quinta-feira, janeiro 24, 2019


Um único comentário e … nunca mais voltou à Igreja…




Naquela manhã de domingo fomos à Missa. Para M. era um voltar ao seio da Igreja. Há muitos anos que não ia, porque achava que na Igreja só há hipocrisia e pessoas que vão lá só para cumprir preceito, não se importando com a mensagem de amor e de perdão de Jesus. Por mais que lhe dissesse que não somos todos iguais e que a imperfeição faz parte desta vida, ele não entendia determinados comportamentos.

Mas naquele dia, sem eu estar à espera, pediu-me para ir com ele à Missa. Tudo correu bem, exceto no final… Já estávamos a entrar no carro, quando se ouviu uma senhora a dizer: “Aquela dá sempre nas vistas... Aquela roupa, aquele chapéu nunca passam despercebidos.”

Naquele momento, ele vira-se para mim e diz-me: “Estás a ver! Eu tenho razão. Esta mulher está a sair da Missa e está a gozar com alguém que se vê perfeitamente que tem uma doença mental e que por isso é que se veste assim…”

Naquele momento senti uma enorme vergonha e tristeza. Obviamente que aquele comentário não estava correto… Voltei a relembrar que não somos todos iguais e que todos erramos… Mas para ele foi difícil, principalmente porque também ele sabe o que é gozarem com o seu problema de saúde mental.

Já passaram 4 anos e M. nunca mais voltou à Igreja… Costumamos desvalorizar cada um dos nossos erros, mas a verdade é que um único erro pode afastar ainda mais uma pessoa da Igreja e de Deus. Obviamente que todos nós, sem exceção, transmitimos má imagem de Jesus, todos os dias, ou não fôssemos imperfeitos. Mas se calhar acabamos por desvalorizar muitas vezes o impacto das nossas ações. Pelo menos falo por mim. Quantas vezes já não contribuí para que os meus irmãos e irmãs em Cristo se afastassem da verdadeira Vida…
Às vezes com a desculpa de que sempre fui assim…

Resta-me orar por este irmão para que perdoe e para que volte ao colo de Quem lhe quer dar vida e vida em abundância. (Jo 1, 10)

sexta-feira, janeiro 18, 2019


Quero ir aonde ninguém quer, Jesus! Que saudades do Bairro do Barruncho…




É com um sorriso rasgado e com os olhos a brilhar que a M. nos recebe na sua casa. A demência não lhe permite ter plena noção de tudo o que faz, mas ela sabe que aquele dia é especial. Há muito que a M. pedia à família para que o padre fosse a sua casa, uma barraca num bairro pobre. Já não conseguia dizer coisa com coisa, mas sabia que o padre estava ali. Só falava crioulo e mal se entendia, mas o seu sorriso dizia tudo.

Este foi dos momentos que mais me marcaram no Bairro do Barruncho, onde entrei pela primeira vez com os Missionários Combonianos. Já lá vão uns anos, mas é impossível esquecer aquela terra de missão, como gosto de dizer. Vivi momentos muito duros, fui a funerais, vi muito sofrimento… Não me esqueço também do frio que se entranhava nos ossos enquanto dávamos explicações às crianças dentro daquelas barracas, onde nenhum ser humano devia viver. Não me esqueço também do esgoto no largo onde as crianças costumavam brincar…

Mas todos esses momentos menos bons não ofuscam o sorriso da M. e de todas aquelas crianças… O Barruncho mostrou-me a beleza de Deus no meio da pobreza, no meio daqueles que ninguém quer e que são estigmatizados e rejeitados pela sociedade. Pessoas como eu e tu… Filhos de Deus, nossos irmãos em Cristo. Pessoas que nos habituamos, mesmo inconscientemente, a colocar do outro lado. Eles e nós… Como se isto fizesse algum sentido…

Foi dos sítios onde mais li a Bíblia na vida de cada irmão em Cristo. Mesmo quando o cansaço quase me derrubava, sentia os braços de Jesus a erguerem-me… Percebia claramente que Jesus me dizia: “É aqui, junto de quem ninguém quer, que te peço ajuda!”

