terça-feira, outubro 02, 2018


Nunca sabemos se foi a última conversa…
 

Nunca sabemos quando é a última vez que voltamos a ver a pessoa neste mundo tão imperfeito e é bem verdade. Por isso todas as conversas deviam acabar bem, em paz, com um sorriso.

O Rui deixou-nos ontem. Conhecia-o apenas das festas de aniversário de dois amigos, mas era inevitável não perceber a bondade que existia no coração do Rui.

Em mais uma festa, há pouco mais de 1 mês, conversámos muito sobre a sua doença, sobre o cansaço psicológico que acarreta toda a doença crónica e debilitante. Falámos muito de resiliência e, entre piadas, dizíamos que quando caímos temos que obrigatoriamente que nos levantar de seguida, por mais difícil que seja.

Quando me despedi do Rui nessa festa lembro-me de lhe dizer “Força, lembra-te do cair e levantar”. E ele, sorrindo, meteu-se comigo por causa do medo que tenho de andar de avião. “Não custa nada!” Rimos…

Ainda bem que foi assim. Despedimo-nos deste mundo imperfeito – haveremos de nos encontra na Vida que Jesus nos prepara – com sorrisos e com palavras de apoio.

Afinal, como Jesus nos diz, Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.” Mt25, 13 Por isso deveríamos despedir-nos em paz, mesmo que pelo meio tenha havido desentendimentos… Por isso deveríamos aproveitar cada segundo para amar, para pedir perdão e para perdoar…

Jesus, dá o descanso eterno e merecido ao Rui e ajuda-nos, cada dia, a amar, a perdoar e a pedir perdão, porque não sabemos o dia e a hora da partida. E que nesse dia, quando chegarmos ao pé de Ti, sejamos aqueles que, apesar das fragilidades e erros, soubemos aproveitar esta vida para amar (cfr. Mt 25, 31-46). Amén.



segunda-feira, setembro 24, 2018


É possível perdoar a quem te destruiu a vida?





Ainda hoje peço todos os dias para o perdoar de todo o coração. Apesar de a minha mágoa estar mais calma, ainda há achas que precisam de ser apagadas no meu coração para evitar que o fogo se reacenda.

Falo de quem me tratou como uma princesa e de quem me tratou como um saco de boxe. Falo de quem me deu o mais precioso da minha vida: o meu filho. A pessoa que tanto me deu abraços como me deixou marcas de violência física e psicológica.

Desde o primeiro momento em que comecei a ser maltratada pedi a Deus para me ajudar a perdoar. Já lá vão mais de 4 anos e posso dizer que aprendi uma grande lição: perdoar é possível, mas tens de pedir essa graça a Jesus e, muito importante, preservar todos os dias nesta intenção. E consegue-se se falarmos abertamente com Jesus, sendo sinceros e dizendo o que sentimos … Mesmo que esses sentimentos não sejam os mais bonitos…

Aprendi ao longo deste tempo que o perdão vai além das palavras. Quando temos de continuar a contactar com a pessoa, os traumas dos maus-tratos falam muitas vezes mais alto e acabamos por ver que afinal ainda temos muito a perdoar.

Muitos se riem de Jesus por dizer “Amais os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” Mt 5, 43-44, mas Ele sabe que só assim somos mais felizes, que só assim podemos sentir a verdadeira liberdade de espírito. Quantas doenças, principalmente psicológicas, advêm de não aceitarmos este pedido de Jesus…

Por isso, partilho esta oração para que eu e tu possamos ter a humildade necessária para aceitar que Jesus arranque dos nossos corações todas as mágoas que nos impedem de amar quem mais nos magoou.

Jesus, sabes que ainda não perdoei de todo o coração. Eu quero fazê-lo e Tu sabes disso, mas também tens noção que as feridas ainda estão abertas e que enquanto não as sarar não irei conseguir perdoar de todo o coração. Por isso, peço-Te que arranques este coração tão humano – no pior sentido da palavra – e que me dês um novo. Que consiga ser livre no perdão. E não te esqueças de por a Tua mão sobre quem mais me magoou, porque como Tu disseste “Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem.”  Lc 23, 34 Amén



quinta-feira, setembro 06, 2018



Deus é … Amor ou os sapatos engraxados e impecáveis?




Manter os sapatos bem limpos, mesmo em dia de chuva, e correr para o autocarro é a principal lembrança de Bruno quando recorda os tempos em que estudava a Bíblia. Hoje em dia, já pai, diz não ter fé.

