domingo, março 27, 2011
terça-feira, março 15, 2011

A confusão em dias de greve de transportes é enorme. O autocarro estava a abarrotar e éramos autênticas «sardinhas em lata». Um senhor, que ia ao meu lado, tombou e desmaiou. Lá conseguimos sentar o senhor e chamar a ambulância. O autocarro parou e ajudamo-lo a sair e a sentar-se no banco da paragem.
O problema é que ninguém quis ficar com o senhor. Fiquei atónita. Estávamos todos atrasados, mas aquele senhor estava mal! Não tinha ninguém ali! Acabei por sair do autocarro e ficar à espera da ambulância. Vim a saber que o senhor tem um tumor na garganta, piorou nos últimos tempos e vai ser operado para a próxima semana.
Este episódio fez-me pensar nestas questões e que podem servir de mote para esta Quaresma:
- A quem é que não dou esta atenção, desprezando o próximo, ou seja, Jesus? Não é falsa modéstia da minha parte, acreditem. Todos nós erramos quando se trata de nos doarmos aos outros. E as maiores faltas são muitas vezes com aqueles que estão mais próximos de nós e que exigem uma maior entrega, noites mal dormidas, mais paciência … É bom pensar nisto, porque onde achamos que nunca vamos errar, é quando, por vezes, erramos mais …
- Jesus diz: “Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?” Lc 11,13 Será que O pedimos todos os dias e várias vezes ao dia, principalmente nas situações de maior tentação?
- Independentemente de sermos crentes ou não, para aonde caminhamos como sociedade, se continuamos a agir apenas em função de nós, sem pensarmos nos outros?
Apesar de tudo, tal como Jesus, tiremos o bem do mal e pensemos neste episódio como uma forma de melhorarmos a nossa caminhada quaresmal. Rezemos por situações como esta, pensemos nos momentos em que não nos conseguimos doar aos outros e os desprezamos (desprezando, portanto, Jesus) e oremos por este senhor que tanto precisa da nossa oração.
E não nos esqueçamos do que é ser cristão: “"Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros; que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei. Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros."
Jo 13, 34-35
sexta-feira, março 11, 2011
1. Ao receber a “quadragésima.com” o blogger deve reflectir na sua relação com Deus e descobrir uma frase bíblica que a defina
1.1- só se admitem frases retiradas, com citação, da Bíblia;
1.2- as frases devem ser o mais curtas possíveis;
Assim, a Fa do Partilhas em Fá Menor convidou-me para a frente “Adão”, e eu convido o Confessio XXI a dar-lhe continuidade.
Obrigado por aceitares a "quadragésima.com". As frases:
“E tu, quem dizes que Eu sou?” Mc 8, 28 - Confessionário dum padre
Frente Adão
Frente Adão
quinta-feira, março 03, 2011

“Não vos inquieteis pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã a si mesmo trará seu cuidado. Basta a cada dia a sua própria aflição.” (Mt 6,24-34)
Qual é o segredo? Foram os minutos (poucos) que passei com Jesus Exposto, numa capelinha perto do meu emprego. Como foi bom estar com Ele! Simplesmente estar. Sem grandes conversas ou mesmo sem conversas. Estava ali com Ele a louvá-Lo e a deixar-me embalar pelo Seu olhar e pelo Seu convite:
“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei.” (Mt 11, 28)
“Entrega todas as tuas preocupações ao Senhor; Ele tomará conta de ti.” (Sl 54, 23)
E, no final, lembrei-me das palavras da irmã Maria José no último retiro de silêncio: “Independentemente do que se sinta na oração, os seus frutos vão ver-se, sobretudo, no nosso dia-a-dia.” É verdade. A beleza da oração, ou seja das palavras que dizemos, do silêncio que fazemos para O escutar, vivem-se no meio do mundo, onde impera o ruído e a agitação.
Pode parecer estranho ser assim: sentir a paz interior no meio do barulho. Mas, não nos esqueçamos que Ele sabe do que precisamos. Ele sabe que para enfrentar tudo nesta vida e para caminharmos com Ele, precisamos, antes de mais, de paz.
“Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não é à maneira do mundo que eu a dou.” (Jo 14, 27)
sexta-feira, fevereiro 11, 2011
Era hora de ponta. O Metro estava cheio e, como é habitual, a maioria das pessoas tem um ar cansado, pesaroso, próprio de quem trabalhou durante várias horas e tem de ir para casa trabalhar ainda mais. Cada uma daquelas pessoas tem um a história de vida, muito própria. E se há vidas bem difíceis …
No meio da correria e de tentar chegar depressa ao autocarro, um senhor toca, sem se aperceber (garanto-vos), com a mochila numa pessoa. Essa pessoa reage de imediato e começa a chamar nomes ao senhor, dizendo que o que ele merecia era um bom empurrão.
A cena pode parecer banal e normal. Aos olhos da sociedade em que vivemos, assim o é de facto. Mas e aos olhos de Deus? Como cristão, o que achas que Jesus faria naquele momento?
De certeza que olharia a pessoa com mais calma e perceberia que não reparou no que havia acontecido. Pensaria que foi só um toque, sem maldade, de um irmão cansado e com pressa para apanhar outro meio de transporte.
Deus está nas pequenas coisas. O senhor não se apercebeu de nada, mas Jesus viu tudo. Se somos mesmo seus amigos, não queremos que Ele se sinta mal com estas atitudes. Se O amamos de verdade, temos de olhar o mundo com os Seus olhos. Naquele momento, quem refilou só conseguiu duas coisas: enervar-se e perder a oportunidade de orar por aquela pessoa.
Não é fácil, mas vamos pedir a Jesus a graça de nos tirar as escamas dos olhos, para vermos melhor o nosso irmão e para perdoarmos como dizemos no Pai-Nosso, que rezamos, muitas vezes, a correr.
«Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido …»
Oração:
Jesus, dá-nos a paz e a serenidade do Teu coração e do Teu olhar. Ajuda-nos a perdoar em todas as situações. Ajuda-nos a ver-Te nos outros, em qualquer circunstância, pois Tu também estás nestes momentos mais banais da nossa vida. Nestes momentos em que, em vez de refilarmos, podemos orar, ajudando o irmão e aumentando o nosso Amor por Ti. Na certeza de que nos vais ajudar, agradeço-Te esta graça que já nos estás a dar. Amén.
sexta-feira, janeiro 21, 2011

«O jejum que me agrada é este: libertar os que foram presos injustamente, livrá-los do jugo que levam às costas, pôr em liberdade os oprimidos, quebrar toda a espécie de opressão, repartir o teu pão com os esfomeados, dar abrigo aos infelizes sem casa, atender e vestir os nus e não desprezar o teu irmão. Então, a tua luz surgirá como a aurora, e as tuas feridas não tardarão a cicatrizar-se.
A tua justiça irá à tua frente, e a glória do Senhor atrás de ti. Então invocarás o Senhor e Ele te atenderá, pedirás auxílio e te dirá: «Aqui estou!» Se retirares da tua vida toda a opressão, o gesto ameaçador e o falar ofensivo, se repartires o teu pão com o faminto e matares a fome ao pobre, a tua luz brilhará na tua escuridão, e as tuas trevas tornar-se-ão como o meio-dia.
O Senhor te guiará constantemente, saciará a tua alma no árido deserto, dará vigor aos teus ossos. Serás como um jardim bem regado, como uma fonte de águas inesgotáveis. Reconstruirás ruínas antigas, levantarás sobre antigas fundações. Serás chamado: «Reparador de brechas, restaurador de casas em ruínas.» Is 58, 6-12
sexta-feira, janeiro 07, 2011

Estava de joelhos e senti que alguém se ajoelhou ao meu lado. Continuei a minha oração de silêncio e contemplação, mas aquela pessoa ao meu lado fez-me desconcentrar. Suspirava, mas de uma forma muito angustiante. Olhei para o meu lado e vejo um senhor muito pobre, com um ar terrível de sofrimento. Um olhar que, ao mesmo tempo, transparecia uma grande fé e amor. Não sei explicar bem por palavras, mas ele olhava com uma ternura tão grande para Jesus …
Começou a ficar agitado e parecia que estava a sentir-se mal. Perguntei-lhe se precisava de ajuda. Disse-me que era habitual o que estava a sentir e que só precisava de apanhar ar. Agradeceu-me a atenção e saiu.