Ainda ontem senti isso ao encontrar a F. no Hospital, onde trabalha. Mais uma vez o meu coração se sentiu apertado de tantas saudades que tenho desses tempos do Barruncho… Mais uma vez disse a Jesus: “Sim, leva-me até quem ninguém quer, aos lugares onde fazes mais falta, aos lugares onde a exclusão social não tem que ter a última palavra…”

Aqui, estou, Jesus! Não sei o que me espera, só sei que essa é a Tua vontade! Senti isso desde o primeiro dia que entrei no Barruncho, senti isso no dia do acidente e sinto cada vez mais a cada dia que passa… Molda-me, como barro, e conduz-me onde precisas da minha ajuda! Ámen.


quinta-feira, janeiro 17, 2019



"Tranquilizai-vos, sou eu. Não tenhais medo!" Mt 14,22-33




Não resisto em partilhar. :) 

"Na nossa vida sempre haverá tempestades, pois as maiores não são as tempestades externas, mas as tormentas interiores. Mas o que não pode acontecer é estarmos sozinhos sem Jesus, sem companheiros de caminhada. A nossa fé sempre será provada, é assim que a gente amadurece, cresce. São tantos fantasmas no caminho, mas não podemos nos enganar e confundir a Deus. O mais importante é reconhecê-lo, manter os olhos fixos no Senhor e clamar a salvação. Ter a coragem de nadar contra maré, assumir o sofrimento e ouvir dos lábios do Senhor as Palavras da salvação: Tranquilizai-vos, sou eu. Não tenhais medo!" P.e Luizinho




sexta-feira, janeiro 11, 2019

O abraço da “senhora incómoda” que cura com amor 

 





Deve ter perto de 70 anos, mas já há alguns que não sabe quem é. É assim a doença… Quem olha para ela diz que é a “maluquinha” e foge dela por ser “incómoda”. A doença mental continua a não ser aceite pela sociedade…

Mas esta senhora não perdeu a noção de um verdadeiro abraço. Chegando ao pé de mim, sorriu, olhou-me cheia de ternura e abraçou-me! Meu Deus, que abraço tão bom, tão puro, tão verdadeiro!

Naquele momento lembrei-me do abraço de um familiar bem próximo, que me devia ter protegido sempre… Tinha 7 anos. Como foi diferente… Apesar da ligação de sangue e do dever de me proteger, abraçou-me de forma fria, forjada. Senti logo que algo estava errado naquele abraço. Rapidamente percebi porquê: estava uma vizinha à janela e convinha passar a imagem de amor e de proximidade para ficar bem na fotografia…

Desde então que sinto dificuldade em abraçar alguém, admito. O meu filho é o único abraço que recebo mesmo de braços abertos. Sei que os outros não têm culpa do que me aconteceu aos 7 anos, mas fiquei sempre com esta dificuldade.

Mas o abraço desta senhora foi o começo da minha cura quanto a esse sentimento de desconfiança permanente de quem me queira abraçar. Percebi que Jesus me abraçava naquele momento através daquela senhora, daquela minha irmã em Cristo, e que me dizia: “Perdoa aquele abraço mal dado, olha em frente e deixa que o amor renasça em Ti. Já te tinha enviado o teu filho para te curar desse abraço, assim como as crianças das missões… Agora enviei mais esta senhora, percebes?”

Jesus é maravilhoso! Resta-me agradecer e pedir-Lhe que me ajude no que resta desta lembrança amarga, para realmente perdoar de todo o coração, tal como gosto de ser perdoada.


quarta-feira, janeiro 09, 2019




E os cuidadores informais, Jesus?




Estava no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, à espera para fazer uma reportagem. Como estava um frio de rachar, fugi para um cantinho da entrada das Consultas Externas. Preparava-me para ler a revista, quando olho para uma senhora, que devia ter 80 ou mais anos, que mal conseguia andar.

Fui ter com ela e enquanto a ajudei a ir até aos elevadores, foi-me contando que estava ali sozinha com o marido, também ele com certa idade. Estava a tentar chegar ao pé dos elevadores, enquanto o marido arrumava o carro. Não tinham ali mais ninguém.

A senhora mal conseguia falar, mas fazia questão de sorrir e de contar a sua história. Teve de parar várias vezes no caminho, porque tinha problemas de coração e as próteses na coluna já não a ajudavam. Precisava mudá-las, mas ninguém a operava por causa do coração.

Naquele momento senti vontade de chorar por estarmos numa sociedade que abandona cada vez mais os idosos, apesar de o envelhecimento da população ser uma realidade bem vincada nos dias de hoje.