O Bruno foi educado como Testemunha de Jeová, mas para este post não interessa se se trata das Testemunhas de Jeová ou da Igreja Católica ou da Evangélica ou qualquer outra. O que quero realçar é a lembrança principal deste homem dos tempos em que ouvia a Palavra de Deus. Ele não se foca no amor e na misericórdia de Deus, mas naqueles momentos de stress.

E é aí precisamente que me questiono: Que imagem de Deus estou a passar ao meu filho? Daqui a uns anos qual será a resposta dele quando lhe falarem de Deus? Será que dou demasiada importância aos aspetos exteriores, deixando para trás a principal mensagem, que é o amor?

Não estou a censurar os pais do Bruno. Acredito que estavam a dar o seu melhor. Mas, de facto, desde que sou mãe que me questiono muitas vezes se estou a fazer o melhor para mostrar ao meu filho quem é realmente Jesus.

Tento não apenas levá-lo à Missa – e como é difícil. Procuro que ele fale com Jesus, agradecendo e contando o que mais o preocupa. Leio histórias da Bíblia para Crianças ao deitar, faço a oração com ele, acordamos com o sinal da cruz… Se damos um saco no Banco Alimentar, digo que, além disso, devemos pedir a Jesus para ajudar todas as pessoas…

Mas esta minha dúvida continua a assolar-me… Que imagem transmito ao meu filho? Será que estou a facilitar ou a impedir que Ele conheça o amor maravilhoso de Jesus?

Enquanto escrevo estas frases, sou obrigada a parar… Jesus como que sussurra, dizendo: “Faz isso e mostra-Me nas tuas obras. Sê cada vez mais santa e não te esqueças de pedir sempre o Espírito Santo.”

 Pois é, pai e mãe, o segredo está aí: Pedir o Espírito Santo, que nunca nos será negado (Lc 11, 13). Admito que iniciei este texto com amargura. Mas termino-o com a certeza absoluta de que, como Santa Mónica, as orações e as lágrimas de uma mãe – e de um pai, também – não passam despercebidas a Deus. Ele está a escutar-nos, mas claro que temos de fazer a nossa parte, dando o exemplo através das palavras mas, sobretudo, das obras de cada dia. Que o Espírito Santo nos purifique e nos ilumine neste caminho!



quinta-feira, agosto 30, 2018




A mudança começa dentro de nós




“Se mudares, tudo muda.” Estas palavras estavam escritas nuns degraus de uma escada de uma rua bem movimentada. Apesar de ir a passo rápido, aquelas palavras ficaram-me na memória. Quantas vezes peço a Deus para que a minha vida mude para melhor? Muitas, para não dizer todos os dias… Mas faço alguma coisa nesse sentido? Se calhar devia colaborar mais com Deus…

Nos últimos tempos tenho sentido muito o peso de ser mãe e pai. Não é nada fácil. E muitas vezes dou por mim a pedir a Deus que esta cruz seja mais fácil de carregar. Mas, ao refletir, vejo que a mudança tem de estar, antes de mais, em mim. Apesar da dura batalha, tenho de mudar e aceitar melhor que a realidade é esta. Devo abraçar a cruz, como Jesus. Aceitar a Sua Vontade e aprender a ter mais paz interior – aquela que só Jesus nos pode dar (Jo 14, 27) –, para que o caminho seja mais fácil.

Costumo sorrir, mas por dentro nem sempre o faço. E a mudança tem de estar aí. Sorrir também por dentro, relembrando que o mais importante é ter o maior tesouro que Jesus me deu: o meu filho. E se ele precisa do meu apoio…

Perante Jesus resta-me dizer: Renova em mim o dom da Fortaleza, mas também o da Sabedoria, para que possa “saborear” esta vida que me deste e que queres que seja em abundância (Jo 10, 10) para mim e para o meu filho. E cura-me desta dor de não ter uma família como tanto desejei. Ámen.



terça-feira, agosto 21, 2018


E o amor verdadeiro entre homem e mulher é isto…




 No outro dia fui fazer uma reportagem a doentes ostomizados (usam um saco para as fezes, após uma cirurgia ao intestino). Falei com um casal na casa dos 70 anos. Com poucos apoios, a mulher era quem tratava de tudo. Exausta, a recuperar de um esgotamento, não deixava de cuidar do marido nem um único dia.