Cá fora estava muito frio, mas ele continuou ali à entrada da Igreja. Aquela situação fez-me muita confusão e acabei por sair, para ver como o senhor estava. Disse-me que a falta de ar se devia a sequelas de uma Hepatite C que tinha contraído há uns anos. Perguntei-lhe se estava a ser acompanhado e disse-me que sim. Nem todas as noites tinha onde dormir, mas já estava na lista de espera de um abrigo e havia pessoas que o ajudavam.
Não lhe quis fazer mais perguntas, por uma questão de privacidade, mas o senhor começou a contar-me que estava naquela situação por ter feito escolhas erradas. Falei-lhe da Misericórdia e do Amor de Cristo e dos Seus braços abertos para nos receber a qualquer momento. Ele disse-me que acreditava muito em Cristo e sabia que, se estava a recuperar, era graças a Jesus, que lhe dava forças para se levantar.
Já vi muitas pessoas a prometerem que se vão levantar. Umas acabam por fazê-lo, outras não, outras ainda não o fizeram. Neste caso, senti que este senhor está de facto a levantar-se e acredito que vai consegui-lo.
Mas, para isso, ele precisa de muita oração. Peço-vos para rezarem por ele. Entreguemo-lo ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria. Basta uma súplica, um Pai-Nosso, uma Ave-Maria … Seja qual for a oração, lembremos estas palavras de Jesus:
“Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles”
Mt 18,30
segunda-feira, dezembro 20, 2010
Crentes, ateus, agnósticos, etc. Ninguém fica indiferente ao exemplo do Menino que cresceu, se fez Homem e nos mostrou que a vida só faz sentido quando amamos sem pré-requisitos criados na nossa cabeça. Um óptimo Natal e um óptimo Ano Novo com muita paz e amor, apesar dos problemas do dia-a-dia!
quarta-feira, dezembro 08, 2010

quinta-feira, dezembro 02, 2010
Entrei na sala e de repente «rebentou a bomba»: "Não há dinheiro para pagar. Vão para o desemprego!" Tudo muda num segundo. Naquele momento passaram muitas imagens na minha cabeça. "Meu Deus! A casa, a saúde da minha mãe, o meu irmão ..." Enfim, eu e alguns colegas somos mais uns casos para as estatísticas do desemprego.
Foi um choque muito grande. Não estava à espera. Chorei, enervei-me, fiquei zonza, quis que tudo fosse um pesadelo ... Mas não era! Não tem sido nada fácil, mas continuo a louvar e a amar muito Cristo. Sei que Ele me dá a mão, me segura ao colo. Digo-o pelos 4 cantos do mundo! Sei que Ele não me abandona. Sei que escreve direito por linhas tortas. Esta porta fechou de repente e com força, mas outra ou outras se irão abrir segundo a Sua Vontade.
Ele sabe como me sinto traída e mal tratada ... Mas Jesus ampara-me neste momento. Perdou a quem me fez mal e a quem contribuiu para este fim. Perdou e rezo por essas pessoas. São pessoas vazias de Cristo, vazias de amor. Acham que têm muito, mas não têm nada. O que têm é levado pela traça, como diz Cristo.
Por isso, desempregados, não duvidem de Cristo. É muito duro, mas Ele não nos abandona. Parece que nos estamos a afundar, mas lembrem-se que isso é só aparente e que a mão Dele nos agarra de forma bem forte. Ele faz mais do que isso: carrega-nos ao colo e ensina-nos a caminhar no novo percurso, abrindo-nos novos horizontes. Não se esqueçam que amar a Cristo não é só nos bons momentos, mas principalmente no meio da tempestade e da escuridão.