Não sei o que se passa com a família dela, mas do muito tempo que passo em unidades de saúde sei que há a possibilidade de esta senhora ter um filho ou uma filha que até gostaria de estar ali a ajudá-la, mas não pode por correr risco de perder o emprego.

É verdade! Há casos de abandono, mas também existem outros deste tipo. Os familiares querem ajudar, mas não podem estar sempre a tirar dias. E no meio desta sociedade de redes sociais virtuais acabamos por viver muito sozinhos, sem redes sociais…

Além de tristeza, senti revolta ao pensar que nunca mais avança o Estatuto de Cuidador Informal. Há dinheiro para tudo, menos para o que é mais importante. E assim continuamos a ver muitos familiares a viver mal por serem obrigados a ficar sem emprego para tomar conta de uma mãe, pai ou filho ou idosos ou pessoas muito doentes que são obrigadas a ir sozinhas ao médico, mesmo que mal consigam arrastar os pés…

Resta-me recorrer a Ti, Jesus! Olha por todas estas pessoas. Dá-lhes força! Quanto aos decisores que podem mudar esta realidade, tira-lhes as escamas dos olhos, para que possam ser mais rápidos quando se trata de políticas sociais! Ámen.  



sexta-feira, janeiro 04, 2019


E quando o desespero é sinal de fé e de amor por Jesus…





Meu Deus, meu Deus porque me abandonaste? Mc 15,33 Para mim, este é o momento em que Jesus mais demonstra a Sua humanidade… É este e quando está no Monte das Oliveiras e, suando sangue, pede ao Pai que afaste aquele cálice. Chega a referir que “a minha alma está numa tristeza mortal”. Mc 14, 34

Naquela hora, Jesus mostra que é próprio de cada homem e mulher desesperar perante muito sofrimento e a morte. Não um desespero sem esperança, porque mostra logo de seguida a Sua entrega Mc 14, 36; mas não deixa de ser um momento de desespero.

Insisto muito nesta questão, porque nunca concebi que desespero tem de ser, sempre, sinónimo de falta de fé e de amor por Deus. Pode ser, sem dúvida. Mas também pode não ser.

Há muitos anos que sofro de ansiedade generalizada e síndrome de pânico. Apesar de o problema estar controlado – há sempre altos e baixos quando se torna crónico - não me esqueço de quando, em pleno sofrimento, me diziam: “É falta de fé.” Só quem sabe o que é um ataque de pânico, o que é a angústia da depressão é que consegue perceber que não é falta de fé.

Nas crises mais fortes era levada de urgência para o hospital e lembro-me que aquelas palavras me feriam o coração. Sei que não era por mal, mas doía. Nesses momentos nunca perdi a fé. Aliás, foi quando me senti mais próxima de Jesus e quando senti que a minha oração era simples, humilde, própria de uma criança.

Por isso peço a Jesus que nos ajude a ver que desespero não tem de ser falta de fé e de amor, mesmo que não compreendamos a reação do nosso irmão ou irmã em Cristo perante o sofrimento. Porque, muitas vezes, o sofrimento é tão atroz, tão profundo, que o simples facto de continuarmos a amar Jesus já é a prova de que esse desespero visível aos outros vem acompanhado de uma grande entrega a Deus.



sábado, dezembro 22, 2018


Que o Natal seja mais o amor e a paz de Jesus do que o consumismo vazio deste mundo! 



segunda-feira, dezembro 17, 2018


“Não vos inquieteis com coisa alguma”: Eis o segredo da alegria em Jesus




Ontem cheguei à Missa a sentir-me triste, angustiada, esgotada… Mal entrei na Igreja disse a Jesus: “Hoje estou assim. Sei que é o Domingo da Alegria, mas não consigo senti-la, apesar de ter tanto para te agradecer…” E ali fiquei no meu cantinho, tentando saborear aquele momento de descanso em Jesus…

E, na 2.ª Leitura, lá estava este Jesus maravilhoso a sorrir e a dizer-me: “Alegrai-vos sempre no Senhor. (…) Não vos inquieteis com coisa alguma; mas em todas as circunstâncias, apresentai os vossos pedidos a Deus, com orações, súplicas e ações de graças. E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guardará os vossos corações e os pensamentos em Cristo Jesus.” (Fl 4, 4-7)

Foi aí que percebi. Para me alegrar preciso de NÃO ME INQUIETAR COM COISA ALGUMA. Se já pedi a Jesus, se acredito – e acredito mesmo – que Ele me vai mostrar a melhor forma de lidar com os problemas na vida, porque me continuo a inquietar?