Eles diziam-me que a vida muda radicalmente após a cirurgia. É a muda do saco, os pensos, as idas ao hospital, os sustos, a intimidade, a vida social… Em suma, tiveram de reaprender a viver. Apesar disso tudo, são um casal muito feliz e unido.

Este caso tocou-me. Naquele momento lembrei-me: Até que ponto conseguimos doar-nos assim aos outros, principalmente quando esse outro é aquela pessoa que vive connosco 24h, durante anos?

Enfim, Jesus, ajuda-nos a amar e a glorificar o sacramento do matrimónio! Que não haja rugas, doenças ou tentações que nos levem a terminar com este belo amor. Afinal, “o que Deus uniu não o separe o homem” (Mt 19, 6). 


quinta-feira, julho 19, 2018



Quando o insulto e a má-língua matam ... 





Bastaram umas palavras mais azedas por telefone para que a Maria (nome fictício) tentasse o suicídio. A depressão já há muito que convivia com ela. A vida há muito que tinha deixado de fazer sentido.

Naquele dia, bastou umas palavras mais azedas ao telefone, para que a Maria sentisse o mundo a desmoronar-se. Dessas palavras que supostamente não passavam de um pequeno atrito entre duas pessoas conhecidas passou-se à tentativa de suicídio. Graças a Deus, a Maria está recuperada e medicada e já não pensa em morrer. Bem pelo contrário, agarrou-se como nunca à vida depois daquele dia.

Esta história bem real levou-me a pensar nas vezes que eu já “matei”, através de palavras. Um dos mandamentos de Deus é “Não matarás” (Ex 20, 23). Geralmente associa-se este mandamento aos homicídios e até ao suicídio. Mas, na verdade, o matar pode ser simplesmente o insulto e a má-língua.

Nunca sabemos como está a pessoa que estamos a insultar. Nunca sabemos se os nossos gritos e as nossas palavras mais feias não irão provocar um tsunami na outra pessoa que já está demasiado fragilizada por causa das agruras da vida.

Graças a Deus, nem todas as pessoas que são insultadas tentam o suicídio. Mas essas palavras podem provocar muitas feridas, contribuindo para a baixa-autoestima e para a pessoa se sentir menos amada.

Eu sei, não é fácil deixar de cair neste erro. Facilmente abrimos a boca para insultar, quer seja no trânsito caótico, nos transportes onde não cabe mais ninguém, na fila do supermercado quando nos passam à frente, quando nos insultam … Dar a outra face sempre foi muito difícil …

Como se pode mudar isto? Com muita oração, pedindo a Jesus a graça de nos contermos nas palavras. Por isso, peço:

Jesus, cura-nos deste nosso jeito de insultar e de não amar os nossos irmãos. Ajuda-nos a ter vontade para iniciar esta mudança na nossa vida. Quando cairmos – sabes que vai acontecer -, agarra-nos, levanta-nos e ajuda-nos a recomeçar e a pedir perdão a quem magoámos e a Ti, através do sacramento da Reconciliação. Ámen.



segunda-feira, julho 16, 2018


Santos à porta de casa e ... sem copy/paste!




É ou não verdade que nos sentimos bem quando olhamos para os pais que dão o seu amor pelos filhos, deixando tantas vezes o descanso para segundo plano para poderem conjugar o trabalho – que dá o pão-nosso de cada dia – com momentos de brincadeira e de carinho ? Ou quando olhamos para a senhora de 90 anos que, apesar de as pernas estarem fracas, continua a caminhar e a sorrir para os vizinhos? 

Estes são alguns exemplos que mostram que todos nós, SEM EXCEÇÃO, somos chamados por Deus à santidade. “Sede santos, como Eu sou santo.” (1 Ped 1, 16). Já muitas vezes havia escutado esta passagem, mas este sábado ganhou outro significado, num encontro da Canção Nova, na Igreja da Divina Misericórdia, em Odivelas.

O Padre Toninho lembrava-nos a última exortação apostólica do Papa, “Alegrai-vos e exultai!”, recordando o principal chamamento de Jesus, antes de sermos consagrados ou leigos: ser santos. Como ele nos dizia, ser santo não significa ser perfeito, mas tentar todos os dias seguir Jesus, refletindo nos nossos erros, lutando para sermos mais cristãos, quer seja nos bons ou nos maus momentos.