Lembrem-se do que diz a Palavra:
"Acaso pode uma mulher esquecer-se do seu bebé, não ter carinho pelo fruto das suas entranhas? Ainda que ela se esquecesse dele, Eu nunca te esqueceria. Eis que Eu gravei a tua imagem na palma das minhas mãos." Is 49, 15-16
"Mas, sentindo a violência do vento, teve medo e, começando a ir ao fundo, gritou: «Salva-me, Senhor!» Imediatamente Jesus estendeu-lhe a mão, segurou-o e disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?» E, quando entraram no barco, o vento amainou. Os que se encontravam no barco prostraram-se diante de Jesus, dizendo: «Tu és, realmente, o Filho de Deus!» Mt 14, 30-33
segunda-feira, novembro 15, 2010
Para além da nossa vida …

Maria acabara de receber o anúncio do Anjo Gabriel. Ia dar à luz o Salvador. A situação era delicada. Como havia de explicar a José o que tinha sucedido? Como havia de explicar à família? De certeza que seria condenada à morte por lapidação (lançamento de pedras até à morte). Apesar de tudo, Maria sabe que a sua prima ia ser mãe e em idade avançada. Precisava de ajuda. Resolveu então pôr-se a caminho, ou seja, fazer alguma coisa.
terça-feira, novembro 02, 2010
Houve um problema com o espaço para darmos explicações. O local habitual não estava disponível e tínhamos de arranjar uma solução. No meio da confusão há uma menina que nos diz: “Podem vir para minha casa. Tenho espaço para todos e assim podemos fazer os trabalhos da escola.”
Aceitámos. Mal sabíamos o que íamos encontrar. A porta da barraca não tinha bom aspecto. A entrada era minúscula e havia uma parte sem chapa, que deixava passar o frio e o pó da terra batida. Quando entrámos, a menina sorriu e disse-nos:”Uns ficam no chão, outros na mesinha. Tudo se resolve.”
Para terem uma ideia, éramos 7 pessoas. O espaço que a menina nos mostrava com tanto amor, era um autêntico cubículo. Até eu, que tenho 1,50m, me sentia grande lá dentro. Aquela criança dava tudo o que tinha. Um cubículo, onde mal cabíamos, mas onde havia muito amor.
Lembrei-me das vezes que dizemos que não temos espaço para os outros. Seja em casa ou na nossa vida … Esta menina ensina-nos o que é dar e amar … Tal como Jesus nos ensina com o exemplo da viúva. Lc 21, 1-4
quinta-feira, outubro 07, 2010
"Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados, e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (Jo 21, 21-23).
O sacramento da Confissão ou Reconciliação sempre gerou polémica, apesar de ter sido Cristo a dizer as palavras que cito no início deste texto. Mas, polémicas aparte, vou falar deste sacramento da forma como o sinto. E faço-o como alguém que já passou pela fase de não o aceitar.
Numa das últimas confissões senti, mais do que nunca, como este sacramento é uma fonte de graças e uma reconciliação com o Pai. Depois de sair do Confessionário senti uma paz maravilhosa. Como é bom reconciliar-nos com o Pai! E naquele momento dei por mim a meditar nisto:
- Como é bom viver o sacramento da Reconciliação por amor ao Pai e não por medo. Como é bom pedir perdão a quem mais nos ama e a quem não nos vai atirar à cara os erros passados. Pelo contrário, mesmo sabendo a nossa dificuldade em mudar e mesmo sabendo que nalgumas coisas vamos voltar a cair, Ele confia em nós e dá-nos força para caminharmos. Esta força e confiança ajuda-nos a sair do buraco e a deixar vícios terríveis que magoam o Pai, que nos fazem mal a nós e aos que estão à nossa volta ...
- Como é bom saber que o Pai está sempre de braços abertos e nos aceita. Perdoa, ama-nos vezes sem conta. Ama-nos tanto que nos deixou este sacramento.
- Por que é importante ter este sacramento? Porque ajuda-nos a ser mais humildes, a meditar mais na Palavra de Deus
- Por que razão vamos ter com um padre? As palavras com que inicio este texto são de Cristo. Ele sabe o que é melhor para nós. Além disso, a confissão com alguém que é humano como nós, ajuda-nos a sermos mais humildes e a vermos quanto magoamos Jesus quando nos afastamos Dele. O embaraço que sentimos, por vezes, mostra-nos isso e ajuda-nos a cumprir o compromisso de não voltarmos a cometer certas asneiras.