Não basta pedir e  louvar a Deus. Tenho também que parar de sentir o peso de tudo o que está à minha volta, principalmente nos momentos em que ando esgotada e com muito trabalho. Porque é muito fácil, no meio da correria do trabalho e das dificuldades, deixar-me levar pela corrente da inquietação. Muitas vezes faço-o de forma inconsciente, mas a verdade é que essa corrente só me vai conduzir ao abismo. Essa corrente só me vai afastar da alegria de Jesus, da paz de Jesus. Aquela alegria e paz que sentimos mesmo quando tudo cai à nossa volta.

Peço assim a Jesus que me agarre e que me puxe dessa corrente, para que eu não deixe sufocar o Espírito Santo e para que possa, nos momentos bons e maus, ser o rosto de Cristo junto do meu próximo.


sexta-feira, dezembro 07, 2018


Quão puros são os nossos gestos de amor?





Ajudamos o próximo porque amamos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos ou porque assim nos sentimos melhores pessoas?
Será que o nosso gesto de amor é apenas para encher o nosso ego?

Quem me chamou a atenção para isto foi uma irmã, missionária em África durante muitos anos. Ela dizia que, muitas vezes, principalmente no início da nossa caminhada em Cristo, temos tendência a sentir demasiado orgulho do bem que fazemos, como se o talento não fosse dado por Deus.

Desde aquelas palavras comecei a pensar no que fazia. E é verdade: não é por mal, mas cai-se facilmente na tentação de nos acharmos ‘boas pessoas’. Ao longo dos anos fui-me apercebendo desta tendência tão humana – no pior sentido da palavra.

Mas, como ela me ensinou, é preciso aceitar que somos assim, imperfeitos, e entregar a Jesus esta nossa tendência, para que Ele nos molde como barro e nos permita alcançar aquele amor que se dá sem querer que a mão esquerda veja o que fez a direita. (Cf. Mt 6, 1-4)

Além disso, estes podem muito bem ser os primeiros passos de uma entrega cada vez maior a Deus e ao próximo. Por isso, não nos sintamos derrotados ou demasiado tristes se verificarmos que estamos nessa fase e peçamos o Espírito Santo a Jesus para que o nosso amor seja cada vez mais puro. Para que possamos ser cada vez mais o rosto de Jesus neste mundo, onde a solidão – mesmo no meio de uma multidão – é cada vez mais uma realidade.


domingo, dezembro 02, 2018


Uma carta a um sem-abrigo… Um pedido de oração por quem vive à margem




Ali estavas a um canto de uma rua agitada, onde várias pessoas passavam cheias de sacos de compras. Eu própria ia no meu caminho, a pensar no que tinha que fazer, sem reparar em ti. Até que o meu filho me diz: “Mãe, está ali um senhor pobre. É sem-abrigo, não é?”. Foi aí que olhei para ti…

Estávamos a entrar no supermercado e disse ao meu filho que iríamos comprar alguma coisa para te dar. Quando me aproximei apercebi-me do teu olhar vazio, sem esperança, triste. Quando nos viste – principalmente ao meu filho – vi como os teus olhos brilharam. Percebi o quão importante foi veres uma criança a aproximar-se de ti para te entregar um saco. 

Lembrei-me dos tempos dos Missionários Combonianos, quando passei uma semana com a Comunidade Vida e Paz. Tantos como tu andam por aí, ao desnorte. Porque sofrem de doença mental e já não sabem viver em comunidade – alguns são ex-combatentes que sofrem de stress pós-traumático – ou porque perderam tudo num azar da vida ou então porque cometeram erros demasiado graves que os levaram à rua…

Não interessa o que aconteceu. Naquele momento só queria duas coisas: deixar-te uma mensagem de esperança e mostrar ao meu filho que não basta dar um saco, mas também sorrir, dizer uma palavra sempre que possível … Lembra-te do que te disse: “Não desistas! Disseste-me que és um homem de fé, então agarra-te a essa fé, porque Jesus nunca te abandona.”