Jesus sabe que somos imperfeitos, mas pede-nos esta constância e esta luta diária para sermos reflexo de Cristo no mundo, ou seja, “santos ao pé da porta”, apesar das imperfeições. Para isso relembremos as palavras do Papa, para não entrarmos numa de “copy-paste”:

“«Cada um por seu caminho», diz o Concílio. Por isso, uma pessoa não deve desanimar, quando contempla modelos de santidade que lhe parecem inatingíveis. Há testemunhos que são úteis para nos estimular e motivar, mas não para procurarmos copiá-los, porque isso poderia até afastar-nos do caminho, único e específico, que o Senhor predispôs para nós. Importante é que cada crente discirna o seu próprio caminho e traga à luz o melhor de si mesmo, quanto Deus colocou nele de muito pessoal (cf. 1 Cor 12,7), e não se esgote procurando imitar algo que não foi pensado para ele.”

Esta santidade nos bons e maus momentos começa por pequenos gestos, como nos diz o Papa. “Uma senhora vai ao mercado fazer as compras, encontra uma vizinha, começam a falar e… surgem as críticas. Mas esta mulher diz para consigo: «Não! Não falarei mal de ninguém». Depois, em casa, o seu filho reclama a atenção dela para falar das suas fantasias e ela, embora cansada, senta-se ao seu lado e escuta com paciência e carinho.”

Neste encontro, em frente ao Santíssimo, pedimos esta graça: Jesus dá-nos paciência, oração e silêncio para discernirmos o que devemos mudar e o que devemos reforçar para sermos santos e levar os irmãos a conhecer este Deus maravilhoso!

Se lutamos por tanta coisa supérflua, porque não o fazemos também para sermos já santos aqui neste mundo, a fim de termos a Vida Eterna que Jesus nos tem para dar? Gostámos de conhecer Jesus, então levemo-Lo aos nossos irmãos!


terça-feira, julho 10, 2018


A verdadeira fé não nos afasta do mundo real. Jamais!




Estive a ler umas palavras de um psicólogo que comentava a importância da fé e da religião por causa das crianças e do treinador que ficaram presos na gruta. Ele dizia que até pode ajudar mas tem um senão, que é o facto de afastar as pessoas da realidade concreta. Este comentário surgiu por causa de o treinador ter recorrido à ajuda da meditação para que o grupo ultrapassasse aqueles momentos indescritíveis de sofrimento.

Mas este psicólogo errou e só demonstrou um mito/estereótipo que ainda perdura na nossa sociedade e que deve ser esclarecido: A verdadeira fé não nos afasta do mundo real. Jamais!

Não me focando no Budismo – que é mais visto como filosofia de vida e não como religião por muitas pessoas -, como cristã católica vou falar do exemplo de Jesus e de como Ele jamais nos pediu para nos alienarmos da realidade em que vivemos.

Jesus diz-nos, antes de mais, que veio para que “tenhamos vida e vida em abundância” (Cf. Jo 10,10). Quer que vivamos alegres em todo o momento, dando graças a Deus por tudo! (Cf. 1 Ts 5, 16-17) Mas também nos diz: “No mundo, tereis tribulações; mas, tende confiança: Eu já venci o mundo!” (Jo, 16, 33)

Jesus mostra-nos, por palavras e com o seu exemplo de sofrimento na vida e na cruz, que ter fé e acreditar em Deus não é viver alienado e negar o que se passa. Pelo contrário, é ter uma noção exata das coisas más, para das mesmas retirarmos coisas boas.

Mesmo quando a realidade nua e crua nos parece esmagar, Ele lembra-nos: “E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos” (Mt 28, 20). Tal como dizia o apóstolo S. Paulo: “Em tudo somos atribulados, mas não esmagados; confundidos, mas não desesperados; perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não aniquilados.” (2 Co 4, 8-9

Muito poderia escrever sobre exemplos concretos de como a fé não nos afasta da realidade concreta deste mundo. Mas basta recordar que Jesus nos pediu para nos amarmos uns aos outros como a nós mesmos, o que implica estar atento ao nosso próximo, que é quem tem fome, quem tem sede, quem está nu, doente, na prisão … (Cf. Mt25, 31-46)



quarta-feira, julho 04, 2018



E quando a ira destrói tudo …




“Felizes os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus!” (Mt 5, 9) Estas palavras de Jesus levam-me a pensar naqueles momentos em que só nos apetece gritar e mandar tudo “à fava”, como se costuma dizer.