- Há uma lição que nunca mais me esqueço. Na fase em que não aceitava este sacramento, li uma frase num livro de Ignacio Larrañaga que nunca mais me esqueço. Não tenho o livro comigo, mas deixo a menagem: "A fé é mais saber que sentir." E, de facto, a partir de certa etapa da nossa fé é assim. Eu não sentia nada de especial na Confissão, mas sabia que era um sacramento pedido por Cristo. Então, se confio Nele, por que hei-de deixar de ir à Confissão?
As nossas mães também se esforçam, quando somos pequeninos (e se calhar até depois) para que consigamos comer a sopa ou o peixe. Na altura não gostamos e não entendemos o que a mãe nos pede. Mas, mais tarde, vamos perceber que ela tinha razão. Com Cristo é o mesmo.
A partir do momento em que aceitei ir à Confissão, mesmo sem sentir nada, foi quando descobri a graça maravilhosa do sacramento de Reconciliação. Confia em Cristo e bebe desta fonte de Amor e Misericórdia! :)
sexta-feira, setembro 24, 2010
segunda-feira, setembro 13, 2010
E perante esta atitude do Pai, com cada um de nós, todos os dias, como agimos nós perante os nossos irmãos em Cristo? Quando eles voltam ao Pai, quando eles descobrem Cristo, como é que reagimos? Será que também os fazemos sentir amados, perdoados e com vontade de se perdoarem a si próprios e de agarrarem a vida em abundância que Cristo lhes tem para dar?
Ou será que ficamos com ciúmes e cheios de preconceitos, achando que o "pecador" não tem direito ao nosso amor e ao do Pai? Será que lhe atiramos à cara, vezes sem conta, o que fez? Não nos esqueçamos destas palavras de Jesus:
domingo, setembro 05, 2010
Abraça a cruz, abraça a vida, abraça a paz ...
«Quem não tomar a sua cruz para me seguir não pode ser meu discípulo». (Ler na íntegra Lc 14,25-33)
Palavras que podem parecer duras. Mas quando se dá o passo da entrega a Cristo e aos outros, percebemos que são palavras muito belas. Isto significa não haver cruz? Não! Há uma ideia muito utópica do que é viver Cristo e fazer o bem ao seu próximo (seja em casa, fora de casa, numa instituição, noutro país, etc). Na actual sociedade, muito enraizada no eu, pensa-se que o amor a Deus e ao próximo só pertence a umas almas iluminadas que têm muita força e que não se cansam.
Puro engano! Amar a Cristo e ao próximo implica entrega, oração, mas também dores nas pernas, um cansaço terrível que não nos pode impedir de sorrir, uma roda-viva para conjugar a nossa vida profissional e familiar com os outros, menos horas para dormir ... Dores que ainda são maiores para quem se tem de dedicar 24 horas (os consagrados ou, por exemplo, uma mãe e esposa que se dedica a cuidar dos pais acamados) ...
Há cruz, mas só depois de nos entregarmos desta forma é que vemos como a vida é bela e cheia de abundância (Jo 10, 10) ... Como diz a oração, consolemos mais do que sejamos consolados. Isto parece estranho, mas é verdade: é doando-nos aos outros e a Cristo com muita cruz, que conseguimos ter uma vida de paz e amor. Experimentem e vão dizer o que acabei de dizer. Todos os dizem há séculos e séculos. Se todos o dizem ... :)
Oração
Peço-Te, Jesus, que nos ensines a doar-nos a Ti e aos outros. Que a cruz não nos assuste. Liberta-nos e cura-nos das amarras que nos impedem de nos entregarmos. Tira-nos as escamas dos olhos, para vermos como é possível ser tão feliz, apesar do cansaço, das dores, dos sofrimentos ... Porque, tal como nos ensinas, a vida só faz sentido em partilha. Amén.
sexta-feira, agosto 13, 2010
Toca a ajudar!