Nunca mais te vi, não sei onde andas. Só te posso ajudar com oração, por isso entrego a tua história a todos os que me leem, para que a luz da oração te possa guiar. Acredito que cada pedido te vai fortalecer, para que não desistas. Mesmo que tenhas cometido muitos erros, Jesus está de braços abertos, porque, como Ele disse, “não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os enfermos. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores”. Mc 2, 17


domingo, novembro 25, 2018

"Irmã, eu não posso morrer sem ter pedido ao meu pai que me perdoe"


Partilho esta história da Madre Teresa de Calcutá. Meditando sobre as palavras que se seguem, peço a Jesus a graça de saber pedir perdão e de saber recebê-lo todos os dias, para que na hora da morte não tenha de esperar...
"Foi tão importante termos aberto uma casa para receber os doentes com sida, em Nova Iorque. Nunca mais houve um que morresse de tristeza!
Há dias, uma das irmãs telefonou-me para me contar que um dos jovens estava moribundo; mas, por estranho que pareça, não conseguia morrer. Ela perguntou-lhe então: "O que se passa?" E ele respondeu: "Irmã, eu não posso morrer sem ter pedido ao meu pai que me perdoe."
Então, a irmã pôs-se em campo e descobriu onde se encontrava o pai. Quando lhe telefonou, aconteceu uma coisa extraordinária. O pai abraçou o filho e exclamou: "Meu filho! Meu filho muito querido!" E o filho suplicou ao pai: "Perdoe-me! Perdoe-me!" Ficaram assim muito tempo, abraçados. Horas depois, o jovem morria.
Quando percebemos que somos todos pecadores e que todos precisamos de perdão, torna-se fácil para nós perdoar os outros." 
in Rádio Renascença, https://rr.sapo.pt/noticia/62594/dez-historias-da-vida-de-madre-teresa-de-calcuta

domingo, novembro 18, 2018


Jesus, pegaste-me ao colo naquele acidente… Obrigada!





No colo de Jesus, assustada, em pânico. Mas no colo de Jesus… Foi assim que me senti na passada sexta-feira, à noite. Em segundos, o carro capotou e ficou pronto para ir para a sucata. Como ficamos em parte atravessados na estrada, só pedia a Jesus que viesse ajuda, porque o barulho dos carros a passarem a alta velocidade, a passarem por cima dos destroços, era assustador. E se viesse um carro para cima de nós?

Entrei em pânico, apesar de o socorro ter sido rápido. Telefonei a uma amiga que orou comigo. O medo era intenso, a respiração acelerou, mas Jesus continuava a aninhar-me no seu colo. Permitiu que a minha amiga atendesse o telefone, mostrou-me no meio da confusão e sem óculos a medalha com a imagem da Mãe e dos 3 Pastorinhos, deixou-me ver onde tinha o comprimido para o pânico, enviou dois paramédicos da Cruz Vermelha de Aveiras que foram autênticos anjos …

E, mais importante, Jesus colocou no meu coração uma grande certeza: “Ainda não chegou a hora. Preciso de ti para cuidares do teu filho e para as missões, às quais tanto queres voltar.” Esta certeza – que não se explica, sente-se – fortaleceu-me. Quem me via de certeza que achava que não me sentia forte… Mas bem lá dentro, esta certeza ajudou-me a respirar mais calmamente e a cooperar com os paramédicos.

No final, eu e mais duas pessoas saímos com hematomas, mas sem nada partido. Como? Humanamente não se explica. Mas ainda não era a hora, porque essa, como diz a Liturgia de hoje, só Deus sabe… (Cfr. Mc 13, 24-32)

Resta-me agradecer o dom da vida de nós os três e digerir o que aconteceu, relembrando sempre que, mesmo no meio do pânico, Jesus nos pega ao colo… Tal qual um bebé que chora sem parar quando tem cólicas que não passam nem com remédio ou massagens, mas que se sente mais confiante se estiver no colo da mãe ou do pai…


Oração:
Jesus, ajuda-nos a saber que, mesmo quando não parece, Tu estás sempre lá. Seja a nossa hora, ou não, saibamos nesse momento dizer-Te “Amo-Te, meu Deus, mesmo quando tudo se desmorona à nossa volta”. Ámen.

quarta-feira, novembro 14, 2018



“Amei-te com um amor eterno. Por isso, dilatei a misericórdia para contigo.” (Jr 31, 3)



Estas palavras saltaram-me à vista numa brochura da “Palavra de Vida” do Movimento dos Focolares, que estava numa mesa à entrada da Igreja. Naquele momento lembrei-me do tempo em que andei por outros caminhos, fora do amor de Jesus e de como ainda agora, todos os dias, digo como S. Paulo: “pois não é o que quero que pratico, mas o que eu odeio é que faço” Rm 7, 15.