De facto, como cristãos devemos ser pacíficos, porque assim é o coração de Jesus: manso e humilde. E Jesus bem nos mostra como a mansidão e a humildade são a melhor resposta a todas as situações da vida, principalmente nas mais tempestivas.

Mas bem sabemos que nem sempre é fácil e como é difícil manter esta mansidão quando em casa não há paz, quando o desemprego dificulta o pagamento da renda da casa ou a compra de comida… Quando são injustos com os nossos filhos – mãe e pai têm o coração na boca, quando após muito empenho o patrão berra connosco sem nos dar qualquer valor…

O gatilho para a ira pode estar nas coisas mais comuns da vida: cansaço, doença, alterações hormonais no caso da mulher, problemas antigos mal resolvidos, no perdão que ainda não concedemos a nós próprios e aos outros…

E, em segundos, explodimos e acabamos por nos deixar levar por sentimentos que são tudo menos cristãos. Além de mancharmos o nome de Jesus, apenas ficamos com mais problemas.

A solução? Oração, oração, oração. Pedir muito o Espírito Santo ao longo do dia e, sobretudo, quando percebemos que o gatilho da ira se aproxima. Pedir muito a Jesus que nos ajude a ter autodomínio, um dos frutos do Espírito Santo (Gl 5, 22-23).

E se cairmos e não conseguirmos controlar a ira? Reconheçamos que fizemos asneira, peçamos perdão a quem magoámos e também a Deus, recorrendo ao sacramento maravilhoso da Reconciliação, onde Jesus nos espera de braços abertos.


Não é fácil – falo por experiência própria - mas se não desistimos de nos aperfeiçoarmos em coisas triviais e efémeras, porque não podemos colocar o mesmo empenho na luta pela felicidade já aqui neste mundo e na vida eterna que nos aguarda?



sexta-feira, junho 29, 2018




Testemunho na prisão: “Jesus é fantástico!”




“Jesus é fantástico!” A frase foi dita vezes sem conta pelo Padre Dâmaso, conhecido como o “padre das prisões”. Faleceu recentemente aos 87 anos, mas a sua marca vai ficar por muito mais tempo nos corações de muitos reclusos e ex-reclusos.

Este homem de Deus nunca parou de mostrar a verdadeira imagem de Jesus: um Deus misericordioso que ama e que luta pela salvação – física, psicológica e espiritual – de todos nós, mesmo se cometemos um ou vários crimes.

No outro dia tive acesso a um testemunho de um recluso que conviveu com o padre e que agradecia por ele o ter ajudado e a outros “a chorar os nossos erros mas sem deixar de viver na esperança”. Continuando, relembra que o Padre Dâmaso lhe relembrava que “só há um Deus, o Deus do amor, do perdão e que nunca nos abandona, procurando-nos sempre”.

Este é um testemunho de alguém que cometeu um crime e que ainda está atrás das grades e que, na minha singela opinião, deve fazer-nos refletir. Até que ponto conseguimos transmitir esta imagem – a que é realmente verdadeira – de Deus? Se calhar até o fazemos com quem achamos que “se porta bem”. Mas será que o fazemos com quem já cometeu graves erros na vida?

Quando falo em erros graves não tem de ser obrigatoriamente daqueles que nos levam a tribunal e a uma prisão. Um erro grave pode ser simplesmente fechar os olhos perante uma mulher, nossa vizinha, que é maltratada pelo marido e a quem nunca damos a mão … Se for preciso até a condenamos, dizendo que “se calhar gosta de levar porrada” …

Que o exemplo deste padre nos leve a refletir e a meditar nas nossas próprias ações e na maneira como mostramos Jesus aos outros, independentemente dos erros cometidos ao longo da vida para que o nosso testemunho seja o de que Jesus é fantástico…

Como Ele próprio nos diz: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os enfermos. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.” Mc 2, 17


sexta-feira, junho 08, 2018



Que imagem de Jesus deixo refletir na minha vida?





Uma amiga contou-me uma história que me deixou triste, como cristã católica. E que nos deve levar a pensar na imagem que passamos de Jesus. Não falo dos erros que todos cometemos, mas daquelas falhas de amor que não devem ter justificação, se é que me entendem…

Esta amiga esteve recentemente em países onde há muitos budistas. Conviveu com uma cultura muito diferente da nossa, mas uma imagem ficou bem marcada no seu coração: A forma como as pessoas se ajudavam umas às outras. Por exemplo, às 5h30 da manhã vão para a rua distribuir comida aos monges que, por sua vez, a dividem com as crianças e famílias mais pobres.