Pinceladas por David
Exposição de pintura
10 de Agosto a 31 de Agosto
Casa da Música em Óbidos
Visitas: Das 9.00 às 23:30
Segunda a Domingo
Apoios: Óbidos Patrimonium, Câmara Municipal de Óbidos
Esta exposição decorre no sentido de angariar a verba necessária para que o David possa usufruir de tratamento para a Epilepsia em consulta particular de Neurologia Pediátrica.
Contamos com a sua presença.
terça-feira, agosto 10, 2010
No fim, Nossa Senhora abençoou os objectos religiosos e as pessoas, sobretudo os sacerdotes.
Mensagem de Nossa Senhora 2 de Agosto de 2010
sexta-feira, agosto 06, 2010
Há 15 dias partilhou memórias connosco. E, com um grande sorriso, não conseguia parar de olhar para mim e para a minha mãe e dizer que estávamos sempre no seu pensamento e no seu coração.
Esta partida dói-nos como se fosse alguém do nosso sangue. Os laços familiares não se cingem à parte biológica… Mas sinto a paz de Cristo! Sei que Ele e a Mãe a receberam de braços abertos!
Que a sua luz brilhe na Vida Eterna!
quarta-feira, julho 21, 2010
A Luz de Cristo quer chegar a todos
“Desde que vieram, o bairro ganhou luz e deixou de ser escuro!”. As palavras são de uma pessoa do bairro. No domingo celebrámos lá uma Missa. Mais uma vez fomos para o “quintal” de uma das senhoras e recebemos o Senhor com coisas bem simples. Os cânticos em crioulo e os passos de dança, antes da Proclamação da Palavra e no Ofertório, encheram-me de paz. Crianças e jovens, vestidas à africana, fizeram-me sentir aquele “cheirinho” tão agradável aos costumes africanos.
Aquela luz de que a D. Teresa falava era a luz de Cristo. Agradecia-nos por termos entrado num bairro desconhecido para levar o amor de Cristo. Agradecia-nos por nos dedicarmos ao bairro e por o termos descoberto. Nesse momento pensei como é importante fazer a ponte entre diferentes culturas e desmistificar a má imagem de quem sofre de exclusão social, sem fazer nada para que isso aconteça. De facto, na Missa também estavam pessoas convidadas que já foram ao bairro e que ganharam lá amigos. Abriram-se as portas do bairro … Não estão totalmente abertas, mas comparando com os primeiros tempos …
E naquele momento pensei: “Sim, é isto que Cristo quer.” Irmos ao encontro dos outros …. Cristo veio para todos e quer ajudar-nos em tudo na nossa vida. Jesus quer alimentar as pessoas que estão “no escuro” com a Sua Palavra, com carinho, com uma palavra de conforto, com explicações que ajudam a passar a Português e a Matemática … E quer que sejamos outros Cristo para fazermos tudo isto e muito mais.
Temos muito a tentação de que os gestos de amor têm de ser grandes e bem visíveis. Mas não tem de ser assim. Lembremo-nos de Cristo. Ele não fez apenas milagres que causavam espanto a muitas pessoas. Ele fazia milagres a cada momento ao falar com os excluídos da sociedade, como a mulher samaritana ou os leprosos. Não curava apenas o corpo. Curava sobretudo a alma doente de quem se vê “posto de parte”. Estes gestos de amor curam a alma e o corpo!
Não temos meios quase nenhuns, somos poucos a ajudar, temos de fazer uma grande “ginástica” para conjugar a missão do bairro com a missão do nosso dia-a-dia, cheio de responsabilidades e dificuldades. Há alturas em que é terrível ver que não conseguimos ajudar mais. Quantas vezes olho para as crianças e os jovens e sinto que não lhes conseguimos dar toda a ajuda de que necessitam para estudar … Mas aí, Cristo diz-me:” “Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se revela, totalmente, a minha força.” 2Cor:12,9.
Então, assim seja. Que Cristo molde esta missão da maneira que achar melhor e que nos dê o Seu Espírito para discernirmos o caminho a seguir …