Indo pelo caminho nos meus pensamentos sobre o que faço menos bem, lembrei-me do meu filho de 6 anos. O que faço quando ele se porta mal? Corrijo-o, mas nunca o deixo de amar, aliás, o meu amor por ele nunca para de aumentar a cada dia que passa. Deus é assim: ama-nos com um amor eterno. Por isso dilata a Sua misericórdia para connosco.

Não acho que devamos abusar desse amor e misericórdia. Mas acho que devemos lembrar-nos todos os dias, em todos os momentos, que temos este Deus maravilhoso que nos ama muito e que está sempre de braços abertos para nos receber de novo.

Porque, como Ele nos diz, “mesmo que os vossos pecados sejam como escarlate, tornar-se-ão brancos como a neve” Is 1, 18.


quinta-feira, novembro 01, 2018



Tu sabes tudo de mim! Aceita esta oração tão simples e profunda, meu Jesus!





quarta-feira, outubro 17, 2018


“Fazer mal entre o cálice e a hóstia”:

 Não acreditemos em tudo o que nos dizem!





O que nos ensinam em criança sobre Deus pode marcar-nos durante muito tempo ou até para sempre se não viermos a conhecer a Palavra de Deus. Lembro-me que desde muito pequena me ensinaram que “entre o cálice e a hóstia” – era esta a expressão que utilizavam – se podia pedir para fazer mal a alguém. E não havia grandes hipóteses de “levantar esse mal” – mais uma vez a expressão que utilizavam.

Durante anos vivi aterrorizada com esta ideia e, como estava afastada da Igreja, acabei por acreditar. Admito que havia algo que para mim não fazia sentido. Se é Jesus que está ali, como se podia fazer mal? – perguntei-me a mim própria várias vezes.

Obviamente que esta crença é falsa. Como Jesus disse: “Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, depois de pronunciar a bênção, partiu-o e deu-o aos seus discípulos, dizendo: «Tomai, comei: Isto é o meu corpo.» Em seguida, tomou um cálice, deu graças e entregou-lho, dizendo: «Bebei dele, todos. Porque este é o meu sangue, sangue da Aliança, que vai ser derramado por muitos, para perdão dos pecados.” Mt 26, 26-28


O mal nada pode contra Jesus! Pelo contrário, “fostes resgatados da vossa vã maneira de viver herdada dos vossos pais, não a preço de bens corruptíveis, prata ou ouro, mas pelo sangue precioso de Cristo”. 1 Pd 1, 18-19 

Como esta há outras crenças sem nexo, como não se poder rezar em determinadas horas ou dias santos ou não se pode errar nem uma palavra no Credo… Quem me ensinou tudo isto não o fez por mal, mas, de facto, o melhor é olhar para tudo segundo a Palavra de Deus, porque “toda a Escritura é inspirada por Deus e adequada para ensinar, refutar, corrigir e educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e esteja preparado para toda a obra boa”. 2Tm 3, 17

Peço-Te, Jesus, que ilumines cada um de nós para que nos livremos de crenças falsas que nos podem afastar do Teu Amor e Misericórdia! Inunda com o Teu Preciosíssimo Sangue todos nós que precisamos de nos libertar de ideias falsas para que possamos ser testemunhas fiéis do Teu grande amor neste mundo tão cheio de sofrimento… Ámen.  


terça-feira, outubro 02, 2018


Nunca sabemos se foi a última conversa…
 

Nunca sabemos quando é a última vez que voltamos a ver a pessoa neste mundo tão imperfeito e é bem verdade. Por isso todas as conversas deviam acabar bem, em paz, com um sorriso.

O Rui deixou-nos ontem. Conhecia-o apenas das festas de aniversário de dois amigos, mas era inevitável não perceber a bondade que existia no coração do Rui.

Em mais uma festa, há pouco mais de 1 mês, conversámos muito sobre a sua doença, sobre o cansaço psicológico que acarreta toda a doença crónica e debilitante. Falámos muito de resiliência e, entre piadas, dizíamos que quando caímos temos que obrigatoriamente que nos levantar de seguida, por mais difícil que seja.