Quando me falou disto, lembrou-se do que se tinha passado numa peregrinação que fez a pé a Fátima. Dessa vez, apesar de se ir em oração, houve quem tivesse reservas em deixar um outro peregrino, que caminhava sozinho, comer no mesmo local. A razão prendia-se com a logística, porque não se contava com o prato dele… Graças a Deus, tudo se resolveu e obviamente que aquele peregrino comeu com o grupo e a maioria do grupo não levantou problemas.

Com estes exemplos, questiono-me: Até que ponto, cada um de nós que nos dizemos cristãos, somo-lo de facto? Até que ponto deixamos a Palavra de Deus ser Vida em nós?

Jesus diz em Mt 25 que seremos julgados pelo amor ao próximo, como dar de comer e de beber a quem tem fome e sede… Mas depois acabamos por viver, muitas vezes, como não cristãos, não humanos, escondemo-nos nos nossos próprios interesses, fechamo-nos em regras que são tudo menos humanas e cristãs.

Não entendam este post como um julgamento, mas como uma reflexão para todos – inclusive para mim própria – sobre a imagem que passamos de Jesus e façamos como aquela mulher muito pobre que, após receber uma tigela de arroz da Madre Teresa de Calcutá, foi dividi-la com a vizinha, porque valia mais cada uma ter pouco do que só uma ter tudo e a outra não ter nada.

segunda-feira, junho 04, 2018


Satanismo? Até aí Jesus te vai buscar para te amar!




Testemunho de Isabel Margarita Rojas Leiva, do Chile, dos Missionários Leigos Consagrados no Espírito Santo, no decurso de uma das suas missões em Espanha.

“Um certo dia, o meu bispo enviou-me pela primeira vez a uma prisão de jovens. Quando estava com eles, comecei a tocar guitarra. Aproximaram-se todos e formaram um círculo à minha volta, juntando as suas vozes à minha, excepto um jovem que ficou sempre no seu canto.

Quando os cantos terminaram, dirigi-me a ele, mas apenas me tinha aproximado, ele disse:
-Não se aproxime de mim! - vendo a minha surpresa disse de novo:
-Não se aproxime, eu sou mau. E mostrou-me uma tatuagem de Satanás nas costas.
Nesse momento, sem saber porquê tive a ideia de lhe perguntar:
-Diz-me, quando foi que a tua mãe te beijou pela última vez?
-Não o fez nunca - respondeu, e rompeu em soluços.
-Posso beijar-te?
Não sei porque lhe disse isso, pois eu tinha uma certa repugnância. Mas, apesar disso beijei-o. Depois falámos durante muito tempo sobre o amor de Deus. Quando chegou o momento da despedida, ele disse-me:
- Se me ama verdadeiramente, dê-me a cruz que traz ao peito!

Devo confessar que este pedido me causou um aperto no coração. Esse crucifixo tinha, para mim, um grande valor sentimental porque era a ultima recordação que conservava da minha falecida mãe. Mas senti que Deus me pedia esse sacrifício e, inspirando profundamente, respondi:
-Eu amo-te; toma-o fica com ele!

Despedimo-nos e depois perdemo-nos de vista. Sete anos mais tarde, encontrei-o no decurso de uma outra missão. Ele já tinha saído da prisão. Com a cara transfigurada e radiante de alegria, aproximou-se de mim e disse-me:
-Lembra-se de mim, Isabel? Conhecemo-nos na prisão. Ofereceu-me este crucifixo. Depois baptizei-me! Agora pertenço à Igreja e recebo regularmente os sacramentos.

Não consigo descrever a alegria que senti nesse momento. Compreendi então que a Misericórdia Divina é infinita. Os milagres acontecem quando nos abrimos à Misericórdia Divina. Quando nos damos sem esperar nada.”

Fonte: Notícias de Medjugorge. Foi publicado na revista Mensageiro da Divina Misericórdia, distribuída pela Paróquia de Odivelas.

domingo, maio 20, 2018


Vem, Espírito Santo! Renova-nos, faz-nos viver em abundância!






