
sinto ainda tão pequenino diante da missão que o Senhor me confia! São tantos os desafios, são tantos os sinais de esperança e de beleza deste povo... mas também muitos os "gritos" de sofrimento! Há alguns dias fui visitar um dos nossos catequistas a Besakõya. Apercebi-me que havia um ambiente de luto na sua propriedade. Depois das saudações iniciais a cada uma das pessoas assentadas em esteiras... o catequista deixa sair estas palavras que me chocam e provocam:
"Mon Père, nous sommes en train d'enterrer nos enfants comme on enterre le maïs" - "Padre estamos a enterrar as nossas crianças como se enterra o milho".
A expressão é demasiado forte mas manifesta a dura realidade da mortalidade infantil, que a nível oficial é de 20%, mas que na realidade atinge, em muitas famílias, os 50%. Em três dias esta família perdeu 3 das suas crianças (netos). As causas são variadas: mal nutrição, paludismo, anemia... mas mais que uma análise "fria da realidade", mesmo se importante, fica a
interpelação humana e a questão do valor destas vidas ainda tão frágeis ... lançadas prematuramente como sementes à terra! E são tantas! São tantas as histórias de vidas tão breves, com tantas páginas que ficam "definitivamente" em branco e a maior parte das vezes por tão pouco! E portanto, também elas tinham direito à vida e à vida em plenitude.
O Santo Padre na sua mensagem para o dia mundial das missões que se celebra hoje diz: "A Igreja não age para estender o seu poder, ou para afirmar a sua dominação, mas para levar a todos Cristo, Salvação do Mundo. Nós não pedimos nada mais que de nos meter ao serviço da humanidade e especialmente daquela que sofre mais, e que é a mais marginalizada."
Cada um de vós pela vossa presença, sensibilidade e amizade pertence a esta família missionária que continua este serviço à humanidade que nas periferias do nosso mundo, sob o risco do esquecimento, luta corajosamente pela Vida.
Que o Deus desta Vida sagrada nos mostre sempre o Caminho e pelo seu Espírito nos fortifique, abençoe e proteja nesta missão.
Um abraço com amizade
P. João Costa (missionário comboniano)









Nunca é demais relembrar ...



