Quando me despedi do Rui nessa festa lembro-me de lhe dizer “Força, lembra-te do cair e levantar”. E ele, sorrindo, meteu-se comigo por causa do medo que tenho de andar de avião. “Não custa nada!” Rimos…

Ainda bem que foi assim. Despedimo-nos deste mundo imperfeito – haveremos de nos encontra na Vida que Jesus nos prepara – com sorrisos e com palavras de apoio.

Afinal, como Jesus nos diz, Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.” Mt25, 13 Por isso deveríamos despedir-nos em paz, mesmo que pelo meio tenha havido desentendimentos… Por isso deveríamos aproveitar cada segundo para amar, para pedir perdão e para perdoar…

Jesus, dá o descanso eterno e merecido ao Rui e ajuda-nos, cada dia, a amar, a perdoar e a pedir perdão, porque não sabemos o dia e a hora da partida. E que nesse dia, quando chegarmos ao pé de Ti, sejamos aqueles que, apesar das fragilidades e erros, soubemos aproveitar esta vida para amar (cfr. Mt 25, 31-46). Amén.



segunda-feira, setembro 24, 2018


É possível perdoar a quem te destruiu a vida?





Ainda hoje peço todos os dias para o perdoar de todo o coração. Apesar de a minha mágoa estar mais calma, ainda há achas que precisam de ser apagadas no meu coração para evitar que o fogo se reacenda.

Falo de quem me tratou como uma princesa e de quem me tratou como um saco de boxe. Falo de quem me deu o mais precioso da minha vida: o meu filho. A pessoa que tanto me deu abraços como me deixou marcas de violência física e psicológica.

Desde o primeiro momento em que comecei a ser maltratada pedi a Deus para me ajudar a perdoar. Já lá vão mais de 4 anos e posso dizer que aprendi uma grande lição: perdoar é possível, mas tens de pedir essa graça a Jesus e, muito importante, preservar todos os dias nesta intenção. E consegue-se se falarmos abertamente com Jesus, sendo sinceros e dizendo o que sentimos … Mesmo que esses sentimentos não sejam os mais bonitos…

Aprendi ao longo deste tempo que o perdão vai além das palavras. Quando temos de continuar a contactar com a pessoa, os traumas dos maus-tratos falam muitas vezes mais alto e acabamos por ver que afinal ainda temos muito a perdoar.

Muitos se riem de Jesus por dizer “Amais os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” Mt 5, 43-44, mas Ele sabe que só assim somos mais felizes, que só assim podemos sentir a verdadeira liberdade de espírito. Quantas doenças, principalmente psicológicas, advêm de não aceitarmos este pedido de Jesus…

Por isso, partilho esta oração para que eu e tu possamos ter a humildade necessária para aceitar que Jesus arranque dos nossos corações todas as mágoas que nos impedem de amar quem mais nos magoou.

Jesus, sabes que ainda não perdoei de todo o coração. Eu quero fazê-lo e Tu sabes disso, mas também tens noção que as feridas ainda estão abertas e que enquanto não as sarar não irei conseguir perdoar de todo o coração. Por isso, peço-Te que arranques este coração tão humano – no pior sentido da palavra – e que me dês um novo. Que consiga ser livre no perdão. E não te esqueças de por a Tua mão sobre quem mais me magoou, porque como Tu disseste “Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem.”  Lc 23, 34 Amén



quinta-feira, setembro 06, 2018



Deus é … Amor ou os sapatos engraxados e impecáveis?




Manter os sapatos bem limpos, mesmo em dia de chuva, e correr para o autocarro é a principal lembrança de Bruno quando recorda os tempos em que estudava a Bíblia. Hoje em dia, já pai, diz não ter fé.

O Bruno foi educado como Testemunha de Jeová, mas para este post não interessa se se trata das Testemunhas de Jeová ou da Igreja Católica ou da Evangélica ou qualquer outra. O que quero realçar é a lembrança principal deste homem dos tempos em que ouvia a Palavra de Deus. Ele não se foca no amor e na misericórdia de Deus, mas naqueles momentos de stress.

E é aí precisamente que me questiono: Que imagem de Deus estou a passar ao meu filho? Daqui a uns anos qual será a resposta dele quando lhe falarem de Deus? Será que dou demasiada importância aos aspetos exteriores, deixando para trás a principal mensagem, que é o amor?