Jesus disse que enviaria o Espírito Santo e assim foi no dia de Pentecostes. Os discípulos estavam reunidos no Cenáculo em oração. Estavam confusos. Já não sabiam o que pensar. Não conseguiam compreender bem o que Jesus lhes tinha dito. A sua vida estava como que parada. Não sabiam o que fazer, como sair daquela situação. Viviam fugidos, apavorados com o presente e o futuro.
Mas continuavam a orar, apesar de não verem nada, a não ser obstáculos, obstáculos ... E naquela oração aconteceu o que Jesus lhes havia prometido: enviou o Espírito Santo. Um Espírito de Amor, Paz, Fortaleza …

E o que aconteceu?


Deixaram de ter medo, passaram a compreender o que Jesus lhes havia dito e o que Jesus lhes pedia para a Sua vida, ou seja, qual era a sua vocação. Precisavam do Espírito Santo para realmente verem, escutarem, falarem, agirem conforme a Palavra . Enfrentaram perseguições, o gozo dos outros, doenças, a morte dos amigos por serem apenas cristãos … Mas o medo e o desânimo já não os oprimia. Entregavam tudo para a maior glória do Pai. Quando o medo queria voltar, oravam e pediam para que Jesus enviasse o Espírito Santo para a maior glória do Pai.

E o que temos a ver com isto?

Tudo! Somos homens e mulheres como eles eram. Temos medo, receios, o desânimo ataca-nos muitas vezes. As perseguições, o sofrimento, a doença são muitas vezes uma tormenta. Então sigamos o seu exemplo e continuemos a orar – mesmo sem nada ver – e peçamos o Espírito Santo. Para que, tal como os discípulos, nos tornemos apóstolos e vivamos a vida em abundância que Cristo nos quer dar ( Cfr. Jo 10, 10). Para que, tal como a eles, o Espírito Santo nos ilumine e nos fortaleça quando o medo quer voltar e quando as preocupações querem ocupar o centro da nossa vida, que deve ser guardado apenas para Cristo.

sexta-feira, maio 11, 2018


Até que ponto investimos na vida para que alguém peça a eutanásia?




Numa entrevista que fiz há uns dias, o entrevistado contava-me que tomou conhecimento de um caso de um doente, num país nórdico, que, após mudança de terapêutica deixou de pedir a eutanásia. Isto deveria interpelar-nos. Esta pessoa apenas precisou mudar a medicação para ver que podia morrer naturalmente, sem sofrimento. Sim, felizmente, já há forma de a pessoa morrer sem ter um sofrimento atroz. Basta para isso ter acesso a Cuidados Paliativos e a profissionais de saúde capacitados para o ajudar.

Outra história bem real. O cientista David Goodall pediu para morrer aos 104 anos, porque sentia as suas capacidades a deteriorem-se e já não aguentava mais ver-se assim. Quando li a notícia lembrei-me de imediato de uma coisa: Quando uma pessoa mais nova diz que não aguenta a vida que tem, costuma-se procurar ajuda psiquiátrica, porque as suas palavras demonstram que está com uma depressão. Isso aconteceu no caso do David Goodall? Não. Será que foi por ser velho e um "fardo"?

Admito que tenho muito receio de uma lei da eutanásia. Não se trata apenas de ser cristã católica e acreditar que Deus é quem decide quando devemos partir. Há uma questão que vai além de qualquer crença: o facilitismo com que este tipo de leis poderá levar ao “descarte” dos mais velhos e dos “menos capacitados”. Sinto que estamos a voltar aos tempos em que as crianças com deficiência eram mortas à nascença…

Volto a frisar, há maneira de morrer com dignidade e com menos sofrimento, se se tiver acesso a Cuidados Paliativos. Não estou a defender – fique bem claro – a distanásia, ou seja, o prolongamento da terapêutica quando já não faz sentido.

Perante tudo isto há uma questão que também não consigo deixar de fazer aos políticos e a cada um de nós, a mim, a ti, a todos. Quantas vezes lutámos pelos Cuidados Paliativos e por medidas de apoio aos mais fragilizados, para que não pedissem para morrer? Quantas vezes dedicámos o nosso tempo para que a pessoa ao nosso lado se sentisse amada no sofrimento?
Pessoalmente, admito, não o fiz as vezes necessárias… Se calhar todos somos culpados, de alguma forma, por se estar a discutir esta lei …


segunda-feira, abril 30, 2018


“Não tenhas medo da santidade. Não te tirará forças, nem vida, nem alegria” – Papa Francisco





Partilho duas meditações da última Exortação Apostólica “Gaudete et Exsultate” do Papa Francisco, que nos impele a ser santos, quer seja como consagrados ou leigos - “Sede santos, porque Eu sou santo” (Lv 11,45;cf 1 Ped 1,16).

