode por correr risco de perder o emprego.

É verdade! Há casos de abandono, mas também existem outros deste tipo. Os familiares querem ajudar, mas não podem estar sempre a tirar dias. E no meio desta sociedade de redes sociais virtuais acabamos por viver muito sozinhos, sem redes sociais…

Além de tristeza, senti revolta ao pensar que nunca mais avança o Estatuto de Cuidador Informal. Há dinheiro para tudo, menos para o que é mais importante. E assim continuamos a ver muitos familiares a viver mal por serem obrigados a ficar sem emprego para tomar conta de uma mãe, pai ou filho ou idosos ou pessoas muito doentes que são obrigadas a ir sozinhas ao médico, mesmo que mal consigam arrastar os pés…

Resta-me recorrer a Ti, Jesus! Olha por todas estas pessoas. Dá-lhes força! Quanto aos decisores que podem mudar esta realidade, tira-lhes as escamas dos olhos, para que possam ser mais rápidos quando se trata de políticas sociais! Ámen.  



sexta-feira, janeiro 04, 2019


E quando o desespero é sinal de fé e de amor por Jesus…





Meu Deus, meu Deus porque me abandonaste? Mc 15,33 Para mim, este é o momento em que Jesus mais demonstra a Sua humanidade… É este e quando está no Monte das Oliveiras e, suando sangue, pede ao Pai que afaste aquele cálice. Chega a referir que “a minha alma está numa tristeza mortal”. Mc 14, 34

Naquela hora, Jesus mostra que é próprio de cada homem e mulher desesperar perante muito sofrimento e a morte. Não um desespero sem esperança, porque mostra logo de seguida a Sua entrega Mc 14, 36; mas não deixa de ser um momento de desespero.

Insisto muito nesta questão, porque nunca concebi que desespero tem de ser, sempre, sinónimo de falta de fé e de amor por Deus. Pode ser, sem dúvida. Mas também pode não ser.

Há muitos anos que sofro de ansiedade generalizada e síndrome de pânico. Apesar de o problema estar controlado – há sempre altos e baixos quando se torna crónico - não me esqueço de quando, em pleno sofrimento, me diziam: “É falta de fé.” Só quem sabe o que é um ataque de pânico, o que é a angústia da depressão é que consegue perceber que não é falta de fé.

Nas crises mais fortes era levada de urgência para o hospital e lembro-me que aquelas palavras me feriam o coração. Sei que não era por mal, mas doía. Nesses momentos nunca perdi a fé. Aliás, foi quando me senti mais próxima de Jesus e quando senti que a minha oração era simples, humilde, própria de uma criança.

Por isso peço a Jesus que nos ajude a ver que desespero não tem de ser falta de fé e de amor, mesmo que não compreendamos a reação do nosso irmão ou irmã em Cristo perante o sofrimento. Porque, muitas vezes, o sofrimento é tão atroz, tão profundo, que o simples facto de continuarmos a amar Jesus já é a prova de que esse desespero visível aos outros vem acompanhado de uma grande entrega a Deus.