Não estou a censurar os pais do Bruno. Acredito que estavam a dar o seu melhor. Mas, de facto, desde que sou mãe que me questiono muitas vezes se estou a fazer o melhor para mostrar ao meu filho quem é realmente Jesus.

Tento não apenas levá-lo à Missa – e como é difícil. Procuro que ele fale com Jesus, agradecendo e contando o que mais o preocupa. Leio histórias da Bíblia para Crianças ao deitar, faço a oração com ele, acordamos com o sinal da cruz… Se damos um saco no Banco Alimentar, digo que, além disso, devemos pedir a Jesus para ajudar todas as pessoas…

Mas esta minha dúvida continua a assolar-me… Que imagem transmito ao meu filho? Será que estou a facilitar ou a impedir que Ele conheça o amor maravilhoso de Jesus?

Enquanto escrevo estas frases, sou obrigada a parar… Jesus como que sussurra, dizendo: “Faz isso e mostra-Me nas tuas obras. Sê cada vez mais santa e não te esqueças de pedir sempre o Espírito Santo.”

 Pois é, pai e mãe, o segredo está aí: Pedir o Espírito Santo, que nunca nos será negado (Lc 11, 13). Admito que iniciei este texto com amargura. Mas termino-o com a certeza absoluta de que, como Santa Mónica, as orações e as lágrimas de uma mãe – e de um pai, também – não passam despercebidas a Deus. Ele está a escutar-nos, mas claro que temos de fazer a nossa parte, dando o exemplo através das palavras mas, sobretudo, das obras de cada dia. Que o Espírito Santo nos purifique e nos ilumine neste caminho!



quinta-feira, agosto 30, 2018




A mudança começa dentro de nós




“Se mudares, tudo muda.” Estas palavras estavam escritas nuns degraus de uma escada de uma rua bem movimentada. Apesar de ir a passo rápido, aquelas palavras ficaram-me na memória. Quantas vezes peço a Deus para que a minha vida mude para melhor? Muitas, para não dizer todos os dias… Mas faço alguma coisa nesse sentido? Se calhar devia colaborar mais com Deus…

Nos últimos tempos tenho sentido muito o peso de ser mãe e pai. Não é nada fácil. E muitas vezes dou por mim a pedir a Deus que esta cruz seja mais fácil de carregar. Mas, ao refletir, vejo que a mudança tem de estar, antes de mais, em mim. Apesar da dura batalha, tenho de mudar e aceitar melhor que a realidade é esta. Devo abraçar a cruz, como Jesus. Aceitar a Sua Vontade e aprender a ter mais paz interior – aquela que só Jesus nos pode dar (Jo 14, 27) –, para que o caminho seja mais fácil.

Costumo sorrir, mas por dentro nem sempre o faço. E a mudança tem de estar aí. Sorrir também por dentro, relembrando que o mais importante é ter o maior tesouro que Jesus me deu: o meu filho. E se ele precisa do meu apoio…

Perante Jesus resta-me dizer: Renova em mim o dom da Fortaleza, mas também o da Sabedoria, para que possa “saborear” esta vida que me deste e que queres que seja em abundância (Jo 10, 10) para mim e para o meu filho. E cura-me desta dor de não ter uma família como tanto desejei. Ámen.



terça-feira, agosto 21, 2018


E o amor verdadeiro entre homem e mulher é isto…




 No outro dia fui fazer uma reportagem a doentes ostomizados (usam um saco para as fezes, após uma cirurgia ao intestino). Falei com um casal na casa dos 70 anos. Com poucos apoios, a mulher era quem tratava de tudo. Exausta, a recuperar de um esgotamento, não deixava de cuidar do marido nem um único dia.

Eles diziam-me que a vida muda radicalmente após a cirurgia. É a muda do saco, os pensos, as idas ao hospital, os sustos, a intimidade, a vida social… Em suma, tiveram de reaprender a viver. Apesar disso tudo, são um casal muito feliz e unido.

Este caso tocou-me. Naquele momento lembrei-me: Até que ponto conseguimos doar-nos assim aos outros, principalmente quando esse outro é aquela pessoa que vive connosco 24h, durante anos?

Enfim, Jesus, ajuda-nos a amar e a glorificar o sacramento do matrimónio! Que não haja rugas, doenças ou tentações que nos levem a terminar com este belo amor. Afinal, “o que Deus uniu não o separe o homem” (Mt 19, 6).