“Cada um por seu caminho. Por isso uma pessoa não deve desanimar quando contempla modelos de santidade que lhe parecem intangíveis. Há testemunhos que são úteis para nos estimular e motivar, mas não para procurarmos copiá-los, porque isso poderia até afastar-nos do caminho, único e específico, que o Senhor predispôs para nós. Importante é que cada crente discirna o seu próprio caminho e traga à luz o melhor de si mesmo, quanto Deus colocou nele de muito pessoal (cf 1 Co 12,7).” (11)

“Não tenhas medo da santidade. Não te tirará forças, nem vida, nem alegria. Muito pelo contrário, porque chegarás a ser o que o Pai pensou quando te criou e serás fiel ao teu próprio ser. Depender d’Ele liberta-nos das escravidões…” (32)



sexta-feira, abril 13, 2018


A revolta contra Deus pode estar numa dor muito forte




Como cristãos nem sempre nos lembramos que pode haver uma razão muito forte para não se acreditar em Deus. Penso que seja importante estar atento e perceber a razão dessa não crença, porque podemos estar perante uma dor muito grande.  

Recordo-me de um colega de trabalho que meteu conversa comigo por causa da cruz de madeira que trago ao peito. Começou logo por me atacar: “Então és daquelas que acreditas naquelas ideias parvas de que existe Deus?” A maneira agressiva com que disse aquelas palavras deixou-me a pensar. Não lhe tinha dito nada, mal nos conhecíamos, porque estava a trabalhar nessa empresa há muito pouco tempo. Por que me estava a atacar?

Num misto de calma e de angústia de quem não sabe o que fazer, disse: “Sim, acredito em Jesus Cristo!” Nesse dia não me disse mais nada, mas como tivemos que sair em reportagem, ele acabou por falar novamente comigo por causa da cruz.

Tentei explicar como acho o exemplo de Jesus maravilhoso e como sou feliz assim. Nessa questão, ele concordou. Jesus é maravilhoso.

Mas a raiva com que ele falava continuava a fazer-me confusão e lembrei-me dos tempos em que andei afastada da Igreja, quando também eu a atacava por me sentir magoada com o mau exemplo de uma pessoa muito próxima. Tentando manter a calma, continuei a conversa, deixando claro que respeitava o que sentia.

E foi aí que ele me disse: “Pelo menos, não tentas impor nada!” E começou a contar que a sua maior dor e revolta contra Deus, a Igreja e a religião estava na morte injusta do pai. O pai tinha morrido de cancro, num enorme sofrimento, por causa da exposição a materiais cancerígenos no local de trabalho. E a pergunta que ele levava dentro dele há uns anos era: “Se Deus existe, porque permitiu que o meu pai, homem tão bom, morresse daquela maneira?”

Quis partilhar esta história para que cada um de nós tente ver mais além a razão da descrença de cada um. Admito que não foi fácil conversar com ele, pois estava sempre a atacar-me sem lhe ter feito nada. Senti-me muito insegura e perdida e era muito grande a vontade de gritar “Podes respeitar a minha crença?” e deixá-lo a falar sozinho.

Que Jesus o ajude, que ele encontre a Paz de Cristo no meio daquela dor e que o Espírito Santo fale por nós nestas situações!

sexta-feira, abril 06, 2018



Aceitemos o abraço de Jesus este domingo! Mesmo que os erros sejam muito graves!





É já este domingo! Aproveitemos esta graça, vamos à confissão e aceitemos o abraço de Jesus, mesmo que os nossos erros sejam graves! 


“Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pobres pecadores. Neste dia estão abertas as entranhas da Minha Misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre aquelas almas que se aproximam da fonte da Minha Misericórdia. A alma que for à confissão e receber a Sagrada Comunhão obterá remissão total das culpas e das penas. Nesse dia estão abertas todas as comportas divinas, pelas quais se derramam as graças. Que nenhuma alma receie vir a Mim, ainda que os seus pecados sejam tão vivos como escarlate…
Palavras de Jesus a Santa Faustina